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Q1: Emi: “Ah, não se preocupa, não, eu pago pra você. Fica com a cuca-fresca.”
Dandara: “Obrigado, Emi.”
Q2: Emi: Diga lá, Dandinha, como foi? Parece meio grilada.
Q3: Dandara: Ah… olha, não sei, eu não acho que fui bem, não.
Q4: Emi: Ih, tu é mó bidu, deve ter tirado de letra.
Dandara: Não sei… mas de qualquer forma, obrigado por ter me indicado aí.
Emi: Eu sei que tu queria estar no campo, mas agora a gente só tem vaga pra contínuo pagando aquela coisa, né…
Dandara: Falando nisso…
Q5: Dandara (fora de quadro): Pode deixar que eu vou pagar depois o almoço, viu?
Q6: Emi: Sem problema, Dandinha, eu tenho gaita por enquanto. Aliás, por falar em gaita, ainda quer saber daquele cafofo que eu te falei? Mas já aviso que tem um porém…
Q7: Dandara: Poré--? Ah, desculpa! [garçom se aproxima] Olha eu vou querer esse feijão-tropeiro daqui e o que vocês têm de suco?
Q8: Garçom: Laranja, maracujá e morango.
Dandara: Hm, vou querer morango.
Emi: Quanto a mim, vou querer um bife a cavalo com essa limonada aqui.

Q1: Emi: “Ah, não se preocupa, não, eu pago pra você. Fica com a cuca-fresca.” Dandara: “Obrigado, Emi.” Q2: Emi: Diga lá, Dandinha, como foi? Parece meio grilada. Q3: Dandara: Ah… olha, não sei, eu não acho que fui bem, não. Q4: Emi: Ih, tu é mó bidu, deve ter tirado de letra. Dandara: Não sei… mas de qualquer forma, obrigado por ter me indicado aí. Emi: Eu sei que tu queria estar no campo, mas agora a gente só tem vaga pra contínuo pagando aquela coisa, né… Dandara: Falando nisso… Q5: Dandara (fora de quadro): Pode deixar que eu vou pagar depois o almoço, viu? Q6: Emi: Sem problema, Dandinha, eu tenho gaita por enquanto. Aliás, por falar em gaita, ainda quer saber daquele cafofo que eu te falei? Mas já aviso que tem um porém… Q7: Dandara: Poré--? Ah, desculpa! [garçom se aproxima] Olha eu vou querer esse feijão-tropeiro daqui e o que vocês têm de suco? Q8: Garçom: Laranja, maracujá e morango. Dandara: Hm, vou querer morango. Emi: Quanto a mim, vou querer um bife a cavalo com essa limonada aqui.

Essas gírias dos anos 1970 são mó barato.
Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 12. Curta e compartilhe! Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional

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Q1: DANDARA SAINDO DO PRÉDIO DA FOLHA PAULISTA, DESCENDO ESCADAS, SUSPIRANDO.
DANDARA (PENSANDO): Será que não tem ninguém com quem eu possa conversar sem pensar em todas essas estratégias na minha cabeça?
Q2: AKEMI ESBARRANDO EM DANDARA OLHANDO PARA A BOLSA.
Akemi: Ui!
Dandara: Ai, desc--
Q3: AS DUAS SE OLHAM, FELIZES.
Akemi: Dandinha!
Dandara: Emi!
Q4: AKEMI ABRAÇANDO DANDARA.
Akemi: Fala, garota, tudo em cima?
Dandara: Tudo em cima, Emi!
Q5:  DANDARA E AKEMI SE AFASTANDO.
Emi: Olha só essa beca, Dandinha. Está preparada para a entrevista, hein?
Q6: DANDARA ENCABULADA.
Dandara: Ah, é o mínimo.
Emi (off): Mas aqui não é lugar pra parla, estacionadas assim.
Q7: AKEMI SORRIDENTE.
Emi: Olha, tô no meu horário de almoço, vamos passar num restaurante aqui descendo na Jaú…
Dandara (off): Emi… eu não tô podendo pagar nada agora.

