(Fernando, 6/5/1920)
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Então o meu Bebé fez-me uma careta quando eu passei?
Então o meu Bebé. que disse que me ia escrever ontem, não me escreveu?
Então o Bebé não gosta do Nininho?
(Ofélia, 17/9/1929)
Hei de castigá-lo severamente, porque podia dar-me alegria e não quis
(Fernando, 24/9/1929)
A minha (?) pequena Vespa gosta realmente de mim? Porque é que tem esse gosto estranho pelas pessoas de idade?
(Ofélia, 17/9/1929)
sempre esperei que me telefonasse mais tarde, mas o Fernandinho não quis, maçava-se, nem quis escrever nada. Só eu é que quis escrever-lhe duas vezes no mesmo dia. Estou aborrecida, estou triste e estou zangada. Olhe vou-me deitar, pronto
(Fernando, 2/7/1920)
Sobressaltou-me a tua carta, e apoquentou-me imenso. O que é que tu tens? Andas agora sempre doente, sempre triste, sempre misteriosa
(Fernando, 26/9/1929)
Como, porém, se dá a circunstância de o sr. eng.º Álvaro de Campos ter que me acompanhar amanhã durante grande parte do dia, não sei se será possível evitar a presença - aliás agradável - desse senhor durante a viagem para umas janelas quaisquer de uma cor que me esquece
(Ofélia, 26/9/1929)
Que triste ideia teve em encarregar o Sr. Engenheiro Álvaro de Campos de escrever-me? Ele afinal não é seu amigo, trata-o tão mal! E não sendo seu amigo também o não é meu, e não sendo meu amigo eu também não sou amiga dele, portanto não gosto dele, detesto-o pronto
(Fernando, 24/9/1929)
Ora a minha Vespa, que aliás será vespa mas não é minha, vai-me dizer o que lhe há-de escrever, que lhe seja agradável, uma criatura cuja inteligência caiu algures na Rua do Ouro, cuja lucidez ficou debaixo de um camião ao virar para a Rua de S. Nicolau, e o resto exatamente
(Ofélia, 1/10/1929)
A consolação que me resta é que Deus recompensa generosamente as pessoas que de bom grado se sacrificam na vida, e eu também hei de ter uma compensação. Hei de ter o meu querido Fernandinho junto de mim para sempre para compensar o que sofro atualmente por o não ter
(Fernando, 25/3/1920)
Adeus, amor. Beijos, beijinhos, beijões, beijicos, beijocas, e bejerinzinhos do teu, sempre e muito teu
(Ofélia, 22/8/1920)
Estou escrevendo-te e chorando nervosamente, não digo isto para tentar comover-te, perdia o tempo, pois sei que te não comoves com as minhas lágrimas
(Fernando, 17/8/1920)
Pasma, ente pequeno e péssimo! aqui te estou escrevendo, contra meu hábito, uso e costume! Parece impossível - mas não há dúvida. A pena corre sobre o papel, tem tinta e por isso produz letras. Essas letras formam palavras... mas (diga-se a verdade) essas palavras não têm um sentido por aí além
(Ofélia, 22/11/1929)
Sabe que o bigode do Íbis faz cócegas na boca da Íbis? Mas que grande surpresa! O bebé gostou muitíssimo e agora fica com saudades...
(Fernando, 9/10/1929)
e vou acabar porque estou doido, e estive sempre, e é de nascença, que é como se diz desde que nasci, e eu gostava que a Bebé fosse uma boneca minha, e eu fazia como uma criança, despi-a, e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece impossível de ser escrito por um ente humano, mas é escrito por mim
(Ofélia, 6/4/1931)
Seu feio nem ao menos se lembrou de me telefonar. Apesar de ter sido os anos do Carlos passei um dia tristíssimo, o que vale é que o demónio não está sempre atrás da porta, como se costuma dizer, e tenho a certeza que também há de chegar o meu dia de alegria