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Foto: MST _Da Página do MST_ No dia 1º de abril, no Assentamento Dom Tomás Balduíno em Goiás, famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram uma ação de reflorestamento na área de uma nascente, reafirmando o compromisso com a preservação da água e o cuidado com a vida. A atividade integra uma agenda mais ampla do movimento que articula produção de alimentos e recuperação ambiental nos territórios da Reforma Agrária. O plantio de árvores no entorno da nascente é apontado pelos assentados como uma ação que vai além da dimensão ambiental. Trata-se de um ato coletivo e político que fortalece a agroecologia e contribui para garantir condições de vida às futuras gerações. A recuperação do chamado “olho d’água”, local onde o lençol freático aflora naturalmente à superfície e jorra do solo, impacta diretamente a proteção da terra, a melhoria da qualidade da água e o equilíbrio do ecossistema, especialmente no bioma Cerrado, um dos mais pressionados pela expansão do agronegócio no país. Foto: MST Com o uso de espécies nativas, a iniciativa busca recompor a biodiversidade local e restabelecer funções ecológicas essenciais, como a infiltração da água no solo e a manutenção dos ciclos naturais. A estratégia também favorece a produção de alimentos saudáveis no assentamento, ao integrar árvores e cultivos agrícolas em sistemas agroecológicos. A ação integra o plano “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, lançado nacionalmente pelo MST em 2020. A proposta prevê o plantio de 100 milhões de árvores ao longo de dez anos, combinando reflorestamento, recuperação de áreas degradadas e produção de alimentos sem uso de agrotóxicos. A iniciativa é apresentada pelo movimento como uma resposta simultânea à crise ambiental e à insegurança alimentar. Foto: MST Foto: MST Ao conectar práticas locais com uma estratégia nacional, o MST afirma que o cuidado com a natureza é parte central da construção da Reforma Agrária Popular. No assentamento, a atividade foi organizada de forma coletiva, reforçando a ideia de que a recuperação ambiental e a produção de alimentos caminham juntas na construção de um novo modelo agrícola. A experiência no Dom Tomás Balduíno exemplifica como ações territoriais podem contribuir para agendas mais amplas de preservação ambiental, geração de renda e soberania alimentar. Iniciativas como essa seguem sendo multiplicadas em diferentes regiões do país, com o objetivo de semear vida e fortalecer os territórios da Reforma Agrária. Foto: MST Foto: MST * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Em Goiás, Assentamento Dom Tomás Balduíno refloresta nascente.
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#Notcias #Agroecologia #Reformaagrria

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Foto: MST _Da Página do MST_ No dia 02 de abril de 2026, o INCRA realizou, pela primeira vez, uma reunião dentro de um assentamento no estado de Goiás, marcando um momento histórico para a luta pela terra. A atividade contou com a presença do presidente nacional do INCRA, César Rodrigues, do superintendente do INCRA em Goiás, Elias D’Angelo Borges, e da direção estadual do MST, no Assentamento Canudos, em Goiás. Na ocasião, foi divulgado o decreto de ampliação do assentamento, garantindo mais 12 parcelas e atendendo uma demanda histórica das famílias, em sua maioria, filhos e filhas de assentados que vivem no território desde sua criação, em 2001. A origem dessa luta remonta a 05 de outubro de 1997, data simbólica que faz referência aos 100 anos do conflito de Canudos, na Bahia, que inspira o nome do assentamento. Durante a reunião, também foi apresentada e debatida uma extensa pauta envolvendo outras áreas de acampamentos e assentamentos ainda não regularizados. Muitas dessas famílias estão em seus territórios desde 2015, vivendo em condições precárias, mas mantendo a produção de alimentos saudáveis e contribuindo com a sociedade por meio de programas como o PAA, realizando entregas para escolas e entidades de assistência social. Foram mais de quatro horas de negociação, nas quais o INCRA Sede assumiu compromissos importantes no sentido de encaminhar soluções para as demandas apresentadas. Ao final, houve um almoço coletivo com a comunidade local, reunindo representantes de entidades, movimentos sociais e parlamentares, seguido de um ato político de encerramento. O MST agradece a todos e todas que contribuíram na construção dessa atividade e pela participação, reafirmando a força da organização coletiva na luta por direitos, dignidade e reforma agrária. Foto: MST * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

INCRA anuncia ampliação do Assentamento Canudos, em Goiás.
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#Notcias #Reformaagrria

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Os donos da IA também querem mandar no que você compra | Intercept Brasil Modelos de inteligência artificial rompem a lógica do e-commerce e preparam-se para aproveitar conversas e interações com usuários para induzir compras.

Os donos da IA também querem mandar no que você compra.
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#Notcias #Bigtechs #Consumo #Intelignciaartificial

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_Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra em 2016, realiza intervenção em Memória a Eldorado do Carajás. Foto: MST Pará_ _Da Página do MST_ Neste mês de abril de 2026, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) irá realizar uma importante marcha nos dias 13 a 17 de abril, com o trajeto entre de Curionópolis até Eldorado do Carajás, no Pará. Com a previsão de participação de 3 mil militantes, a marcha terá como lema: “A voz pela Vida calará a ambição! Por Reforma Agrária Popular e em memória dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás”, e dará continuidade ao sonho da realização da Reforma Agrária no Brasil. No marco dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, a mobilização retoma a continuidade da marcha que foi interrompida na PA-150, no dia 17 de abril de 1996, em memória aos mártires da luta pela terra. > _Não é só pela memória, ainda que o tempo histórico atual exige, que aqueles e aquelas que seguem vivos, levem a memória dos que tombaram, mas é sobretudo, uma mobilização que**reafirma o sonho de que a Reforma Agrária é necessária no Brasil** “_, enfatiza Ayala Ferreira, da direção nacional do MST. Além da marcha, desde a Curva do S, cenário em que foi derramado o sangue dos mártires da luta pela terra em Carajás, este também será o local demarcado pela realização do 20° Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra Oziel Alves Pereira, que acontece de 10 a 17 de abril, mobilizando mais de 500 jovens da região. Como parte da programação do acampamento, será realizada a reconstrução do monumento em memória aos 21 lutadores, que tiveram suas vidas ceifadas no fatídico 17 de abril de 1996. A marcha até Eldorado do Carajás faz parte das ações da Jornada Nacional de Lutas de Abril, que ocorre de 13 a 17 de abril, em todo o país, em memória aos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, com o lema: “Em defesa da Reforma Agrária Popular: Basta de violência contra os povos e a natureza”. No dia 17 de abril, Dia Internacional da Luta Camponesa, também acontece um Ato Político que culminará na chegada da marcha em memória aos mártires da luta pela terra, e o lançamento da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), organizada pelo setor de Educação do MST. * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

MST retoma marcha interrompida em Eldorado do Carajás após 30 anos do massacre.
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#Notcias #30anosEldoradodoCarajs #Acampamentopedaggico #Marcha #Massacredeeldorado #Par

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26 anos de parceria popular: UFJF celebra a luta do MST com título Doutor Honoris Causa a João Pedro Stédile .
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#Notcias #Educao #JuizdeFora […]

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_Foto: Tais Carollo/comunicação ENFF_ _Da Página do MST_ Com a participação de 70 mulheres Sem Terra de todo o país, nesta segunda-feira (30), ocorreu o Ato de formatura do Curso Nacional das Defensoras Populares do Campo, realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, São Paulo. A atividade teve início no sábado (28/3). A iniciativa é fruto de uma parceria entre o MST, o Instituto Federal do Pará (IFPA – Campus Rural de Marabá) e o Ministério da Justiça, com apoio do Programa de gestão do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Pronasci), que durante um ano de atividades de formação reuniu 70 camponesas de todo o Brasil. Em 12 meses de formação, as camponesas participaram de atividades voltadas ao fortalecimento do feminismo e da luta camponesa, unindo saberes e lutas para garantir acesso à justiça e aos direitos das mulheres em 24 estados e no Distrito Federal. Com participações de mulheres Sem Terra das cinco regiões do país, o curso trouxe a diversidade e resistências das mulheres camponesas na luta por um novo projeto de sociedade. “A atividade buscou fortalecer a formação política das camponesas na troca de experiências e saberes para a construção coletiva de uma sociedade mais justa, igualitária e livre de violências. Reafirmamos que somos sujeitas da nossa própria história, defensoras do nosso futuro e, juntas, seguimos organizadas como mulheres Sem Terra na construção de novas relações de gênero”, destacou Lizandra Guedes, da coordenação nacional do setor de Gênero do MST. Durante o ato de formatura estiverem presentes mulheres que são referência na luta por direitos, como a Secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho; Secretária Adjunta da Secretaria Nacional de Juventude, Jessy Dayane; Confundadora da ABJD e AJD, Kenarik Boujikian; Defensora Pública do Estado de São Paulo, Surraily Youssef; integrante da Diretoria do JUSTA, Luciana Zaffalon; integrante da direção nacional do MST, Ayala Ferreira, entre outras autoridades e trabalhadoras do MST. _Fotos: Tais Carollo/comunicação ENFF_ “Estamos encerrando um processo formativo nacional das Defensoras Populares do campo, em que estivemos debatendo, nos forjando enquanto sujeitos da nossa história e defensoras do nosso futuro. Saímos desse curso com a convicção de que ele faz parte do nosso processo de intervenção na sociedade. Faz parte do nosso processo de formação política e de humanização da vida”, afirmou a participante do MST, Beatriz. As camponesas passaram por um ano de formação, com a participação em encontros on-line, realizados uma vez por mês, Tempo Comunidade, com atividades nas comunidades de origem, e encerramento da atividade, com este encontro presencial na ENFF. O processo de formação se concentrou em três eixos principais de estudo, trabalho e troca de experiências: “Um primeiro foco foi de formação política ideológica, debatendo as relações entre classe, patriarcado, raça e as mulheres no capitalismo, mostrando a contradição entre capitalismo, patriarcado e racismo. O segundo eixo centrou-se na construção do feminismo camponês popular. E o terceiro, nos direitos das mulheres camponesas, abordando desde os temas do enfrentamento à violência, direito reprodutivo, e até encarceramento e políticas públicas para as mulheres do campo”, explica Lizandra. _Lizandra Guedes do setor de Gênero do MST_ _Fotos: Tais Carollo/comunicação ENFF_ Como resultado desse primeiro processo formativo, as defensoras organizaram um Caderno de Experiências, com o programa do curso, debates políticos e formativos, relatos dos trabalhos de base, realizados com as mulheres nas regiões, durante o Tempo Comunidade e poesias e músicas relacionadas ao tema da luta contra as violências e a equidade de gênero no campo e na cidade. A previsão é que a parceria continue com a expectativa de formação de uma segunda turma de Defensoras Populares do Campo, em maio deste ano, com a participação de 90 mulheres do campo. > _**Domingo é dia de Descanso** > Levantei cedinho > Preparei o café > E lavei as vasilhas antes de tomar o café > Limpei a casa > Agoei a horta > Colhi verduras > Me banhei e fui pra igreja > (porque hoje é domingo, dia de descanso) > Cheguei da igreja e preparei o almoço > Fiz sobremesa > Pus a mesa (hoje tem visita porque é domingo, dia de descanso)… > Lavei vasilhas > Fiz sala pras visitas > sorrindo o dia todo > Preparei o café da tarde (só um bolo, uns petiscos e um suco) > Lavei as vasilhas do café > Fui na roça pegar mandioca porque o Zé gosta de sopa na janta > Tratei os animais > Fiz a janta > Tomei banho > E agora vou dormir porque amanhã é segunda, é dia de trabalho > Hoje não. > Hoje é domingo, dia de descanso!_ > **Thalu** (Poesia escrita por mulher Sem Terra da Região Centro-Oeste. Publicada no Caderno de Experiência.) _Confira publicação de Caderno de Experiência do Curso Nacional das Defensoras Populares do Campo 2025/2026:_ Caderno de Experiência – Defensoras Popular do CampoBaixar _*Editado por Fernanda Alcântara_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Mulheres do MST encerram formação nacional de Defensoras do Campo, em São Paulo.
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#Notcias #Defensorasdocampo #Fimdasviolncias #Formao #Igualdadedegnero #MulheresSemTera #Setordegnero

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Neste Dia Internacional do Livro Infantil, confira 7 livros antirracistas para crianças e adultos.
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#Artigos #Notcias #Coletivoterraraaeclasse […]

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Israel repete no Líbano a estratégia genocida adotada em Gaza Governo fala em anexação, mas debate público ignora expansão colonial.