Q1: DANDARA SAINDO DO PRÉDIO DA FOLHA PAULISTA, DESCENDO ESCADAS, SUSPIRANDO. DANDARA (PENSANDO): Será que não tem ninguém com quem eu possa conversar sem pensar em todas essas estratégias na minha cabeça? Q2: AKEMI ESBARRANDO EM DANDARA OLHANDO PARA A BOLSA. Akemi: Ui! Dandara: Ai, desc-- Q3: AS DUAS SE OLHAM, FELIZES. Akemi: Dandinha! Dandara: Emi! Q4: AKEMI ABRAÇANDO DANDARA. Akemi: Fala, garota, tudo em cima? Dandara: Tudo em cima, Emi! Q5: DANDARA E AKEMI SE AFASTANDO. Emi: Olha só essa beca, Dandinha. Está preparada para a entrevista, hein? Q6: DANDARA ENCABULADA. Dandara: Ah, é o mínimo. Emi (off): Mas aqui não é lugar pra parla, estacionadas assim. Q7: AKEMI SORRIDENTE. Emi: Olha, tô no meu horário de almoço, vamos passar num restaurante aqui descendo na Jaú… Dandara (off): Emi… eu não tô podendo pagar nada agora.

“Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”.
Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 11. Curta e compartilhe! Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional

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Q1: Hélcio fitando Dandara, decidido.
Hélcio Fernandes: É, mas o jornal não precisa de outro redator aqui, eu preciso é de um contínuo.
Dandara (Pensando): É. Claro. E agora?
Q2: Dandara olhando para Hélcio, audaz.

Dandara:… Qual é a função do contínuo, senhor Hélcio? Aparar as arestas do trabalho do dia a dia. Ninguém sabe do trabalho que dá pra fazer um jornal semanal. Eu mesma, apenas imagino. Para ter esse trabalho visível, precisa ter um trabalho invisível.
Alguém precisa se dedicar ao trabalho invisível, que ninguém pensa que existe numa redação, pro trabalho visível se tornar antes de visível, um trabalho completo.
Q3: Hélcio apontando para Dandara, rindo de canto de boca.
Dandara (Pensando): Firme como uma rocha na cadeira. Tremendo como um dois de paus por dentro. Eu me sinto diante de um lince.
Hélcio Fernandes: Hmmm… Boa analogia. Você pensa diferente das outras pessoas. Bom a Akemi ter te indicado.
Q4: Hélcio rindo.
Dandara (pensando): Emi, você é Hendrix. Você é Buda. Santa Emi.
Hélcio Fernandes: Mas se pensar diferente fosse coisa boa, qualquer maluco que andasse de bananeira seria o próximo Einstein, hahahaha!
Q5: Dandara e Hélcio se olhando.
Dandara (pensando):… Oh, uma piada. Devo rir? Não, na próxima, talvez. Se for engraçada. Não estava preparada. Mente longe. Preciso prestar atenção agora. Eu consigo sentir meus sapatos. Preciso focar.
Dandara:… é.
Q6: Mesma composição.
Dandara: Quer dizer que a entrevista acabou?

Q1: Hélcio fitando Dandara, decidido. Hélcio Fernandes: É, mas o jornal não precisa de outro redator aqui, eu preciso é de um contínuo. Dandara (Pensando): É. Claro. E agora? Q2: Dandara olhando para Hélcio, audaz. Dandara:… Qual é a função do contínuo, senhor Hélcio? Aparar as arestas do trabalho do dia a dia. Ninguém sabe do trabalho que dá pra fazer um jornal semanal. Eu mesma, apenas imagino. Para ter esse trabalho visível, precisa ter um trabalho invisível. Alguém precisa se dedicar ao trabalho invisível, que ninguém pensa que existe numa redação, pro trabalho visível se tornar antes de visível, um trabalho completo. Q3: Hélcio apontando para Dandara, rindo de canto de boca. Dandara (Pensando): Firme como uma rocha na cadeira. Tremendo como um dois de paus por dentro. Eu me sinto diante de um lince. Hélcio Fernandes: Hmmm… Boa analogia. Você pensa diferente das outras pessoas. Bom a Akemi ter te indicado. Q4: Hélcio rindo. Dandara (pensando): Emi, você é Hendrix. Você é Buda. Santa Emi. Hélcio Fernandes: Mas se pensar diferente fosse coisa boa, qualquer maluco que andasse de bananeira seria o próximo Einstein, hahahaha! Q5: Dandara e Hélcio se olhando. Dandara (pensando):… Oh, uma piada. Devo rir? Não, na próxima, talvez. Se for engraçada. Não estava preparada. Mente longe. Preciso prestar atenção agora. Eu consigo sentir meus sapatos. Preciso focar. Dandara:… é. Q6: Mesma composição. Dandara: Quer dizer que a entrevista acabou?

