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Posts by João Freitas

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Tu és a que eu quero Ou sobre amar um país que já não reconhecemos, sabendo que ele nos reconhece a nós

Saí de Portugal por cansaço. A verdade incómoda é que carrego dentro de mim tudo aquilo que critico. Sou tão fruto daquele solo quanto as coisas que me fizeram sair dele.

5 days ago 1 0 0 0
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Somewhere Quiet Fragments in Portuguese and silence. Some stories are safer without faces. Read, stay, disappear — it’s up to you. Click to read Somewhere Quiet, a Substack publication. Launched 9 months ago.

Os prédios antigos tinham bancos à entrada. Os novos têm portas blindadas e garagens de onde se sobe sem pisar a rua.
Separar foi incluído no preço da casa. Juntar é um serviço premium.

1 week ago 0 0 0 0
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Mais um ano a fingir que o capitalismo não me está a consumir mais depressa do que eu envelheço 🙃

2 weeks ago 0 0 0 0
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O prato do dia O que o prato diz quando não há ninguém a ver

Dois bancos no mesmo jardim. Uma mulher com uma sandes em alumínio, vinte minutos de pausa. Um homem com uma salada de plástico e todo o tempo do mundo.

O caminho até ao banco não é o mesmo.

2 weeks ago 0 0 0 0
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A segunda língua Do que os dicionários não chegam a ensinar

Dois tipos de alunos na mesma sala. Uns aprendem a língua por gosto. Outros porque sem ela não conseguem assinar um contrato ou perceber o que o médico disse sobre os filhos.

O programa é o mesmo. O acesso não.

3 weeks ago 0 0 0 0
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O tempo que não é nosso Sobre o que chamamos descanso e o que é realmente

De manhã, há uma direção. À tarde, há um peso.

O corpo para. O ritmo interior não para logo.

1 month ago 0 0 0 0
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As ruas que não têm bandeiras Uma pausa não é o mesmo que uma derrota, mas demora tempo a perceber a diferença

Há uma vaidade discreta em estar sempre exausto.
Uma forma de provar que se está a levar a sério.

A exaustão não é radicalidade. É desgaste.

Sobre pausa, política e o que o corpo sabe antes da cabeça.

1 month ago 0 0 0 0
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O espetáculo não é inocente Do relvado às televisões, e o que fazemos com o que se repete

O episódio começou em campo.
Mas o padrão é estrutural.

Racismo, indústria, repetição e responsabilidade no futebol contemporâneo.

Novo texto no Somewhere Quiet.

Se o espetáculo não é inocente, também não é imutável.

1 month ago 0 0 0 0
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Os três pontinhos Pequena dramaturgia doméstica

Há algo de profundamente humano nos três pontinhos.

Não são apenas um indicador técnico. São um palco mínimo onde projetamos hipóteses, inseguranças e pequenas narrativas interiores.

Talvez o problema nunca tenha sido a resposta.
Talvez seja o intervalo.

2 months ago 0 0 0 0
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RIP Robert Duvall

2 months ago 10778 1178 290 70
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A utilidade como ameaça Quando a utilidade deixa de garantir lugar

A utilidade já não garante lugar.

Talvez seja por isso que tanta gente se sente inútil mesmo quando está sempre ocupada.

2 months ago 0 0 0 0
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Riders on the Storm

Há sextas-feiras que pedem pouco: uma janela fechada contra o frio, a cidade lá fora a desvanecer-se, música que ocupa o espaço sem pressão.

Hoje parece ser uma delas.

2 months ago 0 0 0 0
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O que não pede nome Notas soltas sobre ficar, sentir muito e não transformar tudo em história

Nem tudo o que pesa precisa de fazer barulho.

Há coisas que ficam porque nunca foram forçadas a ser outra coisa.

2 months ago 0 0 0 0
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O que permanece acordado Notas sobre o desejo quando não pede história.

Há estados do corpo que não querem explicação.
Não prometem nada, não se resolvem.

Existem.
E insistem.

2 months ago 0 0 0 0
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O que fica quando não se espera nada Continuar sem a urgência do extraordinário

Muitas vezes confundimos a falta de acontecimentos extraordinários com estagnação. Mas há uma inteligência discreta em apenas sustentar o quotidiano. Em acordar e fazer o mesmo de ontem, sem que isso seja uma derrota. Sobre continuar sem a urgência do extraordinário.

2 months ago 0 0 0 0
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Territorial Pissings

Sábado de raiva necessária.
Kurt Cobain a tentar romper algo invisível.
2 minutos contra a ordem do mundo.

Às vezes precisamos de música que não nos conforte.
Que nos faça sentir o caos.

3 months ago 1 0 0 0
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Um ano sem David Lynch Sobre artistas que não morrem sozinhos, levam bocados de nós.

Há um ano morreu David Lynch.

Primeira vez: Blue Velvet, DVD do meu pai. Depois Twin Peaks, verão de 2010.