Israel repete no Líbano a estratégia genocida adotada em Gaza.
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#Notcias #Segurana #AbuMohammed #Beirute #BenjaminNetanyahu #Gaza #Genocdio #Israel #Lbano #Limpezatinica

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Em homenagem às mulheres, crianças do assentamento Contestado celebram história de Dona Alicinha.
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#Notcias #8demaro #EducaodoCampo #Homenagem […]

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Especialização em Estudos Culturais fortalece leitura crítica e organização popular no continente.
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#Notcias #ENFF #Estudosculturais […]

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_Construção de resort às margens da Lagoa do Paraíso, no município de Cruz, em meio à vegetação de restinga. Foto: Fernando Braga_ _Por Alice Sales Da Eco Nordeste_ A restinga é a mata que se desenha entre o Oceano e o interior do continente. É aquela vegetação em torno das praias que torna a paisagem ainda mais bela e naturalmente paradisíaca. É em meio à restinga que floresce a salsa da praia. É lá que as tartarugas-marinhas e as corujas-buraqueiras fazem seus ninhos e é também onde descansam e se alimentam as aves migratórias após cruzar o hemisfério. Essa vegetação de Mata Atlântica é responsável por importantes serviços ecossistêmicos que mantém a vida pulsante entre dunas, arbustos retorcidos e flores que aprendem a nascer na areia. Ainda assim, a despeito de toda a relevância que esse ecossistema exerce, o Ceará lidera, por seis anos consecutivos, o desmatamento de restingas no Brasil. Com dados alarmantes e crescimento acelerado de áreas suprimidas, entre os anos de 2019 e 2024, o Ceará perdeu 3.101 hectares de suas restingas. Nesse mesmo período, a perda em todo o Brasil foi de 4.785 hectares. Ou seja, o Ceará foi responsável por 65% do total, ocupando, em todos os anos, a primeira posição no ranking de perda de restinga entre os 17 estados inseridos no bioma, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora a vegetação nativa do bioma desde 1989. “Trata-se de uma vegetação associada à Mata Atlântica e, portanto, sobre a restinga recaem o Código Florestal e a proteção prevista na Lei da Mata Atlântica. No entanto, a forma como o Ceará vem tratando esse bioma ignora essa legislação, autorizando a supressão e a degradação dessas áreas de maneira ininterrupta”, destaca Gabriel Aguiar, biólogo e vereador do Psol-CE de Fortaleza. Para Andréa Camurça, coordenadora de Incidência Política do Instituto Terramar, a restinga quase nunca tem visibilidade e pouco se sabe que ela integra o bioma de Mata Atlântica. Isso gera um apagamento da sua importância ecológica e social. “É preciso falar sobre a importância desse ecossistema da Mata Atlântica para a fixação das dunas, proteção dos lençóis freáticos, contenção da erosão e do avanço do mar. É uma função vital para o enfrentamento às mudanças climáticas. Esse ecossistema é essencial para a população que vive na zona costeira, mas os governos pensam apenas na dominação do território”, ressalta. Com dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, a Eco Nordeste foi a campo, em parceria com a SOS Mata Atlântica, ver de perto o que estava acontecendo e produziu o relatório “Restinga sob pressão: Análise da supressão da vegetação costeira da Mata Atlântica no litoral do Ceará”. Ele traz à luz informações exclusivas sobre a supressão desta vegetação no litoral cearense, aponta os municípios que mais suprimiram as restingas entre os anos de 2023 e 2024 e mostra que atividades vêm tomando o espaço das restingas cearenses. A pesquisa se concentrou entre os municípios de Cruz e Camocim (litoral oeste) e Aquiraz (litoral leste), por serem os três que mais desmatam suas vegetações costeiras. No total, o Ceará desmatou 345 hectares, entre 2023 e 2024. ## Paraíso ameaçado _A Lagoa do Paraíso, situada entre os municípios de Cruz e Jijoca de Jericoacoara mesmo sendo uma das mais icônicas paisagens do litoral cearense, sofre as pressões da especulação imobiliária. Foto: Alice Sales_ A Lagoa de Jijoca, situada entre os municípios de Jijoca de Jericoacoara e Cruz, é um dos mais belos cartões postais do litoral cearense, que encanta por suas águas claras que refletem tons de azul, em contraste com o verde das matas de restinga que a cercam. Contudo, este cenário paradisíaco está mudando: o verde da restinga vem dando lugar ao cinza do concreto dos empreendimentos imobiliários que aos poucos ocupam seus entornos. O futuro da lagoa, da vida que a cerca e da paisagem que tanto atrai os turistas para a região é incerto. Em Cruz, município que mais desmatou restinga nos últimos anos, às margens da Lagoa de Jijoca, também conhecida como Lagoa do Paraíso, onde até 2023 havia 11 hectares de restinga preservada, hoje ergue-se um imponente empreendimento imobiliário. Com inauguração prevista para este ano, o resort promete bangalôs privados e uma ampla infraestrutura em área situada dentro do poligonal da Área de Preservação Ambiental (APA) da Lagoa de Jijoca e da Zona de Amortecimento do Parque Nacional de Jericoacoara, o que impacta, de uma vez, duas importantes Unidades de Conservação, uma estadual e outra federal. Uma estrada que liga o resort à Vila do Preá também foi aberta em meio à vegetação para viabilizar o acesso. Esses dados evidenciam que mesmo inserida em Unidades de Conservação, a restinga cearense não está plenamente protegida. Placa indica o licenciamento concedido pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). _Entre os arbustos da vegetação nativa ergue-se resort responsável pela supressão de 11 hectares de restinga, em Cruz. Foto: Fernando Braga_ “É coisa boa a chegada desse resort aqui. Vai trazer empregos, movimentar a estrada e o meu comércio”, declarou Joaquim da Silva (nome fictício), comerciante da região. Já Josué Moura (nome fictício), que trabalha com turismo na região, declara que tanto a abertura da estrada quanto a supressão dos 11 hectares para a construção do resort são considerados por ele como crime contra a natureza do lugar. “O turista gosta de chegar aqui e ver a paisagem preservada. Isso é o que movimenta o turismo: os cenários paradisíacos. Para onde irão os esgotos e resíduos produzidos neste resort? Espero que não acabem indo parar dentro da lagoa. As matas daqui estão pouco a pouco sumindo, mas infelizmente a consciência sobre isso não é tida pela maioria. Sequer podemos falar abertamente sobre o tema, já que corremos o risco de sofrer retaliações”, lamenta. Já na zona urbana de Cruz, ao lado do Estádio Municipal (Estádio Munizão) e da Vila Olímpica, há a ausência de 28 hectares de vegetação nativa. Não foi possível identificar com precisão a destinação integral da área em questão. ## Expansão imobiliária _Loteamento nas proximidades da Praia do Iguape, em Aquiraz, em área onde um dia foi restinga. Foto: Fernando Braga_ Em Aquiraz, município da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a perda da restinga abre espaço para empreendimentos imobiliários na maioria das áreas observadas. No Porto das Dunas, bairro do município que concentra condomínios e resorts, 12 hectares de vegetação costeira viraram um imenso loteamento, entre 2023 e 2024. Cercado por outros loteamentos semelhantes, o espaço descampado contrasta com a vegetação remanescente. No terreno, há placa de licenciamento para supressão vegetal concedido pela Secretaria de Meio Ambiente, Urbanismo, Desenvolvimento Agrário e Recursos Hídricos de Aquiraz, com validade até 8 de abril de 2025. Ainda no município de Aquiraz, no distrito praiano do Iguape, foram mapeados 22 hectares suprimidos. Dessas áreas, 3 hectares foram destinados à extensão de loteamento que constitui uma área muito maior, anteriormente desmatada. Nele, algumas casas já estão sendo erguidas, e há grandes placas anunciando o empreendimento. Contudo, não foi identificada placa de licenciamento ambiental no local. Outros 19 hectares de vegetação perdida nas proximidades também foram analisados, mas não foi possível identificar a que se destinou essas áreas. Já no município de Paraipaba, no litoral oeste do Ceará, a maior parte dos 31 hectares de restinga suprimidos foi destinada à expansão imobiliária. Ao todo, aproximadamente 80 hectares foram destinados ao setor, entre os sete municípios avaliados, entre 2023 e 2024. ## Substituição da vegetação _Vegetação de restinga florida no município de Aquiraz. Foto: Alice Sales_ Para o professor do curso de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Moro, a maior ameaça às restingas do Ceará é justamente a ocupação muito intensa do litoral, seja com crescimento urbano ou pela expansão muito forte de empreendimentos de turismo, muitas vezes colocados em ambientes de elevada fragilidade ambiental. “Grandes complexos de resort, por exemplo, com gramados e campos de golfe, vão destruir a restinga ao trocar a vegetação nativa, cheia de biodiversidade e de serviços ecológicos, por áreas de grama cultivada, aguada, que não têm a biodiversidade nativa nem suas funções ecológicas. Essa expansão imobiliária e de infraestrutura de turismo, sem levar em consideração os condicionantes de proteção da restinga, ou a expansão das grandes manchas urbanas, são duas ameaças bastante graves”, ressalta. ## Cajucultura em alta _Áreas desmatadas nos arredores do Açude da Prata, em Cruz (CE), sendo preparadas para o plantio de caju. Foto: Fernando Braga_ Ainda em Cruz, outros 24 hectares de restinga nas proximidades do Açude da Prata, conhecido localmente por reunir balneários em suas margens, também foram perdidos. Fugindo da regra e trazendo um dado inédito ao estudo, a destinação dessas áreas se deu para o plantio de caju. Imensos pomares prosperam na área, dando ainda mais força à cajucultura na região, que atualmente se encontra em expansão. Essas áreas estão situadas em uma localidade onde ainda há significativa presença de vegetação nativa. Na região não foi identificada nenhuma placa de licenciamento para a implantação da nova atividade. _Áreas onde a restinga foi suprimida atualmente destinadas à cajucultura, em Camocim. Foto: Fernando Braga_ As apurações em Camocim também reforçaram a expressiva ameaça da cajucultura sobre a restinga na região. No distrito de Guriú, nas proximidades do Riacho Tucunduba, foi constatado que os 34 hectares suprimidos no município entre os anos de 2023 e 2024 e seus arredores foram convertidos em uma extensa plantação de caju. No entorno dessas áreas há também terras extensas ocupadas pela cajucultura, em meio a remanescentes de vegetação nativa ainda preservada. Nas imediações do terreno, também não foi vista placa de licenciamento ambiental. _34 hectares suprimidos em Camocim entre os anos de 2023 e 2024 e seus arredores foram convertidos em uma extensa plantação de caju. Foto: Fernando Braga_ Vale ressaltar que a região é a maior produtora de caju do Estado. Pelo menos 58 hectares de restinga deram lugar à cajucultura no Ceará, entre os anos de 2023 e 2024. Entre os moradores locais, a cajucultura é vista com bons olhos por representar fonte de renda para os trabalhadores rurais da região. Um deles, cuja identidade preferimos preservar, ressaltou: “a melhor coisa do mundo por aqui é ter terreno para plantar caju e vender castanha. Dá dinheiro”. ## Energia solar e eólica Outras atividades também vêm ganhando espaços que um dia foram ocupados pela vegetação nativa. Durante a viagem de campo, verificou-se que, na área onde foram suprimidos 14 hectares de restinga no município de Trairí, no litoral oeste, atualmente encontra-se instalada uma usina de energia fotovoltaica. Já em Aracati, no litoral leste, a equipe encontrou uma usina de energia eólica, no espaço onde foram suprimidos 30 hectares de vegetação. ## Por que proteger as restingas? _A substituição de vegetação nativa fragiliza a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos. Foto: Alice Sales_ Dentre os relatos que ouvimos em campo ficou bastante evidente o desconhecimento das populações sobre o que de fato é a restinga e sua importância para a manutenção da vida. Ao questionarmos sobre a supressão de matas nativas nas regiões que visitamos, os moradores, em geral, deram pouca importância e resumiram como “desmatamento de mato rasteiro”. _Comunidade nas proximidades do Riacho Tucunduba inserida em meio à restinga, em Camocim. Foto: Fernando Braga_ O biólogo e vereador de Fortaleza, Gabriel Aguiar, explica que a restinga pode ser herbácea, configurando uma vegetação baixa que cresce na praia. Pode ser também arbustiva, já com maior volume, e pode chegar à forma arbórea, com florestas grandes e densas que ocupam as margens litorâneas do Estado. “A restinga é tratada, via de regra, como se não existisse. Sem uma fiscalização mais incisiva da população, os órgãos acabam licenciando livremente a supressão vegetal, muitas vezes sem sequer detalhar a área como restinga. As restingas arbustivas e herbáceas são frequentemente caracterizadas como áreas degradadas ou sem vegetação florestal, o que contribui para o seu desaparecimento gradual.” A Praia da Sabiaguaba e a Mata do Miriú, em Fortaleza, contam com uma restinga que cresceu sobre dunas de mais de 2 mil anos. Essas áreas são recorrentemente alvo de tentativas de licenciamento e desmatamento. Além de tudo o que já foi perdido, 83% das áreas de dunas e restingas da cidade de Fortaleza já desapareceram do mapa. Recentemente, 32 hectares de Mata Atlântica foram arrancados de uma área ao lado do aeroporto de Fortaleza, o que gerou grande revolta e mobilizações dos movimentos ambientalistas. “O Ceará segue na contramão de como o Brasil tem tratado a restinga. Houve, em média, uma redução superior a 20% no desmatamento de restingas nos diversos estados, enquanto o Estado aumenta sua devastação. Trata-se do bioma mais biodiverso do Planeta, e o resultado é que caminhamos aceleradamente para retirá-lo dos livros de Biologia e colocá-lo nos livros de História, deixando a Mata Atlântica apenas como o relato de um bioma que existiu”, declara. _O pernilongo-de-costas-brancas (Himantopus melanurus) é uma ave costeira migratória que se beneficia da vegetação nativa da costa nordestina. Foto: Alice Sales_ Para Natalia Crusco, ecóloga, mestre em Sensoriamento Remoto e pesquisadora do Map Biomas, a restinga é um ecossistema, que apesar de pequeno em área, desempenha um papel importante na proteção dos sistemas costeiros, como as praias e dunas. Com alta biodiversidade, ela abriga diversas espécies endêmicas, tanto na fauna como na flora. E é essencial na regulação dos sistemas naturais, no que diz respeito a umidade do solo, equilíbrio da temperatura, e principalmente como barreira natural contra erosão, alagamentos e outros eventos extremos nas zonas litorâneas, como a seca, chuvas intensas e elevação do nível do mar. Em um cenário em que os efeitos das mudanças climáticas são iminentes, esse mesmo ecossistema é responsável por proteger os aquíferos, os povos e as infraestruturas presentes na costa, além de sequestrar toneladas de gás carbônico (CO2). Maria Luísa Ribeiro, diretora de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, considera a proteção das restingas como elemento fundamental para a sobrevivência das comunidades tradicionais litorâneas e garantia da manutenção da cultura, dos saberes e do modo de vida desses povos, uma vez que essa vegetação tem a função de prover os valores materiais dessas populações, como é o caso das marisqueiras, pescadores, comunidades caiçaras e todas as pessoas que vivem dos serviços ecossistêmicos que as restingas e os manguezais exercem. “A Mata Atlântica não é só aquela floresta de árvores grandes, com cachoeiras e montanhas serranas. A Mata Atlântica é essa formação de árvores rasteiras, pequenas flores e plantas espinhentas; é também os manguezais, as áreas de campos nativos. E tudo isso não é mato, é mata”, frisa. ## Vegetação nativa em colapso _Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. Arte: Alice Sales_ De acordo com pesquisas do MapBiomas, o Ceará é um dos estados que ainda tem a maior proporção de vegetação nativa do Brasil, com 68% de toda a sua área coberta por vegetação original, considerando tanto Mata Atlântica quanto Caatinga. Portanto, é o sétimo Estado no ranking do País entre os que têm maior proporção de vegetação nativa. Porém, esta proporção diminuiu de 81% para 68% entre 1985 e 2023. Pelo fato de estar inserido no clima Semiárido, o Ceará é um dos estados mais suscetíveis aos eventos extremos das mudanças climáticas, como a seca, a desertificação e o avanço do mar no litoral. Dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) e dos Comitês de Bacia Hidrográfica do Estado do Ceará já apontam um risco muito acelerado de processos de desertificação no território. Além disso, o aumento das temperaturas e a crise hídrica também são motivos de preocupação. Um alento para evitar esses efeitos extremos seria a preservação da vegetação nativa, mas o que ocorre no Ceará é exatamente o contrário. Apenas 6% do território estão incluídos na área protegida pela Lei da Mata Atlântica. Dentro desse percentual já reduzido, apenas 7,3% permanecem cobertos por fragmentos de florestas maduras, aquelas com mais de 3 hectares de extensão. Como comparação, em todo o bioma da Mata Atlântica cerca de 12% da área original ainda são ocupados por florestas maduras. Ou seja, além de