A página 22 possui 3 quadros. Todos eles são em preto e branco — talvez vislumbres da imaginação de Nico, talvez metáforas. O primeiro quadro ocupa quase toda a página, trazendo Nico no lugar do Jesus visto na página anterior, crucificado. Ouro escorre de suas feridas, mas também de seus olhos em forma de lágrimas. No segundo quadro, Nico foi removido da cruz. Dazai o tenta segurar em seus braços, mas ele cai, sem forças. Dazai toca seu rosto no último quadro, virando-o para si com delicadeza enquanto se inclina para dar-lhe um beijo nos lábios. Não há diálogo na página, apenas a narrativa, que diz: “Nico sabe que não mais se adequa às exigências impostas para se sentar ao lado de Deus, mas há um sutil gosto do céu nos lábios de Dazai. Um toque de redenção em suas mãos. Uma sensação de expiação nas noites que passam juntos. São as únicas amostras do paraíso que Nico acredita ser capaz de experienciar.”
A página 23 possui 4 quadros. A imaginação/metáfora de Nico ocorrida na página anterior cessa, e retornamos para o presente em quadros coloridos. O primeiro deles mostra Nico de costas, sentado na cama e observando a cruz dourada em sua parede, em meio a pôsteres, fotos e desenhos. Não há diálogo na página, apenas a narrativa, que diz: “Por mais que Nico não perceba, há algo particularmente humano no ato de encontrar o céu em meio aos braços de outro mortal.” No segundo quadro, Nico é visto na altura dos ombros pressionando uma palma contra a outra em posição de reza. A narrativa continua, “É uma bela expressão de sua humanidade, a de sentir-se indigno de absolvição…” Os dois últimos quadros são semelhantes e neles, Nico é visto de perfil. Suas mãos tremem e ele as fecha em punhos, cerrando seu maxilar e então deixando o ar escapar quando seu queixo também começa a tremer e lágrimas douradas enfim escorrem de seu rosto. A narrativa conclui, “…ao mesmo tempo em que deleita-se no paraíso que Dazai o oferece.” Após todos os quadros da página, há, porém, um balão de fala que não pertence a Nico. É dito, “Essa tristeza não condiz com você.”
PILLOW TALKS, volume 2: Divino
páginas 22 e 23 #PT2divino