fugi do rio de janeiro, agora minha saúde vai se reestabelecer
Posts by Stephanie Borges
aqui no Rio, alguns bares quando tem algum prato que se destaca, colocam no cardápio, vou torcer pra esse estar gostoso e ficar. um dos meus bares preferidos da região tem um escondidinho de batata baroa com recheio de pernil com abacaxi que eu amo
não, é vila da penha
pensando aqui que preciso ficar boa pra ir ali num dos bares vizinhos que está concorrendo no Comida di Buteco com um sanduíche de coração de galinha com queijo
sei lá, é tipo a Samantha Schweblin conseguir evocar o terror de viver num mundo misógino num conto meio nonsense, Carmen Maria Machado tratar do abuso como algo que perturba a percepção na realidade usando a repetição pra se certificar de que está orientada
assim, embora eu ache que nenhuma pessoa fora do padrão tenha que "dar testemunho" ou repetir as lógicas dos estereótipos que confortam a imaginação padrão, fico pensando muito em como a gente traz algumas experiências pros textos nas imagens, no ritmo, na linguagem
muita gente ainda lê textos de pessoas dissidentes como "material didático", né
acho que nós vemos nesses textos vários temas que queríamos ver mas não encontrávamos por aí, então sabemos tranquilamente como são mais interessantes. esse livro Villada não funcionaria como uma memória linear
Ailma, é difícil responder a essa pergunta
estou gostando porque é estranho, é o primeiro livro dela que leio, não tinha muita expectativa embora tenham falado muito bem da ficção.
é um livro fragmentário: memórias da infância, notas sobre a escrita, causos de programas, reflexões sobre sexo
tô lendo 'A traição da minha língua', da Camila Sosa Villada, um livro estranho, mistura de reflexão sobre escrita, língua travesti e memória e nossa, chega a me bater um frescor porque estou traduzindo um livro heteropessimista, muito bom ver outras paisagens
e nem falo pela questão de diversidade/representação, mas de ganhar um pouco mais de perspectiva, de se deslocar dessas lógicas mesquinhas de sucesso capitalista embrenhadas em todo canto, como a gente imagina outras coisas lendo sempre o mesmo?
esses dias, conversando com uma amiga que é uma baita editora e quer se arriscar na escrita autoral, me peguei falando pra ela pela segunda vez "tu precisa ler ensaístas vivas" e "não é só pra ler gente branca"
fico chocada como as pessoas ainda tão lendo brancos/as cishet e acham que tá de boas
eu achando que abril já acabou e Leda Maria Martins vai lançar o livro novo rio
se juntar os dinheiros todos que o governador interino está impedindo de ser roubado pela corja do Claudio Castro, até acha dinheiro pra UERJ
a ironia é que eu mirei em me esquivar do burnout e das crises alérgicas, pra ter um revertério. a gente realmente leva a cabeça a sério demais
passei duas semanas aqui numa disciplina ferrenha de trabalho pra terminar uma tradução super atrasada até fim de abril e fechar os detalhes finais do livro para ficar doente, o limite sempre chega, né
agora é pegar leve essa semana que domingo é festa do Ogum
obrigada, querida! tem horas que o corpo vai avisando, a gente entende, às vezes não consegue parar a tempo, aí o corpo decide a hora, né
tava aqui esses dias de preceito pensando que precisava de um detox de cafeína, dar uma desacelerada, ficar uns dias sem beber e aí veio um desarranjo e uma pressão baixa pra me dizer: sim tem desacelerar mesmo
seja o que for, tem uma tpm junto
intoxicação alimentar ou virose?
claramente de parabéns! feliz ano novo, querida, tudo de bom!
nunca achei que leria Mutarelli e sambão na mesma frase, mas achei bom (também seria melhor a Flávia de folga)
é bom demais que do nada vem a voz de Jorge Ben na TV
eu quero veeeer
eu quero veeeer
quando Zumbi chegar
o que vai acontecer
Na moral? Essa nuvem parece uma vaca de óculos
mas a pauta é defender a IA.
não é valorizar tradutores brasileiros, é reforçar que essa merda é útil, inevitável, ajudou a resolver um livro, olha só, sendo que existem ferramentas de IA usadas para tradução há anos, mas são pagas, caras, específicas pra não vender o texto dos outros como o chatgpt
o brasileiro, de modo geral, não tem noção de como nós produzimos traduções muito sofisticadas porque o português não é fácil, porque a gente se cobra muito pra dominar outras línguas e nos EUA é um bando de monolingue querendo consumir literarura domesticada, eles cagam pro respeito ao "original"
2. eu acho infeliz a tradutora dizer que tem poréns com tradução indireta e ainda assim aceitar e falar numa reportagem. topou porque quis, por relacionamento com a editora, etc.
agora o lance da pauta é: ela achou um escândalo da tradução pro inglês, o que é uma merda, isso se perde
hoje todo mundo que lê amanheceu especialista em tradução. vamos lá gente: 1. a editora errou de adquirir um título de um idioma em que não tem um tradutor de confiança de antemão, sabe porquê? na hora de editar o livro, se faz cotejo das traduções do idioma que a editora fala pra fechar o livro
o que se pode esperar de um jornal que tem uma colunista que assumiu publicamente que usa gerador de lero lero pra escrever coluna? ainda que o dito jornal reafirme que dá espaço mas não se responsabiliza pelas atrocidades escritas por colunistas, uso de IA vai contra o mínimo do "saber escrever"
no entanto, também acompanhei debates entre tradutoras que se dizem cansadas porque o jornalismo cultural br só cobre escândalo de tradução, que veículos e influencers não dão créditos à tradutoras/es, que está claro que a IA só precariza ainda mais o trabalho estranhando que a FSP não ajuda
e acho muito curioso pois jornalista e recebo montes de backlash de gente das letras que não sou bacharel, não sou dos estudos da tradução, mas me eduquei o mínimo sobre ética tradutória
e me choca que os repórteres precarizem tradutores, a IA vai foder ambas as classes profissionais