Pausa Tchekoviana… Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 10. Curta e compartilhe! Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional

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Q1: Dandara nervosa.
Dandara (pensando): não era essa a pergunta no meu roteiro.
Q2: Dandara encarando Hélcio em silêncio.
Q3: Mesma composição
Dandara: Hã… Porquê… Eu sei escrever.
Hélcio Fernandes: Perdão?
Q4: Dandara tensa, sentada na cadeira.
Dandara: Eu sei como colocar uma palavra depois da outra. Parece algo simples. E é simples porque as pessoas fazem isso todos os dias. Mas eu, não. Digo, eu sei fazer isso também. Como todo mundo. Mas eu faço diferente. Eu sei colocar uma palavra depois da outra. De jeito diferente. (Pensando): Merda.

Q1: Dandara nervosa. Dandara (pensando): não era essa a pergunta no meu roteiro. Q2: Dandara encarando Hélcio em silêncio. Q3: Mesma composição Dandara: Hã… Porquê… Eu sei escrever. Hélcio Fernandes: Perdão? Q4: Dandara tensa, sentada na cadeira. Dandara: Eu sei como colocar uma palavra depois da outra. Parece algo simples. E é simples porque as pessoas fazem isso todos os dias. Mas eu, não. Digo, eu sei fazer isso também. Como todo mundo. Mas eu faço diferente. Eu sei colocar uma palavra depois da outra. De jeito diferente. (Pensando): Merda.

E foi tanto preparo... Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 9. Curta e compartilhe! Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional #Hqindependente

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Q1: Dandara se sentando, virando a cadeira acolchoada com a mão direita, com a esquerda colocando a bolsa ao colo.
Dandara: Obrigada.
Q2: Dandara sentada na cadeira, nervosa.
Dandara (Pensando): Preste atenção. Coisas ruins acontecem quando você não presta atenção. Você é chamada a atenção. Postura. Lembre. Como você ensaiou. Queria escrever agora. Vou escrever se eu fizer exatamente como esperam. O trabalho exige postura. Sorrisos de vez em quando. Nem muito abertos nem muito fechados. Não olhe nos olhos por tempo demais. Se ele disser algo sobre a nota de redação eu estarei pronta. Eu não seria testada aqui e agora, não? Eles não… acho que eu tenho que estar pronta para tudo. Atenta, agora. Aí vem a pergunta:
Q3: Hélcio: Me parece boa aluna, Dandara, digo com certa surpresa, mas porque o Folha Paulista deveria contratar você?

Q1: Dandara se sentando, virando a cadeira acolchoada com a mão direita, com a esquerda colocando a bolsa ao colo. Dandara: Obrigada. Q2: Dandara sentada na cadeira, nervosa. Dandara (Pensando): Preste atenção. Coisas ruins acontecem quando você não presta atenção. Você é chamada a atenção. Postura. Lembre. Como você ensaiou. Queria escrever agora. Vou escrever se eu fizer exatamente como esperam. O trabalho exige postura. Sorrisos de vez em quando. Nem muito abertos nem muito fechados. Não olhe nos olhos por tempo demais. Se ele disser algo sobre a nota de redação eu estarei pronta. Eu não seria testada aqui e agora, não? Eles não… acho que eu tenho que estar pronta para tudo. Atenta, agora. Aí vem a pergunta: Q3: Hélcio: Me parece boa aluna, Dandara, digo com certa surpresa, mas porque o Folha Paulista deveria contratar você?

Eu nunca sei bem o que dizer quando me perguntam isso. Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 8. Curta e compartilhe! Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional #quadrinhonacional🇧🇷 #Hqindependente

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Q1: Dandara assustada, se levantando rápido da cadeira.
Hélcio fernandes (editor-chefe) (off): Dandara Garcia, sua vez!
Q2: Dandara (pensando): eu quase fiz isso de novo. Eu quase parei de prestar atenção.
Q3: Ddandara entrando na sala.
Dandara (pensando): Coisas ruins acontecem quando a gente para de prestar atenção. Por exemplo, eu deixo ele se sentar primeiro.
Q4: Hélcio se sentando na mesa, segurando umas folhas de papel na mão esquerda enquanto usa a direita para se apoiar na cadeira. Máquina de escrever, papéis, telefone, abajur, lupa, cola, cartões sortidos, xícara de café manchada, cinzeiro com alguns cigarros apagados adornam a mesa. Placa com o seu nome e “Ed. Chefe”. Estantes de livros aos lados. Atrás uma janela com persianas.
Hélcio Fernandes: Hãã… Dandara garcia, né? Formada em jornalismo… Como pode ver, eu sou Hélcio Fernandes, o editor-chefe do Hora Paulista.
Q5: Ele olha para cima, sentado. Aponta para a cadeira à frente.
Hélcio Fernandes: Por favor.