o Brasil já ter perdido grande parte de sua cobertura florestal, a situação no Ceará é ainda mais crítica, com índices de conservação abaixo da média do bioma. ## Flexibilização das leis Como se as muitas pressões que a restinga sofre não fossem suficientes para ameaçar a integridade do ecossistema, novas legislações não são favoráveis à proteção dessas vegetações de Mata Atlântica. A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei Nº 15.190/2025), vigente desde 4 de fevereiro de 2026, enfraquece a dupla proteção prevista na Lei da Mata Atlântica e Código Florestal, que antes exigia uma anuência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para emissão de licenças pelos órgãos ambientais competentes. A nova Lei, considerada inconstitucional, facilita a devastação da restinga, sobretudo em municípios que enfrentam pressões para autorizar e conceder licenças de supressão de vegetação. Desta forma, toda restinga que não estiver na faixa de 300 metros a partir da linha de preamar, segundo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), poderá deixar de contar com a aplicação de uma proteção mais rigorosa. “Essa nova Lei permite que municípios e estados deem licenças sem consultar outros entes, e a tendência é que a Lei da Mata Atlântica não seja aplicada corretamente, especialmente por municípios que não têm equipes técnicas nem condições de avaliar estágios sucessionais das formações”, destaca Maria Luísa Ribeiro, diretora de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. Ela ressalta que a Lei Geral do Licenciamento Ambiental está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) em três ações diretas de inconstitucionalidade e considera que há um negacionismo em relação à agenda climática e socioambiental. “A aplicação conjunta do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica e um licenciamento rigoroso reduzem drasticamente o desmatamento. Para chegar ao desmatamento zero, precisamos também de políticas de incentivos positivos. A população que protege a vegetação deveria ser remunerada por isso”, ressalta. Andréa Camurça, coordenadora de Incidência Política do Instituto Terramar, relembra que o Ceará sempre esteve à frente na flexibilização e no sucateamento da política ambiental. Mesmo com os impactos identificados, o Estado permitiu o licenciamento simplificado para eólicas e solares. “O caso da carcinicultura é ainda mais grave: deu-se a possibilidade de autolicenciamento e automonitoramento. Isso é o que faz avançar a devastação”. Renato Roseno, deputado estadual do Psol-CE, explica que o licenciamento ambiental deve observar as legislações federal, estadual e municipal e destaca a existência da Lei Complementar Nº 140/2011, que regulamenta esse processo. No Ceará, foi aprovada recentemente uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de sua autoria, que reafirma a competência ao Estado promover o licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos que utilizem recursos ambientais e que, para realizarem o licenciamento das intervenções de impacto local, o município “deve dispor de órgão ambiental capacitado a executar as ações administrativas a serem delegadas ao conselho de meio ambiente”. O Promotor de Justiça Marcus Amorim, coordenador auxiliar do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Caomace) do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) destaca que vê com preocupação o avanço da supressão de vegetação de restinga no Ceará. ## ‘Litoral Vivo’ “Essa questão é resultado de uma combinação do intenso avanço da especulação imobiliária na zona costeira do Estado com um gradativo processo de fragilização dos órgãos ambientais de fiscalização. Diante disso, o Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MP do Ceará desenvolveu o Projeto Litoral Vivo, cujo objetivo é adequar as instituições e sistemas de gestão ambiental dos 17 municípios do litoral do Ceará para que possam fiscalizar e autorizar ou não pedidos de intervenções em suas respectivas localidades, promovendo assim o desenvolvimento sustentável dessas cidades”. O promotor assegura que o MPCE, por meio do Caomace e das Promotorias de Justiça, seguirá atuando para coibir possíveis práticas de crime ambiental em cidades com áreas protegidas pela Lei Federal Nº 12.651/2012 e pela Lei da Mata Atlântica. O Litoral Vivo é uma iniciativa do MPCE voltada à proteção e à gestão adequada dos territórios costeiros do Ceará, especialmente em áreas onde há conflitos entre conservação ambiental, turismo, especulação imobiliária e os direitos de comunidades tradicionais. A iniciativa utiliza instrumentos jurídicos, como recomendações e Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), para corrigir irregularidades e garantir uma governança ambiental adequada nos municípios. Esses mecanismos ajudam a reduzir licenças ambientais concedidas de forma irregular, evitar a destruição de ecossistemas sensíveis como restingas e dunas, reforçar a fiscalização ambiental e ampliar a participação social nos conselhos municipais de meio ambiente. O TAC possui força de título executivo judicial, podendo ser cobrado diretamente na Justiça em caso de descumprimento. O termo estabelece compromissos como suspender o licenciamento ambiental enquanto não houver equipe técnica qualificada, comunicar à Semace para que o Estado assuma temporariamente o licenciamento, criar legislação municipal de política ambiental, estruturar equipes técnicas multidisciplinares e de fiscalização com servidores concursados e instituir um Conselho Municipal de Meio Ambiente com participação da sociedade civil. ## Poderes públicos Durante as apurações para a construção desta reportagem, foram encaminhados questionamentos a órgãos e instituições competentes, com o intuito de dar espaço aos posicionamentos e esclarecimentos oficiais sobre os dados apresentados. * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Ceará lidera o desmatamento de restinga na Mata Atlântica.
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_Foto: Eulália Veloso_ _Por Alí Nacif Da Página do MST_ Entre os dias 26 e 28 de março de 2026, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por meio do Setor de Produção, Cooperação e Meio Ambiente de Minas Gerais (SPCMA-MG), realizou o IV Encontro das Cooperativas da Reforma Agrária de Minas Gerais. A atividade aconteceu no Recanto Assis, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, reunindo representantes de cooperativas de todas as regiões do estado: Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha, Vale do Rio Doce, Zona da Mata, Sul de Minas, Região Metropolitana e Triângulo Mineiro. O encontro foi convocado como parte do processo de organização do sistema cooperativista no estado, com o objetivo de construir alinhamentos estratégicos, fortalecer a produção de alimentos e projetar as tarefas do próximo período. Ao longo de três dias, as cooperativas realizaram debates sobre análise de conjuntura, massificação da agroecologia, ampliação da produção, acesso ao crédito e fortalecimento de ferramentas próprias de financiamento, além de momentos de integração e partilha como a Culinária da Terra e a Assembleia Geral da Cooperativa Camponesa Central de Minas Gerais (Concentra). _Foto: Alí Nacif_ Participaram do encontro as seguintes cooperativas: * Cooperativa Camponesa da Reforma Agrária de Uberlândia (Coopercampra) * Cooperativa Camponesa do Médio Rio Doce (Cooperuatu) * Cooperativa Camponesa do Vale do Jequitinhonha (Cooperjequi) * Cooperativa Camponesa Veredas da Terra Região Norte de Minas de Montes Claros * Cooperativa da Agricultura Camponesa da Região Metropolitana de BH (Cooperana) * **Cooperativa dos Camponeses Sul Mineiros (Camponesa)** * Cooperativa Regional de Cooperação Agrícola da Zona da Mata de MG (Cooperarça) * Cooperativa da Reforma Agrária e Agricultura Camponesa da Zona da Mata (Coopermatas) * Cooperativa de Produção Agroecológica e Cultura Camponesa na Zona da Mata de MG (Coopac) * Cooperativa de Produção Agroecológica Raízes da Terra da região Sul de Minas em Campo Belo * Cooperativa de Trabalho da Agricultura Camponesa de Minas Gerais (Coopertrac) * * * ## Avanço organizativo e construção da Reforma Agrária Popular O IV Encontro marca um novo momento da organização das cooperativas da Reforma Agrária em Minas Gerais. A última edição havia sido realizada em 2018, quando o estado contava com apenas três cooperativas organizadas. Desde então, como parte de um planejamento estratégico do MST, houve a ampliação para 12 cooperativas, consolidando uma rede em diferentes regiões do estado. A coordenadora da Concentra e dirigente do SPCMA-MG, Paula Ribeiro, destaca que o encontro cumpriu o papel de reunir essa base organizada para refletir coletivamente sobre os desafios atuais e avançar na construção da Reforma Agrária Popular. _Foto: Alí Nacif_ Os debates reafirmaram a necessidade de massificar a agroecologia, organizar as cadeias produtivas e ampliar a produção de alimentos saudáveis. As cooperativas são compreendidas como instrumentos centrais para materializar essas tarefas, articulando produção, organização econômica, formação política e melhoria das condições de vida das famílias assentadas. Também foi destacado o papel das cooperativas no cumprimento da função social da terra, ao garantir a produção de alimentos para o povo, em contraposição ao modelo do agronegócio, baseado na concentração de terras, no uso intensivo de agrotóxicos e na produção voltada à exportação. ## Cooperativismo como estratégia de enfrentamento ao agronegócio A coordenação nacional do MST reafirmou, durante o encontro, o cooperativismo como eixo estruturante da Reforma Agrária Popular. O coordenador nacional Fábio Nunes aponta que o encontro fortalece a unidade política e organizativa das cooperativas, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de atuação nos territórios. _Foto: Alí Nacif_ O processo de intercooperação, articulado pela Concentra, foi destacado como fundamental para impulsionar o desenvolvimento das cooperativas com base na economia solidária. Nesse sentido, o encontro consolidou diretrizes voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas e à ampliação da produção de alimentos em escala. Os debates também evidenciaram a centralidade da agroecologia, da agroindustrialização e da participação de mulheres e jovens nos espaços de produção e direção, como parte da construção de um novo modelo de desenvolvimento no campo. Diante de um cenário marcado pela concentração de terra e pela insegurança alimentar, o encontro reafirmou a necessidade de avançar na democratização do acesso à terra e no fortalecimento da agricultura camponesa como base para garantir alimento para o povo brasileiro. * * * ## Crédito, políticas públicas e ferramentas próprias O acesso ao crédito e às políticas públicas foi um dos principais temas debatidos. As cooperativas apontam dificuldades históricas para acessar recursos em instituições financeiras, o que limita o avanço da produção e da agroindustrialização nos assentamentos. Nesse contexto, o encontro promoveu diálogo com o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com foco na ampliação do acesso ao crédito e no fortalecimento de políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Ao mesmo tempo, foi reafirmada a importância da construção de ferramentas próprias da classe trabalhadora. A atuação da Crehnor foi destacada como estratégica para garantir acesso ao crédito adequado à realidade dos assentamentos, possibilitando que os recursos circulem e fortaleçam a produção de alimentos. A economista e coordenadora da Agência Digital PJ e PF da Crehnor Jaine Amorim ressalta que o crédito é um elemento transversal em todo o processo produtivo, desde o preparo da terra até a comercialização. Iniciativas como o Finapop Mineiro, construído em parceria com a Concentra, apontam caminhos para fortalecer o financiamento da produção agroecológica. _Foto: Alí Nacif_ O desafio colocado é ampliar o acesso ao crédito justo, fortalecer as ferramentas próprias e, ao mesmo tempo, garantir o acesso às políticas públicas como direito das famílias assentadas. * * * ## Gestão, crédito e organização produtiva na região metropolitana A partir da atuação no setor financeiro-administrativo da Coopertrac, Everton Abib avalia que o IV Encontro representa um avanço no fortalecimento do sistema cooperativista no estado. A atividade reafirma o acúmulo construído pelo MST **na massificação da agroecologia.** _Foto: Eulália Veloso_ O sistema cooperativista vem avançando a partir da produção de alimentos saudáveis para o conjunto da sociedade, como expressão concreta da agricultura camponesa. Nesse processo, a Concentra cumpre papel estratégico ao consolidar a intercooperação e fortalecer as cooperativas singulares, qualificando os processos de gestão, produção e desenvolvimento. A intercooperação tem possibilitado avanços no planejamento produtivo, no acesso a políticas públicas e ao crédito, contribuindo para investimentos em infraestrutura, insumos e melhoria da qualidade dos alimentos. Também se expressa no avanço da agroindustrialização, na qualificação do beneficiamento e na construção de processos logísticos compartilhados, ampliando o acesso aos mercados institucionais, públicos e feiras. O encontro também evidencia desafios. Entre eles, a necessidade de estruturar sistemas integrados de gestão, capazes de articular pessoas, recursos e processos. O fortalecimento das cooperativas passa pelo investimento permanente na formação política e na qualificação técnica da base, garantindo melhores condições de organização e atuação. No campo do crédito, apesar das dificuldades históricas de acesso, as cooperativas têm avançado com a combinação de políticas públicas, como o Pronaf e o Crédito Instalação, e ferramentas próprias construídas pelo MST, como o Finapop, em parceria com a Concentra e a Crehnor. Esse processo tem possibilitado desde pequenos investimentos produtivos nos lotes até a estruturação das cooperativas, fortalecendo a produção e a gestão coletiva nos territórios. ## Logística, mercados e cooperação na região metropolitana A partir da experiência na região metropolitana, Viktor Marques do Setor de Produção de Minas Gerais avalia que o encontro fortalece a intercooperação entre as cooperativas e contribui para identificar desafios e potencialidades comuns nos assentamentos de Minas Gerais. _Foto: Alí Nacif_ Os debates possibilitam a troca de experiências e a construção de estratégias integradas, avançando no planejamento produtivo, no beneficiamento e na comercialização de alimentos. O encontro também se consolida como espaço de sistematização dos desafios enfrentados pelas cooperativas e de construção de um planejamento estratégico coletivo, considerando a diversidade de realidades presentes no estado. No campo da logística e do acesso a mercados, o encontro contribui para visualizar estratégias integradas entre cooperativas que atuam na região metropolitana. A organização de rotas compartilhadas e a articulação entre diferentes iniciativas ampliam a viabilidade econômica, aumentam o volume de alimentos comercializados e reduzem custos operativos. Esse processo fortalece a gestão do armazenamento, transporte e distribuição, ampliando a capacidade das cooperativas de acessar mercados e garantir o escoamento da produção. * * * ## Unidade, produção e tarefas do próximo período O IV Encontro reafirma o avanço da organização das cooperativas da Reforma Agrária em Minas Gerais e aponta tarefas para o próximo período. Entre elas, o fortalecimento da intercooperação, a ampliação da produção de alimentos saudáveis, o avanço da agroecologia e a luta pelo acesso às políticas públicas. O encontro fortalece a unidade do sistema cooperativista e consolida as cooperativas como instrumento de organização da produção e de construção da Reforma Agrária Popular. Como parte dessa estratégia, o encontro também aponta a importância do fortalecimento da União Nacional das Cooperativas da Reforma Agrária Popular do Brasil (Unicrab) como ferramenta de articulação nacional. A construção da Unicrab amplia a integração entre as cooperativas em todo o país, fortalece a incidência sobre políticas públicas e potencializa a produção de alimentos saudáveis. A consolidação dessa articulação nacional fortalece a organização da classe trabalhadora no campo, amplia a capacidade produtiva das cooperativas e reafirma o compromisso com a produção de alimentos para o povo brasileiro e com a construção de um projeto popular para a agricultura. Foto: Alí Nacif _Foto: Alí Nacif_ _*Editado por Fernanda Alcântara_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Encontro em Minas Gerais reforça avanço do cooperativismo do MST.
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Jornada celebra a alfabetização de 30 mil educandos em áreas de reforma agrária: ‘Podemos agora resgatar o tempo perdido’.
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Feira Nacional da Reforma Agrária chega à 6ª edição com mais de 2 mil variedades de alimentos.
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Debate sobre clima e Reforma Agrária em Porto Alegre defende ruptura com capitalismo e agronegócio.
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Ditadura não atingiu só a classe média. E essa mentira protege seus crimes até hoje | Intercept Brasil 62 anos depois do golpe de 1964, é inadmissível dizer que repressão foi restrita à elite urbana.

