Aqui, neste misérrimo desterro
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Aqui, neste misérrimo desterro
Doce é o fruto à vista, e à boca amaro
Não quero as oferendas
Ninguém a outro ama
Ergo-me da cadeira com um esforço monstruoso
Não quero recordar nem conhecer-me
Não inquiro do anônimo futuro
Nada fica de nada. Nada somos.
Quanta tristeza e amargura afoga
Aos deuses peço só que me concedam
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre
Ah as horas indecisas...
Que mais que um ludo ou jogo é a extensa vida
Com que vida encherei os poucos breves...