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Buraco negro aparentemente morto renasceu após 100 milhões de anos Astrônomos encontraram um buraco negro que estava adormecido há cerca de 100 milhões de anos no centro da galáxia J1007+3540. O retorno do corpo celeste foi estiloso: uma erupção cósmica grande o suficiente para se estender por quase um milhão de anos-luz no espaço. “Foi como assistir a um vulcão cósmico”, afirmou Shobha Kumari, pesquisador do Midnapore City College (Índia), em comunicado. Os astrônomos flagraram o retorno do objeto espacial no último dia 15 de janeiro. Em um artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o grupo detalha as imagens de rádio capturadas. Para isso, a equipe utilizou dois radiotelescópios: o Low Frequency Array (LOFAR), da Holanda, e o Giant Metrewave Radio Telescope (uGMRT), da Índia. Os registros oferecem um vislumbre de como buracos negros podem se desligar, reativar e remodelar galáxias inteiras. Além disso, as imagens revelaram que o vasto jato desse buraco negro está em uma disputa pela dominância da força gravitacional do restante da galáxia a qual ele pertence. O que é “jato” de um buraco negro? Os buracos negros mais ativos e violentos são circundados por poeira espacial, em uma nuvem achatada e giratória chamada disco de acreção. Essa estrutura serve como fonte de alimento para o corpo celeste. A imensa gravidade no centro desse disco cria poderosas forças de maré, que geram atrito, aquecendo e dando um brilho intenso ao disco. Mas nem toda a matéria nos discos de acreção está destinada a se tornar um petisco para buracos negros. Campos magnéticos intensos canalizam partículas carregadas – ou plasma – para os polos, de onde são expelidas em jatos a velocidades próximas à da luz. Esses jatos também brilham intensamente, fazendo com que essas regiões galácticas centrais, ou Núcleos Galácticos Ativos (AGNs) fiquem em destaque. Mesmo entre esses incríveis motores galácticos, os cientistas dizem que o J1007+3540 se diferencia porque ele apresenta evidências de ligar e desligar, reiniciando após longos períodos de inatividade, para voltar a emitir jatos poderosos. A imagem LOFAR de J1007+3540, anotada com rótulos que indicam sua estrutura LOFAR/Pan-STARRS/S. Kumari et al. A estrutura do jato expelido apresenta um “casulo” externo mais tênue de plasma frio e difuso. Segundo os pesquisadores, isso pressupõe um histórico de episódios eruptivos repetidos, com a camada externa de plasma tênue representando os restos fossilizados de explosões anteriores. Devido ao fato de a galáxia J1007+3540 estar localizada dentro de um aglomerado de galáxias massivas repletas de gases extremamente quentes, os detritos desse jato parecem ter sido comprimidos e distorcidos. À medida que os jatos gerados são expelidos, eles se distorcem. Essa distorção foi capturada, agora, nas imagens dos radiotelescópios. “Essa dramática sobreposição de jatos 'jovens' dentro de discos mais antigos é a assinatura de um 'AGN episódico'. Quer dizer, uma galáxia cujo motor central continua ligando e desligando em escalas de tempo cósmicas”, disse Kumari. Os registros do LOFAR mostram um disco significativamente comprimido e distorcido na parte norte de sua estrutura. A imagem obtida com o uGMRT, por sua vez, revela que a região comprimida consiste em partículas mais antigas que perderam grande parte de sua energia. Como saber quando um buraco negro adormece e renasce? Apenas uma pequena fração dos buracos negros supermassivos lançam ativamente os jatos de plasma magnetizados. Jatos mais recentes, por exemplo, são mais compactos e brilhantes – sendo claros sinais de um motor recém-desperto –, enquanto um plasma mais antigo e desbotado revela detritos e erupções que ocorreram há milhões de anos. Sistemas cósmicos como a J1007+3540 são essenciais para que os astrônomos possam continuar a capturar a evolução das galáxias em ação. Esses acompanhamentos revelam como os buracos negros passam por fases ativas e adormecidas, bem como fornecem pistas de como os jatos envelhecem e se dissipam. Outro fator importante de se continuar a estudar essas relações é que a observação das radiogaláxias permitirão que os cientistas compreendam como ambientes densos de aglomerados podem moldar toda a estrutura de uma galáxia. Após analisar o recém-renascido buraco negro, os pesquisadores acreditam que as galáxias evoluem por meio de confrontos violentos. Em estudos futuros, a equipe planeja realizar observações ainda mais sensíveis e de alta resolução para analisar mais profundamente o núcleo da galáxia e rastrear como os jatos reiniciados continuam a se espalhar pelo espaço.
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Mar mais salgado aumenta chances de El Niño, diz estudo Um novo estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters, indica que níveis elevados de salinidade nas águas do Pacífico ocidental aumentam significativamente a chance de um El Niño intenso. De acordo com a pesquisa, esse fator pode quase dobrar a probabilidade de eventos extremos. Tradicionalmente, os cientistas explicam o El Niño a partir de variações na temperatura da superfície do mar e nos ventos do Pacífico tropical. Mas a nova pesquisa aponta que a salinidade do oceano, especialmente ao norte do Equador entre março e maio, funciona como um gatilho silencioso capaz de amplificar esse fenômeno climático global. O El Niño faz parte da Oscilação Sul do El Niño, um ciclo natural de interação entre o oceano e a atmosfera. Durante sua fase quente, águas mais aquecidas se deslocam para o leste do Pacífico, alterando padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica em várias partes do mundo. Quando esses eventos se tornam extremos, os impactos incluem secas severas, enchentes, perdas agrícolas e alterações nas temporadas de furacões. O papel invisível do sal Na oceanografia, a salinidade se refere à quantidade exata de sal dissolvido nela, um fator que influencia diretamente a densidade da água. Águas mais salgadas são mais densas, o que afeta a organização das camadas oceânicas, o nível do mar e o deslocamento de correntes marítimas. O estudo mostra que, na primavera, quando as águas equatoriais do Pacífico ocidental estão relativamente menos salgadas e as regiões ao norte apresentam maior salinidade, forma-se um gradiente que altera a "altura estérica" do oceano. Esse nome se refere às variações no nível do mar associadas à temperatura e à salinidade. Tal desnível impulsiona correntes para leste, empurrando águas quentes em direção ao Pacífico central e criando condições ideais para o desenvolvimento do El Niño meses depois. A influência da salinidade foi historicamente negligenciada porque é mais difícil de medir e simular do que a temperatura. Os pesquisadores identificaram um padrão recorrente de salinidade no Pacífico ocidental a cada primavera, fortemente associado ao fortalecimento do El Niño no final do ano. Isso sugere que o sal não é apenas um coadjuvante, mas um agente ativo na transição do sistema oceano-atmosfera para a fase quente do ENSO. Esta figura com múltiplos painéis ilustra a relação entre as anomalias de salinidade na primavera no Pacífico ocidental tropical e o desenvolvimento do El Niño no inverno seguinte. Ela destaca como as mudanças na altura da superfície do mar e nas correntes superficiais para leste, impulsionadas pela salinidade, estão fortemente correlacionadas com o índice Niño3.4, mostrando o papel da salinidade na amplificação da intensidade do El Niño. Liu et al, 2026 Impactos globais e previsões mais precisas A descoberta tem implicações práticas importantes. As previsões do El Niño são particularmente desafiadoras no início do ano, quando os sinais ainda são fracos. Se a salinidade ajuda a “preparar” o oceano para um evento extremo, seu monitoramento pode melhorar previsões sazonais com meses de antecedência. Isso é crucial porque os efeitos do El Niño se espalham pelo planeta, influenciando regimes de chuva, a produção de alimentos, o risco de incêndios florestais e a disponibilidade de água. Eventos intensos costumam estar associados a chuvas acima da média em áreas subtropicais e a secas severas em países como Austrália e Indonésia. Em um contexto de mudanças climáticas, no qual os oceanos estão aquecendo e os padrões de circulação estão se transformando, compreender todos os fatores que moldam o El Niño se torna cada vez mais urgente. Ventos atmosféricos, aquecimento global, interações com os oceanos Índico e Atlântico e oscilações climáticas de longo prazo continuam sendo peças centrais desse quebra-cabeça.
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Esqueleto com sífilis achado na Colômbia indica que doença existia antes do que se pensava Um esqueleto humano de cerca de 5,5 mil anos descoberto em uma caverna da Colômbia contém a evidência genética mais antiga da bactéria Treponema pallidum já encontrada nas Américas. A descoberta sugere que o microrganismo, causador de doenças como a sífilis, circulava no continente pelo menos 3 mil anos antes do que se imaginava. O estudo, publicado em 22 de janeiro na revista Science, analisou o DNA antigo de um caçador-coletor de meia-idade enterrado no sítio arqueológico de Tequendama I, um abrigo rochoso localizado na fronteira da Savana de Bogotá. O local reúne sepultamentos que se estendem por um intervalo de cerca de 10 mil a 2,3 mil anos atrás. Os pesquisadores conseguiram isolar o genoma mais antigo já conhecido do Treponema pallidum. O genoma identificado, batizado TE1-3, pertence a uma linhagem até então desconhecida da bactéria. Para obtê-lo, os pesquisadores usaram uma técnica conhecida como sequenciamento "shotgun", que fragmenta o DNA antigo em milhares de pedaços e permite sua reconstrução mesmo quando o material está altamente degradado (um efeito da ação do tempo). As análises indicam que a linhagem descoberta se diferenciou das cepas modernas há cerca de 13,7 mil anos, o que aponta para uma longa e complexa história evolutiva da doença nas Américas. “Esses resultados recuam a associação do Treponema pallidum com os humanos em milhares de anos”, afirma Davide Bozzi, biólogo computacional da Universidade de Lausanne, na Suíça, e autor principal do estudo, em comunicado. Curiosamente, o esqueleto analisado não apresentava as lesões ósseas típicas associadas aos estágios avançados da sífilis, como perfurações e deformações nos ossos. Segundo os pesquisadores, apenas uma pequena parcela das pessoas infectadas desenvolve sinais esqueléticos visíveis, o que torna os casos antigos da doença particularmente difíceis de identificar no registro arqueológico. Isso torna o achado ainda mais surpreendente, já que os poucos genomas antigos de Treponema recuperados até hoje costumam vir de restos humanos com sinais da doença. A Treponema pallidum é a bactéria responsável pela sífilis e por diversas outras doenças infecciosas Wikipedia Há séculos, pesquisadores debatem se a sífilis teria surgido na Europa ou nas Américas. Como as grandes epidemias de sífilis mais bem documentadas ocorreram na Europa do século 15, uma das teorias clássicas sugeria que Cristóvão Colombo teria levado a doença do Novo Mundo para o Velho Continente ou ainda que sua tripulação teria sido infectada nas Américas. Como destaca o site Live Science, estudos de DNA antigo publicados nos últimos anos, porém, já haviam identificado T. pallidum em uma pessoa enterrada por volta do ano 1000 d.C. no Chile e em ossadas sepultados entre 350 a.C. e 570 d.C. no Brasil. Isso indica a presença nas Américas muito antes da chegada de Colombo, e enfraque a hipótese de que a origem seja exclusivamente europeia. A nova descoberta reforça essa virada de perspectiva. Em um artigo de análise publicado junto ao estudo, as antropólogas Molly Zuckerman e Lydia Bailey, da Universidade Estadual do Mississippi, afirmam que as evidências apontam para uma origem americana da sífilis, com a colonização europeia tendo papel central em sua disseminação global. Apesar do avanço, os pesquisadores destacam que ainda não é possível afirmar se essa linhagem ancestral era transmitida sexualmente, como a sífilis venérea moderna. Amostra para análise de DNA antigo e datação por radiocarbono foi retirada da tíbia direita. Instituto 6 Colombiano de Antropología e Historia, Instituto de Ciencias Naturales, Universidad Nacional de Colombia “As evidências genômicas atuais, juntamente com o genoma apresentado aqui, não resolvem o antigo debate sobre a origem das próprias síndromes da doença, mas mostram que existe uma longa história evolutiva de patógenos do tipo que já estavam se diversificando nas Américas milhares de anos antes do que se pensava”, disse Elizabeth Nelson, antropóloga molecular da Southern Methodist University, nos EUA, e coautora do estudo. Além de reescrever parte da história da sífilis nas Américas, o trabalho também pode ter implicações atuais. A sífilis voltou a crescer globalmente na última década, com milhões de novos casos registrados a cada ano, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde. Compreender a evolução da doença, o que inclui conhecer variantes históricas, pode ajudar no desenvolvimento de estratégias mais eficazes de controle. “Ela tem um potencial único para aprofundar nossa compreensão da evolução das espécies e dos riscos à saúde que conectam comunidades do passado e do presente”, afirma Lars Fehren-Schmitz, geneticista da Universidade da Califórnia em Santa Cruz e coautor do estudo.
