O termo Jurema aparece em obras de ciências sociais e humanas para designar determinadas espécies vegetais dos gêneros Acácia e Mimosa, a exemplo da Mimosa tenuiflora. Indica também a bebida psicoativa feita a partir dos componentes desse mesmo vegetal, utilizada em rituais de comunidades indígenas e naqueles que integram uma parte das religiões de matriz africana; nomeia, ainda, os próprios rituais cujos participantes ingerem a bebida.
No que concerne à cosmovisão da Jurema, uma plêiade de símbolos está presente nos rituais que apresentam modos bastante variados de composição. Em linhas gerais, a bebida, a fumaça expelida dos cachimbos, o maracá e os cânticos são elementos comuns a quase todas as cerimônias realizadas, seja nas comunidades indígenas seja naquelas que constituem as religiões de matriz africana.
Entre os indígenas, os ritos permitem que xamãs estabeleçam comunicações com o mundo dos Encantados. Já no universo afro – mais recorrente em centros urbanos – , o cerimonial possui algumas semelhanças com as chamadas “giras de Umbanda” e as divindades que caracterizam o métier juremeiro são os mestres e as mestras.
Outra particularidade desse cosmos são os ritos iniciáticos por meio dos quais os praticantes tem acesso às “cidades” da Jurema onde, conforme os relatos nativos, o iniciado constrói sua relação com uma divindade, adquirindo os conhecimentos adequados para realizar trabalhos de cura e prevenir-se de infortúnios.
As religiões juremeiras abrangem um universo mítico-ritual de origem indígena, frequente no Nordeste brasileiro desde o período colonial, e relacionado à religiões de origem africana, incluindo suas práticas, rituais e musicalidades.
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