Ditadura não atingiu só a classe média. E essa mentira protege seus crimes até hoje.
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Massacre de Eldorado do Carajás completa 30 anos como símbolo de resistência na luta pela terra.
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_Imagem: Divulgação_ _Por Marcelo Buzetto* Da Página do MST_ O dia 30 de março, na Palestina, é o Dia da Terra. Há exatos 50 anos, em 1976, o exército colonialista de Israel assassinou vários camponeses que protestavam contra o roubo de suas terras, a destruição das oliveiras e as ações ilegais do invasor sionista que, desde 1948, seguia avançando pelo território árabe que fica entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão. A luta pela terra, na Palestina, sempre esteve ligada intrinsecamente à luta anticolonialista e antiimperialista. Toda família Palestina sempre teve suas terras ameaçadas e/ou roubadas pelo colonialismo, seja turco-otomano, britânico ou israelense. São gerações lutando por direitos históricos e inalienáveis sempre destruídos por um poder político e militar estrangeiro. O Sionismo, colonialismo e imperialismo vem historicamente tomando as terras e transformando a Palestina em uma região de permanente conflito e inúmeras tensões, que afetam a Geopolítica da Ásia Ocidental. A luta pela terra, na Palestina, sempre teve um caráter anticolonialista e antiimperialista, pois os camponeses sempre foram parte fundamental da vanguarda política que construiu partidos, sindicatos e organizações político-militares para defender sua pátria do inimigo externo. Seja na Revolução de 1936/1939, ou na formação da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), entre 1964/1969, com a formação das organizações da esquerda marxista Palestina, Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP). Ou ainda nos anos 80/90, com o surgimento do Hamas e da Jihad Islâmica, os camponeses palestinos sempre foram parte da base social dos movimentos de resistência. _Foto: Maria Silva_ Resistir na terra, resistir na defesa da pátria e do território são condições fundamentais para garantir uma alimentação saudável para esse heroico povo. E na luta pela terra e pelo território também se fizeram presentes os pescadores palestinos, principalmente em Gaza, pois são os “camponeses do mar”. Lutar pela terra, na Palestina ou no Brasil, é lutar por justiça social e também pelo controle nacional sob nossas riquezas, sobre a natureza, é defender a soberania nacional contra empresas como Cargill ou Belo Sun, que querem tomar as terras dos povos originários. Neste dia da terra, marcado por mobilizações em todo o mundo, fortalecemos a solidariedade com o povo palestino e todas as organizações da Resistência. Palestina Livre, do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo! _*Professor, militante do MST, autor do livro “A Questão Palestina: guerra, política e relações internacionais” (Editora Expressão Popular)._ _**Editado por Solange Engelmann_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

