_Marcha Estadual da Bahia em Jornada Nacional pela Reforma Agrária. Foto: Jonas Santos_
_Da Página do MST_
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) inicia hoje (13), a **Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária Popular** , que segue até a próxima sexta-feira (17). Este ano, a jornada assume um caráter histórico ao marcar os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em 1996.
Com o lema: O lema é: **“Em defesa da Reforma Agrária Popular: basta de violência contra os povos e a natureza”** , as atividades reafirmam a importância da memória como instrumento de resistência contra a violência no campo.
O massacre, que resultou no assassinato de 21 trabalhadores rurais, permanece como um símbolo de impunidade no Brasil. Após três décadas, apenas dois comandantes da operação policial foram responsabilizados pelos crimes, enquanto o Estado brasileiro ainda falha na reparação das famílias.
De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), mais de 90% dos assassinatos no campo no Pará seguem impunes.
Dando início às mobilizações, famílias do acampamento Irmã Rita ocuparam, no último dia 7, a Fazenda Prata, em Darcinópolis, no Tocantins. A ação denuncia que a área, que pertencente à União, foi palco do resgate de 102 trabalhadores em regime análogo à escravidão em 2022. O Movimento exige o confisco imediato do imóvel com base no Artigo 243 da Constituição Federal.
Segundo a lei, propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País em que forem localizadas exploração de trabalho escravo “**serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popula** r”, sem a necessidade de indenização aos proprietários.
_Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra na Curva do S, no Pará. Foto: Ícaro Matos_
Na Bahia, a Marcha Estadual pela Reforma Agrária mobiliza mais de 2 mil pessoas em um trajeto de 120 quilômetros. O grupo partiu de Feira de Santana na quarta-feira (08) e segue em caminhada rumo a Salvador até o dia 17 de abril. A mobilização reafirma que “são 30 anos de impunidade, mas também de resistência”, como destaca a coordenação baiana.
A ideia destas ações, segundo Ayala Ferreira, da direção nacional do MST, é pressionar a regularização fundiária por parte do Estado, com políticas de fiscalização _in loco_ para investigar quem verdadeiramente está nas áreas rurais, se essas áreas são de terra tradicional, de Reforma Agrária ou área de preservação e se as grandes propriedades estão cumprindo a função social e não somente para fins de especulação.
> _A política de regularização fundiária deveria ter apontado a disponibilidade de terras que poderiam ser destinadas para a Reforma Agrária e para a demarcação de territórios tradicionais. Se não percebemos que isso ocorreu é porque essa tentativa fracassou em sua intenção, e precisamos avaliar isso”_
No Pará, o coração da jornada acontece na Curva do S, em Eldorado do Carajás, palco do massacre. A partir desta segunda-feira (13), 500 jovens iniciam o 20º Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra Oziel Alves. A programação inclui oficinas, atividades de formação e a reconstrução do monumento em memória aos 21 lutadores assassinados.
A programação paraense também conta com a marcha “A voz pela vida calará a ambição”, que partirá de Curionópolis hoje (13), com cerca de 3 mil participantes, retomando o trajeto interrompido pelas balas da polícia em 1996. A chegada na Curva do S está prevista para o **Dia Internacional da Luta Camponesa, 17 de abril**.
A direção nacional do MST ressalta que o ato não é apenas um tributo ao passado, mas uma afirmação de necessidade presente. “**A Reforma Agrária é necessária no Brasil** “, enfatiza Ayala Ferreira, reforçando que a mobilização mantém vivo o sonho dos que tombaram na luta. O objetivo é denunciar o modelo do agronegócio baseado no latifúndio e na exploração.
Para o Movimento, o Estado brasileiro construiu uma estrutura fundiária explosiva que prioriza grandes grupos econômicos em detrimento do povo. No Pará, essa realidade se traduz em um avanço desenfreado da mineração e da soja em territórios camponeses. A disputa pela terra hoje, no sul do estado, é uma questão de sobrevivência e dignidade.
_Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra na Curva do S, no Pará. Foto: Ícaro Matos
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A Jornada de 2026 propõe que a Reforma Agrária Popular seja vista como um projeto civilizatório para a Amazônia. “A Reforma Agrária Popular não é só distribuição de terra: é um projeto civilizatório para a Amazônia”, aponta a direção estadual no Pará. O Movimento demanda coragem política para enfrentar a desigualdade histórica e democratizar o acesso ao solo.
“O Estado brasileiro precisa apresentar práticas de desenvolvimento econômico que não sejam de dependência de uma economia primária e exportadora, que tem condicionado nosso país a ser apenas o grande fazendão para o mundo”, lembra Ayala. “Reconhecemos que a política de Reforma Agrária não é apenas a resposta do Estado ao conflito instalado; acreditamos profundamente que um país soberano passa pela democratização da terra e dos bens da natureza”.
Trinta anos após a tragédia na Curva do S, a pergunta central da luta pela terra permanece a mesma para o povo Sem Terra. O Movimento reafirma: **“a terra pertence a quem nela trabalha”** , transformando o luto de 1996 em combustível para a organização popular. A resistência segue firme nas bordas das fazendas improdutivas de todo o país.
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