Q1: Dandara assustada, se levantando rápido da cadeira. Hélcio fernandes (editor-chefe) (off): Dandara Garcia, sua vez! Q2: Dandara (pensando): eu quase fiz isso de novo. Eu quase parei de prestar atenção. Q3: Ddandara entrando na sala. Dandara (pensando): Coisas ruins acontecem quando a gente para de prestar atenção. Por exemplo, eu deixo ele se sentar primeiro. Q4: Hélcio se sentando na mesa, segurando umas folhas de papel na mão esquerda enquanto usa a direita para se apoiar na cadeira. Máquina de escrever, papéis, telefone, abajur, lupa, cola, cartões sortidos, xícara de café manchada, cinzeiro com alguns cigarros apagados adornam a mesa. Placa com o seu nome e “Ed. Chefe”. Estantes de livros aos lados. Atrás uma janela com persianas. Hélcio Fernandes: Hãã… Dandara garcia, né? Formada em jornalismo… Como pode ver, eu sou Hélcio Fernandes, o editor-chefe do Hora Paulista. Q5: Ele olha para cima, sentado. Aponta para a cadeira à frente. Hélcio Fernandes: Por favor.

Dica de entrevista de emprego: sempre deixe o entrevistador sentar primeiro. Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 7. Curta e compartilhe! Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional #quadrinhonacional🇧🇷 #Hqindependente

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Q1: Dandara (pensando): Eu queria escrever. Escrever sobre o quê?
Q2: Escrever para quem? Não posso me dar ao luxo de apostar numa carreira que eu gostaria que fosse possível. Meu único talento e é colocar uma palavra atrás da outra. Pelo menos é o que diz parte do meu diploma. E agora tenho que me cuidar para convencer alguém nessa entrevista que eu sei o que eu estou fazendo.
Q3: Eu sou uma jornalista agora. Não uma escritora. É assim que eu tenho que pensar. É essa escolha que eu fiz. Inalo o cheiro de álcool do mimeógrafo empesteado nas mãos da secretária. Eu sinto os olhares sob a impressão de não ser bem-vinda. Não devo ser.
Q4: Eu acho que o meu absorvente está desalinhado. Tanta roupa bonita e eu peguei essa para sair. Preciso parar de contar com ajuda da mamãe quando me visto. Minhas falanges batem como varapaus umas contra as outras.
Q5: Espero que não notem o esmalte borrado no meu dedo anelar direito. Eu que sou destra, mas sou gauche. Logo a mão direita. Logo eu, destra. Devia parar de pensar nessas coisas. Parar de prestar atenção na sala. Parar de pensar em cenários hipotéticos. Pelo sim, pelo não, eu vim. Eu devia ficar atenta, eu--

Q1: Dandara (pensando): Eu queria escrever. Escrever sobre o quê? Q2: Escrever para quem? Não posso me dar ao luxo de apostar numa carreira que eu gostaria que fosse possível. Meu único talento e é colocar uma palavra atrás da outra. Pelo menos é o que diz parte do meu diploma. E agora tenho que me cuidar para convencer alguém nessa entrevista que eu sei o que eu estou fazendo. Q3: Eu sou uma jornalista agora. Não uma escritora. É assim que eu tenho que pensar. É essa escolha que eu fiz. Inalo o cheiro de álcool do mimeógrafo empesteado nas mãos da secretária. Eu sinto os olhares sob a impressão de não ser bem-vinda. Não devo ser. Q4: Eu acho que o meu absorvente está desalinhado. Tanta roupa bonita e eu peguei essa para sair. Preciso parar de contar com ajuda da mamãe quando me visto. Minhas falanges batem como varapaus umas contra as outras. Q5: Espero que não notem o esmalte borrado no meu dedo anelar direito. Eu que sou destra, mas sou gauche. Logo a mão direita. Logo eu, destra. Devia parar de pensar nessas coisas. Parar de prestar atenção na sala. Parar de pensar em cenários hipotéticos. Pelo sim, pelo não, eu vim. Eu devia ficar atenta, eu--