O Dia da Terra e a luta contra o colonialismo na Palestina.
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STF derruba lei da grilagem no TO e MST celebra vitória na Feira da Reforma Agrária.
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_Por Luiz Marques* Da Página do MST_ Um ponto de não retorno em uma floresta é aquele em que sua resiliência é vencida pela combinação das pressões que se exercem sobre ela. No caso da Amazônia, essas pressões são a supressão, degradação e fragmentação do tecido florestal, os incêndios, a biodiversidade, o empobrecimento dos solos, as secas, as inundações, tudo isso agravado pelas mudanças climáticas. Uma vez vencida essa resiliência, a floresta transita rapidamente para a morte ou para outro estado de equilíbrio, muito adverso à sua permanência. A resposta à pergunta que dá título a este artigo é clara: não é possível evitar um ponto de não retorno na floresta amazônica, mantida a atual composição do Congresso Nacional. A batalha pela Amazônia entrou em sua fase mais decisiva. Por isso, é imperativo se preparar para as eleições de outubro, unidos em torno da palavra de ordem: defender a Amazônia. Pois a Amazônia é, antes de tudo, um valor intrínseco e um componente maior da biosfera. De sua permanência dependem, além disso, a sobrevivência da sociedade brasileira e, em grande medida, a conservação do que resta dos equilíbrios planetários. É preciso, portanto, mandar de volta para casa todos os deputados e senadores que votaram a favor do “PL da Devastação” (Lei nº 15.300/2025), elegendo um Congresso comprometido com a Amazônia. **1. O estado atual da Amazônia** Para bem avaliar a extensão do que está em jogo nestas eleições, recapitulemos alguns dados sobre a Pan-Amazônia, a Amazônia Legal e as florestas brasileiras do bioma Amazônia: **(1)** A Pan-Amazônia abrange 7,8 milhões de km2. Nela vivem 47 milhões de pessoas, 2,2 milhões de indivíduos autóctones, 400 grupos étnicos e a maior biodiversidade do planeta. A bacia amazônica recobre cerca de 5,8 milhões de km².[1] Em 2021, cerca de 17% das florestas da Pan-Amazônia já haviam sido suprimidos, e outros 17% haviam sido degradados.[2] Segundo David Lapola e colegas, entre 2001 e 2018, 360 mil km2 das florestas da Pan-Amazônia “encontram-se sob alguma forma de degradação”. Contudo, “a inclusão de dados sobre secas extremas aumenta a estimativa da área degradada para 2,5 milhões de km², ou 38% da área das florestas remanescentes”.[3] **(2)** A Amazônia Legal brasileira, com cerca de 5 milhões de km2, compreende o bioma Amazônia, mais 37% do Cerrado e mais 40% do Pantanal em território brasileiro.[4] A Figura 1 mostra os acumulados de desmatamento na Amazônia Legal até 2007, em milhares de km2. **Figura 1 – Acumulado das áreas desmatadas na Amazônia Legal até 1980, 1987, 1990, 2000 e 2007 em milhares de km 2, segundo dados do Prodes/Inpe. **Fonte: Presidência da República. Casa Civil. Plano Amazônia Sustentável (PAS): Diretrizes para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Brasileira. Ministério do Meio Ambiente, 2008, p. 95. **(3)** A Figura 2 mostra a área desmatada ano a ano na Amazônia Legal entre 1988 e 2025. **Figura 2 – <a href=”http://<https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/rates>.” type=”link” id=”Desmatamento da floresta primária na Amazônia Legal entre 1988 e 2025, em milhares de km2, com resolução mínima de 6,25 hectares e sem contabilizar perdas por incêndios. Os dados referem-se ao desmatamento entre 1º de agosto e 31 de julho de cada ano. **Fonte: TerraBrasilis, INPE, 2025 **(4)** No Brasil, o bioma Amazônia estende-se por uma área de quase 4,2 milhões de km².[5] Segundo Gilberto Câmara e colegas, “o desmatamento na Amazônia brasileira reduziu a cobertura florestal original de 402,7 milhões de hectares [4.027.000 km2] em 85,3 Mha [853 mil km2], de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais”.[6] **2. Lula e o empenho em frear o ecocídio** Como mostra a Figura 2, o desmatamento na Amazônia aumenta muito entre 1991 e 2004 e diminui em 83% entre 2004 e 2012. Com o novo Código florestal (2012), ele volta a crescer, acelerando-se a partir de 2019 na Pan-Amazônia e em especial no Brasil:[7] “ _O desmatamento intensificou-se substancialmente desde 2019 na bacia [amazônica], embora a taxas diferentes em cada país. A maior parte do desmatamento concentrou-se no Brasil, que perdeu cerca de 457.237 km² de florestas entre 1988 e 2020. Na Amazônia brasileira, o desmatamento anual entre 2019 e 2020 foi superior a 10.000 km², um nível não atingido desde uma década antes (2008)_ ”. Entre agosto de 2018 e julho de 2022, durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, a floresta primária amazônica brasileira perdeu 45.720 km2, uma área maior do que a do estado do Rio de Janeiro (43.750 km2)![8] A exemplo de seus dois primeiros mandatos, é grande mérito do terceiro mandato do presidente Lula ter reduzido o desmatamento amazônico a partir de 2023, freando o ecocídio perpetrado por Bolsonaro. De agosto de 2022 a julho de 2023, o desmatamento ainda atingiu 9.064 km2. Mas de agosto de 2023 a julho de 2024, ele caiu para 6.288 km2, e de agosto de 2024 a julho de 2025 diminuiu pela segunda vez, para 5.796 km². Uma enorme vitória! Mas ainda muito insuficiente, pois apenas nos últimos três anos – entre agosto de 2022 e julho de 2025 –, a Amazônia brasileira perdeu 21.121 km2, uma área quase equivalente à do estado de Sergipe (21.910 km2). Apenas entre agosto de 2024 e julho de 2025, a floresta amazônica brasileira perdeu mais 5.796 km², ou seja, quase quatro vezes a área total do município de São Paulo (1.521 km2)! É admissível perder um Sergipe de floresta amazônica a cada três anos e perder, a cada ano, uma área equivalente a quase quatro vezes o município de São Paulo? Como reportado acima, a área da cobertura florestal amazônica brasileira era, originalmente, de 4.027.000 km2. Dado que mais de 874 mil km2 (853 mil km2 + 21.121 km2) foram já suprimidos, então essa perda até julho de 2025 corresponde a 21,7% de sua área original. Isso posto, Luciana Gatti e colegas alertam que, até 2024, a porção nordeste da Amazônia a floresta já havia sido amputada em 38%, e a região sudeste, em 34%.[9] Essa parte leste da floresta já está cada vez mais difícil de recuperar, e essas perdas vulnerabilizam a floresta como um todo. **3. O agronegócio, vetor principal da destruição** Mais de 90% da destruição da floresta amazônica teve por objetivo a abertura de pastagens.[10] Nos seis anos dos governos Temer e Bolsonaro (2017-2022), essa abertura derrubou mais de 800 milhões de árvores, sendo que 17 mil km2 de florestas foram suprimidos perto de grandes frigoríficos atuantes na Amazônia:[11] _“Pesquisadores da consultoria AidEnvironment utilizaram imagens de satélite, registros de movimentação de gado e outros dados para calcular a perda florestal entre 2017 e 2022 em milhares de fazendas próximas a mais de 20 frigoríficos. Todas as unidades de processamento de carne pertenciam às três maiores exportadoras de carne bovina do Brasil: JBS, Marfrig e Minerva.”_ Além disso, 38% dos solos da América Latina estão degradados pelo desmatamento, por pastagens e por monoculturas, um processo agravado pela emergência climática.[12] No Brasil, os solos degradados perderam 1,4 bilhão de toneladas de carbono ou 5,13 bilhões de toneladas de CO2 (C = 3,67 CO2) em relação à capacidade de conservação do carbono orgânico nos 30 cm superficiais do solo sob a vegetação nativa.[13] **4. Novas ameaças sobre a Amazônia** Em janeiro de 2026, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vinculado ao Ministério da Justiça, suspendeu a moratória da soja na Amazônia, em vigor há 20 anos. Essa suspensão, muito comemorada pelo agronegócio, deixa vulneráveis ao desmatamento mais 130 mil km2 de floresta.[14] Se ocorrer (e alguém duvida disso?), o desmatamento amazônico superará, enfim, uma área de superior a um milhão de km2, ou mais de 25% da área original da nossa floresta. Além disso, em 2026 os deputados e senadores do agronegócio planejam acelerar sua _Blitzkrieg_ contra a Amazônia e demais biomas brasileiros. Vejamos apenas três de seus projetos:[15] **(1)** PL nº 4.554/2025, alterando a Lei de Crimes Ambientais de forma a proibir o embargo cautelar de áreas desmatadas ilegalmente. **(2)** PEC 48, que muda a Constituição para implantar o absurdo marco temporal. **(3)** PL 3.358/2025, que propõe desembargar propriedades com base apenas na inscrição no Cadastro Ambiental Rural. Seja qual for a distância que separa a floresta amazônica de seu ponto de não retorno, essa distância será muito diminuída ou anulada se permitirmos que esses projetos prevaleçam. A vitória indígena no Tapajós, em fevereiro, pode e tem de ser o estopim de uma grande mobilização da sociedade brasileira em defesa das condições de habitabilidade de nosso país. **Esse texto não reflete necessariamente a opinião da Unicamp.** * * * Notas: [1] Cf. Marielos Peña-Claros, Carlos Nobre (co-diretores) e mais 29 cientistas, eds., _The Amazon Assessment Report 2025. Connectivity of the Amazon for a Living Planet_. Science Panel for Amazon, 2025. [2] Cf. Carlos Nobre, Andrea Encalada _et al.,__Science Panel for the Amazon_(SPA 2021), p. vii. [3] Cf. David M. Lapola _et al_., “The drivers and impacts of Amazon forest degradation”. _Science_ , 27 jan. 2023. [4] Cf. Presidência da República. Casa Civil. _Plano_ _Amazônia Sustentável (PAS)._ Ministério do Meio Ambiente, 2008. [5] Cf. Marcos Pivetta, “Múltiplos sistemas monitoram por satélite o desmatamento na Amazônia”. _Revista Pesquisa Fapesp_ , 334, 4 dez. 2023. [6] Cf. Gilberto Câmara _et al_., “Desafios do cumprimento da NDC brasileira no bioma Amazônia”. _Revista_ _CEBRI_ (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), 1, 4, out-dez. 2022, baseado em dados do Incra, CAR/SFB, Funai, ICMBio e INPE. [7] Cf. SPA 2021, (cit.) p. 22. [8] Cf. Agosto de 2018 a julho de 2019 = 10.702,53 km2; agosto de 2019 a julho de 2020 = 10.354,19 km2; agosto de 2020 a julho de 2021 = 12.186,40 km2; agosto de 2021 a julho de 2022 = 12.477,52 km2. TerraBrasilis. Amazônia. [9] L. Gatti e colegas, “Como o desmatamento acelera as mudanças climáticas, aumenta os eventos extremos e provoca mortes, adoecimento e prejuízos no Brasil”. Nota técnica em apoio à Ação Direta de Inconstitucionalidade da Lei no 15.190, dezembro 2025 (inédito), a partir de um estudo em vias de publicação. [10] Cf. “Mais de 90% do desmatamento da Amazônia é para abertura de pastagem”. MapBiomas, 3 out. 2024. [11] Cf. Andrew Wasley _et al_., “Over 800 million trees felled to feed appetite for Brazilian beef”, _The Bureau of Investigative Journalism_ , _The Guardian_ , _Repórter Brasil_ , _The Forbidden Stories’ Bruno and Dom Project_ , 2 jun. 2023. [12] Cf. Raul Roberto Poppiel _et al_., “Soil health in Latin America and the Caribbean”. _Communications Earth & Environment_, 6, 141, 24 fev. 2025. [13] Cf. João Villela _et al_., “Soil carbon debt from land use change in Brazil”. _Nature Communications_ , 26 jan. 2026; Marcos Pivetta, “Avanço da agropecuária fez solos do Brasil liberarem 1,4 bilhão de toneladas de carbono”. _Revista Pesquisa Fapesp_ , março 2026. [14] Cf. Raoni Rajão _et al_., “Fim da Moratória da Soja coloca em risco 13 Mha na Amazônia”. UFMG, março 2026. [15] Cf. “Propostas legislativas do agro pioram desmonte socioambiental, trabalhista e civilizatório”. _ClimaInfo_ , 16 março 2026. _*_ Luiz Marques é professor aposentado e colaborador do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. _**Editado por Leonardo Correia_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Artigo | É ainda possível evitar um ponto de não retorno na Amazônia?.
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Compromisso com a agroecologia marca início da II Feira da Reforma Agrária e Agricultura Familiar do MST no Tocantins.
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_Foto: Matheus Teixeira_ _Por Matheus Teixeira Da Página do MST_ No dia 26 de março, o Coletivo de Cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Minas Gerais promoveu uma atividade reflexiva com os militantes do Movimento no exercício de unir o que a indústria cultural insiste em separar: pensamento crítico e criação coletiva. Com o tema “Indústria Cultural: Conceito, Contexto e Enfrentamentos”, o encontro trouxe para o coração de Belo Horizonte duas vozes que há anos investigam as entranhas da produção cultural sob o capitalismo. Agatha Azevedo, doutoranda em Comunicação pela UFMG e integrante do setor de comunicação do MST, e Ana Chã, militante do Coletivo de Cultura do MST, pesquisadora e autora do livro _Agronegócio e Indústria Cultural_ (Expressão Popular, 2018), conduziram uma roda de conversa que oscilava entre a teoria crítica e a experiência vivida nos territórios de luta. ## O que te entretém também te controla _Foto: Ana Miranda_ “Aquilo que te entretém, te deixa feliz, para que você siga trabalhando e produza mais, são formas de controle da nossa vida, da nossa identidade”, abriu Agatha Azevedo, provocando o círculo. “Nessa lógica, a gente só recebe, consome cultura, mas não cria, só aceita.” A fala tocou num ponto central da crítica frankfurtiana: a indústria cultural não é apenas entretenimento, é braço do capital. Seu produto mais valioso não é o filme, a música ou a série, é o consentimento. É a ideia, repetida até virar senso comum, de que a vida se resume a trabalhar e consumir. Ana Chã complementa: “O fato de a indústria cultural manter sua força é que ela não revela sua forma, mas segue reproduzindo.” A força está justamente na invisibilidade do mecanismo. Quando a cultura se naturaliza como mercadoria, a dominação se torna silenciosa, potente e capaz de atravessar gerações, enraizando-se e ganhando aspectos que a fazem ser tratada como algo natural na sociedade. O debate dialogou com o que diz Lupércio Damasceno, militante do Coletivo de Cultura do MST citado na obra de Ana: “A cultura popular está para a Reforma Agrária Popular tal como o agronegócio está para a indústria cultural”. Em outras palavras: se o agronegócio usa a indústria cultural para construir hegemonia, a cultura popular é o território onde os movimentos sociais podem semear outra visão de mundo. ## A festa que foi roubada _Agatha Azevedo. Foto: Matheus Teixeira_ Ana trouxe um exemplo que provocou inquietações e reflexões. “A festa que celebra a agricultura camponesa não é a mesma que celebra o agronegócio. As músicas não são as mesmas, as comidas não são as mesmas. O que era a festa da colheita se tornou a festa da safra.” A diferença não é apenas de nome, é de sentido. Na festa da colheita, celebra-se o trabalho coletivo, a terra que dá fruto, a comunidade que se reúne. Na festa da safra, a versão agroindustrial celebra a produtividade, o maquinário e o latifúndio com eficiência. Uma é feita pelas mãos que plantam, a outra, pelas estratégias de marketing que vendem um país que não existe. “A cultura popular na indústria cultural não está naquilo que vem e é produzido pelo povo”, afirmou Ana, desfazendo um equívoco comum. “Mas sim naquilo que é feito para as massas, que vende muito.” É a diferença entre ser sujeito e ser público-alvo. Entre criar e consumir. ## Se não fazemos, alguém faz por nós _Foto: Matheus Teixeira_ Agatha trouxe a mesma inquietação: como somos produtores e consumidores de cultura? E colocou no debate a seguinte questão: “Se eu não faço cultura, eu vou consumir algo que não é meu, algo que não é do meu território.” A frase encontrou acolhida nos corpos que ali estavam. Muitos deles vieram de assentamentos, acampamentos, lugares onde a cultura é também resistência cotidiana. Azevedo amplia o olhar sobre a cultura e os meios de dominação que se dão no cotidiano, de forma sutil e quase imperceptível, muito atrelada ao fetichismo da mercadoria: “A roupa que vestimos, como nos posicionamos, tudo é cultura. Se não fazemos, alguém está fazendo por nós e estamos consumindo. A música é um exemplo clássico.” A constatação é simples, mas seu desdobramento é crucial para entender que tudo é político e espaço de disputa simbólica. Se a cultura é tudo que produzimos em relação com o mundo — nossos gestos, nossa fala, nosso jeito de caminhar —, quando delegamos sua produção a uma indústria, estamos entregando também a definição de quem somos. Foi nesse ponto que o debate tocou na ideia de guerra cultural, fenômeno que não é novo. É a continuidade, por outros meios, da luta de classes. Só que agora o campo de batalha não é mais apenas a fábrica, é o imaginário. “A indústria cultural, em conluio com a mídia, usava várias táticas de produção de conteúdo atrelada a vendas de ideias e não o produto de forma óbvia”, pontuou Agatha, lembrando que a publicidade contemporânea vende muito mais estilos de vida do que mercadorias. O que está à venda, no fundo, é um modo de existir, dominado e controlado por poucos. _Ana Chã. Foto: Matheus Teixeira_ **Se a indústria cultural padroniza, produz em série, repete até que a mensagem se fixe no inconsciente, o que os movimentos populares podem contrapor?** A resposta veio da própria trajetória das convidadas e do coletivo que organizou o encontro. O Setor de Cultura do MST em Minas Gerais tem construído, ao longo dos anos, uma outra relação com a arte. Em 2022, por exemplo, realizou a terceira edição da Escola de Arte João das Neves, reunindo mais de 60 pessoas no assentamento Oziel Alves Pereira, em Governador Valadares. Oficinas de muralismo, coro cênico, percussão, audiovisual e fotografia foram oferecidas não como “formação artística” no sentido tradicional, mas como ferramentas para narrar a luta pela terra. A iniciativa vem sendo construída desde 2017, assim como outras atividades: o Bloco Pisa Ligeiro, a Empena, oficinas nos territórios e outras ações. “Se não fazemos cultura, alguém está fazendo por nós”, repetiu Agatha no encerramento, provocando mais uma vez a reflexão. E fez um convite: que o povo seja produtor de sua própria cultura. Que ele ressignifique o conceito de cultura de massa, para que ela passe a ser produzida pelas massas e não pensada por poucos com o viés de atingir e alienar as massas. _*Editado por Fernanda Alcântara_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