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Romance: 7 obras clássicas para conhecer melhor o gênero literário A lista começa com a escolha mais econômica, e um clássico da literatura nacional: o livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, está sendo lançado pela editora Principis a partir de R$ 18, na Amazon. A obra relata a história de Bento Santiago e a sua relação com Capitu, uma das personagens mais enigmáticas e intrigantes da cena literária brasileira. Por outro lado, o item que demanda maior investimento é um clássico da literatura russa, o livro Ana Karenina, de Liev Tolstói, também disponível na Amazon, a partir de R$ 101. A trama apresenta a cidade de Moscou durante o século 19, marcada por valores tradicionais, conservadores e uma autoridade monárquica. Os preços mencionados foram verificados em janeiro de 2026. Veja abaixo: 🔎 13 livros imperdíveis para ler antes de 2025 acabar Romances trazem enredos complexos e personagens profundos, proporcionando uma leitura além do entretenimento Divulgação/Pexels (Ron Lach) 📲 Receba ofertas e cupons direto no seu celular com o nosso canal do WhatsApp 1. Dom Casmurro — a partir de R$ 18 Publicada em 1900, a obra de Machado de Assis permanece como destaque na cena literária brasileira e continua levantando questionamentos aos seus leitores. A trama, marcada pelo contexto histórico da sociedade brasileira no século 19, é narrada por Bento Santiago, que revive suas memórias de infância, além de histórias de amor e desventuras com Capitu, sua vizinha da Rua Matacavalos. Abordando a complexidade psicológica do narrador, Dom Casmurro mergulha na subjetividade de Bento, tomado por ciúmes, e constrói uma narrativa ambígua que levanta a polêmica sobre a ocorrência ou não do adultério por parte de Capitu. A edição, distribuída pela Principis, é um texto integral com 208 páginas e apresenta questões de vestibular comentadas. É possível encontrar este livro na Amazon a partir de R$ 18, onde recebe avaliação média 4,8 de um total de 5 estrelas. Nos comentários, os usuários recomendam a compra, tendo em vista a obrigatoriedade da leitura, que desperta sentimentos e sensações. Há menções positivas quanto ao custo-benefício, pronta entrega, capa e tamanho das letras. Entretanto, clientes relatam problemas com o envio, com a presença de amassados, rasgados, além de demonstrarem insatisfação quanto à estrutura da obra. Também há quem diga que a experiência da leitura poderia ser melhor devido as páginas na cor branca, erros de ortografia, tamanho da letra e a diagramação. Prós: custo-benefício; leitura obrigatória e envolvente; pronta entrega Contras: envio com amassados; qualidade do item poderia ser melhor 2. Romeu e Julieta – a partir de R$ 37 Indicado para os que buscam conhecer referências da literatura inglesa, Romeu e Julieta é um clássico marcado por amor, rivalidade e tragédia. A trama se passa em Verona, Itália, no século 16, contando a história da rixa familiar entre Capuleto e os Montéquio. Porém, seus filhos, Julieta e Romeu, se apaixonam, desafiando seus familiares e buscando um futuro longe da violência. Nesta edição de brochura com 248 páginas da editora Penguin-Companhia, José Francisco Botelho é responsável pela tradução e apoio ao ritmo shakespeariano juntamente com um ensaio introdutório do especialista Adrian Poole, que apresenta uma nova perspectiva emocionante em relação à história de amor. Este clássico está à venda no Mercado Livre a partir de R$ 37, tendo avaliação com nota 4,9 de um total de 5 estrelas. Na seção de comentários, há menções positivas à obra que ressaltam sua qualidade e boa escrita, com usuários recomendando a compra. No entanto, uma cliente chamou atenção para a necessidade de cuidados na entrega, para preservar o produto. Prós: clássico da literatura inglesa; custo-benefício; qualidade; boa escrita Contras: processo de entrega poderia ter mais cuidado 3. Orgulho e Preconceito – a partir de R$ 50 Com o diferencial de ilustração e capa dura, esta edição possui 336 páginas e distribuição pela editora Book One. Orgulho e preconceito, de Jane Austen, é mais um clássico da literatura inglesa presente nesta lista. Na obra, a autora apresenta a sociedade inglesa rural da virada do século 19, marcada por orgulhos e preconceitos que ainda estão presentes no nosso dia a dia. Com este plano de fundo, a trama apresenta uma história de amor caracterizada por idas e vindas, assim como diálogos afiados e contrastes entre os personagens Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy. Este item está disponível na Amazon a partir de R$ 50, recebendo nota 4,7 de 5 estrelas como avaliação. Na área de comentários, os clientes elogiam o produto devido a seu design, capa, qualidade de impressão, estado de envio e rapidez na entrega. Porém, dois usuários relatam que seus respectivos livros chegaram com amassados. Prós: design encantador; qualidade de impressão; rapidez na entrega Contras: item pode chegar com amassados 4. Morro dos Ventos Uivantes – a partir de R$ 64 Com adaptação prevista para chegar aos cinemas em fevereiro, a obra Morro dos Ventos Uivantes, publicada em 1847, também é um clássico da literatura inglesa. O enredo apresenta a complexidade da natureza humana a partir de elementos como amor, ódio, morte, vingança e ruína, com uma escrita intensa e personagens com diversas camadas. A obra conta a história de Heathcliff, órfão acolhido pela família Earnshaw. No entanto, a criança é vítima de humilhações por parte do filho do casal. Este cenário faz com que ele se torne cada vez mais perverso, sombrio e sádico, buscando por vingança. Porém, o jovem também desenvolve um amor doentio por Catherine Earnshaw, filha do casal, que irá se tornar sua aliada ao longo da trama. Esta edição de luxo foi lançada em 2020 pela editora Excelsior, contando com capa dura e 368 páginas. A obra está sendo vendida na Amazon a partir de R$ 64, onde obtém nota 4,8 de um total de 5 estrelas como forma de avaliação. No box de comentários, os usuários elogiam a edição devido à sua beleza, qualidade, formatação, conservação, pronta entrega, além da história, descrita como maravilhosa e envolvente. Por outro lado, há algumas críticas negativas devido a envios com amassados e arranhões, além de um caso em que o livro foi entregue com a capa colada de ponta-cabeça. Prós: beleza da edição; qualidade; pronta entrega; história envolvente Contras: produto pode chegar com amassados e arranhões; capa pode ser colada de ponta-cabeça 5. Madame Bovary — a partir de R$ 65 Nesta obra clássica da literatura francesa, publicada em 1857, somos introduzidos a história da camponesa Emma Bovary. Em um casamento com o médico Charles, descrito como monótono e cansativo, a protagonista busca a libertação dos seus problemas matrimoniais, também impulsionada pela leitura de histórias de amores românticos. A partir disso, ela desenvolve casos extraconjugais com Rodolphe e Léon, porém, a insatisfação da personagem permanece constante. O final trágico levanta reflexões quanto aos valores da sociedade burguesa, à economia e ao papel feminino. Esta versão da editora Martin Claret, com capa dura, possui 398 páginas. O clássico francês encontra-se disponível na Amazon a partir de R$ 65, ganhando avaliação média 4,7 de um total de 5 estrelas. Na plataforma, os compradores descrevem a obra como envolvente e marcante, com escrita clara, além de elogiarem o envio em perfeitas condições, boa embalagem, pronta entrega, qualidade do material e a beleza da capa. Contudo, alguns clientes relatam que a tradução poderia ser melhor e que as notas de rodapé são desnecessárias. Também há menções negativas quanto a rasgos, amassados e algumas letras apagadas nas páginas. Prós: obra envolvente; qualidade do material; estética de capa atraente Contras: tradução poderia ser melhor; notas de rodapé podem ser desnecessárias; livro pode chegar com avarias 6. Os miseráveis – a partir de R$ 95 Outra referência da literatura francesa, esta obra de Victor Hugo aborda as injustiças sociais, miséria, relação com o trabalho, ação arbitrária da polícia e o momento revolucionário na França do século 19 através da emocionante história de Jean Valjean, um ex-prisioneiro que acaba condenado por mais de dez anos por roubar um pão. Em um cenário de redenção do protagonista, a trama promete envolver o leitor, levando-o a reflexão quanto aos valores, costumes, religião, política e amor na sociedade francesa. Esta versão de capa dura da editora Martin Claret possui 1511 páginas. Disponível para venda na Amazon a partir de R$ 95, o produto é avaliado com nota 4,9 de 5 estrelas. No site, os clientes descrevem o livro como uma obra-prima atemporal, cativante e surpreendente. Ademais, há elogios quanto à qualidade do material, tamanho da fonte, arte da capa, ilustrações internas, diagramação e rapidez na entrega. Em contrapartida, há compradores que relatam avarias no envio do item, com amassados, rasgos, folhas sujas e capas danificadas. Também há reclamações quanto a erros gramaticais e à tradução que, segundo alguns, poderia ser melhor. Prós: obra envolvente de grande importância cultural; qualidade do material; estética atraente; rapidez na entrega Contras: avarias no envio; erros gramaticais; tradução poderia ser melhor 7. Ana Karenina – a partir de R$ 101 Item mais premium da lista, Ana Karenina, de Liev Tolstói, é um clássico da literatura russa e um convite para a reflexão quanto aos valores tradicionais, conservadores e aristocráticos presentes em Moscou durante o século 19. Na trama, a protagonista é marcada por profunda infelicidade e frustração devido ao seu casamento, até que desenvolve uma paixão intensa por um jovem oficial, o conde Vronski. Porém, ao assumir este interesse romântico, Karenina é exposta ao cruel julgamento da sociedade moscovita e suas escolhas a afastam de seu filho, somadas ao eventual desinteresse de seu amante. Por fim, todo este cenário leva Ana Karenina a sua ruína psicológica, com o autor abordando a complexidade emocional da jovem. Esta edição da José Olympio, lançada em 2022, possui 770 páginas. É possível encontrar este livro na Amazon a partir de R$ 101, obtendo nota 4,7 de 5 estrelas como meio de avaliação. No espaço para comentários, os usuários elogiam a edição, sua tradução, revisão e escrita envolvente. Também elogiam o envio em boas condições e a rápida entrega. Até o fechamento desta matéria, não há comentários negativos sobre o item. Prós: boa tradução; escrita envolvente; boas condições de envio; rápida entrega Contras: não há comentários negativos sobre o item, até o momento Com informações da Amazon, Excelsior, José Olympio, Martin Claret e Mercado Livre Nota de transparência: a Galileu mantém uma parceria comercial com lojas parceiras. Ao clicar no link da varejista, a Galileu pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação. Os preços mencionados podem sofrer variação e a disponibilidade dos produtos está sujeita aos estoques. Os valores indicados no texto são referentes a janeiro de 2026.
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Carne de cachorro era consumida em festas na Bulgária há 2,5 mil anos, revelam fósseis Nem sempre os cães foram os melhores amigos do homem. Em sítios arqueológicos na Bulgária, marcas de cortes foram encontradas em dezenas de esqueletos caninos, sugerindo que pessoas comiam a carne desses animais há 2,5 mil anos. A descoberta foi registrada em dezembro no periódico International Journal of Osteoarchaeology. "A carne de cachorro não era um consumo necessário por causa da pobreza, já que esses sítios arqueológicos são ricos em gado, que era a principal fonte de proteína", explica Stella Nikolova , zooarqueóloga do Museu Arqueológico Nacional da Academia Búlgara de Ciências e autora do estudo, ao site Live Science. "As evidências mostram que a carne de cachorro estava associada a alguma tradição envolvendo festas comunitárias." Histórico do consumo de carne canina Análises arqueológicas de esqueletos de cães da Grécia sugerem que os antigos gregos também consumiam ocasionalmente cachorros. Porém, os gregos e os romanos criticavam de "incivilizados" os trácios, que também eram adeptos da prática. Na Idade do Ferro (do século 5 ao 1 a.C.), os trácios vivam a nordeste dos gregos, no que hoje é a Bulgária. Em meados do século 1 d.C., a Trácia tornou-se uma província do Império Romano. Para investigar se os trácios comiam cães, Nikolova examinou esqueletos e dados previamente publicados de 10 sítios arqueológicos da Idade do Ferro espalhados pela Bulgária. Ela descobriu que a maioria dos cães tinha focinhos de tamanho médio e o ponto mais alto do dorso de tamanho médio a grande, o que os tornava aproximadamente do tamanho de um pastor alemão moderno. Os cachorros apresentavam marcas de abate em muitos dos ossos. "É muito provável que fossem mantidos como cães de guarda, já que os sítios arqueológicos possuem muitos animais de criação", observou Nikolova. "Não acredito que fossem vistos como animais de estimação no sentido moderno." A pesquisadora também examinou ossos do sítio arqueológico de Emporion Pistiros, um centro comercial da Idade do Ferro no interior da Trácia, onde foram encontrados 80 mil ossos de animais, sendo 2% cães. Crânio de cachorro com marcas de corte proveniente de Emporion Pistiros, Bulgária Stella Nikolova Ela descobriu que quase 20% dos cachorros tinham marcas de abate feitas por ferramentas de metal. Duas mandíbulas inferiores tinham dentes queimados, possivelmente porque alguém removeu pelos e pelagem com fogo antes de cozinhar os animais. "O maior número de cortes e fragmentação foi observado nas partes com tecido muscular mais denso — o quarto superior dos membros posteriores", disse Nikolova. "Também há cortes nas costelas, embora em cães eles rendam pouca carne." Como os trácios tinham muitos outros animais mais tradicionalmente associados ao consumo de carne, como porcos, aves, peixes e mamíferos selvagens, Nikolova não acredita que eles comessem cães como último recurso. Os cortes que a especialista observou nos cachorros seguiam inclusive um padrão semelhante ao encontrado em ovelhas e gado no local, sugerindo que eram abatidos de modo similar. No mesmo sítio arqueológico, ossos de cães estavam entre os restos descartados de festas e em montes de lixo doméstico em geral. Isso significa, de acordo com a pesquisadora, que a carne deles pode ter sido consumida de diferentes maneiras. "Então, embora ligada a uma certa tradição, não se limitava a esse termo e era considerada uma 'iguaria' ocasional", disse ela.
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Amebas perigosas se espalham pelo mundo e mobilizam alerta urgente de cientistas Em um novo artigo divulgado neste domingo (25) e publicado em dezembro na revista científica Biocontaminant, pesquisadores ambientais e de saúde pública chamam a atenção para as amebas de vida livre, um grupo de organismos microscópicos que pode representar um perigo global crescente. Segundo os cientistas, esses organismos unicelulares que ocorrem naturalmente no solo e na água estão se espalhando pelo mundo devido às mudanças climáticas, a deterioração dos sistemas hídricos e aos esforços limitados de monitoramento e detecção. Embora a maioria seja inofensiva, certas espécies — como a Naegleria fowleri (chamada de "ameba comedora de cérebros") — podem causar doenças graves e, às vezes, fatais. A N. fowleri é causadora de uma infecção cerebral rara, mas quase sempre mortal, que pode acontecer quando água contaminada entra pelo nariz durante atividades como nadar. "O que torna esses organismos particularmente perigosos é sua capacidade de sobreviver a condições que matam muitos outros micróbios", diz em comunicado o autor correspondente Longfei Shu, da Universidade Sun Yat-sen, na China. "Eles podem tolerar altas temperaturas, desinfetantes fortes como o cloro e até mesmo viver dentro de sistemas de distribuição de água que as pessoas consideram seguros." Com o aumento das temperaturas globais, espera-se que amebas que prosperam em altas temperaturas se espalhem para regiões onde antes eram incomuns. Em 2025, um surto de N. fowleri na Índia matou 19 pessoas e atingiu outras 69. Até agora, mais de 33 países relataram aproximadamente 500 casos, com a maioria relatada nos Estados Unidos, México, Austrália e Paquistão. Tais surtos são particularmente graves considerando que as amebas podem atuar como hospedeiras protetoras para outros micróbios causadores de doenças como vírus e bactérias. Eles podem sobreviver dentro das amebas, protegidos dos processos de desinfecção que normalmente os eliminariam. É o que os cientistas chamam de "efeito cavalo de Troia". Isso pode não apenas espalhar patógenos nocivos por sistemas de água potável, como também ocasionar um aumento da resistência a antibióticos. Para controlar essa situação, os autores destacam a necessidade de melhor vigilância e tecnologias avançadas de tratamento de água, além de uma estratégia coordenada que integre saúde pública, pesquisa ambiental e gestão de recursos hídricos. "As amebas não são apenas um problema médico ou ambiental", considera Shu. "Elas estão na interseção de ambos, e combatê-las exige soluções integradas que protejam a saúde pública em sua origem".
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Treinamento com restrição de fluxo sanguíneo pode ser útil? Entenda O treinamento com restrição de fluxo sanguíneo vem ganhando espaço por permitir ganhos musculares sem a necessidade de cargas elevadas na atividade física. Conhecida em inglês como blood flow restriction (BFR), a técnica utiliza manguitos posicionados nos braços ou nas coxas, inflados a uma pressão controlada, para reduzir parcialmente o fluxo de sangue no membro durante o exercício. “Com o manguito inflado, o retorno venoso fica mais difícil e, em alguns casos, há também uma leve redução da chegada de sangue arterial. Isso cria um ambiente de menor oxigenação e maior estresse metabólico, fazendo com que o músculo trabalhe mais mesmo com cargas leves ou até durante uma simples caminhada”, explica o profissional de educação física Brendo Faria Martins, preparador físico do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, do Einstein Hospital Israelita. Apesar de parecer novidade, o método é antigo: surgiu no Japão, na década de 1960, onde ficou conhecido como KAATSU. Hoje é utilizado em diversos países, inclusive no Brasil, tanto no contexto esportivo quanto na reabilitação. “Mas é importante reforçar que não é simplesmente apertar a perna e treinar. A pressão precisa ser individualizada, o equipamento adequado e a aplicação, supervisionada”, ressalta Martins, que é especializado em Fisiologia do Exercício. O treinamento com restrição de fluxo sanguíneo costuma ser indicado principalmente quando a pessoa não consegue treinar com cargas altas, seja por dor, limitação articular, pós-operatório ou fragilidade muscular. Pode ser uma ferramenta interessante para reabilitação, prevenção de perda muscular, para idosos com limitação funcional e, em alguns casos, como complemento no esporte. “Mas a triagem é fundamental, especialmente em pessoas com maior risco cardiovascular ou trombótico”, afirma. Possíveis riscos Pesquisas já indicaram que múltiplas sessões de caminhada com restrição de fluxo sanguíneo nas pernas podem melhorar o condicionamento cardiovascular, além de promover ganhos de força e hipertrofia muscular em idosos. Mas a ciência também vem investigando possíveis riscos associados. Um estudo recém-publicado na revista científica Gait & Posture avaliou dez idosos, com média de 73 anos de idade. Eles caminharam em esteira por 10 minutos, em diferentes velocidades, com manguitos inflados nas duas coxas a 40% e 60% da pressão de oclusão arterial. Os resultados mostraram que a qualidade da marcha e o equilíbrio pioraram de forma aguda quando a caminhada foi realizada com restrição de fluxo sanguíneo e quanto maior for a pressão, maior a alteração observada. Entre os mecanismos que podem explicar a piora temporária do equilíbrio estão a fadiga muscular mais rápida, alterações no feedback sensorial e proprioceptivo causadas pela compressão do manguito, mudanças no padrão de marcha por desconforto e o aumento do custo metabólico da tarefa. “Tudo isso pode levar a passos mais curtos, maior oscilação lateral e menor estabilidade”, explica o preparador físico. O estudo também reforça a importância de cuidados rigorosos na prescrição do método, como individualizar a pressão com base na oclusão arterial, começar com intensidades mais baixas, garantir que isso seja feito em um ambiente seguro, fazer triagem de risco e monitorar sinais como dor intensa, dormência, alteração de cor do membro ou tontura. Apesar dos efeitos agudos negativos sobre o equilíbrio, os próprios autores levantam a hipótese de que, a longo prazo, o desafio imposto pelo treinamento com restrição de fluxo sanguíneo possa gerar adaptações positivas. “Sessões repetidas podem ajudar a melhorar força e função muscular, o que indiretamente pode reduzir o risco de quedas. Mas força não é sinônimo de equilíbrio. Para isso, é essencial combinar a técnica com treino específico de equilíbrio, coordenação e potência”, pondera Martins. E lembre-se: nada de tentar reproduzir a técnica por conta própria. O método é considerado seguro quando feito dentro de um programa bem supervisionado, com ambiente seguro, progressão lenta e pressões mais baixas. “É uma ferramenta promissora, mas que exige dose, contexto e segurança”, afirma o especialista do Einstein. Este artigo foi publicado originalmente na Agência Einstein.
