10. Garantir acesso amplo e irrestrito a dados de interesse da sociedade é uma forma de empoderamento individual, pois tira o poder de narrativa dos poucos agraciados que antes podiam fazê-lo. Qualquer movimento no sentido de restringir o acesso deve ser repelido veementemente.
Posts by Frankito, o Curioso
9. Lembrando que, aparentemente, estes dados nem mesmo estavam disponíveis há pouco tempo, o Metrópoles precisou entrar com solicitação via LAI para ter acesso a eles em 2024. Já avançamos, mas dá para avançar mais.
8. O correto numa gestão transparente seria tornar os dados públicos E TAMBÉM facilitar o acesso a eles via navegação e consulta intuitivas - no exemplo citado, bastaria já aparecer na tela principal os valores destinados àquele CNPJ, não as somas das ordens bancárias.
7. Somente neste ponto que é disponibilizada a lista de beneficiários detalhada, com valor individualizado, data de pagamento e CNPJ correspondente.
Percebam o quão longo é o caminho para chegar até aqui - desanima quem não é persistente.
6. Uma vez de posse da lista de OBs, usa-se este arquivo CSV como base para uma query, mas desta vez num outro lugar - na API do Portal da Transparência. Precisa solicitar um token para ter acesso. A requisição deve ser feita em linguagem Java ou PHP.
5. Qual a alternativa? Pela tela anterior, consultar uma entidade que sabidamente arrecada desde tempos imemoriais, como a Contag - e baixar os dados correspondentes. Teremos aí uma lista de todas ordens bancárias com datas e valores totais empenhados.
4. Dá para baixar? Dá!
Mas precisa fazer isto manualmente, mês a mês. Imagine isto numa serie longa como esta, iniciada em 2014.
3. O que ocorre é que o resultado é agrupado por ordem bancária - cada uma inclui muitos pagamentos simultâneos. Apenas ao clicar nela, vemos o detalhamento dos valores para beneficiários finais.
2. Consultando a execução da despesa pública pelo CNPJ da entidade (neste caso aqui a MasterPrev), aparece um valor, mas que não é exatamente o que parece.
1. Como exemplo: os dados dos descontos do INSS para entidades de aposentados estão todos no Portal da Transparência do governo federal. Até aí tudo bem.
O problema é o PROCESSO para chegar até eles, bem mais complicado do que deveria ser...
Meu post de hoje é sobre transparência nos dados, focando num aspecto poucas vezes abordado: não é sobre a disponibilidade dos dados em si, mas sobre a facilidade de acesso.
Segue o 🧵
19. A sociedade, a mídia e a classe política (falo de ambos os lados do espectro ideológico) pouco aprenderam com a pandemia. Em caso de uma nova pandemia, não acredito que estes entes estariam melhor preparados que antes.
FIM
18. Diferente do nosso presidente, o então presidente dos EUA, Donald Trump foi grande incentivador da corrida pelas vacinas e início da vacinação rápida (quis até atropelar procedimentos para tanto).
17. Nosso lockdown foi errático: excessivamente duro com escolas (que deveriam ter reaberto antes), totalmente leniente/para inglês ver na periferia pobre.
16. Esqueçam aquilo que 80% dos óbitos por Covid no Brasil seriam facilmente evitáveis. Apesar de ter sido dito por alguém que supostamente seria porta-voz da ciência, isto não tem embasamento científico.
15. Lembram de Uttar Pradesh, estado indiano que supostamente seria exemplar por ter poucos óbitos por Covid?
Ele não apenas registra poucos óbitos por Covid - registra poucos óbitos por qualquer causa. É um estado paupérrimo e com a pior qualidade de dados da Índia.
14. A forma como a grande mídia tratou a ciência não condiz com a própria natureza da ciência: elegeram alguns poucos porta-vozes, omitindo o debate.
13. O tão citado consenso científico não era tão consensual assim em relação às medidas de isolamento social - simplesmente não havia conhecimento suficiente para tanto.
12. A despeito de termos um bom registro de mortalidade, tivemos um PÉSSIMO registro de casos - fruto de testagem não apenas insuficiente, mas também de virtual inexistência de um registro consolidado de testes.
11. O efêmero Ministro de Saúde Nelson Teich, a despeito de ser ridicularizado pelo grande público por não se comunicar bem, tinha o melhor plano (e capacitação) de todos: investir em inteligência para melhorar os sistemas de informação. Teria ajudado demais.
10. Doria, a despeito de ter desmpenhado importante papel para iniciar a vacinação rapidamente, divulgou algo absurdo/sem amparo científico quando da aprovacão da vacina: que ela ofereceria 100% de proteção contra óbitos. Uma desinformação desavergonhada.
9. Poucos se lembram que a Rússia teve influência grande sobre parte da nossa direita num primeiro momento: queria implantar o modelo russo de registro de óbitos (que acabaria subnotificando ~70% dos óbitos por Covid por lá) e a obscura e pouco eficaz vacina Sputnik V.
8. Nossa esquerda se calou quanto a negacionistas da pandemia que estavam do mesmo lado ideológico - como Lopez Obrador, então presidente do México.
7. A comunicação da OMS no primeiro ano foi desastrosa, jogou ruído onde não precisava.
6. O modelo chinês de enfrentamento da pandemia foi possivelmente o mais eficaz de todos. No entanto, recorreu a medidas draconianas não aplicáveis em países que não são ditaduras. E a falsificação dos números foi escandalosa.
5. Já a Argentina foi bem mal: um alto excesso de óbitos a despeito do longo lockdown (ajudado possivelmente pelo uso de vacinas menos eficazes que as nossas) - e má qualidade dos dados (subnotificação, atrasos).
4. Comparando com pares, o Brasil não foi tão mal assim. O excesso de óbitos foi menor que o de países similares e a qualidade dos registros de mortalidade foi das melhores na América Latina.
3. Dentre países de porte, o Brasil foi o único no qual o presidente desencorajou publicamente a vacina.
2. O termo "genocida" não é aplicável a Bolsonaro. Foi um factóide criado pela oposição, mas sem embasamento formal.
Passados 5 anos do início da pandemia, eis aqui uma lista de posições que defendo que vão contra o lugar-comum ou não são das mais populares:
1. Vacinação contra Covid não deveria ter coerção estatal (porque não precisaria, só gerou polêmica desnecessária)
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