Lynch ensinou-me que o estranho não é defeito, é verdade.

3 months ago 0 0 0 0
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Janeiro, outra vez Ou porque é que acordamos às 9h30 sabendo que devíamos acordar às sete

Janeiro não é o mês dos recomeços. É o mês da inércia instalada, dos mesmos metros quadrados onde se dorme, trabalha e existe sem fronteiras. Escrevi sobre promessas não cumpridas e rotinas que congelam.

3 months ago 0 0 0 0
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Agradecer o Ano Que Nos Partiu ao Meio Balanço de um ano que ensinou que sobreviver também conta

2025 partiu muita coisa. Mas também ensinou que há pessoas que ficam, que pedir ajuda não é fraqueza, e que sobreviver já é suficiente.

Balanço honesto de um ano difícil.

3 months ago 0 0 0 0
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Entre o sentar e o primeiro garfo Sobre o último presente, uma mesa que foi interrompida e o buraco que se abre quando ninguém valida a tua dor

Entre o sentar e o primeiro garfo, tudo mudou.

24/12/2011: à mesa de natal, a minha vida dividiu-se em antes e depois. Passei anos no fundo de um buraco .

Escrevi sobre esse dia, sobre luto não validado e sobre reconstrução lenta. O natal continua difícil, mas já não estou preso.

3 months ago 1 0 0 0
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Território marcado Sobre nomes de ruas, memória política e o território que habitamos sem perceber

Território marcado: sobre nomes de ruas, memória política e o território que habitamos sem perceber.

Vivia na Rua Bernardo Santareno, no Miratejo. Placas brancas, letras azuis. Uma toponímia é sempre uma vitória póstuma de alguém.

Novo texto no Somewhere Quiet 👇

4 months ago 1 0 0 0
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Streets of Philadelphia

“Streets of Philadelphia” sabe dizer coisas que às vezes nos faltam as palavras: a sensação de caminhar sozinho no meio do barulho, a cidade como cenário e testemunha, o corpo cansado mas ainda em movimento. Pequena banda sonora para deixar a noite passar devagar.

4 months ago 1 0 0 0
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Somewhere Quiet Playlist · João Freitas · 32 items

open.spotify.com/playlist/5OgPFlOovcdUKir...

4 months ago 1 0 0 0
Spotify – Web Player

Partilho a playlist deste espaço.

“Somewhere Quiet” tem 32 músicas que atravessaram textos e memórias. Elis Regina, The Police, GNR, Pixies, Queen…

Para ouvir devagar 🎧

4 months ago 0 0 0 0
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Lover, You Should've Come Over

"It's never over.
She is the tear that hangs inside my soul forever."

Quando o luto de um amor se instala e não sai mais. Fica preso, sussurrado, infinito. Uma música para quem ainda carrega alguém dentro, mesmo depois de tudo ter acabado.

4 months ago 0 0 0 0
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Versões que não cabem no dia Sobre o sítio secreto onde a noite estica e a vida normal fica à porta à espera

A alcatifa grudava aos sapatos, os ouvidos zumbiam, e ele voltaria. sempre voltaria.

"Versões que não cabem no dia" — crónica sobre as noites em que procuramos algo que nunca está lá, ou que desaparece assim que tentamos agarrá-lo.

4 months ago 0 0 0 0
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O som antes da música Sobre um CD dos Black Sabbath, o som de uma aparelhagem e aquilo que fica quando os objectos desaparecem

O zumbido mecânico da aparelhagem a ler um CD. Aqueles segundos de espera antes da música começar.

Hoje está tudo disponível instantaneamente. Mas desapareceu a cerimónia da escuta. Aquele tempo que dizia: agora vamos ouvir.

4 months ago 0 0 0 0
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Estrangeiro em mim mesmo Na orla instável entre mundos, um diário do desencontro, ironia, reunião e ruído como paisagem interior

Caminhar por uma cidade que não é nossa é aprender a aceitar o improviso. O exílio pode ser desconforto, mas também contemplação.

Nas ruas vazias e luzes do rés-do-chão, encontro uma versão de mim que pertence enquanto se aceita incompleta.

4 months ago 0 0 0 0
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Onde a luz não chega Vinte e oito anos sem Michael Hutchence, para uma geração que descobriu a voz antes de conhecer o silêncio.

Descobri michael hutchence tarde demais. Quando finalmente soube quem era aquela voz, ele já tinha morrido há anos.

Mas a voz ficou. Vinte e oito anos depois, ainda está aqui.

4 months ago 0 0 0 0
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Quando te cruzares comigo, vais reconhecer-me? A angústia de ser esquecido por quem um dia te conheceu completamente.

A ansiedade de nos tornarmos irrelevantes para quem foi relevante na nossa vida é uma das experiências mais humanas — e mais solitárias — que existe.

Escrevi sobre isso: o medo de ser esquecido, a alienação das relações sob o capitalismo, e porque recordar é um ato de resistência.

5 months ago 0 0 0 0