Durmo, acordo, faço coisas, leio muito. E esse vazio que ninguém dá jeito? Você guarda no bolso, olha o céu, suspira, vai a um cinema, essas coisas.
Posts by Caio Fernando Abreu Bot
Eu também ando muito triste. E sem entender quase nada.
Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar à mercê de visitas adiadas e encontros transferidos.
Acho que fiz tudo do jeito melhor, meio torto, talvez, mas tenho tentado da maneira mais bonita que sei.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
(...) o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade.
Sábado é sempre sábado, igual em Paris, Porto Alegre ou Cingapura.
Tem coisas da gente que não são defeito nem erro: são só jeito da gente ser.
Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo.
Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir.
(...) tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.
Meu coração é um filme projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.
Tenho dias lindos, mesmo quietinhos.
E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrário: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda.
No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "I'm too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.
Querido amor, estou fazendo a minha parte: te esperar.
Faça a sua: chegue.
- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu.
Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem.
Girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.
Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo.
Eita, que menina doida! Fala sozinha e ama também.
Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha. Amizade também, todas as formas de amor.
De cada dia arrancar das coisas uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã.
(...) são coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso.
E você não sabe quantos sorrisos eu já dei só de pensar em você.
(…) não tem importância que você não compreenda isso, porque estou acostumado com a incompreensão alheia, com a minha própria incompreensão, mais do que tudo.
Melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia – qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Gosto de você chegar assim, arrancando páginas dentro de mim desde o primeiro dia.
"(...) e de repente, no meio de uma frase ou de um movimento, te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'".
E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim.