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Hashtag
#indizivel
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(...)

What do I know of what I know?
Perhaps only the echo of what was never said,
the erased outline of a thought.

#poesia #poema #contradicao #indizivel
#poetry #poem #contradiction #unspeakable

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Sem Rosto

a noite não termina—
o céu engoliu todas as cores
e eu, sem olhos, tateio a ausência

há um vácuo no centro do peito
uma terra árida onde antes havia nome
a língua esqueceu-se das palavras
e o tempo é um animal faminto

perdi os passos entre paredes brancas
sou um eco perdido nos corredores da carne
um corpo sem peso, sem som, sem reflexo

as mãos não tocam nada
o vidro engole a luz
o vidro engole a forma
sou vidro e estou partido

o silêncio mastiga os ossos
há um mar revolto dentro do crânio
mas nenhuma onda chega à costa

o chão dissolve-se debaixo dos pés
a queda é eterna, sem vento, sem nome
sem chão à vista, sem fim

ninguém grita
ninguém chama
ninguém sente

sou um vulto na cidade morta
um nome riscado no papel molhado
uma sombra que esqueceu quem era

o relógio não anda,
mas os segundos devoram a pele
e a pele torna-se outra coisa
uma ruína, um esboço mal apagado

as lágrimas secaram,
mas ainda escuto o sangue pingar
gota a gota, ritmo sem compasso

não há espelhos
e mesmo assim, continuo a desaparecer

os olhos cerram-se sobre o vazio
o vazio devolve o olhar
e nada mais existe
__________________

© 2025 Ponto•de•Luz
pedroperes.wordpress.com/

Sem Rosto a noite não termina— o céu engoliu todas as cores e eu, sem olhos, tateio a ausência há um vácuo no centro do peito uma terra árida onde antes havia nome a língua esqueceu-se das palavras e o tempo é um animal faminto perdi os passos entre paredes brancas sou um eco perdido nos corredores da carne um corpo sem peso, sem som, sem reflexo as mãos não tocam nada o vidro engole a luz o vidro engole a forma sou vidro e estou partido o silêncio mastiga os ossos há um mar revolto dentro do crânio mas nenhuma onda chega à costa o chão dissolve-se debaixo dos pés a queda é eterna, sem vento, sem nome sem chão à vista, sem fim ninguém grita ninguém chama ninguém sente sou um vulto na cidade morta um nome riscado no papel molhado uma sombra que esqueceu quem era o relógio não anda, mas os segundos devoram a pele e a pele torna-se outra coisa uma ruína, um esboço mal apagado as lágrimas secaram, mas ainda escuto o sangue pingar gota a gota, ritmo sem compasso não há espelhos e mesmo assim, continuo a desaparecer os olhos cerram-se sobre o vazio o vazio devolve o olhar e nada mais existe __________________ © 2025 Ponto•de•Luz pedroperes.wordpress.com/

Sem Rosto

a noite não termina—
o céu engoliu todas as cores
e eu, sem olhos, tateio a ausência

há um vácuo no centro do peito
uma terra árida onde antes havia nome
a língua esqueceu-se das palavras
e o tempo é um animal faminto
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#poesia #desespero #indizivel #visceral #avassalador

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