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Como arsênio, chumbo e mercúrio impactam o neurodesenvolvimento infantil nas grandes cidades Quem vive em grandes cidades costuma associar poluição apenas à fumaça dos carros ou ao ar pesado dos dias mais quentes. Mas há uma exposição silenciosa, cotidiana e quase invisível que passa despercebida: a presença de metais tóxicos no ambiente. Eles estão na água que bebemos, nos alimentos que consumimos e no ar que respiramos. A presença de metais no ambiente é resultado tanto de processos naturais quanto, sobretudo, das atividades humanas. Arsênio, chumbo e mercúrio são alguns dos metais que mais preocupam a saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) classificam essas substâncias como altamente tóxicas e amplamente disseminadas no ambiente. A exposição humana a esses metais pode afetar diversos órgãos e sistemas, com destaque para o sistema nervoso. Quando a poluição começa antes do nascimento Esse cenário se torna ainda mais delicado quando falamos de gestação e primeira infância. Mulheres grávidas que vivem em áreas urbanas enfrentam um risco duplo: além da exposição ambiental constante, a placenta não funciona como uma barreira totalmente eficaz contra a passagem de poluentes, incluindo metais tóxicos para o feto. Além disso, a imaturidade da barreira hematoencefálica que protege o cérebro ainda em formação do feto aumenta a vulnerabilidade aos efeitos neurotóxicos dessas substâncias. Arsênio, chumbo e mercúrio têm sido associados a efeitos adversos no neurodesenvolvimento, particularmente durante a gestação, quando ocorrem processos críticos como proliferação neuronal, migração, diferenciação sináptica e mielinização. Evidências indicam que a exposição precoce a esses metais pode resultar em déficits cognitivos, motores, comportamentais e sensoriais. O que o sangue do cordão umbilical revela sobre a exposição aos metais Diante desse cenário, nós pesquisadores do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva e da Maternidade Escola, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estamos desenvolvendo o Projeto Infância e Poluentes Ambientais, mais conhecido como Coorte PIPA. O PIPA é um dos poucos estudos brasileiros que analisam simultaneamente a exposição a múltiplos metais utilizando amostras de sangue de cordão umbilical em populações urbanas. O projeto começou com 844 crianças nascidas na Maternidade Escola da UFRJ, entre julho de 2021 e julho de 2022, cujas mães residiam no município do Rio de Janeiro. Cerca de 700 crianças tiveram amostras de sangue de cordão umbilical coletadas ao nascimento para medir os níveis de arsênio, chumbo e mercúrio. Após perdas iniciais relacionadas a óbitos neonatais e mudança de município, um total de 393 crianças retornaram entre 12 e 18 meses de idade para avaliação do neurodesenvolvimento utilizando testes específicos. Modelos de regressão logística ajustados foram empregados para avaliar as associações entre as concentrações de metais e os desfechos do neurodesenvolvimento, controlando potenciais variáveis de confusão. O que a ciência já sabe — e o que este estudo acrescenta Estudos epidemiológicos, incluindo grandes coortes prospectivas, têm demonstrado associações entre a exposição pré-natal a metais e prejuízos no neurodesenvolvimento infantil. Pesquisas realizadas em coortes da Ásia, Europa e América do Norte sugerem que o arsênio pode interferir em processos neurobiológicos fundamentais, como a migração neuronal, a formação de sinapses e a mielinização, especialmente quando a exposição ocorre durante a gestação. Em nosso estudo brasileiro, do total de 393 crianças incluídas, todas possuíam dados disponíveis de arsênio, chumbo e mercúrio no sangue do cordão umbilical. As concentrações medianas observadas foram baixas, mas compatíveis com exposições ambientais em áreas urbanas. A avaliação do neurodesenvolvimento aos 12–18 meses indicou que as crianças com maiores concentrações pré-natais (no sangue do cordão umbilical) de arsênio (acima de ≥1.03 µg/L) apresentaram oito vezes mais chance de falhar no teste de avaliação do desenvolvimento motor grosso. O desenvolvimento motor grosso é o responsável por, entre outras atividades, o início da deambulação infantil. Os resultados encontrados significam que as crianças que foram expostas a maiores concentrações de arsênio durante a gestação tinham maior chance de demorar a começar a andar, por exemplo. O maior impacto observado no domínio motor grosso pode estar relacionado à elevada sensibilidade das vias motoras em fases iniciais do desenvolvimento. Importante esclarecer que alterações precoces nesses circuitos podem se manifestar antes de déficits cognitivos mais complexos, que tendem a se tornar mais evidentes em idades posteriores. Assim, os resultados sugerem que atrasos motores podem representar um sinal precoce de exposição neurotóxica durante a vida intrauterina. Por outro lado, não foram observadas associações consistentes entre chumbo ou mercúrio e os desfechos do desenvolvimento. Por que esses achados importam? Este estudo demonstrou que a exposição pré-natal ao arsênio, mesmo em níveis relativamente baixos, está associada a alterações no neurodesenvolvimento de crianças até 18 meses de idade, especialmente no domínio motor grosso, em uma população urbana brasileira. Os achados sugerem que o arsênio pode comprometer etapas precoces do desenvolvimento neurológico, reforçando sua relevância como contaminante ambiental de interesse em saúde pública. Os resultados destacam a importância do acompanhamento pré-natal das gestantes para identificação de situações de maior risco de exposição a estes metais. Além disso, é importante o monitoramento das fontes ambientais dos mesmos. E ainda realizar avaliação precoce do neurodesenvolvimento nas consultas pediátricas pós-natais. E não menos importante são os estudos longitudinais para compreender melhor os efeitos da exposição pré-natal a metais ao longo da infância. Além disso, reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à redução da exposição ao arsênio em ambientes urbanos. Este artigo foi publicado originalmente no site The Conversation. A autoria é de Carmen Ildes Rodrigues Fróes Asmus, professora Titular de Saúde, Ambiente e Trabalho do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC), UFRJ; Arnaldo Prata-Barbosa, médico pediatra e professor da Faculdade de Medicina, UFRJ; Marlos Melo Martins, médico neuropediatra da Maternidade Escola e do Instituto de Pediatria e Puericultura, UFRJ; Mônica Seefelder de Assis Araujo, nutricionista, mestre em Saúde Coletiva e doutoranda do PPG de Saúde Coletiva do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC, UFRJ); Nataly Damasceno Figueiredo, epidemiologista, mestre e doutora em Saúde Coletiva. Pós-doutoranda do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC), UFRJ e Volney Magalhães Câmara, médico, professor emérito de Saúde, Ambiente e Trabalho do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC), UFRJ.
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O que é a Teoria do Caos? Entenda o conceito A Teoria do Caos é uma área da ciência, com raízes na Física, que tenta explicar como é o desdobramento de eventos que dependem de uma condição inicial. Um exemplo simples: imagine uma pessoa esperando o ônibus no ponto. Ela tem o objetivo de entrar no ônibus e voltar para casa. Nesse cenário, há muitas intercorrências possíveis: talvez o ônibus passe, a pessoa suba e volte para casa normalmente. Talvez chova, o ônibus quebre e a pessoa resolva pedir um carro por aplicativo. Talvez um carro passe com o rádio tocando música alta e isso inspire a pessoa a voltar andando. Talvez a pessoa pegue o ônibus errado. Existe uma gigantesca variedade de desdobramentos. Porém, todas essas possibilidades têm algo em comum: são governadas por leis determinísticas, que são equações que descrevem como um sistema evolui no tempo de forma precisa e previsível, desde que você conheça o estado inicial. Isso inclui a força da gravidade, as Leis de Newton, as Leis do movimento planetário de Kepler, os modelos de oferta e demanda simples da economia, etc. Pode parecer estranho associar as leis do movimento planetário a um sujeito esperando o ônibus no ponto. Mas, dentro da Teoria do Caos, todos esses elementos são tratados como importantes. E o porquê disso é o grande ponto central. Na Teoria do Caos, todos esses elementos são tratados como importantes porque, mesmo conhecendo todos eles, o resultado ainda é imprevisível. A partir do estado inicial (o sujeito no ponto esperando o ônibus), não há como prever com exatidão o desfecho, mesmo que saibamos de todas as leis da física e outras leis aplicáveis à situação. Isso acontece porque esse exemplo que demos é um sistema complexo. Isto é, um conjunto de elementos que interagem entre si de forma não linear, de modo que o comportamento do sistema como um todo não pode ser previsto apenas analisando os elementos isoladamente. Nem todos os elementos dentro desse sistema são governados por leis determinísticas: o pensamento humano, por exemplo, não é. Para que serve a Teoria do Caos? A Teoria do Caos foi proposta para ajudar a entender diversos sistemas complexos do cotidiano: a meteorologia, a ecologia, a neurociência, os mercados financeiros, os sistemas de partículas em colisão na física experimental e muitos outros. Os batimentos cardíacos de uma pessoa são um ótimo exemplo de um sistema complexo sujeito à Teoria do Caos: há variáveis demais em ação para prever com exatidão como o coração de alguém vai bater dentro de um minuto, uma hora ou um dia. Esse é um exemplo do universo “micro”, digamos assim. Agora, vamos para um exemplo “macro”: o Problema dos Três Corpos na astronomia. Se dois corpos celestes em uma galáxia interagem apenas por meio da gravidade, então podemos usar as Leis de Newton (que são determinísticas) para descrever exatamente como esses dois objetos se moverão ao longo do tempo. Mas, se adicionarmos um terceiro corpo celeste nessa interação gravitacional, as Leis de Newton não permitem mais uma solução exata. “A maioria dos processos que ocorrem no Universo é essencialmente caótica”, afirma o astrônomo Alastair Gunn à BBC Science Focus. “A aceleração de partículas carregadas, a criação de raios cósmicos, a estrutura dos campos magnéticos, as reações nucleares dentro das estrelas, as reações químicas no espaço interestelar e muitos outros fenômenos dependem criticamente das condições iniciais. Em última análise, seria justo dizer que o próprio Universo é caótico e, portanto, imprevisível”, argumenta ele. O efeito borboleta No final do século 19, o matemático francês Henri Poincaré estudou o Problema dos Três Corpos, que consiste em prever a interação de três objetos sob a gravidade de acordo com as Leis de Newton. Poincaré mostrou que não existe uma solução exata em forma de funções matemáticas simples — em vez disso, escreveu um longo texto explicando por que pequenas alterações nas condições iniciais do sistema poderiam gerar grandes diferenças nos resultados finais. Esse trabalho foi fundamental para compreender que sistemas determinísticos podem ser praticamente imprevisíveis, um conceito central da Teoria do Caos. Essa ideia foi posteriormente desenvolvida na década de 1960 pelo meteorologista americano Edward Lorenz. Ele estava estudando uma simulação em um modelo meteorológico simples da Terra em seu computador. Ao fazer a simulação pela primeira vez, ele obteve uma série de resultados. Ao tentar pela segunda vez, fez uma pequena mudança: arredondou um dos valores inseridos de 0,506127 para 0,506. Uma diferença minúscula, de milésimos. Para sua surpresa, obteve resultados bastante diferentes. A princípio, isso parecia errado. Como ele poderia estar obtendo resultados diferentes se estava inserindo os mesmos dados, com exceção dessa pequena alteração, e se quem os estava processando era um computador? Foi a partir daí que ele desenvolveu a teoria do Efeito Borboleta, que diz que pequenas alterações no estado inicial podem levar a desfechos completamente distintos no final. Em 1972, ele apresentou a ideia ao grande público em uma conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência, onde proferiu uma palestra intitulada "Previsibilidade: o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode desencadear um tornado no Texas?". O bater das asas da borboleta é uma metáfora para essa pequena alteração possível no estado inicial. Foi o Efeito Borboleta que abriu caminho para os estudos sobre Teoria do Caos, que se intensificaram a partir dos anos 1960. Em parte, a Teoria do Caos surgiu para desafiar as ideias científicas anteriores, propostas por Isaac Newton e pelo astrônomo francês Pierre-Simon Laplace, que argumentavam que a ciência pode prever com precisão os resultados futuros (determinismo universal, um conceito mais filosófico do que prático). Agora sabemos: não, a ciência não tem esse poder. Porque o Universo está repleto de sistemas caóticos, de modo que ele mesmo pode ser considerado um. Se você não consegue fazer uma previsão absolutamente precisa, que chegue com exatidão à infinita casa decimal, então o determinismo universal não se aplica. O Universo é caótico. E é por isso que a previsão do tempo vive errando.
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Consumir aveia por 2 dias já pode reduzir o nível de colesterol, aponta estudo O consumo de aveia por apenas dois dias é capaz de reduzir os níveis de colesterol "ruim" no corpo, ou LDL. É o que indica um estudo da Universidade de Bonn, na Alemanha, realizado com 68 pessoas que sofriam de síndrome metabólica — uma combinação de sobrepeso, hipertensão e níveis elevados de glicose e lipídios no sangue. Os resultados foram registrados em 14 de janeiro na revista científica Nature Communications. Os participantes consumiram exclusivamente mingau de aveia, previamente cozido em água, três vezes ao dia. Apenas algumas frutas ou vegetais podiam ser adicionados às refeições. Um total de 32 mulheres e homens completaram essa dieta à base de aveia. Eles consumiram 300 gramas de mingau em cada um dos dois dias, ingerindo apenas cerca de metade de suas calorias habituais. Um grupo de controle também seguiu uma dieta com restrição calórica, porém sem aveia. Ambos os grupos se beneficiaram da mudança na dieta, porém, o efeito foi muito mais pronunciado para os participantes que seguiram a dieta à base de aveia. "O nível de colesterol LDL, particularmente prejudicial , caiu 10% para eles — uma redução substancial, embora não totalmente comparável ao efeito dos medicamentos modernos", observa em comunicado Marie-Christine Simon, professora adjunta do Instituto de Ciência Nutricional e Alimentar da Universidade de Bonn. "Eles também perderam dois quilos em média e sua pressão arterial diminuiu ligeiramente." Após seis semanas, os níveis de colesterol permaneceram mais baixos e a dieta influenciou aparentemente a composição da microbiota intestinal. "Conseguimos demonstrar que as bactérias intestinais produzem compostos fenólicos ao decompor a aveia", diz Linda Klümpen, colega de Simon e autora principal do estudo. "Já foi demonstrado em estudos com animais que um deles, o ácido ferúlico, tem um efeito positivo no metabolismo do colesterol. Isso também parece ser o caso de alguns dos outros produtos metabólicos bacterianos". Dois dias X seis semanas Segundo a pesquisa, é melhor consumir grande quantidade de aveia por dois dias do que uma pequena quantidade por seis semanas. Uma dieta de 80 gramas de aveia por dia durante as seis semanas, sem quaisquer outras restrições, alcançou pequenos efeitos. Os pesquisadores também coletaram amostras de sangue e fezes, medindo também alguns parâmetros (peso, altura, circunferência da cintura e percentual de gordura) antes de realizarem qualquer alteração na dieta dos participantes. Dois dias depois da dieta à base de aveia, eles realizaram um segundo exame, seguido por outros três após duas, quatro e seis semanas. As amostras de sangue foram examinadas em laboratório para determinar, entre outras coisas, o teor de colesterol LDL. Os pesquisadores também mediram a concentração de ácido di-hidroferúlico, composto fenólico que se acredita ser formado por certas bactérias intestinais, conhecidas por seus efeitos benéficos à saúde. Essa hipótese foi mais tarde confirmada nas amostras de fezes. Os cientistas investigaram quais produtos metabólicos estavam presentes nas coletas e isolaram o chamado RNA 16S, uma molécula que ocorre exclusivamente em bactérias, que pode ser usada para identificar a bactéria de origem, como uma impressão digital. "Como próximo passo, agora podemos esclarecer se uma dieta intensiva à base de aveia, repetida a cada seis semanas, realmente tem um efeito preventivo permanente", afirma Simon.
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Qual a distância máxima que humanos conseguem enxergar? Para uma pessoa com visão normal e cujos olhos estejam a pelo menos 1,5 m do chão, é possível enxergar aproximadamente 5 km à frente. A partir desse ponto, a curvatura da Terra faz com que a superfície não esteja mais na nossa linha do horizonte. Inclusive, a medida citada no início deste texto, de 5 km, é considerada para uma pessoa que esteja no nível do mar. A curvatura da Terra é um dos elementos que limitam nossa visão. Se os seus olhos estiverem muito próximos do chão, por exemplo, você não conseguirá enxergar tão longe, pois a faixa de superfície da Terra que estará ao alcance da sua visão será menor. Da mesma forma, se você estiver em um lugar alto, como em um prédio, poderá enxergar bem além. Em altitudes maiores, já passamos a conseguir enxergar mais do que isso. Como argumenta este artigo do New York Times, uma pessoa olhando do mirante do Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo em Dubai, com 828 metros, consegue enxergar a uma distância de 96,5 km. Só que há outros fatores que atrapalham nossa visão. Um deles são as obstruções visuais: árvores, prédios, nuvens, poeira, neblina etc. Outro é o brilho do que você está observando: quanto mais luz ele emitir ou refletir, mais fácil será enxergá-lo. Muitos objetos não emitem luz, de modo que fica mais difícil enxergá-los no ambiente que os cerca — e aqui também entram fatores como o contraste com o fundo, o tamanho angular do artefato e outros. A temperatura do ar também afeta a nossa visão. Quando a luz viaja pelo ar, ela não anda sempre em linha reta exatamente do mesmo jeito — ela pode mudar de direção um pouco, dependendo de como está o ar. O ar mais frio é mais denso e o ar quente é menos, portanto isso faz diferença. Quando o ar próximo à superfície está mais frio e o ar acima está mais quente (como pode ocorrer em vales, regiões costeiras e no início da manhã), forma-se uma inversão térmica. Essa diferença de temperatura cria camadas de ar com densidades diferentes, que refratam a luz de maneira contínua. Em vez de viajar em linha reta, os raios luminosos passam a se desviar levemente para baixo, o que pode permitir que a luz de objetos muito distantes chegue aos nossos olhos mesmo quando eles já estariam abaixo do horizonte geométrico. Isso faz com que, em certas condições, seja possível enxergar um pouco mais longe do que seria possível se o ar tivesse temperatura uniforme. Se você observar o céu à noite sem nenhum equipamento, a olho nu, o item mais distante que conseguirá enxergar é a galáxia de Andrômeda, que fica a 2,5 milhões de anos-luz de distância. Isso é possível graças à imensa quantidade de luz emitida por essa galáxia. E esse não é o limite: algumas explosões mais distantes do que isso podem ser observadas, desde que emitam luz suficiente. Por exemplo: em 2018, uma explosão de raios gama foi visível a olho nu no céu e aconteceu a 7,5 bilhões de anos-luz de distância.
