Posts by Emerson U. Cervi
Está cada vez mais evidente que qualquer mudança no cenário atual dependerá muito mais de variações do atual "não-voto" do que entre aqueles que já estão com posição a favor de algum candidato.
Já o Bolsonaro (Jair) da disputa em 2022 estava pior que o Lula de 2022, empatado tecnicamente com o Lula de 2026 e bem melhor que o Bolsonaro (Flávio) da disputa de 2026, que apresenta o pior desempenho entre os quatro nas duas disputas em citações espontâneas no mesmo período.
Assim, o candidato Bolsonaro contribui duas vezes mais com o crescimento de "não-voto" em 2026 do que o candidato Lula. Do que se depreende que em 2022 Lula na oposição estava melhor que o pré-candidato Bolsonaro à reeleição e do que Lula, em 2026, como pré-candidato à reeleição.
Se comparar Lula 2022 com Lula 2026 a diferença fica em -4 pontos percentuais na atual disputa. Se compararmos Flávio Bolsonaro de 2026 com Jair Bolsonaro de 2022, a diferença é de -10 pontos percentuais para a atual disputa.
Se comparar Lula de 2022 (33%), na oposição, com Jair Bolsonaro (27%), à reeleição, temos uma diferença de 6 pontos percentuais. Se comparar Lula de 2026 (29%), à reeleição, e Flávio Bolsonaro (17%), na oposição, a diferença fica em 12 pontos percentuais, o dobro da anterior.
Isso indica tendência de disputa bipartidária. Em outras palavras: a diferença a mais de "não-votos" não se dá por redução na citação de outros candidatos, que continua o mesmo. O cenário pode mudar durante a campanha, o que afastaria 2026 do que tem ocorrido até então.
Isso nos dá algo em torno de 15 pontos percentuais a mais de eleitores que não citam nenhum candidato em 2026, mas que em 2022 já apresentavam um nome espontaneamente. Olhando para outros candidatos citados, a proporção é praticamente a mesma nas duas eleições, entre 7% e 6%.
Considerando o mesmo momento pré-eleitoral, em 2026 temos mais "não-voto" espontâneo do que tínhamos em 2022. Os indecisos agora representam 39%, contra 27% de 2022. Some a esses 12 pontos percentuais de diferença, outros três pontos a mais de brancos de nulos (vai de 6% a 9%).
Até aqui, tudo indica que não teremos - novamente - uma eleição de realinhamento. Os eleitores continuam se dividindo entre duas principais opções - as mesmas da eleição anterior. Então, existe uma diferença importante entre os dois momentos registrado pela CNT/MDA? Sim.
Saiu ontem pesquisa quadrimestral da CNT/MDA e, com isso, podemos comparar as manifestações espontâneas de voto para presidente de abril de 2026 com as de maio de 2022 e identificar onde estão as diferenças e semelhanças entre os dois períodos pré-eleitorais (ver gráfico).
Se Lula perder será a primeira eleição com novo desafiante vencedor que não o próprio Lula.
O eleitor médio encontrará essa opção? De qualquer maneira, a eleição de 2026 será um marco: Se Lula vencer se transformará no primeiro a ser reeleito com avaliação negativa ou próxima a zero (pelos dados até março de 2026).
Haverá, em 2026, um desafiante para ocupar a posição que Lula teve em 2002 e 2022? Esta é a questão. Não basta que o governo esteja mal avaliado para ser substituído. É preciso que exista uma alternativa que se apresente como melhor opção que o atual para o eleitor.
Agora, em 2026, caso se mantenha a tendência atual, Lula deve chegar nas eleições com saldo próximo a zero, mas, ainda assim, negativo. A diferença em relação aos outros dois casos é que agora Lula está no governo e não é o desafiante.
Nos casos de vitória da oposição, segundo mandato de FHC e primeiro de Bolsonaro, o saldo de avaliação do governo no momento da eleição era negativo. No caso de FHC era próximo a zero, mas, negativo. E, também nos dois casos, o candidato de oposição que venceu a eleição foi Lula.
A curva do saldo de avaliação de Lula é parecida com a de Bolsonaro, porém, com menos intensidade. Em resumo, os dois momentos em que tivemos substituição, por via eleitoral, de um governo pela oposição foi em 2002 e em 2022.
Os 39 meses do terceiro mandato de Lula mostram um início com avaliação positiva e gradual queda, passando a saldo negativo no meio do mandato e continuando em queda até o final de 2025. Só então começa a recuperar o saldo, mas, sem sair do vermelho até março de 2023.
Bolsonaro, em 2019, começa com saldo positivo, com queda acelerada, oscila entre negativo e positivo, até que no último ano tem nova queda. Ele termina o mandato com saldo próximo a zero (+3 pontos percentuais), apresentando melhora na avaliação após a derrota eleitoral.
Temer assume com saldo negativo e apresenta constante e gradual queda, até chegar ao ponto mais negativo de saldo de avaliação dos últimos 40 anos (-77 pontos de saldo em julho de 2018), tendo avaliação mais negativa que Sarney e Dilma.
Já no segundo mandato, Dilma começa com saldo negativo, cai, chega próximo ao ponto mais baixo de Sarney, para apresentar pequena melhora no final, quando está próximo o impeachment.
O primeiro mandato de Dilma começa com saldo positivo alto, apresenta oscilação e queda a partir da metade do período, para terminar com saldo em torno de zero (-4 pontos de saldo em dezembro de 2014).
No segundo mandato de Lula há uma tendência de crescimento do saldo positivo e ele termina o mandato com o maior saldo de avaliação positiva de toda a série histórica, em torno de 60 pontos de saldo, com +75 pontos em dezembro de 2010.
Em 2003 Lula inicia o mandato com saldo positivo em +71 pontos, vai apresentando quedas e oscilações na primeira metade do mandato, chega a ficar negativo no início do último ano (efeito Mensalão), mas, apresenta recuperação e termina 2026 com salto positivo de + 44 pontos.
Mas, FHC termina o primeiro mandato em saldo positivo (+9 pontos de saldo em dezembro de 1998). Já o segundo mandato de FHC é praticamente todo com saldos negativos, apresentando poucos meses acima de zero.
Itamar assumiu no mesmo ponto deixado por Collor, caiu, mas, terminou com salto positivo (34 pontos de saldo, fruto do plano Real). O primeiro mandato de FHC começa de onde Itamar deixa, oscila em torno de saldos positivos quase todo o período e começa a apresentar queda ao final
Collor começou com um dos saldos positivos mais altos, acima de 50 pontos, mas apresentou queda constante até as vésperas de seu impeachment, quando teve recuperação e terminou positivo.
Em todo início de primeiro mandato o saldo é positivo. Sarney teve um breve início positivo e depois caiu, chegando a ultrapassar os 50 pontos de saldo negativo, o segundo pior valor da série histórica (-66 pontos de saldo em dezembro de 1987).
Linhas acima de zero indicam saldo de avaliação positivo, abaixo de zero significa que a avaliação negativa é maior que a positiva no mês.
O nome do presidente está na posição em que ele termina o mandato. Para os meses sem medição foi usada a técnica de interpolação linear.
Esse é para machucar os coraçõezinhos com mais idade. Saldo de avaliação (diferença entre positiva e negativa), por mês, nos últimos 40 anos, entre janeiro de 1987, início do governo Sarney, e março de 2026, medição mais recente.