Lisboa precisa de ambição, não de mais obstáculos à bicicleta.
A Assembleia Municipal devia focar‑se em reduzir a velocidade dos automóveis, criar uma rede segura para bicicletas, integrar a mobilidade ativa nos transportes públicos e garantir estacionamento seguro para velocípedes.
Em vez disso, esta moção gasta tempo político a pedir mais regulação e fiscalização sobre velocípedes, acrescentando burocracia desnecessária.
Tratar a bicicleta como se fosse um automóvel para efeitos de seguro ignora a diferença real de risco na estrada e ajuda a reforçar o carro como modelo dominante, em vez de o pôr em causa.
A lógica subjacente à moção, é que é necessário regular e fiscalizar os “novos meios de mobilidade urbana” por representarem um “risco”.
Em Portugal, como em toda a Europa, a esmagadora maioria das mortes e feridos graves na estrada são provocados por veículos motorizados pesados e ligeiros, não por velocípedes ou trotinetas.
Na realidade esta medida cria uma barreira de burocracia e custo ao uso da bicicleta elétrica. Precisamente quando mais pessoas a procuram uma alternativa ao carro.
Enquanto a orientação europeia tem sido excluir as bicicletas elétricas do seguro automóvel obrigatório para não criar barreiras ao seu uso, Lisboa arrisca afastar-se do caminho da mobilidade ativa que diz querer promover.