“Se não fazemos cultura, alguém está fazendo por nós”.
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Foto: Comunicação Cursinho Mundaú _Por Gustavo Marinho Da Página do MST_ Em homenagem à iniciativa que organiza, prepara e fortalece a participação de jovens e adultos para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em Maceió (AL), o Cursinho Popular Mundaú recebe na próxima segunda-feira (30) a Comenda Jarede Viana, na Câmara de Vereadores do município. A comenda destaca as iniciativas relevantes que contribuem no fortalecimento da educação na capital alagoana e ressalta ações coletivas e personalidades que atuam nesta área. A comenda, proposta pela vereadora Teca Nelma (PT), foi aprovada pelo Legislativo Municipal e será entregue em cerimônia na Câmara a partir das 14h. Na ocasião, representantes do Cursinho Mundaú recebem coletivamente a Comenda, simbolizando o conjunto de educadores, estudantes e equipe de apoio que organiza a iniciativa na cidade. “É com muita alegria que vamos receber essa homenagem da Câmara de Vereadores de Maceió. A experiência do Cursinho Mundaú é uma sinalização das possibilidades coletivas e organizadas pela sociedade para que a gente siga insistindo na educação como forma de transformação da vida de muitos e muitas”, destacou Jislaine Maciel, da coordenação do Cursinho. De acordo com Jislaine, o momento também é oportuno para reafirmar o papel do Poder Público no fortalecimento das políticas públicas de educação em todos os âmbitos. “É a partir dessas experiências concretas, como o Cursinho Mundaú, que conseguimos apresentar aos gestores do Poder Público que tem muita coisa bonita sendo construída nos mais diversos territórios e que, para que elas sejam ainda mais potentes, precisamos de apoio, fortalecimento e investimento do Estado”. Foto: Comunicação Cursinho Mundaú O Cursinho Mundaú, iniciativa organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Maceió, organizou turmas no bairro da Chã da Jaqueira em 2025 para a preparação ao ENEM, mas a experiência já conta com outros anos de estrada e atuação em outros pontos da cidade. “Em 2026, estamos nos propondo a ir ainda mais adiante: a experiência na Chã da Jaqueira se multiplicou e vamos agora chegar em mais outros bairros da capital, o Benedito Bentes e a Ponta Grossa”, explicou Jislaine. ## Comenda Jarede Viana _Fotos: Comunicação Cursinho Mundaú_ A Comenda Jarede Viana, instituída pela Resolução n.º 641 de 17 de novembro de 2009, de autoria da então vereadora Tereza Nelma e aprovada por unanimidade pelo Legislativo Municipal, leva o nome da professora referência nas importantes lutas populares em Alagoas e no Brasil. Com longa trajetória na educação e nas lutas sociais de seu tempo, Jarede chegou a atuar na Associação dos Professores de Alagoas (Apal), hoje Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal). Participou da fundação da União das Mulheres de Maceió e elegeu-se vereadora de Maceió em 1982. Por sua atuação, chegou a ser perseguida pelos órgãos de repressão política — chegou a ser proibida de ser patrona da formatura de uma turma de estudantes e vetada de renovar contrato como professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Em 2008, aos 69 anos, Jarede Viana partiu fisicamente após anos de luta contra o câncer, deixando um legado de referência e bravura na defesa da educação, da democracia e dos direitos sociais. _*Editado por Fernanda Alcântara_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Cursinho Popular organizado pelo MST em Maceió recebe comenda na Câmara de Vereadores.
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_Sala de aula no acampamento Canudos, na Paraíba. Foto: Carla Batista_ _Por Gustavo Marinho Da Página do MST_ Como parte das Jornadas de Alfabetização realizadas nos últimos meses nas áreas de Reforma Agrária e nas periferias do país, o próximo sábado (28) será marcado pelo ato simbólico de formatura de aproximadamente 30 mil educandos e educandas, representados nas 7 mil pessoas presentes no ato. Os educandos e educandas integraram as iniciativas de alfabetização de jovens e adultos no âmbito do Pacto de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação (MEC), em parceria com o MST, Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Projeto Mãos Solidárias. O ato acontece a partir das 14h, no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, conhecido como Geraldão, em Recife (PE). E conta com a participação da secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI), Zara Figueiredo; a representante da Coordenação Nacional do Pronera, Clarice dos Santos; o diretor de Desenvolvimento do Incra, José Ubiratan, e do coordenador nacional do Movimento Sem Terra, João Pedro Stedile. _Foto: Mãos Solidárias_ “Este será um ato que simboliza parte da construção realizada tanto nas áreas de Reforma Agrária, quanto nas periferias de nosso país, numa demonstração da necessidade de seguirmos ampliando políticas públicas junto à sociedade que paute a superação do analfabetismo e possibilite ações concretas para encarar essa realidade ainda tão presente em nossa sociedade”, destacou Marcela Nunes, que integra a Jornada de Alfabetização de Jovens e Adultos nas áreas de Reforma Agrária. A ação em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que organizou cerca de 1.500 turmas nos nove estados do Nordeste, envolvendo aproximadamente 20 mil camponeses e camponesas na sala de aula. _Foto: Mãos Solidárias_ De acordo com Nunes, o ato simbólico é mais uma etapa construída por educandos e educadoras que realizaram toda a Jornada ao longo dos últimos meses e que reafirma a disposição coletiva de acampados e assentados da Reforma Agrária na tarefa de seguir estudando. > _Esse é mais um passo importante. Temos muitos outros pela frente**na tarefa de superar o analfabetismo e construir uma nova história em nossos territórios** ”, sinalizou Marcela._ ## Unindo campo e cidade no direito de estudar Assim como o mutirão de alfabetização realizado nas áreas de Reforma Agrária, as periferias urbanas do país também receberam uma diversidade de espaços educativos, abrindo salas de aula no cotidiano de bairros, becos e vielas em 11 estados do país. Ao todo, 52 municípios integraram a Jornada de Alfabetização de Jovens e Adultos nas Periferias, organizada pelo projeto Mãos Solidárias junto ao MEC e a UFPE, envolvendo mais de 18 mil alfabetizados nas cidades. _**Foto: Mãos Solidarias**_ _**Turma assentamento Oziel Pereira. Foto: Carla Batista**_ “Nossa Jornada é um marco para os territórios mais vulnerabilizados em nosso país”, refletiu Luz Marin, da coordenação da Jornada no estado do Ceará. “Conseguimos construir num período de cinco meses de um amplo e diverso processo de alfabetização e isso é muito simbólico”. Luz ressalta o destaque da iniciativa: o método cubano de alfabetização “Sim, eu posso!”, que possibilitou um exercício coletivo de aprendizagem de maneira rápida e relacionada com as reflexões sobre os desafios de cada território. “O método ‘Sim, eu posso!’ trouxe para as periferias que atuamos, e apontou para todo o Brasil que é possível transformar nossa realidade e nosso país através da educação”, pontuou a cearense. _Foto: Carla Batista_ ## Expectativa para os próximos passos A formatura realizada em Recife deve reunir representações de todos os estados onde as Jornadas foram realizadas e será também o espaço de lançamento do Cadastro Único da Educação de Jovens e Adultos, o CadEJA, ferramenta do Governo Federal que apoiará o levantamento de demanda para a oferta de turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de novos referenciais para a implementação das políticas de EJA no campo e nas cidades. Para além dos anúncios do Governo, as iniciativas também seguem mobilizadas em seus territórios a partir das milhares de turmas, educadores e educandos para a realização das próximas etapas do processo de escolarização, pautando o direito à educação como bandeira central para o próximo período. _*Editado por Solange Engelmann_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Cerimônia celebra formatura com mais de 30 mil alfabetizados no campo e periferias do país.
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Tem início o 15º Acampamento Estadual das Mulheres do Campo e da Cidade na Bahia.
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MST realiza ocupações em áreas de monocultura e denuncia especulação imobiliária na Grande João Pessoa.
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#Notcias #JooPessoa #Jornadadamulheres2026 […]