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Quando o joelho dá sinais de alerta: o que os genes revelam sobre a osteoartrite Você já passou há muito da adolescência e começa a sentir o peso da idade, especialmente no joelho. Ele falha de vez em quando, estala, range ao se movimentar. A dor aparece com frequência, inclusive em repouso, e levantar depois de um tempo sentado ou deitado se torna cada vez mais difícil. Em alguns momentos, o joelho parece travar, como se simplesmente não quisesse obedecer. Sinto muito dizer, mas você pode estar entre as milhões de pessoas que convivem com a osteoartrite. A osteoartrite é uma doença inflamatória crônica, progressiva e dolorosa, marcada pela degeneração da cartilagem, por alterações estruturais nos tecidos articulares e pela inflamação da sinóvia. A osteoartrite de joelho é a forma mais comum da doença, justamente porque o joelho sustenta grande parte do peso corporal e está constantemente exposto ao estresse mecânico. Em 2021, a prevalência global da osteoartrite de joelho foi estimada em cerca de 4,7 mil casos, com uma taxa de incidência de quase 391 novos casos a cada 100 mil pessoas. Esses números são ainda mais altos entre as mulheres. Especialmente após a menopausa, alterações hormonais e biomecânicas aumentam a vulnerabilidade à doença. O avanço da idade também contribui para a degeneração das articulações e para a redução da capacidade de reparo dos tecidos. Além disso, estudos indicam que pessoas mais altas apresentam maior risco de desenvolver osteoartrite de joelho. Muito além do desgaste: o papel da genética Apesar de todos esses fatores conhecidos, a osteoartrite de joelho não tem uma única causa. Sua origem é multifatorial e ainda não totalmente compreendida. O que se sabe é que a genética tem um peso importante nessa história: estima-se que cerca de 39% do risco de desenvolver a doença esteja relacionado à herança genética. Em casos mais graves, esse percentual pode ultrapassar 50% e chegar a até 80% entre mulheres com mais de 50 anos. Quando falamos em doenças, é comum imaginar causas únicas e bem definidas. Mas a maioria das doenças crônicas não funciona assim. Poucas são determinadas por um único gene “defeituoso”. O que a ciência tem mostrado é que pequenas variações no DNA — chamadas polimorfismos genéticos — ajudam a explicar por que algumas pessoas adoecem mais cedo, apresentam quadros mais graves ou respondem de forma diferente aos tratamentos. Ao relacionar essas variações genéticas com dados clínicos e populacionais, os pesquisadores conseguem identificar padrões invisíveis a olho nu, revelando como genética, ambiente e estilo de vida se entrelaçam na origem de muitas doenças. Esse tipo de investigação amplia nossa compreensão dos mecanismos biológicos do adoecimento e abre caminho para uma medicina personalizada. Genes envolvidos na osteoartrite de joelho Estudos de associação genômica ampla, conhecidos como GWAS, já identificaram mais de 80 loci associados à osteoartrite de joelho. Locus (plural loci) é, de forma simples, um “endereço” no DNA — uma posição específica no genoma que pode variar entre os indivíduos e influenciar o risco de desenvolvimento de doenças. Entre esses loci, um dos mais estudados é o gene GDF5 (growth differentiation factor 5), que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento, na manutenção e no reparo das articulações sinoviais. Diversos estudos já demonstraram que uma variação específica desse gene, chamada GDF5 rs143384, está associada não apenas à osteoartrite de joelho, mas também a outras doenças musculoesqueléticas. O que encontramos em pacientes brasileiros Diante disso, nós — cientistas e médicos de instituições como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal Fluminense e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) — decidimos investigar mais a fundo o papel desse gene em pacientes brasileiros. O resultado foi um estudo recentemente publicado na revista científica Genes. Realizamos um estudo observacional transversal ao longo de três anos, com a participação de 224 pacientes com osteoartrite de joelho atendidos no INTO, no Rio de Janeiro. Os voluntários foram avaliados clinicamente e classificados de acordo com a gravidade da doença. Para a análise genética, coletamos células da mucosa oral por meio de um swab, o que permitiu extrair o DNA e identificar o polimorfismo do gene GDF5 utilizando a técnica de PCR. O que os dados revelaram A idade mediana dos participantes foi de 64 anos, com variação entre 44 e 84 anos. A maioria era do sexo feminino. Mais da metade apresentava estatura inferior a 1,60 metro, e cerca de dois terços eram obesos ou tinham obesidade mórbida. Observamos que pacientes com mais de 70 anos apresentavam formas mais avançadas da osteoartrite. Também identificamos que a frequência da variante genética A do polimorfismo GDF5 rs143384 aumentava conforme a gravidade da doença. Entre as mulheres, esse achado foi ainda mais marcante. A presença dos genótipos GA ou AA esteve associada a maior gravidade da osteoartrite de joelho. Além disso, mulheres portadoras dessas variantes genéticas apresentaram, em média, menor estatura do que aquelas com o genótipo GG. Por que esses achados importam? Nossos resultados mostram que a genética pode ajudar a explicar porque a osteoartrite de joelho se manifesta de forma mais grave em algumas pessoas — especialmente em mulheres. A associação entre o polimorfismo GDF5 rs143384, maior gravidade da doença e menor estatura sugere que essa variante contribui para a variabilidade clínica da osteoartrite. Compreender essas diferenças é essencial para avançar rumo a uma abordagem mais personalizada da doença. No futuro, informações genéticas poderão ajudar a refinar diagnósticos, orientar estratégias de prevenção e até influenciar decisões terapêuticas. Mais do que entender por que o joelho dói, a genética nos ajuda a compreender por que ele dói mais em algumas pessoas do que em outras. Este artigo foi publicado originalmente no site The Conversation, e escrito por Eduardo Branco de Sousa, professor Adjunto de Ortopedia da Faculdade de Medicina, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Jamila Alessandra Perini, professora do curso de Farmácia e líder do Laboratório de Pesquisa de Ciências Farmacêuticas, UERJ.
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Qual o tamanho real da Grande Muralha da China? Ela protegia o quê? Reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1987 e como uma das 7 Novas Maravilhas do mundo em 2007, a Grande Muralha da China é um dos feitos arquitetônicos mais importantes da humanidade. Todo ano, estima-se que pelo menos 10 milhões de turistas visitam a China só para vê-la. Ao contrário do que possa parecer a princípio, a Grande Muralha não é contínua, mas sim um conjunto de muralhas menores, trincheiras, torres de vigia, abrigos e fortificações. Juntas, essas estruturas somam 21 mil km de extensão aproximadamente (as muralhas sozinhas dão cerca de 9 mil km). Essa quilometragem é suficiente para dar meia volta no planeta: é mais que a distância em linha reta entre São Paulo e Tóquio, por exemplo (18,5 mil km) ou entre Manaus e Xangai (19,2 mil km). Essas muralhas que, juntas, compõem a Grande Muralha, não foram construídas ao mesmo tempo. Na verdade, a construção levou cerca de 2 mil anos: começou na Dinastia Qin (221 a 206 a.C.) com estruturas de barro, pedra e madeira e atravessou os séculos, culminando na Dinastia Ming (1388 a 1644 d.C.), quando o trabalho na muralha deixou de ser prioridade. Recentemente, como contamos aqui na GALILEU, descobriu-se que sua construção começou pelo menos 300 anos antes do que se imaginava. Foi na Dinastia Ming que as partes mais modernas e robustas foram construídas. Elas chegam a ter 7,6 metros de altura, 4,6 a 9,1 metros de largura na base e de 2,7 a 3,7 metros de largura no topo (suficiente para a passagem de tropas ou carroças). Em intervalos regulares ao longo da muralha, foram instalados postos de guarda e torres de vigia. Grande demais para dar certo A Grande Muralha começa a leste em Shanhaiguan, na província de Hebei, e termina a oeste em Jiayuguan, na província de Gansu. Seu delineado frequentemente acompanha o cume das colinas ao sul do planalto da Mongólia (vasta região que engloba o Deserto de Gobi, grande parte da Mongólia, o norte da China e o sul da Rússia). O objetivo de sua construção era proteger a China da invasão de estrangeiros — originalmente, povos nômades e, na Dinastia Ming, os mongóis. Porém, como era descontínua, os invasores não encontravam dificuldade em atravessá-la, bastando procurar os pontos abertos ou, como era mais comum, fazer acordos com traidores e simplesmente entrar pelos portões controlados. Tanto é que a Grande Muralha foi transpassada várias vezes. Gengis Khan (1162-1227 d.C.), fundador do Império Mongol, comandou suas tropas em muitas dessas transgressões, e essas invasões foram essenciais na deposição da Dinastia Jin (1115-1234 d.C.) e na fundação da Dinastia Yuan (1271-1368 d.C.). Essa dinastia, criada em 1271 por Kublai Khan, neto de Gengis Khan, governou a China até 1368 como parte do Império Mongol. Como está hoje Hoje em dia, a maior parte da Grande Muralha está em ruínas — segundo informes recentes, pelo menos 1.962 km já se foram completamente, o que representa pelo menos 20% da extensão da muralha Ming. O maior vilão não foram invasores, e sim a chuva e o vento, que erodiram as pedras da construção. Além disso, muitos aldeões locais retiravam pedras da muralha para construir suas próprias casas (hoje em dia, retirar peças da muralha é passível de multa). Para atrair turistas e honrar o que considera ser um símbolo nacional, a China iniciou trabalhos de restauração em 1957, na chamada Seção Badaling, que é a parte mais famosa e acessível do monumento, localizada a cerca de 70 km de Pequim. Hoje, esse trecho está totalmente restaurado. Em 1970, a Grande Muralha foi aberta à visitação e, ao longo dos anos, novos trechos foram restaurados. No começo deste século, teve início um dos projetos mais ousados: a restauração de um trecho de 20 km chamado Jiankou. Trabalhando sob regras bastante rígidas para manter ao máximo a autenticidade do monumento, os pedreiros usam os tijolos de pedra originais que encontram e, quando não podem, recorrem a novos tijolos fabricados sob medida. Atualmente, as principais seções visitáveis da Muralha são: Badaling, Mutianyu, Jinshanling, Juyongguan, Gubeikou e Jiankou. Os meses mais recomendados para os turistas são durante a primavera chinesa, de abril a junho.
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Homem nos EUA recupera R$ 33 mil em dinheiro perdido graças a um vizinho O mundo é repleto de guerras e atrocidades, por isso, quando atos de honestidade e bondade acontecem, eles muitas vezes nos surpreendem. Nos Estados Unidos, no estado da Califórnia, um homem que perdeu US$ 6.270 (cerca de R$ 33 mil) em dinheiro vivo conseguiu recuperar a quantia graças a um vizinho honesto. O caso foi divulgado pelo Gabinete do Xerife do Condado de Nevada na quinta-feira (22) no Facebook. De acordo com a postagem, "o bom samaritano informou aos agentes que havia encontrado vários pertences pessoais no jardim da frente de sua casa em Nevada City — itens que não pertenciam a ninguém da residência — além de dinheiro em espécie espalhado pelo terreno, totalizando US$ 6.270". Initial plugin text A publicação mostra apenas parte do dinheiro, tamanha que é a quantia. O homem que perdeu os dólares refez o caminho após perceber o ocorrido, mas não conseguiu encontrar com isso nenhum dos itens perdidos. Mais tarde, a família dele informou aos agentes que alguém ter devolvido tudo integralmente foi “um sonho realizado e uma oração atendida”. Diante da atitude solidária, o indivíduo que fez este gesto de devolver o dinheiro ganhou elogios do gabinete do xerife. O capitão de operações Rusty Greene observou que "o bom samaritano" é um lembrete de que "fazer a coisa certa não exige reconhecimento — apenas compaixão e disposição para agir”. “No momento em que mais importava, ele se levantou e mostrou como pequenas escolhas podem fazer uma grande diferença na vida das pessoas", acrescentou.
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Americano anda mais de 240 km de cadeira de rodas em um único dia e quebra recorde Percorrer uma distância de 240 quilômetros por terra é uma tarefa no mínimo complicada, independente da forma de transporte usada. Agora imagine fazer isso numa cadeira de rodas em apenas um dia? É uma proeza digna de recordes, literalmente. O americano amputado bilateral Michael “Mike” Egan percorreu a maior distância em 24 horas em cadeira de rodas ao completar 720 voltas no percurso Morgan's Wonderland Sports Complex, na cidade de San Antonio, nos Estados Unidos. O recorde foi confirmado pelo Guinness World Records em 22 de janeiro. A façanha ocorreu no dia 10 de novembro, com o veterano do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA atravessando a noite congelante do estado do Texas por um total de 245,2 km (152,37 milhas). Mike atingiu uma façanha que antes pertencia ao atleta paralímpico Mário Trindade, que rodou, num único dia,182,4 km em Portugal. Voltas e mais voltas O recordista americano perdeu suas duas pernas em 2012 enquanto servia militarmente no Afeganistão. Foi após mais de 40 cirurgias e uma aposentadoria do exército por invalidez em 2014, que Mike descobriu sua paixão por treinos e adotou uma missão de motivar pessoas a realizarem seus sonhos de boa forma. Após a conquistar o recorde almejado, Mike chegou a queimar incríveis 18.890 calorias no processo Divulgação/Guinness World Records Em 2023, após anos aprimorando sua força e resistência na academia e nas pistas, o americano se sentiu pronto para bater o recorde. O grande dia chegou e, nas 24 horas seguintes, Mike correu mais de 21 horas, parando apenas para descansar e reabastecer seus suprimentos rapidamente. "Se eu tivesse que dar algum conselho para alguém que quer perseguir um desafio, seria: aprendi mais com meus fracassos do que com meus sucessos. O resultado dos seus objetivos é a parte menos importante da jornada; é a busca por algo maior que permite que você se torne uma versão melhor de si mesmo”, diz Mike em comunicado do Guinness. Um grupo de torcedores entusiasmados com a conquista, junto aos entes queridos de Mike, foram correndo parabenizá-lo. O atleta exausto posteriormente agradeceu sua esposa, seu treinador e seus colegas de academia pelo apoio. Leia mais notícias: O momento também foi uma oportunidade de arrecadar fundos para veteranos por meio de doações a academias e centros de atendimentos operados pela empresa Valorfit. Foram arrecadados US$ 25 mil dólares (cerca de R$ 133 mil) que serão investidos na missão de transformar a vida de veteranos por meio do condicionamento físico. “Isso foi para a minha comunidade, para as pessoas que nunca desistiram de mim, que me ajudaram a encontrar uma maneira de servir novamente e a oportunidade de retribuir o favor a outros por meio do Valorfit”, declara Mike em sua postagem no Instagram comemorando a vitória do título. Initial plugin text
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Estudo demonstra potencial de extratos da casca de romã no combate a feridas de pele Pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovou a ação de extrato obtido da casca de romã contra microrganismos causadores de feridas na pele. A substância conseguiu inibir a ação de bactérias comuns, como a Staphylococcus aureus, e da Pseudomonas aeruginosa, um patógeno conhecido por sua alta resistência, e consequentemente, difícil tratamento. O trabalho, que teve o apoio da FAPESP (processos 23/12621-1, 22/10469-5, 21/12264-9, 19/13496-0, 18/14582-5 e 23/03439-5) e foi coordenado pelo pesquisador Mauricio Ariel Rostagno, foi dividido em quatro partes. O primeiro passo foi testar a atividade antimicrobiana dos extratos de 11 tipos de resíduos da indústria alimentar – cascas de laranja, manga, maçã, uva, limão e romã; folhas de manga e goiaba; sementes de melão; casca e borra de café – contra microrganismos comuns em infecções de feridas cutâneas. O primeiro passo foi testar a atividade antimicrobiana dos extratos de 11 tipos de resíduos da indústria alimentar – cascas de laranja, manga, maçã, uva, limão e romã; folhas de manga e goiaba; sementes de melão; casca e borra de café – contra microrganismos comuns em infecções de feridas cutâneas. A casca de romã foi selecionada como o material mais promissor por apresentar a maior atividade antimicrobiana e o maior teor de compostos fenólicos, potentes antioxidantes. Então, ela foi submetida a uma ferramenta de simulação computacional para selecionar solventes verdes, ou seja, ecologicamente corretos – acetona e álcool isopropílico diluídos em água, por exemplo –, que fossem mais eficientes para extrair o ácido elágico, seu principal composto que tem grande potencial antimicrobiano. “Por fim, fizemos uma validação laboratorial para produzir novos extratos com esses solventes otimizados e testamos sua atividade antimicrobiana novamente em laboratório para confirmar se a eficácia contra os microrganismos havia, de fato, aumentado”, conta a engenheira de alimentos Thais Carvalho Brito Oliveira, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, que liderou o trabalho. De acordo com os pesquisadores, os resultados obtidos, publicados no Journal of Food Processing and Preservation, abrem espaço para uma ampla gama de pesquisas futuras que incluem a avaliação aprofundada das atividades antimicrobianas de compostos fenólicos puros e suas combinações para estudar efeitos sinérgicos, como a análise da citotoxicidade e a aplicação de extratos otimizados em curativos inteligentes. Os resultados demonstram um grande potencial prático, mas o estudo ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento laboratorial. Posteriormente serão realizados ensaios in vivo. O objetivo, segundo os pesquisadores, é obter um produto eficaz que seja uma alternativa natural aos antibióticos sintéticos, cujo uso indiscriminado tem gerado resistência bacteriana. Além disso, encontrar um destino melhor e mais rentável para os descartes da indústria alimentar, transformando-os em produtos de alto valor agregado para a saúde humana. O artigo A better destination for food industry waste: an assessment of the antimicrobial activity of natural extracts for wound care applications pode ser lido em onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1155/jfpp/2293218.
