Como a guerra definitivamente não é bela, a preocupação daquela gente com o mal-entendido parece legítima. Falta explicar por que o próprio latim conviveu muito bem, por séculos, com essa suposta pedra no caminho da inteligibilidade.
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Posts by Sérgio Rodrigues
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O sonho da internet era que os seres humanos, expostos a informação infinita, se tornariam mais sábios. Corta para o presidente dos EUA anunciando em rede social: "Uma civilização inteira morrerá esta noite". Opa, parece que alguma coisa deu errado aqui.
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Por se confundirem com a lei e a administração pública numa terra que até um punhado de décadas atrás tinha sólida maioria analfabeta, as letras sempre tiveram por aqui papel mais de cifrar, impressionar e intimidar do que de decifrar, debater e produzir conhecimento.
Mas já não fez, né? Conseguiu se livrar do 7 a 1
Gente pedindo Neymar na Copa (entre ex-jogadores sou mais o Zico) diante da derrota feia para uma França afiada ilustra bem o buraco em que a seleção se meteu. Um ciclo jogado no lixo pela CBF e Ancelotti trazido na última hora como salvador são outros lados do mesmo pensamento mágico.
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Fiz com a IA o que ela faz com a gente: imitei-a. Mas como satirizar o que traz em si todos os elementos da sátira pronta, com exceção da consciência do ridículo?
Nunca foi tão fácil confundir, criar incerteza, fugir de regulações, pôr abaixo estruturas psicossociais construídas ao longo de séculos, transformando toda a população da Terra em cobaia de artefatos tecnológicos que são propriedade de meia dúzia de pessoas.
Cafonas, sim. Um bilhão de vezes cafonas. Num país que, ainda por cima, está entre os mais desiguais do mundo, a absoluta falta de elegância da turma do Master — os que compraram e os que se venderam — deveria ser, por si só, crime hediondo.
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Propagadora de informações, arauto de verdades incômodas, a boca sempre foi perigosa. Ghirotti, vilão de “O agente secreto”, sabia disso.
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A aposta otimista é que o caso sirva ao menos de freada na volúpia com que certas categorias avançam sobre a riqueza da nação. A moderação de seu apetite já seria um passo dado pela sociedade no sentido de uma cultura de serviço público a serviço do público.
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Você pronuncia "recórde"? Direito seu. Aqui em casa, como parece ser o caso na maioria das casas brasileiras, sempre foi "récorde". Depois de muito relutar, nossos melhores dicionários registram hoje essa forma. Bom pra eles, mas isso é secundário. A língua brasileira já a tinha adotado faz tempo.
Quando se exigir alguma medida de autoria, pensamento original ou responsabilidade testemunhal, é improvável que o jornalismo abra mão do texto produzido artesanalmente. Seria perder de 7 a 1 com sete gols contra.
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Ao afirmar que "embarcar num barco" é uma frase que chove no molhado, pois bastaria dizer "embarcar" e tudo estaria dito, o caçador de redundâncias comete o mesmo erro de quem sustenta que o beijo grego, na Grécia, é beijo só.
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Não tenho os medos do Paul, o que me assusta é um pesadelo linguístico: ser rebaixado a diminutivo pela brava turma da enfermagem brasileira, viciada em tratar o pessoal de 64 como se tivesse 60 a menos: “Dá o bracinho, fofinho. É só uma picadinha”. Isso não, por favor! O resto, pode mandar vir.
Bom encontrá-la também, Sonia. Seja bem-vinda.
Bruce brabo e fiel ao lema de Woody Guthrie: “This machine kills fascists”. Fiquei com um pouco de inveja pensando na relativa timidez da arte brasileira entre 2019 e 2022, quando os fachos nadavam de braçada por aqui. open.spotify.com/track/6AtgHx...
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O barata-voa começa quando se busca a origem. Embora uma tese sóbria derive ianque simplesmente do holandês “Janke” (Joãozinho), o Merriam-Webster etimológico enumera uma série de teorias descabeladas e considera o caso aberto. Do cherokee ao persa (!), ‘ianque’ é uma palavra cercada de lendas.
Um dia, entediada, a humanidade teve uma ideia: entregar a informação pública para "influenciadores", a arte e o pensamento crítico para a IA, a intimidade de todo mundo para alguns bilionários e a geopolítica para o Trump. Vai ser tão divertido, pensou, sem saber que era seu último pensamento.
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“O importante é jamais perder o foco em resultados! O fim do mundo possui múltiplas camadas, e só na última é que tudo acaba, quer dizer, finaliza mesmo. Até lá, apesar de todo o marketing, é inútil esperar que o fim do mundo entregue apocalipse.” — CEO do Juízo Final
😂
Este momento da humanidade não é sobre quem estará ficando bilionário, e sim sobre quem estará tendo a capacidade de, com visão sistêmica, proativa e intraempreendedora, pensar fora da caixa de Pandora.
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Seria burrice, se não fosse desonestidade, reclamar que "O agente secreto" tematiza a ditadura. As escolhas políticas desses queixosos ("ninguém aguenta mais!") abriram caminho ao golpe de Bolsonaro, provando que a superação do tema está muito distante. Ainda virão muitos filmes, livros, peças etc.