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_Batalha de Cuito Cuanavale. Foto: Jeremy Harding/Reprodução_ _Por Judite Santos, Setor de Internacionalismo do MST Da Página do MST_ A Operação Carlota e Cuito Cuanavale articulam dois aspectos decisivos da guerra de independência angolana. A primeira simboliza a expressão de uma das mais longas travessias do internacionalismo cubano, que contribuiu de forma determinante para a derrota da ofensiva contrarrevolucionária e, consequentemente, para a vitória de Angola a partir de 1975; a segunda constituiu o ponto de inflexão que redefiniu a geopolítica da África Austral. Em meio a uma guerra civil de grandes proporções, desencadeada no processo de luta anticolonial contra o decadente regime português, confrontaram-se em solo angolano as potências da Guerra Fria: de um lado, as forças revolucionárias do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), apoiadas por Cuba e pela União Soviética e, de outro, as forças contra-revolucionárias da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), sustentadas pela ingerência sul-africana nos conflitos regionais através das políticas de desestabilização financiadas pelos Estados Unidos, na dinâmica da Guerra Fria. Nesse contexto, a participação de Cuba no conflito angolano revelou-se decisiva. Tropas cubanas, muitas compostas por negros descendentes de africanos escravizados, lutaram ao lado das FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola), desempenhando papel central desde o início da guerra, passando por sucessivos combates, ora encarando derrotas, ora impondo vitórias, até os desdobramentos que culminaram na batalha final em Cuito Cuanavale. Ao conter o avanço inimigo para impedir o cerco à capital Luanda e enfrentar as forças regulares sul-africanas e contingentes mercenários, a solidariedade cubana não apenas contribuiu para assegurar a soberania angolana, como também alterou de maneira definitiva o equilíbrio de forças políticas e militares na região. ## A Batalha de Cuito Cuanavale No encontro dos rios Cuito e Cuanavale, a guerra irrompeu rasgando o silêncio da savana na província de Cuando Cubango, sudeste de Angola. Foi ali o palco de uma das mais decisivas batalhas da história africana contemporânea. Cuito Cuanavale tornou-se o epicentro de um confronto militar de grandes proporções, frequentemente descrito como um evento geopolítico de impacto duradouro e apontado por historiadores como um ponto de inflexão estratégico na redefinição do mapa político da região, sendo também apelidado de “Stalingrado Negro”. Considerada uma das mais transcendentais batalhas após a Segunda Guerra Mundial, Cuito Cuanavale foi determinante para o desfecho e consolidação dos processos independentistas na África Austral e contribuiu definitivamente para o colapso do regime de apartheid na África do Sul. Entre novembro de 1987 e março de 1988, uma intensa ofensiva militar deslocou o eixo da guerra angolana para o sul do país, aproximando-se da fronteira com a Namíbia, sob ocupação ilegal do exército sul-africano. Cuito Cuanavale encontrava-se sitiada pelas forças da UNITA e da SADF (Força de Defesa Sul-Africana), apoiadas pelos Estados Unidos em plena Guerra Fria. Em resposta, Cuba, em coordenação com o MPLA, organizou uma contraofensiva permanente para assegurar a definitiva vitória que levaria à independência total e completa de Angola. ## Ofensiva e estratégia militar: impactos históricos e geopolíticos Cuba, assim como nos dias atuais, convivia sob permanente ameaça de invasão por parte dos Estados Unidos. Ainda assim, a Revolução cubana não hesitou e, em um esforço de grande envergadura logística e militar, promoveu o envio massivo de tropas e equipamentos cruzando o Atlântico com parte da sua própria defesa nacional para prestar solidariedade à luta angolana. Um amplo contingente de unidades e meios de combate desembarcou em Angola, ocupando diferentes posições estratégicas para a realização da contraofensiva militar. As tropas foram posicionadas tanto no sudoeste, em direção à Namíbia, quanto para o leste, reforçando diretamente a defesa de Cuito Cuanavale. A unidade entre as FAPLA e as forças cubanas constituiu-se numa resistência capaz de enfrentar as forças sul-africanas, conforme define Fidel Castro: > _Um rio de unidades e meios de combate cruzou rapidamente o Atlântico e desembarcou na costa Sul de Angola para atacar pelo Sudoeste em direção à Namíbia, enquanto a 800 quilômetros pelo Leste, unidades especiais avançaram para Cuito Cuanavale e ali, em união com as tropas angolanas que recuavam, prepararam uma armadilha mortal às poderosas forças sul-africanas que avançavam em direção àquela base aérea. Nessa ocasião reuniram-se 55 mil soldados cubanos em Angola”_ > > (FIDEL CASTRO, 2005) A estratégia cubana baseou-se no emprego de meios antiaéreos, blindados, artilharia pesada e forças especiais, com o objetivo de conter o avanço inimigo e reverter a correlação de forças. Fidel Castro coordenou diretamente a ofensiva final a partir do comando em Havana, evidenciando, assim, o elevado grau de envolvimento político e militar da Revolução Cubana com o processo angolano. À medida que os combates se intensificavam, forças adicionais cubanas e angolanas avançavam rumo ao sul, pressionando as linhas inimigas e ampliando as condições para uma vitória estratégica. As sucessivas derrotas impostas às forças contrarrevolucionárias conduziram à abertura de negociações que resultaram no acordo tripartite entre Angola, Cuba e África do Sul. Os Estados Unidos tentaram de todas as maneiras excluir Cuba do processo de negociação, mas sua participação mostrou-se indispensável para a construção de uma solução final. Sem a presença de Cuba não haveria acordo de paz. As negociações realizadas ao longo de 1988 resultaram na pactuação para a retirada de todas as tropas estrangeiras dos territórios angolano e namíbio, incluindo as forças cubanas. Esse entendimento foi formalizado por meio do Protocolo de Brazzaville e do Acordo de Nova York, firmado em dezembro de 1988, estabelecendo-se, assim, um cronograma para a retirada das tropas com supervisão internacional do processo de paz, o que significou uma derrota político-militar importante ao regime racista de Pretória. O impacto da Batalha de Cuito Cuanavale ultrapassou o campo militar e contribuiu diretamente para a reconfiguração geopolítica da região com base em três processos simultâneos: a independência da Namíbia, o colapso decisivo do apartheid sul-africano e a consolidação da soberania angolana. ## O legado da solidariedade internacional cubana A mobilização de centenas de milhares de soldados que deixaram Cuba para lutar em solo angolano constituiu um marco histórico e simbólico de solidariedade, pois não só garantiu a vitória sobre Cuito Cuanavale, como consolidou uma das expressões mais emblemáticas do internacionalismo do século XX, sendo até os dias atuais a mais significativa missão internacionalista do povo cubano, na qual quase meio milhão de cubanos, entre militares e civis engajados em atividades técnicas e de saúde, participaram da gesta angolana que se estendeu por mais de uma década e meia, através da Operação Carlota entre 1975 e 1991. O legado da Revolução Cubana foi reconhecido por importantes lideranças africanas como Sam Nujoma e Nelson Mandela, que destacaram a solidariedade cubana como elemento fundamental para os processos de libertação no continente africano. > _A sua presença e os reforços enviados para a Batalha de Cuito Cuanavale têm uma importância verdadeiramente histórica. A derrota esmagadora do exército racista em Cuito Cuanavale foi uma vitória para toda a África! Essa derrota decisiva do exército racista em Cuito Cuanavale deu a Angola a oportunidade de desfrutar da paz e consolidar a sua soberania!”_ > > (MANDELA, 1991) Neste 23 de março, ao celebrar os 38 anos da Batalha de Cuito Cuanavale, devemos fazer memória ao legado dos combatentes heróicos, cubanos e angolanos, que elevaram a Batalha de Cuito Cuanavale à condição de marco histórico incontornável, simbolizando a convergência entre as lutas anticoloniais de libertação africana e a solidariedade internacional cubana. Hoje, Cuito Cuanavale permanece como memória viva, emblema de resiliência e altruísmo de um processo que redefiniu o curso da África Austral e imprimiu marcas duradouras nas relações entre Cuba e o continente africano. Cuba, a pequena grande ilha caribenha, que historicamente se fez presente ao levar sua solidariedade às guerras de libertação dos povos do mundo, hoje, mais do que nunca, necessita da solidariedade internacional para enfrentar o severo bloqueio econômico imposto pelo imperialismo estadunidense. Quando atravessou mares e oceanos — seja nas lutas anticoloniais, seja por meio de suas brigadas médicas no enfrentamento da pandemia da Covid-19 —, jamais o fez movida pela expectativa de retorno, ou seja, esperando benefícios em troca, mas sim por um princípio ético. Como afirmou Fidel Castro, no encerramento do Primeiro Congresso do Partido Comunista: > _Estão acostumados a pensar que quando um país faz algo é porque está procurando petróleo, ou cobre, ou diamante, ou algum recurso natural. Não! Não perseguimos nenhum interesse material, e é lógico que os imperialistas não o entendam. Estamos a cumprir um dever internacionalista elementar quando ajudamos o povo angolano!”_ > > (FIDEL CASTRO, 1975) Fiel à ética revolucionária, a pequena grande ilha que desafiou o império mais poderoso do mundo, dentro e fora de seu território, persiste na resistência cotidiana, reafirmando, diante das agressões imperialistas, que é precisamente sua resiliência que sustenta a dignidade e a altivez de seu povo. **_Editado por Fernanda Alcântara_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Cuito Cuanavale: o ponto de inflexão e libertação da África Austral.