“Eu consigo sentir a minha roupa sobre toda a minha pele, eu juro.” Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 6. Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional

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Q1: Pessoas andando na Av. Paulista
Cida (narração): “o preço é o que mata.”
Dandara (narração): mães e as suas sabedorias. Mas nem sempre acertam 100% das questões.
Q2: Bueiro com folhas, cigarros e jornal
Dandara (narração): Não era só o preço que matava. O ônibus cheio de manhã matava. O suor e o calor do asfalto matavam.
Q3: Grua em silhueta
Dandara (narração): O cheiro de cigarro alheio e desodorante com perfume forte de manhã matavam.A ida. A volta. A calçada dura de pisar. A obra a caminho do local matavam.
Q4: Homens de terno andando
Dandara (narração): Era preciso lembrar das mil e uma obrigações diárias. Era preciso arrumar a roupa ao escrutínio dos outros.
Q5: Policial Militar
Dandara (narração): Era preciso contar com a bondade daqueles acima de você nos seus melhores dias e com a malícia daqueles ao seu lado nos seus dias mais caridosos.
 Q6: Pomba morta no asfalto
Dandara (narração): Era preciso contar com a sorte. Era preciso medir as palavras. Era preciso milimetrar a postura.

Q1: Pessoas andando na Av. Paulista Cida (narração): “o preço é o que mata.” Dandara (narração): mães e as suas sabedorias. Mas nem sempre acertam 100% das questões. Q2: Bueiro com folhas, cigarros e jornal Dandara (narração): Não era só o preço que matava. O ônibus cheio de manhã matava. O suor e o calor do asfalto matavam. Q3: Grua em silhueta Dandara (narração): O cheiro de cigarro alheio e desodorante com perfume forte de manhã matavam.A ida. A volta. A calçada dura de pisar. A obra a caminho do local matavam. Q4: Homens de terno andando Dandara (narração): Era preciso lembrar das mil e uma obrigações diárias. Era preciso arrumar a roupa ao escrutínio dos outros. Q5: Policial Militar Dandara (narração): Era preciso contar com a bondade daqueles acima de você nos seus melhores dias e com a malícia daqueles ao seu lado nos seus dias mais caridosos. Q6: Pomba morta no asfalto Dandara (narração): Era preciso contar com a sorte. Era preciso medir as palavras. Era preciso milimetrar a postura.

Cidadão: sm. 1. Indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado. 2. Pop. Indivíduo, sujeito. Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 5. Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional

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Q1: Dandara andando no meio da multidão na cidade.
Cida (narração): “sim, mas a vida é feita de enfrentar o medo.”
Q2: várias pernas andando.
Som: toc toc toc
Cida (narração): “um passo de cada vez.”
Q3: Dandara atravessando a faixa de pedestre.
Som: bi bi bi!
Vruuummm…
Q4: dandara descendo do ônibus.
Dandara (narração): “é… e de qualquer maneira, vou precisar achar um lugar mais próximo do centro, também. Aquela minha amiga que eu te falei me disse que tem algo.”
Cida (narração): a mesma que te passou a vaga de emprego?
Dandara (narração): pois é, ela mesmo. Ela disse que conhece alguém que conhece alguém.
Q5: Plano geral. Avenida paulista. Vista aérea.
Cida (narração): “tomara que seja coisa boa, né, filha? Quanto mais próximo do centro, melhor. O problema é o preço, né, filha…”

Q1: Dandara andando no meio da multidão na cidade. Cida (narração): “sim, mas a vida é feita de enfrentar o medo.” Q2: várias pernas andando. Som: toc toc toc Cida (narração): “um passo de cada vez.” Q3: Dandara atravessando a faixa de pedestre. Som: bi bi bi! Vruuummm… Q4: dandara descendo do ônibus. Dandara (narração): “é… e de qualquer maneira, vou precisar achar um lugar mais próximo do centro, também. Aquela minha amiga que eu te falei me disse que tem algo.” Cida (narração): a mesma que te passou a vaga de emprego? Dandara (narração): pois é, ela mesmo. Ela disse que conhece alguém que conhece alguém. Q5: Plano geral. Avenida paulista. Vista aérea. Cida (narração): “tomara que seja coisa boa, né, filha? Quanto mais próximo do centro, melhor. O problema é o preço, né, filha…”

“Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso/Do Povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas” Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 4. Novas Págs toda Seg e Qua. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional

5 1 0 1
Q1: Uma xícara de café sobre a mesa refletindo o rosto cansado de uma jovem negra: Dandara. 
9 de fevereiro, sexta-feira. Itaquera, São paulo.
Dandara (narração): Foi um dia como qualquer outro. O sono impregnado nos olhos pela manhã. A cabeça pesada, embriagada de preocupações.
Maria Aparecida “Cida” mãe de Dandara (fora de quadro): já pegou tudo?
Q2: Mesmo quadro, mas uma colher distorce o reflexo.
Som: tlim!
Dandara: Sim. E ainda arrumei um pouco de coragem.
Dandara (narração): E sabendo que todas as preocupações são importantes, você tenta pensar nelas em ordem inversamente proporcional de urgência e gravidade.
Q3: Cida de cabeça apoiada no braço esquerdo.
Dandara (narração): ainda bem que temos as mães para nos lembrar “você não tem esse luxo”.
Cida: Não é o fim do mundo. Não precisa ter medo. Todo mundo passa por isso.
Q4: Dandara olhando para baixo. Calendário de 1974 ao fundo.
Dandara: É, mas ainda assim, dá um certo medo. Uma ansiedade. Uma entrevista de emprego não é uma coisa gostosa.

Q1: Uma xícara de café sobre a mesa refletindo o rosto cansado de uma jovem negra: Dandara. 9 de fevereiro, sexta-feira. Itaquera, São paulo. Dandara (narração): Foi um dia como qualquer outro. O sono impregnado nos olhos pela manhã. A cabeça pesada, embriagada de preocupações. Maria Aparecida “Cida” mãe de Dandara (fora de quadro): já pegou tudo? Q2: Mesmo quadro, mas uma colher distorce o reflexo. Som: tlim! Dandara: Sim. E ainda arrumei um pouco de coragem. Dandara (narração): E sabendo que todas as preocupações são importantes, você tenta pensar nelas em ordem inversamente proporcional de urgência e gravidade. Q3: Cida de cabeça apoiada no braço esquerdo. Dandara (narração): ainda bem que temos as mães para nos lembrar “você não tem esse luxo”. Cida: Não é o fim do mundo. Não precisa ter medo. Todo mundo passa por isso. Q4: Dandara olhando para baixo. Calendário de 1974 ao fundo. Dandara: É, mas ainda assim, dá um certo medo. Uma ansiedade. Uma entrevista de emprego não é uma coisa gostosa.

Uma manhã como todas as outras: café e preocupações nos esperam à mesa. Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 3. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional

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Página de abertura com um cabeçalho de jornal ficcional “Hora Paulista”. O cabeçalho é composto de um quadrado diagramado à esquerda com um preço (Cr$ 1,20), ano e edição (ano 25, ed 256), cidade (S. Paulo), data (30 de fevereiro, qua) e ano vigente (1974). Do lado direito, o nome do jornal “Folha Paulista” com o slogan abaixo em fonte menor “Fontes quentes. Apuração fria.”. No canto extremo direito do cabeçalho, um ícone de um calhambeque de 1930 com a bandeira “HP” acelerando em direção à esquerda.
Manchete: One-shot: Cine Poltergeist!
“foto de página”: ilustração com travesti loira se apoiando em uma parede atrás de mulher negra de braços cruzados trajando óculos. Na parede preta atrás da travesti há lambe-lambes rasgados. A travesti veste uma bata branca que é um “recorte” para uma paisagem urbana em vista elevada mostrando prédios de dia. A mesma paisagem, porém de noite é colocada em “recorte” na bata preta da mulher negra à frente.
Texto próprio compondo as colunas de mancha gráfica (texto corrido pequeno) do jornal.
Chamadas de texto ao final da página: Somente nesta edição: a 1ª Aventura de Circe Castro! A Estreia de Dandara como escritora (?) (pág 6); E ainda: O horror do cinema esquecido da Penha! (Pág 10).
Seta para virar a página no canto inferior direito.

