Matías Vernengo (@nakedkeynes.bsky.social):
"There is no Milei miracle. It’s exchange rate stabilization based on unsustainable external financing paired with painful domestic austerity. Argentina isn’t fixed and the crisis is just deferred".
Posts by Vicente Ferreira
eu é que agradeço!
E socialmente injusta porque afeta de forma diferente grupos diferentes: tende a prejudicar quem tem dívidas, penalizando sobretudo quem se encontra nos escalões de rendimento inferiores, e a beneficiar credores e/ou detentores de ativos financeiros. 4/
Contraproducente porque, ao encarecer o crédito, a subida das taxas de juro dificulta os investimentos em projetos de energias renováveis (intensivos em capital), precisamente quando são mais necessários para reduzir a exposição a combustíveis fósseis. 3/
Ineficaz porque a taxa de juro não tem efeito sobre os preços da energia. Atua sobre o lado da procura, comprimindo a atividade económica, quando a origem da inflação atual são os constrangimentos do lado da oferta, à semelhança do que se verificou em 2022. 2/
academic.oup.com/icc/article-...
"In the longer term, profits from fossil fuel companies flow to the people who own shares in them through retirement funds, hedge funds and other vehicles. A recent study [...] found that the wealthiest 1% of Americans reaped about half of the benefits after 2022".
@isabellamweber.bsky.social
Na Zona Euro, a taxa de inflação subiu para 2,5% em março, sobretudo devido ao aumento dos preços da energia provocado pela guerra. Embora haja pressão sobre os bancos centrais para subirem as taxas de juro, essa é uma resposta ineficaz e contraproducente, além de socialmente injusta 👇🏽
"TotalEnergies dominated the Middle East’s physical oil market in March, taking advantage of the wartime disruption to make a bumper profit. TotalEnergies was able to make its enormous profit by using so-called “paper oil” instruments, such as futures, options and swaps, to bet on prices rising."
"The threats from energy and fertiliser are unfolding against a backdrop of increasingly volatile weather linked to climate change. When fertiliser use is constrained and weather conditions are also adverse, the effects reinforce each other."
The world energy shock is coming — it will deepen inequality in ways we've seen before. Our new
@newstatesman1913.bsky.social piece argues that without urgent government action, the Strait of Hormuz crisis will ripple through our economies and rip apart our societies. Here's why. 1/
🙏🏽 obrigado. Excelente ponto sobre o redirecionamento da oferta de gás, que ainda pode agravar os problemas na Europa depois de nos termos tornado bastante dependentes de importações dos EUA (sobre isso, li recentemente esta análise útil)
Um relatório do Climate Change Committee conclui que o investimento necessário para atingir zero emissões líquidas de carbono até 2050 é inferior ao custo económico de uma crise energética como a de 2022. Por outras palavras, investir na transição energética compensa. 15/15
Vale a pena olhar para o sucesso de países como a Noruega nos incentivos do Estado aos carros elétricos, mas as baterias também envolvem custos ambientais. É indispensável investir na rede de transportes públicos para reduzir deslocações individuais. 14/
Portugal tem condições privilegiadas para as renováveis, que já produzem 80% da eletricidade. Ainda assim, continuamos com forte dependência de petróleo importado, sobretudo nos transportes, o que sugere que é preciso investir na redução do consumo de combustíveis fósseis. 13/
A médio prazo, a resposta mais eficaz passa por reduzir drasticamente (e eventualmente eliminar) a dependência de combustíveis fósseis. Espanha é um bom exemplo de como expandir a energia solar e eólica contribui para reduzir a dependência do gás. 12/
4. Planear a redução coletiva do consumo se houver escassez de combustíveis. Incentivar o teletrabalho pode ser útil para reduzir deslocações, mas não é para todos e tem de ser complementado com reforço da oferta de transportes públicos e gratuitidade. 11/
3. Tributar os lucros extraordinários para impedir o aproveitamento da crise e financiar as restantes medidas de apoio, definindo a base de incidência e o limiar a partir do qual o imposto se aplica de forma a garantir que é eficaz. 10/
2. Regulação dos preços do gás, que funcionou em países como a Alemanha, onde o governo definiu um sistema com dois níveis, com um preço mais baixo para o consumo considerado essencial e preços de mercado para o consumo acima desse valor. 9/
Para lá das reduções de impostos para alívio imediato, há quatro tipos de medidas que ganham relevância:
1. Voltar a desacoplar o preço da energia renovável do gás, seguindo a experiência do "mecanismo ibérico" que ajudou a conter as faturas da eletricidade. 8/
A experiência recente mostra que subir os juros é ineficaz: ataca a procura quando o problema é do lado da oferta. Trava o investimento - incluindo na transição energética - e penaliza mais quem tem dívidas, sem baixar o preço do petróleo ou do gás. 7/
Isto tem impacto nos preços da eletricidade, já que, no mercado europeu, o preço é determinado pela última central necessária para satisfazer a procura em cada período. Em 2022, a subida abrupta do preço do gás propagou-se rapidamente à eletricidade e encareceu as faturas. 6/
O mercado do gás natural também viu os preços disparar, visto que os países do Golfo pérsico concentram uma parte significativa da oferta mundial e que os ataques estão a provocar danos que poderão demorar vários meses a reverter. 5/
Com o conflito no Médio Oriente, as margens de refinação do petróleo voltaram a subir a pique. Uma nova vaga de lucros extraordinários vai traduzir-se numa transferência de rendimento de quem gasta mais em energia - sobretudo quem ganha menos - para o topo da distribuição. 4/
Durante o último choque energético (2022-2023), essa dinâmica coincidiu com lucros recorde das grandes petrolíferas, que registaram lucros de $281 mil milhões e alcançaram recordes na distribuição de dividendos aos acionistas. 3/
A relação entre o preço do petróleo e o dos combustíveis não é simétrica: os preços da gasolina e gasóleo costumam acompanhar rapidamente as subidas do petróleo, mas demoram a acompanhar as descidas. O poder de mercado ajuda a explicar porquê. 2/
fredblog.stlouisfed.org/2022/06/oil-...
O choque de preços provocado pela guerra não afeta todos da mesma forma. Dos combustíveis à eletricidade, passando pelos juros, as opções de política económica determinam a distribuição dos custos 🧵
Ainda é cedo para saber se o conflito no Médio Oriente vai trazer uma nova crise inflacionista. Mas os riscos de um aumento do custo de vida não se resumem à guerra e há um conjunto de lições relevantes a retirar da experiência dos últimos anos.