Conseguiu, mas chegou a pensar que era pouco.
Posts by Pedro Salgado
Ensaiou a perda antes que viesse. Nada adiantou.
Disse o que era. O outro só ouviu o que bem quis.
Acabou. Só que ainda carregava como se fosse.
Serviu ao outro. Não sobrou nada para si mesmo.
Recebeu ajuda, mas queria algo que não existe.
Suportou tudo, mas custou caro e não se notou.
Desistiu da dor e tratou o vazio como destino.
Quis consertar quem não pediu nem precisava.
A boca se calou, mas o corpo não. Recusou mentir.
Agradeceu sem sentir. E repetiu para acreditar.
A pressa curou o que não pôde compreender.
Segue à espera, mas não por crer. Só por costume.
Guardou a frase. Não só por temer. Por saber muito.
Soube o que era, trocou de ângulo e fingiu ser paz.
A ausência não foi notada. Nem por quem saiu.
Forjou quem era. Convenceu todos. E chegou a crer.
Antes de chorar, o corpo esperou estar sozinho.
A rotina ocupou tanto espaço que a presença saiu.
Confiou de novo. Mas com a chave segura no bolso.
A conclusão veio tão depressa que atropelou o fato.
A ajuda chegou. Mas o incômodo não era aquele.
Deixou de estar antes mesmo de resolver partir.
Alguém de fora teve de permitir que existisse.
Saiu bem antes de perceber que só queria ficar.
De tanto ceder para caber, não se acha mais.
Tem gente que se repete porque nunca se ouviu de verdade.
Às vezes, não é o tempo que atrasa. É tentar estar onde não cabe.
Concordo. A dor não espera a razão antes de chegar.
Não é apenas uma frase, mas uma constatação verdadeira.