Diante do desespero
de outrem,
há já, naturalmente,
ensaios que dizem
como não agir com
espontaneidade:
Dissimule teu
Foda-se!
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Meu semblante de hoje,
e é sempre hoje que me
situo empiricamente no
tempo, é semelhante a
folha de rosto de um
livro que jamais foi lido
por ninguém em tempo
algum.
As marcas de expressão
de minha face são
análogas aos erros
de impressão da folha
de rosto, de modo
recíproco e mútuo.
Às vezes
as vezes
não.
Quando
não
quase
sempre
nunca: a
vida toda
uma vida
inteira.
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Um viva! ao amor.
Amor a me morder
Amor mor maior
Amor melhor
A me amar.
Amor mordaz
Daqueles que
a gente adora
Morrer...
e quem aqui
não morrerá?
pazanarquia.blogspot.com/2026/04/morr...
Antes da criação Deus vivia só.
Pensava por vezes ser nada, ou
servir pra nada, e quando muito
triste, nada era. Agora, hoje,
depois de nos fazer:
Deus é tudo, tudo é Deus e Deus
pode tudo.
Deus arrependido e cansado de
resolver tudo, só queria sumir,
servir pra nada.
Emite Luz
Imita Deus
Erradia Trevas.
Todo poeta é
um mímico em
um eterno
arremedo da
escuridão.
Mais mímese do mesmo.
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/mesm...
Umedeço o bico da pena na tinta,
como poeta, como umedeceria meus
lábios no molhado pronunciado que
os lábios teus me expõe à boca...
e escrevo apaixonadamente poemas
como se estivesse a te chupar a
buceta toda.
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/impe...
Se se
enceguece-se
abruptamente
apenas por
olhar, veja,
eu ignoro,
eu ignoro
de olhos abertos
azuis o Sol, e
perceba que
ignorar é deixar
no escuro quem
também irradia
e s c u r i d ã o.
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Toda certeza
soa à síntese
exceto axioma
ou inclusive.
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/ente...
Tive um sonho e acordei em
desespero. Nesse sonho o
mundo era todo de entes
invisíveis e eu era um espelho.
Sonhei que Deus havia morrido
e acordei vestido para o luto.
Fui ao enterro de pijamas como
eu havia dormido.
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Eu nasci morrer.
Não nasci natimorto,
tampouco suicida.
Nasci morrer como
surge um mineral
sem vida, e que por
isso mesmo irá
morrer jamais.
Sou uma rocha por dentro.
Comovida.
E o oposto
de outras
rochas onde
musgos crescem
ao redor sobre.
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/eu-n...
Queria eu ser
não ser humano.
Queria eu ser
um Não-Ser,
se a possibilidade
única for apenas
pertencer à humanidade,
não desejo existir,
não quero ser humano.
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/nao-...
Como ontem foi
e como hoje está
sendo, amanhã
será o pior dia
da sua vida,
e assim será
ainda por muito
tempo, até o
último dia,
até a morte.
Mas não se mate agora,
nem desanime, descanse,
pois lembre-se sempre
que Deus está e estará
contigo a cada momento
em todos os instantes.
De seda de Lótus o que
torna-se mármore era.
O toque sutil não mais
a pele macia sente,
agora é de impenetrável
pedra a sensação que
tenho ao tentar acariciar
a alma...
fria estátua amálgama o
corpo dela...
e à minha musa
petrificada meu coração
se assemelha a Ela.
Descer à morte:
de se amar
de ser maior.
Desejo de ser a morte,
descender em silêncio
ou dizer:
diz ser a morte!
Te ser amor
Te ser o mar.
Desejo tecer a mor te...
ou ter ares de.
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/tear...
A ver o que tem entre:
o molhado do orvalho
sobre gramíneas quando
a manhã dá-se ao dia,
e o úmido sob tuas
pálpebras quando arde
ou como se ardesse a
tristeza em tua objetiva.
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Vasto como é o espaço entre
minha cabeça e o tamanho do
núcleo de um átomo, e o que
disso advém é variável conforme
faço valer à força a força poética
de minha alma:
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/que-...
...mas não há tempo
hábil para isso quando temos
de adiar o hoje para pre-ver
o futuro: me lembro quando ontem
foi um amanhã distante...
e quando depois de amanhã for anteontem, calendário algum será capaz de nos dizer que dia será hoje.
Ser poeta
é viver
sob a
influência
de um bom
Demônio,
é viver sob
o peso
de um Deus
do mal e
ser para Eles
referência
de ótima
leitura.
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/dele...
E quando me reconheço
o mesmo, desfruto o
instante fingindo ser
outra pessoa,
contemplando de dentro
para fora o Eu
observado.
Jamais deixei de ter e
apreciar esse meu estranho
hábito, pois eu sempre
fui o mesmo.
pazanarquia.blogspot.com/2026/03/o-eu...
(...)
solado dos meus passos:
muito desta Terra, desse
solo, passou por mim en-
quanto eu por sobre os
pés me permiti levar...
onírico...empírico...
e os horizontes fantásticos
que me viram passear,
ainda hoje guardam no
esquecimento de suas me-
mórias o exato instante
em que me imaginaram
passar.
O reflexo do espelho
em mim sou eu,
reflete a translúcida
superfície espelhada
sobre isso - há um
quase-minuto atrás
era outro esse mesmo
Eu de agora.
pazanarquia.blogspot.com/2026/02/vitr...
Debruçado sobre o caderno
sobre os joelhos sobre os
calcanhares sobre o chão
sobre o subterrâneo sobre
o céu sobre minha cabeça
sobre meu pescoço e ombros
sobre meus braços sobre
minha mão sobre a pena
sobre o caderno sobre os
joelhos...
pazanarquia.blogspot.com/2026/02/hard...
(...) salvo naquele
i n s t a n t e.
E t e r n i d a d e, indefinição do
termo...do tempo: um corredor
frio com fim interminável, o
calor se dissipa ao largo, rápido,
resta-nos pequenos átrios, preferir
os efêmeros e ternos instantes.
pazanarquia-phoda.blogspot.com/2026/02/inst...
Depois do
silêncio que
passa fica
só o ruído.
Quase ocaso
intacto não
fosse a vida.
pazanarquia.blogspot.com/2026/02/ad-i...
Um pensamento suicida em
fuga da cabeça, saiu pela
boca em silêncio em um
descuido da fala, dizia,
pulou para fora,
desapercebido, junto ao
fonema, e pela leveza de
sua natureza, ficou para
sempre vagando junto ao
vento. Não se arrebentou
no chão como queria.