Página de abertura com um cabeçalho de jornal ficcional “Hora Paulista”. O cabeçalho é composto de um quadrado diagramado à esquerda com um preço (Cr$ 1,20), ano e edição (ano 25, ed 256), cidade (S. Paulo), data (30 de fevereiro, qua) e ano vigente (1974). Do lado direito, o nome do jornal “Folha Paulista” com o slogan abaixo em fonte menor “Fontes quentes. Apuração fria.”. No canto extremo direito do cabeçalho, um ícone de um calhambeque de 1930 com a bandeira “HP” acelerando em direção à esquerda. Manchete: One-shot: Cine Poltergeist! “foto de página”: ilustração com travesti loira se apoiando em uma parede atrás de mulher negra de braços cruzados trajando óculos. Na parede preta atrás da travesti há lambe-lambes rasgados. A travesti veste uma bata branca que é um “recorte” para uma paisagem urbana em vista elevada mostrando prédios de dia. A mesma paisagem, porém de noite é colocada em “recorte” na bata preta da mulher negra à frente. Texto próprio compondo as colunas de mancha gráfica (texto corrido pequeno) do jornal. Chamadas de texto ao final da página: Somente nesta edição: a 1ª Aventura de Circe Castro! A Estreia de Dandara como escritora (?) (pág 6); E ainda: O horror do cinema esquecido da Penha! (Pág 10). Seta para virar a página no canto inferior direito.

Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág de abertura, pág 2. #quadrinho #noir #horror #circecastro #Hqnacional

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HQ EM PRETO E BRANCO EM ALTO CONTRASTE.
QUADRO 1: ONOMATOPEIA/SOM: ¡BLAM!
Q2: DENTRO DE UMA SALA. BURACO DE BALA NA PAREDE AO LADO ESQUERDO DA CABEÇA DE UM HOMEM. ELE OLHA PARA O BURACO, SUANDO E ASSUSTADO.
SOM: FSSSSSSSSSSSSSSS
Q3: TRAVESTI LOURA  DE CABELOS ONDULADOS APONTANDO UM REVÓLVER ROSSI MODELO 68 CALIBRE 38 SPECIAL, PRETO, SORRINDO.
ELA DIZ: no me rompe las bolas, érico. y yo no voy a fallar la segunda. Yo soy loca.
Q4: CONTRAPLONGÉE. MULHER NEGRA COM UM REVÓLVER ASTRA CADIX NA MÃO, ASSUSTADA. OLHOS ARREGALADOS, OMBROS TREMENDO, AS SOMBRAS CAEM EM METADE DO SEU CORPO.
Q5: QUADRO PRETO. TEXTO BRANCO.
(NARRAÇÃO): TUDO COMEÇOU NUMA SEXTA-FEIRA. EU CONHECI UMA INVESTIGADORA QUE ME MOSTROU UM LADO DE SÃO PAULO QUE EU JAMAIS TERIA CONTATO ATÉ ENTÃO. SEU NOME ERA CIRCE CASTRO E ELA ERA CONHECIDA COMO “BRUXA DE SÃO PAULO”.

HQ EM PRETO E BRANCO EM ALTO CONTRASTE. QUADRO 1: ONOMATOPEIA/SOM: ¡BLAM! Q2: DENTRO DE UMA SALA. BURACO DE BALA NA PAREDE AO LADO ESQUERDO DA CABEÇA DE UM HOMEM. ELE OLHA PARA O BURACO, SUANDO E ASSUSTADO. SOM: FSSSSSSSSSSSSSSS Q3: TRAVESTI LOURA DE CABELOS ONDULADOS APONTANDO UM REVÓLVER ROSSI MODELO 68 CALIBRE 38 SPECIAL, PRETO, SORRINDO. ELA DIZ: no me rompe las bolas, érico. y yo no voy a fallar la segunda. Yo soy loca. Q4: CONTRAPLONGÉE. MULHER NEGRA COM UM REVÓLVER ASTRA CADIX NA MÃO, ASSUSTADA. OLHOS ARREGALADOS, OMBROS TREMENDO, AS SOMBRAS CAEM EM METADE DO SEU CORPO. Q5: QUADRO PRETO. TEXTO BRANCO. (NARRAÇÃO): TUDO COMEÇOU NUMA SEXTA-FEIRA. EU CONHECI UMA INVESTIGADORA QUE ME MOSTROU UM LADO DE SÃO PAULO QUE EU JAMAIS TERIA CONTATO ATÉ ENTÃO. SEU NOME ERA CIRCE CASTRO E ELA ERA CONHECIDA COMO “BRUXA DE SÃO PAULO”.

Circe Castro – Cine Poltergeist, Pág 1. #quadrinho #noir #horror #Hqnacional #Hqindependente #circecastro

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