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Comer carboidrato no jantar leva ao pré-diabetes? Entenda Muita gente ainda deixa arroz, macarrão e pães fora do prato do jantar. Isso porque existem mitos envolvendo o consumo de carboidratos após as 18 horas e problemas como desajustes metabólicos, aumento no risco do diabetes e, principalmente, ganho de peso. No entanto, o que diversas pesquisas atuais comprovam é que não há necessidade de banir esse nutriente. “As evidências mais fortes até o momento mostram que tanto a qualidade quanto a quantidade da alimentação, independentemente do horário, é que impactam na regulação da glicose”, diz a nutricionista Letícia Ramalho, doutora pelo Laboratório de Cronobiologia e Sono, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Um estudo publicado em 2025 no periódico Nutrients chega para reforçar essa premissa. Conduzida na Universidade Aberta da Catalunha, na Espanha, em parceria com instituições dos Estados Unidos, a pesquisa incluiu 33 adultos, com diabetes e pré-diabetes, que seguiram dieta padronizada e utilizaram um monitor contínuo das taxas de glicose no sangue, durante 24 horas. Os resultados mostram que, além de priorizar o cardápio equilibrado na última refeição, é preciso atentar-se para a sensibilidade à insulina de cada indivíduo. Os cientistas acreditam que os achados podem contribuir com estratégias para a prevenção do diabetes. “O trabalho destaca os efeitos da resistência insulínica, quadro em que a insulina secretada não exerce suas funções de forma eficaz”, comenta a endocrinologista Cláudia Schimidt, do Einstein Hospital Israelita. A insulina é o hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células, gerando energia. Quando existe resistência à insulina, o pâncreas tenta compensar produzindo quantidades maiores desse hormônio para manter a glicemia dentro da normalidade. Se esse processo se estender por muito tempo, pode levar o organismo a perder a capacidade de controlar adequadamente o açúcar no sangue. “Ocorre um aumento no risco do diabetes tipo 2”, observa Schimidt. E a primeira etapa tende a ser o que se chama de pré-diabetes. Esse distúrbio metabólico, que precede o diabete, é marcado por níveis alterados de glicose no sangue. Para o diagnóstico, são feitas análises laboratoriais, entre as quais a glicemia de jejum. “Ela indica a condição quando os níveis estão entre 100 e 125 mg/dl”, detalha a endocrinologista. Outro exame é a hemoglobina glicada, que traz uma média da oscilação da glicose ao longo de três meses. “Valores entre 5,7% e 6,4% correspondem ao pré-diabetes”, conta Schimidt. Para reverter o pré-diabetes Quando não identificado precocemente, o quadro costuma evoluir para o diabetes tipo 2, doença vinculada a males circulatórios, renais e oculares. Mas, se detectado em estágio inicial, mudanças no estilo de vida tendem a reverter a situação. “Pode haver necessidade de ajustes de calorias e do uso de medicamentos em casos de sobrepeso e obesidade”, avisa a médica do Einstein. É fundamental combater o acúmulo de gordura abdominal, que fica entremeada nos órgãos, e produz diversas substâncias, inclusive algumas pró-inflamatórias, levando às disfunções metabólicas. Além da prática cotidiana de atividade física, adotar uma dieta saudável é essencial. Hortaliças, frutas e sementes, que oferecem substâncias protetoras, não podem faltar diariamente. Quanto mais colorido o cardápio, melhor. Também vale reduzir o consumo de gordura saturada, encontrada em alimentos de origem animal, como carnes vermelhas e lácteos, e em vegetais como o coco. Quanto aos carboidratos, é importante caprichar na escolha. “Recomenda-se priorizar carboidratos complexos ricos em fibras”, orienta Letícia Ramalho. Grãos integrais, como trigo, aveia, arroz e seus derivados, caso de massas e pães, assim como os tubérculos e raízes (isto é, batata, inhame, mandioca) são ótimas opções. O cardápio deve contemplar ainda as leguminosas, ou seja, feijões, lentilha, ervilha e grão-de-bico. “Além de contribuir para o trânsito intestinal, as fibras colaboram para o equilíbrio glicêmico e de certos hormônios envolvidos na regulação do metabolismo energético”, comenta a nutricionista. E lembre-se: ainda que um alimento seja de excelente qualidade, o exagero na quantidade põe tudo a perder. Portanto, nada de excessos. Fonte: Agência Einstein
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Cangurus pré-históricos gigantes pesavam até 250 kg, mas ainda conseguiam pular Vários animais pré-históricos tinham tamanhos corporais que hoje seriam inimagináveis. Uma atmosfera mais rica em oxigênio e uma maior abundância de espaço e vegetação foram fatores que colaboraram para a existência de preguiças, tubarões e até cangurus gigantes. Os cangurus pré-históricos podiam atingir até 250 kg e, ainda assim, eram capazes de saltar como espécies que encontramos hoje em dia – que chegam a pesar no máximo 90 kg. Foi isso que concluíram cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, ao combinarem medições de cangurus vivos com evidências diretas de ossos fósseis. Os pesquisadores notaram que marsupiais antigos também tinham a habilidade de pular por aí. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports no dia 22 de janeiro e vai contra a teorias anteriores de que o salto desses gigantes seria mecanicamente impossível com peso corporal acima de 150kg. Esqueleto fóssil de um canguru pré-histórico Megan Jones/Scientific Reports Ossos resistentes para saltos De acordo com as análises de fósseis, os cangurus gigantes tinham realmente os ossos dos pés mais curtos e grossos, o que é importante para aguentar fortes impactos. Seus ossos do calcanhar eram largos ao ponto de suportarem tendões bem mais grossos que o de cangurus modernos. Exemplo de um osso de calcanhar da maior espécie de canguru gigante conhecida, o Procoptodon goliah Megan Jones, UCMP/Scientific Reports “Estimativas anteriores baseiam-se simplesmente na ampliação de cangurus modernos, o que pode significar que estamos ignorando diferenças anatômicas cruciais", observa Megan Jones, coautora do estudo, em comunicado. "Nossas descobertas mostram que esses animais não eram apenas versões maiores dos cangurus de hoje; eles tinham uma estrutura corporal diferente, que os ajudava a lidar com seu tamanho enorme”. Ainda assim, ter a anatomia ideal para saltar não significa que esses marsupiais se deslocavam essencialmente dessa forma. Segundo Katrina Jones, também coautora do estudo, ter tendões mais grossos implicaria possuir menos energia elástica, de forma que esses cangurus tivessem uma movimentação mais lenta. Logo, o salto poderia estar associado a situações esporádicas de “saltar para atravessar terrenos acidentados rapidamente ou para escapar do perigo”. Leia mais notícias: Diversidade de espécies extintas Outro avanço realizado pelo estudo vai além de saber como os antigos cangurus se locomoviam. De acordo com Robert Nudds, um dos autores da pesquisa, foi identificado o costume de certas espécies pré-históricas de se alimentar de brotos, um nicho ecológico não mais observado nos grandes cangurus atuais. Essas descobertas, segundo o pesquisador, colaboram para o conhecimento de que a diversidade ecológica da Austrália pré-histórica era mais ampla do que a encontrada hoje.
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Antes da invenção das roupas, tamanho do pênis humano “já era documento”, sugere estudo Antes de qualquer roupa e qualquer sentimento de vergonha, os seres humanos andavam e viviam completamente nus. Quando tudo ainda estava à mostra, o tamanho do pênis humano teria sido uma característica que poderia influenciar potenciais parceiras e, até mesmo, competidores. Isso é o que revelou um estudo publicado na revista PLOS Biology nesta quinta-feira (22). Pesquisadores da Universidade da Austrália Ocidental decidiram investigar o tema e, para isso, utilizaram 343 figuras masculinas geradas por computador, que foram avaliadas por 600 homens e 200 mulheres. "O motivo pelo qual o pênis humano é excepcionalmente grande em comparação com o de outros primatas é uma questão evolutiva de longa data", observam os autores, na pesquisa. "A seleção sexual, por meio da escolha de parceiros pelas fêmeas e da competição entre machos, é um fator provável, mas confirmar essa hipótese é difícil devido à covariância natural entre as características. A solução é manipular experimentalmente características específicas para identificar os alvos da seleção". Tamanho "era documento" Os voluntários observaram as animações masculinas em tamanho real (presencialmente) ou em escala reduzida (online). Em ambos os contextos, as mulheres avaliaram a atratividade masculina, enquanto os homens julgaram a rivalidade sexual do oponente, avaliando sua capacidade de luta. As mulheres classificaram como mais atraentes os homens mais altos, com pênis maior e com maior proporção entre ombros e quadris – indicando um corpo em formato de “V”. No entanto, a partir de certo ponto, aumentos adicionais no tamanho peniano, na altura e na largura dos ombros apresentaram avaliações decrescentes. Por sua vez, os homens classificaram figuras mais altas, com corpo em formato de “V” e pênis maior como sendo mais intimidadoras em termos de rivalidade sexual e oponentes para lutas. Mas, ao contrário das mulheres, eles consideraram aqueles com características mais exageradas como uma ameaça sexual ainda maior. Resultados das participantes femininas (presencial e online) sobre a atratividade sexual das figuras masculinas de acordo com a altura, formato do corpo e tamanho do pênis PLOS Biology Os pesquisadores também descobriram que as características próprias dos participantes influenciaram significativamente em suas avaliações. Tanto na pesquisa presencial quanto na online, mulheres mais altas foram mais influenciadas pela altura masculina ao avaliar a atratividade. Já mulheres com peso acima da média apresentaram uma preferência maior por pênis maiores, relação essa observada apenas na pesquisa presencial. Além disso, nas pesquisas presenciais, o tamanho do pênis influenciou mais fortemente os homens mais velhos, o que sugere que a percepção da competição sexual pode aumentar com a idade. Não houve, contudo, nenhuma relação equivalente na pesquisa online. O único resultado em comum tanto nas pesquisas presenciais quanto nas online foi que um corpo em formato de “V” mais pronunciado influenciou mais os indivíduos mais jovens do que os mais velhos na avaliação da atratividade do rival. Já um tom de voz mais grave e a presença de barba – outras características relacionadas à dominância –, também podem ter influenciado na percepção da capacidade de luta entre os homens. Mesmo cobertos, ainda chamam a atenção Biólogos continuam a questionar a evolução do pênis humano. Além do órgão ser proporcionalmente maior quando comparado aos dos demais primatas, ele também não possui báculo – o osso peniano – e depende exclusivamente do fluxo sanguíneo durante a ereção para atingir a rigidez. Resultados das participantes masculinos (presencial e online) sobre a atratividade sexual das figuras masculinas de acordo com a altura, formato do corpo e tamanho do pênis PLOS Biology Como uma característica sexual proeminente, o pênis – bem como os seios femininos – sempre gerou especulações sobre o seu papel na seleção sexual e natural. Nesta questão, foi até sugerido, por estudos anteriores, que a coevolução em resposta ao canal vaginal largo das mulheres selecionou a forma e o tamanho do pênis em humanos. No entanto, poucas pesquisas focam em sanar esse questionamento. Apesar disso, é possível que o aparelho reprodutor masculino possa ter operado como sinal de status em lutas, como indicado pelos resultados da pesquisa. O estudo fornece a primeira evidência experimental dessa suposição. Ainda assim, a altura e o formato do corpo tiveram uma influência maior na forma como os machos perceberam os rivais, sugerindo que o aumento do tamanho do pênis foi mais fortemente favorecido pela evolução por seu papel na atração de uma parceira. “Embora o pênis humano funcione principalmente para transferir esperma, nosso resultado sugere que seu tamanho incomumente grande evoluiu como um ornamento sexual para atrair fêmeas, em vez de puramente como um símbolo de status para assustar os machos, embora faça ambas as coisas”, observou Michael Jennions, da Universidade Nacional da Austrália, em comunicado.
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Este submarino nazista afundou após seu capitão usar o banheiro incorretamente Em 14 de abril de 1945, quando a Segunda Guerra Mundial caminhava para o desfecho, um submarino alemão afundou no Mar do Norte pelo uso incorreto do banheiro. O U-1206, uma das embarcações mais modernas da marinha nazista (Kriegsmarine), teve sua missão abortada após uma sequência de falhas técnicas iniciadas no sistema sanitário, acionado pelo próprio comandante, Karl-Adolf Schlitt, então com 27 anos. O caso lança luz sobre um dos desafios menos glamourosos, porém, críticos, da guerra submarina: o gerenciamento de resíduos humanos. Até então, a solução mais comum entre as marinhas era armazenar fezes e urina em tanques internos, que só eram esvaziados quando o submarino emergia. Embora relativamente segura, essa alternativa ocupava espaço valioso em embarcações já extremamente confinadas. Buscando maior autonomia submersa, a Alemanha do Terceiro Reich adotou um sistema diferente, em que a descarga ia direto para o mar. Inicialmente, isso só era possível em águas rasas, pois a alta pressão em grandes profundidades forçava a água do oceano a retornar pelo vaso sanitário, causando alagamentos. Em longas missões submersas, a tripulação precisava recorrer a baldes, tornando as condições a bordo ainda mais degradantes, lembra o portal IFLScience. Desenho do Unterseeboot 1206, o submarino alemão do Tipo VIIC, pertencente a Kriegsmarine que atuou durante a Segunda Guerra Mundial Wikimedia Commons Contudo, perto do fim do conflito, engenheiros alemães desenvolveram uma solução inovadora que permitia fazer a eliminação dos desejos em alto mar, mesmo em grandes profundidades. Nesse novo modelo, os dejetos passavam por várias câmaras internas até alcançar uma comporta pressurizada, sendo então expelidos com o auxílio de ar comprimido. Em teoria, a tecnologia permitiria ao submarino permanecer submerso por mais tempo, reduzindo o risco de detecção por forças inimigas. A novidade tinha um custo elevado em complexidade. O funcionamento correto exigia que uma série de válvulas fosse aberta e fechada em uma ordem rigorosamente precisa. Por isso, apenas alguns tripulantes eram treinados especificamente para operar o sistema. Um erro mínimo poderia resultar na entrada descontrolada de água do mar no interior da embarcação. Do erro no banheiro ao naufrágio U-1206 foi o primeiro submarino a receber esse sistema, ainda em 1944. Meses depois, já sob o comando de Schlitt, que nunca havia liderado um submarino em combate, a embarcação partiu para sua primeira patrulha no Atlântico Norte. O jovem comandante, porém, não estava entre os poucos especialistas treinados para operar o complexo banheiro de bordo. Banheiro de um submarino U-434, parecido com o do U-1206, no Museu U-Boot em Hamburgo Wikimedia Commons O incidente ocorreu quando o submarino navegava submerso, a mais de 60 metros de profundidade, ao largo da costa da Escócia. Ao precisar usar o banheiro, Schlitt tentou operar o sistema por conta própria. Só depois de concluir o uso percebeu que não dominava o procedimento e pediu ajuda à tripulação – uma situação constrangedora, especialmente para alguém em sua posição hierárquica. Na tentativa de corrigir o problema, um engenheiro acionou uma válvula na ordem errada. Como resultado, uma mistura de esgoto e água do mar invadiu o interior do submarino. O alagamento inicial foi contido, mas revelou um problema ainda mais grave do projeto do U-1206: as baterias dos motores elétricos ficavam instaladas ao lado do banheiro. Em contato com a água salgada, passaram a liberar gás cloro, extremamente tóxico em ambientes fechados. Diante do risco iminente de morte da tripulação, Schlitt ordenou a emergência imediata. Ao subir à superfície, o submarino foi rapidamente avistado por aviões aliados e atacado. Danificado e incapaz de mergulhar novamente por causa da contaminação interna, o U-1206 tornou-se indefensável. Sem alternativa, o comandante ordenou o abandono da embarcação e, em seguida, decidiu afundá-la deliberadamente para impedir que sua tecnologia avançada caísse nas mãos dos inimigos. Quatro tripulantes morreram durante a evacuação, um durante o ataque aéreo e três afogados. Os outros 46 marinheiros, incluindo Schlitt, foram capturados pelas forças inimigas.