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Trabalhadores Sem Terra bloqueiam rodovia em Tocantins, em setembro de 2025, para pressionar pela desapropriação de duas propriedades rurais. Foto: MST/Divulgação _Por Daniel Camargos Do Repórter Brasil_ O TERCEIRO GOVERNO do presidente Lula (PT) passou os dois primeiros anos sem desapropriar latifúndios improdutivos para destiná-los à reforma agrária. A prática só foi retomada em 2025, ainda de forma bastante tímida, segundo dados do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) analisados pela Repórter Brasil. Os números foram obtidos com exclusividade pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. A planilha reúne os decretos desapropriatórios editados, em hectares, entre 1995 e janeiro de 2026, e mostra que não houve nenhum centímetro de terra desapropriado em 2023 e 2024, justamente nos anos seguintes ao governo de Jair Bolsonaro (PL), quando essa medida foi interrompida. Considerando apenas os anos fechados de 2023, 2024 e 2025, o governo petista desapropriou 13,3 mil hectares, ficando abaixo do observado nos dois últimos anos do governo de Michel Temer (MDB), com 14,3 mil hectares em 2017 e 2018. Os dados disponíveis são organizados por ano, o que impede separar com precisão as desapropriações realizadas pela segunda gestão de Dilma Rousseff (PT) e por Temer em 2016, ano do impeachment da ex-presidente. _Arte: Rodrigo Bento/Repórter Brasil_ Com a inclusão das desapropriações de janeiro de 2026, o volume do governo Lula 3 sobe para 20,8 mil hectares, área equivalente a do município do Recife. No entanto, a diferença para outros momentos da série histórica é ampla. No primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por exemplo, foram desapropriados 7,3 milhões de hectares, uma extensão comparável à da Irlanda. Desde então, os números foram caindo a cada gestão, com queda ainda mais acentuada a partir do segundo governo Dilma. O total desapropriado no primeiro mandato da ex-presidente, contudo, supera em quase 20 vezes o resultado alcançado até agora por Lula 3. João Pedro Stédile, fundador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e um de seus principais líderes, interpreta os dados como sinal da ausência de uma política estruturada de reforma agrária. “O Brasil não tem um projeto de desenvolvimento nacional que oriente as ações do governo, os investimentos e as prioridades”, afirmou à **Repórter Brasil**. Para ele, a forma como os resultados são apresentados mistura ações distintas e dificulta a compreensão do que de fato corresponde à redistribuição de terras. Stédile classifica esse procedimento de “malandragem”. _Arte: Rodrigo Bento/Repórter Brasil_ ## Diretora do Incra diz haver mudança na forma de obter terras Em entrevista à **Repórter Brasil** , a diretora de Obtenção de Terras do Incra, Maíra Coraci, disse que o que houve no governo Lula 3 foi uma mudança na forma de obter terras. “A desapropriação é o último instrumento”, afirmou. “Se eu posso resolver por compra, sem envolver o Judiciário, eu consigo dar a terra mais rápido para as famílias”, argumentou. Para Coraci, o objetivo continua sendo o mesmo, mas com menos conflitos e menos demora. Dados do Incra apresentados por ela indicam que, entre 2023 e 2026, foram obtidos 577,6 mil hectares para a reforma agrária por diferentes caminhos. A maior parte veio de compra e venda de terras, que somou 359,3 mil hectares. Já as desapropriações ficaram em cerca de 12,4 mil hectares no período. Também entram na conta áreas arrecadadas como terra pública, além de imóveis obtidos por leilão, doação e outros mecanismos. “A gente quer obter a terra pelo meio mais rápido e mais econômico possível”, disse. Coraci afirmou que, ao assumir, o Incra não tinha estrutura nem orçamento para retomar imediatamente as desapropriações, após um período de paralisação da política no governo Jair Bolsonaro. Segundo ela, foi preciso reconstruir a área responsável, recriar a diretoria de Obtenção de Terras e reorganizar processos que estavam parados há anos. A diretora também citou mudanças no campo, como o aumento do preço da terra e a redução de áreas consideradas improdutivas. Nesse cenário, diz, o governo optou por negociar sempre que possível. “Estamos tirando do latifúndio do mesmo jeito”, afirmou. “O que muda é o caminho”, entende. ## Governo Lula 3 adota critérios mais amplos de balanço da reforma agrária Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que as transformações ocorridas no campo brasileiro nos últimos anos, com o avanço do agronegócio, a expansão da produção agrícola e a pressão por produtividade, têm restringido a atuação do Estado, uma vez que tem sido mais difícil encontrar grandes imóveis improdutivos. Mas criticam a gestão Lula 3 por misturar mecanismos diferentes em seus balanços da reforma agrária. Isso porque o uso da área total de terras desapropriadas como critério de avaliação da política de reforma agrária não coincide com a forma como o atual governo apresenta seus resultados nesse campo. A estratégia é considerar o número de famílias alcançadas por diferentes modalidades de política fundiária, não necessariamente as que foram assentadas em terrenos desapropriados. No terceiro mandato de Lula, o governo passou a divulgar como principal balanço da política agrária o número de famílias incluídas no PNRA (Programa Nacional de Reforma Agrária). Entre 2023 e 2025, foram 229.991 famílias. Esse total reúne diferentes modalidades de atendimento, como assentamentos em novas áreas, regularização fundiária, reconhecimento de famílias e concessão de crédito e infraestrutura. _João Pedro Stédile, dirigente do MST, classifica de “malandragem” a forma como os resultados da reforma agrária são apresentados pelo atual governo. Foto: Lula Marques/Agência Brasil_ Em abril de 2024, no lançamento do programa Terra da Gente, o governo apresentou a meta de beneficiar 295 mil famílias até o final de 2026. O programa é a principal aposta do ministro do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Paulo Teixeira. A proposta teve como foco organizar as chamadas “prateleiras de terras”, um conjunto de imóveis previamente identificados e classificados conforme sua situação jurídica e viabilidade de destinação. “Não há reforma agrária nem clássica, nem popular”, avalia Stédile. Segundo o dirigente do MST, a atuação atual do governo na área é fragmentada e sem alcance suficiente. Ele também entende que não houve retomada consistente de vistorias em fazendas nem avanço relevante na incorporação de novas áreas. Sem enfrentar a concentração fundiária, diz, as medidas anunciadas pelo governo não configuram reforma agrária. ## ‘Reforma agrária é penalização do latifúndio’, afirma pesquisador Para o geógrafo Marco Mitidiero, professor da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e pesquisador da questão agrária, a forma como os dados são apresentados interfere diretamente na avaliação de uma política. “Reforma agrária é penalização do latifúndio”, afirma. Segundo ele, o que a define é a desapropriação de imóveis que não cumprem função social, medida que não pode ser confundida com outros mecanismos. “Regularização fundiária é regularização fundiária. Usucapião é usucapião. E reforma agrária é reforma agrária”, diz. Na avaliação do pesquisador, quando instrumentos diferentes são colocados sob a mesma rubrica, o resultado pode até crescer, mas perde precisão. Mitidiero aproxima essa leitura da obra do geógrafo Ariovaldo Umbelino (1947–2025), que foi professor da USP (Universidade de São Paulo) e é referência na geografia agrária brasileira. Em artigo publicado em 2006, intitulado _A não reforma agrária do MDA/INCRA no governo Lula_, Umbelino criticou justamente esse tipo de procedimento, já adotado na época. Para ele, ao reunir regularização fundiária, reassentamentos e outros mecanismos administrativos sob a mesma categoria, as estatísticas oficiais ampliavam os números sem que isso implicasse, necessariamente, a desapropriação de grandes propriedades ou mudanças na estrutura fundiária. ## Queda das desapropriações está ligada à transformação do campo, dizem especialistas A pesquisadora Yamila Goldfarb,presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária), entende que a queda nas desapropriações precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo de transformação do campo brasileiro, marcada pelo avanço do agronegócio e pela valorização das terras. “A desapropriação está ligada à improdutividade. E hoje é mais difícil encontrar grandes áreas improdutivas como no passado”, explica ela, que é professora visitante da Universidade Federal do ABC. Segundo a pesquisadora, a expansão da produção agrícola e a pressão por produtividade reduziram o universo de imóveis que podem ser enquadrados como não produtivos. Na prática, áreas que em décadas anteriores poderiam ser alvo de desapropriação passaram a ser incorporadas à lógica de mercado, ainda que de forma limitada ou com baixa eficiência. _Governo Lula 3 passou a divulgar como principal balanço da política agrária o número de famílias incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária. Foto: Ricardo Stucker/PR_ Goldfarb explica que esse cenário altera o alcance da política, sem eliminar sua importância. “Isso não significa que a desapropriação deixou de ser importante, mas que passou a operar em um contexto mais restrito”, afirma. Para ela, essa mudança ajuda a entender a redução dos números mais recentes, mas não resolve, por si só, o debate sobre o papel da reforma agrária hoje. A pesquisadora avalia que, em razão dessa transformação, o tema perdeu espaço no debate público e deixou de ser tratado como prioridade, inclusive em setores da esquerda. Segundo ela, isso ajuda a explicar não apenas os números, mas também a dificuldade de mobilização em torno da reforma agrária. ## ‘O fazendeiro tem que ser muito ruim para ser improdutivo hoje’, avalia pesquisador O engenheiro florestal Acácio Leite, vice-presidente da Abra, concorda: “O fazendeiro tem que ser muito ruim para ser improdutivo hoje”, afirma. “Encontrar uma área nessas condições é como achar uma agulha no palheiro”, diz. Segundo ele, a exigência de produtividade, combinada com o avanço tecnológico e a pressão de mercado, fez com que a maior parte das propriedades passasse a atender, ao menos formalmente, os critérios de produtividade exigidos pela legislação. Na prática, pontua, isso altera as condições em que o Estado pode atuar, restringindo o alcance da desapropriação como instrumento, sobretudo nas regiões mais integradas ao agronegócio, onde há maior controle sobre o uso da terra e maior capacidade de adaptação às exigências legais. Leite destaca ainda que a desapropriação de terras é um procedimento técnico e administrativo complexo, que depende de equipes estruturadas e de capacidade operacional. Antes da assinatura de um decreto, explica, é necessário realizar vistoria no imóvel, análise jurídica da propriedade, estudo da cadeia dominial e consulta a diferentes órgãos públicos sobre eventuais interesses na área. Um dos fatores para a ausência de desapropriações em 2023 e 2024, diz, foi o desmonte promovido no governo de Jair Bolsonaro, que extinguiu a diretoria responsável pela obtenção de terras. A retomada dessa estrutura ocorreu apenas no atual mandato e, segundo ele, “demorou dois anos para recriar”. Para Leite, esse intervalo ajuda a entender o vazio inicial nos primeiros anos de governo Lula 3, mas não explica sozinho o cenário atual. Ele chama atenção para o fato de que a desapropriação, além de limitada, envolve pagamento ao proprietário, o que impõe custos elevados ao Estado e condiciona sua aplicação a restrições orçamentárias. Edição **Igor Ojeda** * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Em 3 anos, governo Lula 3 desapropria menos terras para reforma agrária que Temer.
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Bayer enfrenta 160 mil ações de vítimas do glifosato nos EUA, e apenas 6 no Brasil.
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Post sobre capivara reforça suspeita de interferência dos EUA no Brasil | Intercept Brasil Mensagem de subsecretária norte-americana dá ainda mais sentido à decisão de barrar entrada de assessor de Trump.

Post sobre capivara reforça suspeita de interferência dos EUA no Brasil.
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