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Escaladores procuram "rocha de estimação" com cartaz e a recuperam a 2,7 mil km de distância Durante semanas, os frequentadores de Grand Wall, uma das áreas do Canadá mais tradicionais na prática esportiva de boulder (escalada em rochas sem equipamento), sofreram com a ausência de um pequeno bloco de granito conhecido como “Portable”, que sumiu de sua habitual posição ao lado do bloco Superfly. O que poderia parecer irrelevante para quem não conhece o exercício logo se revelou um acontecimento sensível para a comunidade local. Fixada por anos na base do Superfly, a rocha era usada para treinar equilíbrio, força de pinça e controle corporal. Apesar de poder ser facilmente carregada, havia um consenso tácito de que ela deveria permanecer no local, acessível a todos. Seu desaparecimento em setembro de 2025 foi o mais longo na memória recente e gerou debates sobre responsabilidade e respeito com os espaços naturais compartilhados. A mobilização ganhou visibilidade em outubro, quando a equipe da academia Climb On publicou um apelo nas redes sociais pedindo ajuda para localizar a pedra. Em tom bem-humorado, o texto sugeria que alguém poderia tê-la levado “por engano” dentro de sua almofada de queda e oferecia buscá-la “sem perguntas” onde quer que ela estivesse. A postagem reforçou o status simbólico de Portable, frequentemente descrita como “o menor problema de boulder do mundo”. A publicação mostra até que os entusiastas aparentemente grudaram cartazes à procura da "rocha de estimação". Veja: Initial plugin text Pistas digitais e uma descoberta improvável Meses depois, o mistério do sumiço da rocha começou a ser desvendado a milhares de quilômetros de distância. Postagens no Reddit apontaram que uma pequena pedra de granito com características semelhantes às de Portable havia sido vista na base do boulder Iron Man, nos Estados Unidos – mais de 2,7 mil km de distância de Squamish. O alerta chegou ao canadense Ethan Salvo, de 23 anos, que estava em viagem de escalada pela Califórnia. Ele acionou uma amiga que escalava nas proximidades para verificar a informação. No local, ela encontrou uma pedra que correspondia exatamente à descrição de Portable, adornada com olhos de plástico e um chapéu. O reconhecimento foi imediato. Em depoimento, Salvo afirma que bastou observar o formato e sentir o peso para ter certeza da identidade da rocha. “Parecia casa. Pesava como casa”, relata, em entrevista à revista Gripped. O achado encerrou semanas de especulação e confirmou que o pequeno ícone de Squamish havia atravessado fronteiras sem explicação conhecida. Retorno para casa Salvo descreve o resgate como um momento tão confuso quanto simbólico. Segundo ele, Portable estava “bem e saudável, apenas um pouco engordurada”, condição resolvida com escova e magnésio antes de voltar a ser escalável. O escalador confirmou que pretende devolvê-la a Squamish nas próximas semanas, embora admita que a trajetória da pedra provavelmente nunca será totalmente esclarecida. A notícia do reencontro se espalhou rapidamente pela comunidade internacional, encerrando um episódio que muitos viam como um precedente preocupante. Mais do que um objeto deslocado, o caso evidenciou o valor afetivo que certos elementos assumem na cultura da escalada.
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Ter câncer pode proteger contra o Alzheimer? Estudo sugere que sim Por décadas, especialistas observaram um fenômeno intrigante: câncer e doença de Alzheimer raramente coexistem na mesma pessoa. A constatação chama atenção por relacionar duas condições opostas do ponto de vista celular, já que uma envolve a proliferação de células, enquanto a outra é marcada por sua degeneração. Mas um artigo publicado nessa quinta-feira (22) na revista especializada Cell parece finalmente oferecer uma explicação molecular para tal “coincidência”. A pesquisa, conduzida com modelos animais ao longo de 15 anos por uma equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong, na China, indica uma proteína produzida por células tumorais que pode viajar até o cérebro e ajudar a desfazer agregados amiloides que afetam a comunicação dos neurônios e pioram os sintomas do Alzheimer. Isso sugere que o câncer (ou alguns de seus mecanismos biológicos) pode exercer um efeito protetor contra a neurodegeneração. Tumores como chave experimental Para investigar a relação entre as duas doenças, a equipe desenvolveu um modelo experimental que combinava câncer e Alzheimer no mesmo organismo. Após anos de tentativas, os pesquisadores optaram por transplantar tumores humanos de pulmão, próstata e cólon em camundongos geneticamente modificados para desenvolver Alzheimer. Os resultados foram consistentes. Os animais que receberam os tumores não apresentaram as placas cerebrais características da doença neurodegenerativa. Essas placas, formadas por proteínas mal dobradas, são consideradas um dos principais biomarcadores do Alzheimer. A ausência delas nos camundongos com câncer levou os investigadores a buscar o fator responsável por essa proteção aparente. Interação entre a cistatina C produzido pelas células tumorais e o TREM2 no cérebro de indivíduos com Alzheimer Xinyan Li et al. A investigação seguinte concentrou-se nas proteínas secretadas pelas células tumorais. O objetivo era identificar quais delas seriam capazes de atravessar a barreira hematoencefálica – a estrutura altamente seletiva que impede a entrada da maioria das moléculas no cérebro. Após mais de seis anos de análises, a lista foi reduzida a uma única candidata: a cistatina C. Experimentos posteriores demonstraram que essa proteína se liga diretamente aos componentes das placas associadas ao Alzheimer. Essa interação ativa o TREM2, uma proteína presente em células imunológicas do cérebro responsáveis pela vigilância e limpeza de detritos celulares. Uma vez ativadas, essas células passam a degradar os aglomerados proteicos. Nos testes comportamentais realizados, os camundongos tratados apresentaram melhor desempenho cognitivo, sugerindo que a redução das placas teve impacto funcional. Ou seja, não houve apenas mudança anatômica. Implicações terapêuticas Especialistas que não participaram do estudo destacaram, em entrevista à revista Nature, que o achado representa um avanço relevante, ainda que parcial. A ativação do TREM2 foi ressaltada como especialmente interessante, já que essa proteína é vista como um alvo promissor para novos medicamentos – mesmo tendo se mostrado difícil de estimular farmacologicamente. No entanto, os pesquisadores apontam uma questão crítica: a capacidade da cistatina C de atravessar a barreira hematoencefálica. Estudos anteriores avaliaram que essa barreira pode se tornar mais permeável nos estágios iniciais do Alzheimer, mas ainda não está claro se isso ocorre cedo o suficiente para permitir a entrada da proteína antes do surgimento dos sintomas. Mesmo assim, a comunidade científica parece ver potencial na descoberta. Se os resultados forem confirmados em humanos, acredita-se que eles possam orientar o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, possivelmente em combinação com outros fármacos. A relevância do estudo se torna ainda maior quando colocada em perspectiva histórica. Há décadas, médicos observam que câncer e Alzheimer raramente afetam a mesma pessoa. Embora dados epidemiológicos não indiquem uma exclusão absoluta, uma meta-análise publicada em 2020, com mais de 9,6 milhões de indivíduos, mostrou que pessoas diagnosticadas com câncer têm um risco cerca de 11% menor de desenvolver Alzheimer. Tal associação era atribuída até agora a fatores indiretos, como mortalidade precoce por câncer ou efeitos cognitivos dos tratamentos oncológicos. A identificação de um possível mecanismo biológico compartilhado, envolvendo proteínas tumorais, imunidade cerebral e degradação de placas, confere nova força a uma observação antiga da medicina. Mais do que resolver o paradoxo, o estudo sugere que compreender as conexões entre doenças opostas pode ser essencial para enfrentar uma das principais causas de demência no envelhecimento.
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6 jogos de Star Wars que incluem quebra-cabeças, tabuleiro, cartas e mais Conhecida mundialmente como uma das franquias mais marcantes do entretenimento, a trajetória da saga Star Wars começou há pelo menos 50 anos, quando estreou nos cinemas em maio de 1977. Desde então, o universo criado por George Lucas vem marcando gerações com aventuras clássicas, trilha sonora marcante e narrativa que une ação com missões interplanetárias. Assim, não é de hoje que os filmes, animações e também livros unem fãs mundo afora. O sucesso do primeiro filme não apenas impulsionou continuações, como também estabeleceu novos padrões para produções de grande escala, influenciando a maneira como histórias passaram a ser contadas em Hollywood. Pensando nisso, elaboramos uma lista com 6 jogos inspirados no universo Star Wars que unem agilidade e nostalgia. Como alternativa de menor custo, o jogo de cartas Uno Star Wars Mandalorian está disponível no Mercado Livre a partir de R$ 34, se destacando pela proposta simples, porém divertida, indicada para toda a família. Já para quem busca uma experiência mais imersiva, o jogo de tabuleiro Star Wars: Battle of Hoth pode ser encontrado na Amazon a partir de R$ 497, e recria batalhas icônicas da saga, sendo indicado para jogadores fãs da franquia. Os preços citados no texto foram verificados durante a apuração da matéria, no mês de janeiro de 2026. 🔎 Jogos de madeira: 6 modelos clássicos para usar estratégia e raciocínio Star Wars atravessou gerações e expandiu seu alcance para diferentes formatos, como jogos de cartas, tabuleiro, entre outros. Reprodução/ Lucasfilm/The Walt Disney Company 📲 Receba ofertas e cupons direto no seu celular com o nosso canal do WhatsApp 1. Jogo de cartas Uno Star Wars Mandalorian - a partir de R$ 34 Pensado especialmente nos fãs da saga Star Wars, este jogo de cartas Uno transforma momentos simples em pausas divertidas entre amigos e familiares. Unindo a dinâmica clássica do Uno com as ilustrações inspiradas na franquia, ele é uma proposta para quem ama atividades que exigem agilidade e pensamento rápido para competir com outros participantes. Feito de papel, o jogo, apesar de simples, é capaz de tornar os intervalos mais animado. Este jogo está disponível no Mercado Livre a partir de R$ 34 e conta com nota máxima de 5 estrelas como forma de avaliação. Na área de comentários, os usuários elogiam o design inspirado nos personagens de Star Wars e a qualidade das cartas, que, mesmo simples, são capazes de tornar o momento divertido. No entanto, há reclamações quanto ao material utilizado para a confecção, já que o anúncio do site informa que o produto é de plástico, mas o item é entregue em papel. Prós: design agradável inspirado na saga; simples e divertido Contras: material diferente do anunciado 2. Quebra-cabeça Star Wars O Retorno de Jedi 40 anos - a partir de R$ 38 Elaborado especialmente para quem gosta de atividades que estimulam a concentração e a criatividade, o quebra-cabeça comemorativo dos 40 anos do filme O Retorno de Jedi oferece um ritmo mais tranquilo de diversão em comparação a outros jogos da lista. O jogo é capaz de estimular o raciocínio lógico, pensamento analítico e paciência, sendo um ótimo hobby para os amantes da franquia. O quebra-cabeça pode ser encontrado na Amazon a partir de R$ 38, onde recebe avaliação com nota 4,8 de 5 estrelas. No site, o jogo é amplamente elogiado pelo material de alta qualidade, beleza da imagem e nível de dificuldade, já que oferece 500 peças. Entretanto, há um cliente que reclama de peças descolando. Prós: peças de alta qualidade; design atraente; dificuldade média a alta Contras: algumas peças podem vir a descolar 3. Jogo de cartas love letter Star Wars Palácio do Jabba - a partir de R$ 78 Desenvolvido para partidas rápidas e estratégicas, o Love Letter Star Wars Palácio do Jabba adapta a mecânica do jogo original à nostalgia do universo da saga. A dinâmica incentiva a interação entre os jogadores, tornando os encontros entre familiares e amigos mais animados e competitivos na medida certa. É indicado para quem gosta de jogos que combinam raciocínio e socialização. O jogo é recomendado para crianças com idade acima dos 10 anos. O jogo de cartas love letter está sendo vendido na Amazon a partir de R$ 78 e conta com nota 4,5 de 5 estrelas como meio de avaliação. Na plataforma, o jogo é enaltecido pelo design inspirado na franquia, além de jogabilidade interessante e imersiva. Apesar dos elogios dedicados ao material e jogabilidade, o processo de entrega deixa a desejar, já que alguns consumidores relatam envios com embalagem rasgada, interferindo na estética do game e na experiência de compra do usuário. Prós: design inspirado na franquia; qualidade do material; boa jogabilidade Contras: produto pode chegar com a embalagem rasgada 4. Jogo de cartas Star Wars: Bounty Hunters - a partir de R$ 93 Pensado para fãs que apreciam estratégia e narrativa, o Star Wars: Bounty Hunters coloca os jogadores no papel de caçadores de recompensas, estimulando disputas mais elaboradas. Este jogo é capaz de transformar o tempo livre em uma experiência imersiva, ideal para quem deseja sair do óbvio e trazer mais emoção para os momentos de lazer. O game é indicado para crianças acima dos 10 anos e pode ser jogado por até seis pessoas. Este produto encontra-se à venda no Mercado Livre a partir de R$ 93, obtendo avaliação com nota 4,5 de 5 estrelas. No box de comentários, os compradores tecem elogios à dinâmica divertida e mecânica fácil de jogar, principalmente em grupo. Além disso, a qualidade do material de confecção é um dos pontos altos do item. Até o momento de publicação desta matéria, não há comentários negativos quanto ao jogo. Prós: material de alta qualidade; mecânica fácil; dinâmica divertida Contras: até o momento, não há comentários negativos quanto ao jogo 5. Jogo de tabuleiro Star Wars The Mandalorian - a partir de R$ 331 Desenvolvido para experiências mais completas, o jogo de tabuleiro Star Wars The Mandalorian: Adventures aposta em narrativa, cooperação e estratégia. A jogabilidade visa transformar uma noite comum em um evento especial, com partidas mais longas e envolventes que incentivam o trabalho em equipe e a tomada de decisões em conjunto. Ele foi pensado para partidas intimistas com até quatro jogadores. Além disso, é recomendado para jovens a partir de 14 anos. O item encontra-se disponível no Mercado Livre a partir de R$ 331, onde ganha avaliação com nota 4,5 de 5 estrelas possíveis. Na seção de comentários, os compradores indicam o jogo para fãs da franquia e enaltecem sua jogabilidade. Até o momento de publicação desta matéria, não há críticas negativas sobre o produto. Prós: jogabilidade divertida; material de qualidade Contras: não há críticas negativas sobre o produto, até o momento 6. Jogo de tabuleiro Star Wars: Battle of Hoth - a partir de R$ 497 Trazendo desafios mais complexos, o Star Wars: Battle of Hoth recria batalhas icônicas da saga em um tabuleiro detalhado. A experiência vai além da diversão casual, oferecendo partidas estratégicas que exigem planejamento e atenção, tornando o lazer mais intenso e memorável. O jogo é indicado para crianças com idade acima de 14 anos devido à sua complexidade e dinâmica. O jogo de tabuleiro pode ser encontrado a partir de R$ 497 na Amazon e conta com nota máxima de 5 estrelas como avaliação. No espaço para comentários, o game é elogiado pela qualidade das peças, regras de fácil compreensão, assim como atenção aos pequenos detalhes. Até o momento de publicação desta matéria, não há pontos negativos sobre o jogo citados pelos usuários. Prós: design inspirado na saga; peças de alta qualidade Contras: não há críticas negativas sobre o jogo, até o momento Com informações de Amazon, Galápagos, Mattel, Mercado Livre e Toyster Nota de transparência: a Galileu mantém uma parceria comercial com lojas parceiras. Ao clicar no link da varejista, a Galileu pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação. Os preços mencionados podem sofrer variação e a disponibilidade dos produtos está sujeita aos estoques. Os valores indicados no texto são referentes a janeiro de 2026.
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Memória, doença e identidade: 8 livros para começar 2026 com reflexões importantes Começar um novo ano de leituras pode ser um bom momento para escolher histórias que apresentem você a outras realidades — distantes, particulares ou desconhecidas. As indicações deste mês de janeiro são um exemplo disso, e mostram como experiências individuais podem revelar estruturas coletivas. É o que faz, por exemplo, o escritor americano John Green ao transformar o encontro com um jovem adoecido pela tuberculose em uma investigação social e histórica profunda. Conhecido por A culpa é das estrelas — hoje um grande romance clichê, embora tenha marcado toda uma geração no início dos anos 2010 (incluindo eu mesma) —, Green amplia aqui seu olhar para além da ficção juvenil e se debruça sobre uma das maiores crises de saúde pública do mundo. Outro exemplo aparece em As ruas sem nome, de Tieko Irii, que parte de uma memória íntima e familiar para discutir deslocamento, racismo e pertencimento. Ao investigar a história de três gerações de imigrantes japoneses, a autora transforma silêncios herdados em reflexão coletiva. Confira outros títulos a seguir: 1. Desculpe o transtorno: a vida real de uma pessoa com TOC, por Pedro Luis Golemo de Brito Artêra Editorial, 54 páginas | Impresso: R$ 38 Desculpe o Transtorno: A Vida Real de uma Pessoa com TOC, de Pedro Luis Golemo de Brito Artêra Editorial Ao contrário das obras escritas por especialistas, que adotam uma abordagem teórica ou clínica, este livro apresenta o relato pessoal e sincero de Pedro Luis Golemo de Brito, brasileiro que convive com TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). Natural de Marília, no interior do estado de São Paulo, o autor compartilha, de forma direta e sem filtros, suas emoções, pensamentos e os desafios do dia a dia com a doença. Ele relembra o surgimento dos primeiros sintomas ainda na infância e narra períodos de desesperança, assim como as conquistas alcançadas em seu cotidiano. Ao dar voz à experiência de quem vive com o transtorno, a obra contribui para desmistificar o TOC junto ao público geral e se consolida como leitura relevante também para profissionais e estudantes da área da saúde mental. 2. Tudo é tuberculose, de John Green Com tradução de Cássio de Arantes Leite. Instrínseca, 192 páginas | Impresso: R$ 59,75 | E-book: R$ 42,41 TUDO É TUBERCULOSE, de John Green Instrínseca John Green ganhou fama por romances que viraram febres teen adaptadas em filmes, como A culpa é das estrelas e Cidades de papel. Mas sua obra também abrange temas aprofundados como o antropoceno, e, mais recentemente, a conscientização contra a tuberculose, a doença infecciosa que mais mata pessoas em todo o mundo. Em Tudo é tuberculose, eleito Melhor Livro de Não Ficção no Goodreads Choice Awards 2025, Green apresenta a trajetória comovente de Henry Reider, um jovem que enfrenta a doença. O autor conhece o garoto de 17 anos durante uma viagem à Serra Leoa, na África, e se vê profundamente impactado por sua história, ao perceber semelhanças entre o rapaz enfermo e seu próprio filho. A partir desse encontro, Green conduz uma ampla investigação sobre a tuberculose, conectando a enfermidade a episódios marcantes da história — do início da Primeira Guerra Mundial à invenção do chapéu de caubói. O livro também destaca figuras fundamentais nesse percurso, como Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes e médico envolvido na busca por uma cura, e o Dr. Alan Hart, homem trans e pioneiro no uso da radiografia pulmonar para o diagnóstico da doença. Ao contar a história de Henry, Green revela como milhões de mortes poderiam ser evitadas com investimentos em prevenção e tratamento em países emergentes, denunciando a negligência de governos e corporações diante da falta de medicamentos e condições básicas; o autor também mostra como racismo e xenofobia dificultam a difusão da cura, lembrando que a tuberculose deixou de ser vista como uma doença “lisonjeira” na Europa para ser associada a grupos marginalizados após a popularização do tratamento no norte global. “Sua doença era um produto do empobrecimento de Serra Leoa ao longo dos séculos, de um sistema de saúde esvaziado pela colonização, pela guerra e pelo ebola, de um mundo que parou de se importar com a tuberculose assim que ela deixou de representar uma ameaça para os ricos", diz um trecho do livro. 3. Pitangas verdes, de Mariana Lobato Botter Editora Labrador, 160 páginas | Impresso: R$ 49,90 Pitangas verdes, de Mariana Lobato Botter Editora Labrador Publicado pela Editora Labrador como prêmio pela vitória no Concurso Literário Vila-Labrador — que contou com mais de 600 obras inscritas, — o romance Pitangas Verdes é de autoria da diplomata e bacharel em Direito pela USP, Mariana Lobato. A narrativa acompanha o fluxo de memória da protagonista Ana, uma mãe divorciada que vive no exterior com seus dois filhos. Impedida de retornar a São Paulo por dois anos, ela precisa aguardar para se desfazer dos pertences da mãe, morta durante a pandemia de Covid-19. Nesse intervalo, a personagem revisita sua própria trajetória e a de diversas mulheres de sua família — como a avó, uma indígena vendida como funcionária doméstica em Alagoas, que se torna mãe aos 14 anos. De modo geral, a obra aborda o amadurecimento precoce de mulheres e meninas. Lobato exemplifica que isso pode acontecer "seja porque precisam se criar sozinhas, seja porque são violentadas, seja porque são colocadas em um papel de muita responsabilidade e, ainda crianças, são impedidas de fantasiar”. 4. O livro amarelo do terminal, de Vanessa Barbara Fósforo, 224 páginas | Impresso: R$ 89,90 | E-book: R$ 62,90 O livro amarelo do terminal, de Vanessa Barbara Fósforo Publicado originalmente em 2008 e vencedor do prêmio Jabuti de reportagem, O livro amarelo do terminal retorna às livrarias em uma nova edição da Editora Fósforo, agora com projeto gráfico renovado que remete aos bilhetes de ônibus impressos com códigos de barras. Trata-se de uma obra fundamental do jornalismo literário brasileiro, na qual a autora investiga o funcionamento da segunda maior rodoviária do mundo, o Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. Com sensibilidade e humor sutil, Barbara disseca essa “cidade de chicletes abandonados, de pessoas com pressa e de coisas perdidas”, reunindo fragmentos de conversas e uma coleção de achados e perdidos tão inusitada quanto reveladora — espingardas, motos, máquinas de serrar azulejos, dentaduras e muito mais. Como observa o cineasta e documentarista João Moreira Salles no texto de orelha do livro, a escritora “chegou à conclusão de que o Terminal Rodoviário do Tietê […] é uma versão condensada do mundo — e, como tal, pedia um Vasco da Gama, um Lévi-Strauss, uma Mata Hari e um Woodward & Bernstein”. 5. Berlim: a queda - 1945, de Antony Beevor Com tradução de Rafael Rocca dos Santos. Selo Crítica | Editora Planeta, 560 páginas | Impresso: R$ 159,90 Berlim: a queda - 1945, de Antony Beevor Crítica O historiador britânico e ex-militar Antony Beevor reconstrói, em Berlim: A queda – 1945, o colapso final da Alemanha nazista, derrotada pelo Exército Vermelho em janeiro de 1945. A obra se apoia em arquivos até então inéditos e em testemunhos diretos de um dos confrontos mais devastadores da Segunda Guerra Mundial. Beevor expõe de maneira contundente o impacto humano do conflito, descrevendo cenas de tanques avançando sobre colunas de refugiados, além de saques, execuções e atos de extrema violência. O livro também lança luz sobre o drama enfrentado pela população civil alemã, abandonada à própria sorte, resultando na morte de centenas de milhares de mulheres e crianças, vítimas do frio, da fome e da brutalidade da guerra. Para o historiador, poucos momentos revelam tanto sobre líderes políticos e os sistemas que comandaram quanto a forma como ocorre sua derrocada. "É por isso que, numa época em que jovens, especialmente na Alemanha, voltam a admirar certas características do Terceiro Reich, a derrota do nacionalsocialismo torna-se tão intrigante e tão importante”, escreve o autor no prefácio da obra. 6. As ruas sem nome, de Tieko Irii Editora Patuá, 428 páginas | Impresso: R$ 73,93 As ruas sem nome, de Tieko Irii Editora Patuá Em As ruas sem nome, a autora e artista visual paulistana Tieko Irii constrói uma narrativa autobiográfica que atravessa três gerações de imigrantes japoneses, articulando memória familiar, deslocamento e identidade. O livro nasce da descoberta da autobiografia secreta de seu pai, Hisashi Irii, cuja trajetória do Japão pós-guerra ao Brasil impulsiona a autora a investigar suas próprias origens e a refletir sobre racismo e silenciamento. Quando meu pai finalmente contou sua história, entendi por que ele a manteve em segredo: era uma narrativa de tragédias, de transgressões e de coragem , relembra Tieko. Ao ampliar essa investigação, a autora insere a saga familiar em uma história coletiva: “Ao ouvir os relatos dos meus tios, descobri que era cheia de lacunas, eles pouco sabiam sobre meus avós, e assim como eu, evitavam tocar nas feridas; mas ao nos inserir na história do mundo descobri que fazemos parte de uma história coletiva. Somos frutos disso, mas também sujeitos de nossa própria história”, conclui. Ao longo da obra, Tieko cruza sua trajetória pessoal com reflexões sobre o perigo amarelo, a minoria modelo e o racismo estrutural brasileiro. O projeto de branqueamento brasileiro, o mito da democracia racial brasileira, composta por brancos, negros e indígenas e o racismo estrutural, nos colocou em um lugar paradoxal: nem totalmente aceitos, nem totalmente estrangeiros, reflete a autora. 7. Tempos Amarelos, de Verônica Yamada Editora SEDAS, 136 páginas | Impresso: R$ 73,93 Tempos Amarelos, de Verônica Yamada Editora SEDAS Tempos amarelos, de Veronica Yamada, é um exemplo de ficção de cura, gênero que combina narrativas ficcionais e reflexões emocionais com o objetivo de oferecer conforto ao leitor. Neste livro, a protagonista, Marina, enfrenta as consequências extremas de uma cultura de produtividade que leva ao adoecimento, convidando o leitor a questionar o ritmo de vida, o valor do trabalho e a busca incessante por status. Para a autora, a função desse gênero não é dar soluções universais, mas apontar caminhos possíveis de cura, respeitando a singularidade de cada leitor — e, sobretudo, oferecendo aquele “quentinho” no coração. As pessoas estão um pouco cansadas de livros de autoajuda, que trazem, por vezes, algumas soluções fechadas demais, diz Yamada, em comunicado. Cada pessoa é única, então por que as soluções seriam as mesmas para todo mundo? Existem caminhos diferentes para indivíduos diferentes e é nisso que acredito. 8. HQ Querido Gineco, de Little Goat Little Goat, 136 páginas | Impresso: R$ 80 HQ Querido Gineco, de Little Goat LittleGoat Querido Gineco – Relatos ilustrados de pessoas reais, com e sem vulva reúne 13 histórias verídicas, narradas de forma anônima por pessoas diversas, que expõem a precariedade, a negligência, os abusos e os preconceitos ainda presentes nos atendimentos ginecológicos — especialmente aqueles direcionados à população trans — tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na rede privada. Ao dar forma e imagem a essas experiências, o livro transforma vivências individuais em uma potente denúncia. Mais do que relatar, a obra busca dar visibilidade e voz a quem já passou por situações violentas em consultórios ginecológicos e faz um chamado direto à comunidade médica por um atendimento mais humanizado, preparado, respeitoso e acolhedor. Entre as experiências narradas estão a de uma mulher que sofre gordofobia e se sente invadida durante uma abordagem indelicada na inserção do espéculo, e a de uma pessoa não binária que busca iniciar um tratamento com testosterona. Em ambos os casos, a resposta médica vem em forma de deslegitimação, com frases como olha só esse peso. Não tem como se sentir bem assim e você é uma menina muito bonita. Não precisa dessas coisas.
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Mudanças climáticas podem fortalecer pragas de plantações, diz análise À medida que as temperaturas do planeta sobem, cresce também o risco de destruição das plantações por insetos considerados pragas, o que resulta em uma possível ameaça à alimentação global. É o que concluiu uma análise publicada na revista Nature. Hoje, estima-se que as perdas de plantações por pestes e doenças englobem 40% da produção agrícola anual. Diante de uma elevação de temperatura de 2ºC, as perdas nas plantações globais de trigo podem chegar a 46%; na de arroz, 19% ; e na de milho, 31%. Os números aparecem no artigo, o publicado em abril de 2025, que sistematizou as evidências e os estudos sobre o assunto. Insetos-praga costumam se adaptar bem a alterações no ambiente em razão de sua evolução ter acompanhado os sistemas agrícolas humanos. Esses invertebrados também contam com alta capacidade reprodutiva e de dispersão, bem como tolerância aos pesticidas. O professor Pedro Fontão, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que, ao alterar as condições do ambiente, as mudanças climáticas podem prejudicar alguns animais, mas “outras espécies podem encontrar outros lugares para sobreviver com essas mudanças climáticas e até expandir sua área de ocorrência". O calor acelera o desenvolvimento e expande a distribuição geográfica, bem como a estação do ano de atuação das pestes. As temperaturas mais altas também reduzem a resistência das plantações às pragas. Nas zonas tropicais, pestes podem sofrer com as mudanças climáticas, à medida que essas áreas esquentam ainda mais, ultrapassando a temperatura ideal para esses insetos. Já as pragas nas zonas temperadas podem ser mais beneficiadas com o aquecimento global. Isso não significa, porém, que os cultivos das regiões tropicais e subtropicais não estejam vulneráveis às pragas. O desmatamento e a expansão de plantações ampliam a disponibilidade de habitat e alimentos para esses animais. A redução da biodiversidade com o desmatamento também diminui o número dos predadores naturais das pragas. Entretanto, ondas de calor podem ser desfavoráveis às pestes em comparação com o aquecimento de longo prazo, ressalta a análise, por acontecerem de forma intensa e surgirem em um período de dias a horas. A água também pode favorecer as pestes e sua reprodução, seja por meio da irrigação ou da chuva, já que elas tendem a gostar de umidade. O metabolismo rápido e a baixa capacidade de armazenamento tornam insetos vulneráveis a secas, que reduzem as taxas de fecundidade e a sobrevivência dos ovos. Essas condições podem resultar, por outro lado, em perdas para a plantação, ao incentivar que as pragas usem os cultivos como fonte de água. Como a produção de arroz costuma acontecer em latitudes baixas, as pragas dos arrozais estão mais sensíveis à elevação de temperatura e, por isso, tendem a ser impactadas de forma negativa com o aquecimento global. Já as temperaturas moderadas, bem como a irrigação favorecem o plantio de trigo, o que torna essa cultura mais suscetível às pragas. As evidências agrupadas pelo trabalho demonstram como a alimentação global está em risco e põem sob o holofote a necessidade de adaptação às mudanças climáticas. Essa deve ser a “bola da vez”, diz o professor Fontão. A adaptação foi ponto de destaque da COP30 com a pressão para que países apresentassem os Planos Nacionais de Adaptação (NAPs). Fontão destaca que cada região precisará lidar com o manejo de pragas de maneira diferente, o que inclui pesquisas agrícolas e ecológicas capazes de melhorar a gestão de risco e o manejo das pragas. “Pode ser que, o ambiente em que o agricultor não está acostumado com determinada ocorrência de pragas, com as mudanças no padrão climático, aquelas pragas consigam chegar até aquela região. E aí ele vai ter que lidar com um novo desafio”, acrescenta.
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Como cientistas fizeram o maior experimento do Gato de Schrödinger até hoje O Gato de Schrödinger está vivo ou morto? A única certeza é que o bichano ficou maior. Isso porque cientistas da Universidade de Viena (Áustria) conseguiram criar a maior “superposição” de átomos, condição para o sucesso do experimento mental, já vista até hoje. A equipe reuniu cerca de 7 mil átomos de sódio metálico e fizeram com que eles apresentassem o estado quântico de existir simultaneamente em dois estágios diferentes - a premissa por trás da história do Gato de Schödinger. Ficou confuso? Calma, a gente explica. De início, vale relembrar do que se trata o tal experimento. Erwin Schrödinger, físico teórico austríaco, criou no século 20 um dos experimentos mentais mais famosos na ciência. Resumindo bem, a ideia começa com um gato que está dentro de uma caixa onde existe veneno. Um observador de fora não sabe se o gato está vivo ou morto, contaminado pelo veneno, até que ele abra a caixa. Até o momento de confirmação do estado de vida do gato, o bichano pode estar vivo ou morto. Assim que alguém abra a caixa, ele assumirá um dos dois estados. Esse conceito de "estar vivo e morto ao mesmo tempo" é o que a ciência conhece como "superposição quântica". Imagine, por exemplo, se uma partícula pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ou então tivesse duas características opostas, que na vida real são excludentes, de forma simultânea. Basicamente, o experimento teórico investiga essa possibilidade. Gato de Schrödinger - Entenda o experimento Tá, mas e a nova pesquisa? No estudo inédito, publicado em 21 de janeiro na revista científica Nature, os átomos, em vez de se comportarem de uma forma constante – como uma bola de bilhar rolando –, passaram a agir como ondas, se espalhando em uma sobreposição de trajetórias distintas. É o famoso caso de “estar em dois lugares ao mesmo tempo”. Esse estágio existe até que uma medição force o colapso desse sistema para um único estado definido. A verdadeira importância do experimento está no tamanho dessas nanopartículas sódio, que podem chegar a ter oito nanômetros de largura - o tamanho de moléculas e de alguns vírus. Representação de escala do tamanho das nanopartículas de sódio usadas no experimento em relação a um anticorpo e um vírus que ataca plantas Markus Arndt/Nature Limites entre o quântico e o clássico Mesmo que a teoria quântica não imponha um limite ao tamanho que uma superposição pode ter, sabemos que objetos e corpos do nosso dia a dia – como um gatinho – não se comportam dessa forma. Por essa razão que físicos ainda debatem como o mundo “mundo clássico” emerge de um “mundo quântico” e quais as condições para essa transição. O experimento mental proposto por Erwin Schrödinger em 1935 para ilustrar a superposição quântica já demonstrou a ineficiência de tentar aplicar conceitos mecânicos do mundo macroscópico em átomos. Em outras palavras, o Gato de Schrödinger não pode estar vivo e morto ao mesmo tempo de acordo com a física clássica porque objetos tão massivos têm suas partículas interagindo demais para manter uma superposição. Esse fenômeno é conhecido como decoerência. Isso quer dizer que esse tipo de experimento só pode existir no nível atômico. Até quando o gato cabe na caixa? A ideia defendida pela equipe do estudo e por outros cientistas para encontrar os limites entre esses dois mundos é ir aumentando a complexidade desses objetos para observar o quanto as propriedades quânticas persistem ou se alteram. Foi necessário dois anos de experimento para que os pesquisadores de Viena pudessem visualizar a presença da superposição, essa dez vezes maior que o recorde anterior. Isso, no entanto, não significa que seja a maior massa já colada em uma superposição. Segundo comunicado, a medida usada para o novo experimento é a da “macroscopicidade”, que combina a massa com a duração do estado quântico. Leia mais notícias: Em 2023, pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique conseguiram colocar um cristal oscilador de 16 microgramas em estado de superposição, mesmo que isso tenha acontecido a uma distância de dois bilionésimos de nanômetro. Para Stefan Gerlich, um dos autores da Universidade de Viena, aumentar mais a escala não será fácil, já que partículas mais massivas têm comprimentos de ondas mais curtos, o que dificulta distinguir as previsões quânticas clássicas. A equipe busca agora submeter matéria biológica ao experimento que, segundo Gerlich, era visto 15 anos atrás como “impossível” de ser realizado.
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Ancestral mais antigo dos vertebrados tinha quatro olhos, não dois A lógica evolutiva indica que mutações vantajosas para a sobrevivência de uma espécie tendem a ser incorporadas e mantidas ao longo de milhões de anos. E os olhos não escapam disso: de pequenas células fotorreceptoras, encontrados em organismos como os platelmintos, até os globos oculares (caso de vários animais terrestres, por exemplo), houve um longo caminho. Agora, fósseis de 518 milhões de anos encontrados na China sugerem que alguns de nossos ancestrais vertebrados possuíam quatro olhos ao invés de dois. Analisando dez espécimes de um gênero primitivo de peixes do grupo Myllokunmingia, uma equipe liderada pela Universidade de Yunnan, na China, verificou que estruturas adicionais têm características semelhantes a outros olhos fossilizados e pode ter relação com o complexo pineal dos vertebrados modernos. Fósseis zoiudos O gênero dos peixes Myllokunmingia viveu durante o período Cambriano no que hoje é a China, sendo considerados um dos primeiros tipos de vertebrados conhecidos. Eles já são estudados por décadas, mas um estudo publicado na revista científica Nature em 21 de janeiro alega que o que antes pareciam ser cavidades nasais no centro do rosto do animal podem ter características mais associadas aos olhos laterais. A partir de tecnologia de geração de imagens de alta resolução, os pesquisadores conseguiram detectar melanossomas nas estruturas pigmentadas dos antigos peixes Xiangtong Lei, Sihang Zhang, Peiyun Cong/Nature Para encontrar essa relação, os pesquisadores utilizam técnicas de microscopia eletrônica de varredura (MEV) e microscopia eletrônica de transmissão (MET) – criando imagens de altíssima resolução – para estudar as estruturas pigmentadas entre os antigos olhos laterais. Segundo comunicado, nelas foram identificadas organelas celulares contendo melanina, pigmento produzido por melanócitos encontrados em outros vertebrados, sejam eles fósseis ou vivos. E não para por aí: os cientistas também observaram na manchas escuras a presença de duas estruturas ovóides, semelhantes a lentes, o que indicaria a capacidade de formação de imagem. Essas lentes também são encontradas nos olhos laterais dos peixes. Representação anatômica de como os olhos centrais do fóssil seriam há 518 milhões de anos Xiangtong Lei, Sihang Zhang, Peiyun Cong/Nature “Eles provavelmente conseguiam ver objetos muito bem, distinguindo sua forma e algum grau de tridimensionalidade. Eles provavelmente também tinham uma visão ampla do ambiente ao redor, meio no estilo IMAX, graças aos seus quatro olhos”, diz Jakob Vinther, um dos autores do estudo, em entrevista à revista New Scientist. Leia mais notícias: O terceiro (e quarto) olho dos primeiros vertebrados Mesmo que o complexo pineal consista em estruturas cerebrais sensíveis à luz e produtoras de hormônios, ele funciona diferente entre os vertebrados. Ao contrário dos mamíferos, o complexo pineal de muitos peixes é diretamente fotorreceptor, funcionando como um “terceiro olho”. Essa noção fez com que os cientistas do estudo interpretassem esses “olhinhos” de Myllokunmingia como “órgãos pineais ou parapineais”. Eles provavelmente tinham um função visual mais complexa no Cambriano e, posteriormente, – com uma diminuição de ameaças e predadores – a evolução ocupou seu papel na degeneração sucessiva de precursores oculares, aproximando-se do complexo pineal de vertebrados modernos.
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Cientistas podem ter encontrado forma extinta de vida que existiu há 400 milhões de anos Durante quase dois séculos, os prototaxites intrigaram a ciência. Esses organismos gigantes foram as primeiras formas de vida de grande porte a dominar os ambientes terrestres, erguendo-se como colunas lisas de até oito metros de altura em paisagens do período Devoniano, há cerca de 400 milhões de anos. Sem galhos, folhas, flores ou raízes verdadeiras, eles desafiaram sucessivas tentativas de classificação desde que seus fósseis começaram a ser descritos, em meados do século 19. Agora, uma pesquisa publicada nessa quarta-feira (21) na revista Science Advances sugere que o mistério pode estar perto de uma solução – e ela é bem surpreendente. De acordo com o estudo, os prototaxites não eram plantas, nem algas ou fungos gigantes, como se sugeriu durante décadas, mas, sim, representantes de um ramo de vida eucariótica até então desconhecido e que se encontra totalmente extinto. Enigma do início da vida terrestre Os prototaxites viveram em uma época de profundas transformações ecológicas, não à toa, o período Devoniano é frequentemente chamado de “Era dos Peixes”. Mas o período também marcou a colonização definitiva da terra firme por organismos complexos. No começo, apenas pequenas vegetações e animais conseguiam manter o estilo de vida terrestre. Florestas altas só se tornariam comuns bem mais tarde, no Carbonífero. Por isso, os cientistas sempre acharam tão estranha a presença dos “troncos” gigantes dos prototaxites na paisagem primitiva. Espécime fóssil de Prototaxites taiti sobre uma superfície musgosa, assemelhando-se à paisagem do Devoniano Inferior Laura Cooper/Universidade de Edimburgo A hipótese mais aceita até então sugeria que o grupo era um tipo de fungo colossal. Embora pouco apoiada pela comunidade científica, essa ideia chegou a levar alguns pesquisadores a imaginarem o ambiente primitivo como um mundo em que cogumelos gigantes substituíam as árvores, lembra o portal IFLScience. Mesmo depois de dois séculos de investigação, muitas perguntas continuavam sem respostas. Tudo mudou, porém, com o estudo dos fósseis de uma pequena espécie do gênero Prototaxite. O fóssil que mudou o debate A nova investigação concentrou-se em uma espécie menor, Prototaxites taiti, encontrada no sítio paleontológico de Rhynie Chert, no nordeste da Escócia. Datado de cerca de 407 milhões de anos, o local é conhecido pela preservação excepcional de plantas, fungos e animais, permitindo análises microscópicas e químicas raramente possíveis em fósseis tão antigos. Utilizando lasers, imageamento em 3D e microscopia confocal, os pesquisadores analisaram o interior dos fósseis. O que encontraram foi uma anatomia inesperadamente complexa: em vez das redes simples de filamentos típicas dos fungos modernos, o organismo apresentava três tipos distintos de tubos interligados por regiões densas de ramificação, formando uma estrutura tridimensional altamente elaborada. Veja no esquema abaixo: A anatomia interna de Prototaxites taiti era composta por tubos entrelaçados que se uniam em regiões ramificadas altamente complexas. A complexa estrutura 3D dessas regiões foi revelada por microscopia confocal de varredura a laser Laura Cooper/Universidade de Edimburgo Além da anatomia, a equipe examinou a chamada “impressão digital química” do fóssil com auxílio de inteligência artificial, destaca reportagem do site Phys.org. Substâncias como quitina, quitosana e beta-glucano, polímeros essenciais às paredes celulares de todos os fungos conhecidos, estavam completamente ausentes. Biomarcadores fúngicos como o perileno também não foram detectados. Como esses compostos aparecem em outros fungos preservados no mesmo bloco de rocha, os cientistas descartaram a possibilidade de degradação ao longo do tempo. Consequentemente, esse resultado também fez aumentarem as evidências de o grupo não participar do reino Fungi. Uma vida da que conhecemos Assim, tomando por base esse conjunto de evidências, os autores concluíram que os prototaxites não pertencem a nenhum grupo vivo atual. No artigo, os autores afirmam que a abordagem integrada “mina a hipótese de que Prototaxites taiti fosse um fungo” e sustenta sua classificação como parte de “uma linhagem eucariótica extinta, não descrita anteriormente”. Basicamente, isso significa que eles são organismos vivos, mas não como os que conhecemos. Por mais que P. taiti seja relativamente pequeno, com o maior exemplar analisado tendo cerca de 5,6 centímetros de largura, os cientistas estão confiantes de que ele é parente próximo dos prototaxites gigantes encontrados em camadas geológicas mais recentes, cujas bases podem chegar a até um metro de diâmetro. Se a espécie menor não era um fungo, argumentam, as maiores tampouco seriam. Vale lembrar que, os especialistas calculam que os prototaxites surgiram e prosperaram por cerca de 50 milhões de anos antes de desaparecerem. No final de sua existência, eles foram superados em tamanho pelas plantas terrestres, mas ainda não se sabe se sua extinção foi resultado da competição ecológica direta com esses organismos ou das mudanças ambientais em escala planetária. Mesmo com o avanço significativo do estudo, os próprios autores reconhecem que novas análises fósseis serão necessárias para consolidar definitivamente essa interpretação. Ainda assim, a pesquisa inova ao reforçar a possibilidade de que a história da vida na Terra inclui experimentos evolutivos profundamente diferentes de tudo o que sobreviveu até hoje.
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Este timelapse registra erupções intensas na superfície do Sol; assista Apesar de estarmos acostumados com o nascer e o pôr do Sol diariamente, a maior estrela da Via Láctea é imprevisível. Na última segunda-feira (19), a Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou um vídeo que mostra, em quatro segundos, imagens aceleradas de cinco horas de uma série de explosões solares de setembro de 2025. As erupções ocorreram na coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. No vídeo, são vistas três grandes plumas de plasma expelidas do Sol. À princípio, as imagens podem parecer apenas as conhecidas erupções solares, mas, ao observar o disco solar de perto, não é possível encontrar os característicos flashes brilhantes das erupções. O que é mostrado no vídeo é outro fenômeno: são as “proeminências” solares, isto é, laços de plasma na superfície do Sol que se estendem além do limite e se rompem, lançando seu gás ionizado para o espaço. Andrei Zhukov, do Observatório Real da Bélgica, afirmou que ver tantas erupções de proeminências em um período tão curto de tempo é um evento raro. Em comunicado, ele acrescentou: “estou muito feliz por termos conseguido capturá-las com tanta clareza durante nossa janela de observação”. Aquecimento coronal De acordo com Zhukov, embora as proeminências solares sejam menos potentes do que as erupções, elas são igualmente valiosas para serem observadas pelos pesquisadores. Os registros permitirão que os pesquisadores observem as temperaturas alcançadas pela coroa solar. Esta região é mais quente do que a própria superfície da estrela, um problema denominado “aquecimento coronal”. Desde que iniciou as suas operações, o Proba-3 já observou cerca de 50 eclipses artificiais Agência Espacial Europeia (ESA) De acordo com Zhukov, a luz intensa emitida pelas erupções das proeminências sugere que elas são significativamente mais quentes do que a coroa solar circundante. Mas, na realidade, seu plasma é muito mais frio, com apenas 10.000 °C de temperatura, em comparação com os milhões de graus celsius da coroa. A temperatura extremamente alta da coroa solar, que é “cerca de 200 vezes mais quente que a superfície do Sol”, é um dos maiores mistérios solares ainda não desvendados. Até o momento, os cientistas têm se esforçado para explicar porquê a coroa é tão mais quente que o resto do Sol, e imagens como as registradas podem ser a chave para desvendar esse mistério. Como o Sol é fotografado? As imagens foram capturadas graças à tecnologia de duas espaçonaves gêmeas – chamadas coronógrafa e ocultadora – que compõem a sonda Proba-3, da ESA, lançada em dezembro de 2024. Ambas precisam viajar em perfeita sincronia para coletar dados úteis. Juntas, elas são capazes de simular um eclipse solar artificial mais duradouro daqueles vistos da superfície da Terra. A ocultadora, a menor entre as duas espaçonaves, serve para bloquear o disco solar visível. Enquanto a coronógrafa transporta o próprio sistema de observação. Com cerca de 150 metros entre as duas espaçonaves, a quantidade de luz difusa que pode contornar a borda do disco da ocultadora é reduzida, resultando em observações mais precisas. A cada cinco minutos, uma imagem foi capturada e, após cinco horas, condensadas em um timelapse de quatro segundos. As erupções mais proeminentes foram capturadas graças ao filtro de átomos de hélio que equipou as espaçonaves. Já o brilho amarelo da coroa é resultado da dispersão da luz visível da superfície solar nos elétrons coronais. Para capturar esses comprimentos de onda, foi utilizado o instrumento ASPIICS do Proba-3. Com ele, foi possível usar diferentes filtros para capturar todas as emissões luminosas do Sol que, por sua vez, correspondiam a diferentes elementos da coroa solar.
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Encontrada no Amazonas tarântula dominada por fungo que a torna "zumbi"; vídeo Um vídeo feito no coração da Floresta Amazônica tem viralizado nas redes sociais ao mostrar uma tarântula-golias (Theraphosa blondi) dominada por um exemplar do fungo Cordyceps caloceroides. O organismo ganhou notoriedade nos últimos anos graças ao jogo e à série The Last of Us, que se inspiraram na sua capacidade real de afetar o sistema nervoso central de artrópodes para criar um universo distópico em que ele conseguiu acabar com a humanidade ao transformar as pessoas em zumbis. O parasita e seu hospedeiro foram identificados por Lara Fritzsche, uma estudante de Ciências Ambientais da Universidade de Copenhague (UCPH), durante atividades de coleta do curso intensivo de micologia Tropical Mycology Field Course. Organizado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, professor da UCPH, o evento reuniu especialistas da Dinamarca e do Brasil na Reserva Ducke, próxima de Manaus. As imagens foram compartilhadas nesta semana por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, pesquisador da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). No registro, que soma mais de 2,1 milhões de visualizações só no Instagram, o especialista mostra que a aranha, de coloração natural marrom-dourado, está coberta por uma estrutura fúngica vermelha rígida, com pontas alaranjadas. Veja: Initial plugin text Segundo o especialista, esse estágio representa a fase final do ciclo de vida do fungo, quando ele já havia consumido todos os tecidos internos da tarântula e emergido do seu corpo, preparando-se para se reproduzir assexuadamente por meio da esporulação. “ Os esporos vão ser liberados e vão infectar outras aranhas gigantes da Amazônia”, explica o pesquisador, no vídeo. Apesar do impacto visual, o fenômeno é natural e esperado em ambientes biodiversos – ainda que dificilmente seja documentado. “Documentar essa riqueza nos nossos ecossistemas naturais representa um avanço científico, social e econômico, além de ser uma questão de soberania nacional”, explica Drechsler-Santos, em um segundo vídeo. “Por isso, a minha emoção em encontrar uma espécie tão rara. Registrar a diversidade de fungos do Brasil é entender também o estado de conservação da nossa funga.” O fungo de The Last of Us não infecta humanos A repercussão do vídeo está diretamente ligada à semelhança do fungo com o parasita fictício retratado em The Last of Us. Nesse universo, uma espécie mutante do gênero Cordyceps sp. evolui ao ponto de conseguir infectar os seres humanos e dominar as suas mentes, transformando-os em verdadeiros zumbis. O mecanismo é inspirado no modus operandi real do fungo, que consegue controlar invertebrados, em especial, artrópodes, como formigas, lagartas, besouros, grilos e aranhas. Existem no mundo cerca de 600 variações de fungos parasitários que podem atingir o sistema nervoso de animais LinkedIn (João Paulo Machado de Araújo) O Cordyceps sp. chega ao organismo dos parasitas por meio do contato com seus esporos microscópicos que aderem ao exoesqueleto do hospedeiro. Após a sua germinação, o fungo penetra o corpo por ação mecânica e enzimática e passa a se desenvolver internamente, espalhando suas hifas pela hemolinfa e pelos tecidos. Diferentemente do que se imaginava no passado, estudos mostram que o fungo não “invade” diretamente o sistema nervoso central na maioria dos casos. Em vez disso, ele envolve o cérebro e os gânglios nervosos e libera um coquetel de metabólitos secundários (como alcaloides, peptídeos e compostos neuroativos) capazes de interferir na comunicação entre neurônios e músculos. Esse controle químico permite ao fungo modular respostas motoras e sensoriais do hospedeiro sem destruir imediatamente suas funções vitais. Como resultado, o invertebrado passa a apresentar comportamentos anormais altamente específicos, que favorecem a reprodução do fungo. Nas formigas infectadas pelo Ophiocordyceps unilateralis, por exemplo, o animal abandona sua rotina normal, sobe em folhas ou galhos e se fixa ao substrato, um local com temperatura e umidade ideais para a liberação dos esporos do fungo. Há cerca de 600 variações conhecidas desses fungos em todo o mundo. Até agora, nenhuma delas demonstrou a capacidade de afetar os seres humanos. “De modo geral, nós podemos manusear os fungos sem grandes riscos. O que a gente não pode é ingerir aquilo que a gente não conhece”, lembra Drechsler-Santos.
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