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_O presidente de Gana, John Dramani Mahama, durante o Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, no dia 25 de setembro de 2025. Foto: Reprodução/Timothy A. Clary/AFP_ _Por Fernanda Alcântara_ * _Da Página do MST_ Recentemente, uma votação do plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas levantou um debate importante com a resolução que, em termos de significado histórico, poucos documentos diplomáticos do século XXI conseguiram alcançar. Por 123 votos a favor, três contrários e 52 abstenções, o órgão máximo da ONU aprovou o texto apresentado por Gana, em nome da União Africana, que **eleva o tráfico transatlântico de africanos escravizados à condição de “o crime mais grave contra a humanidade” já cometido.** A votação ocorreu em sessão especial que marcou o **Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos.** O texto aprovado estabelece que os Estados-membros da ONU devem considerar a apresentação de pedidos formais de desculpas pelo tráfico de escravizados, contribuir para um fundo internacional de reparações, iniciar processos de devolução de bens culturais saqueados — artefatos, manuscritos, objetos de museus, arquivos nacionais — e garantir mecanismos de não repetição. Embora a resolução não tenha caráter juridicamente vinculante, ou seja, não “force automaticamente” nenhum Estado a pagar indenizações (o que seria de bom tom), ela consolida um consenso político global de peso. A votação foi, nas palavras do professor de direito da Universidade Howard, Justin Hansford, “o maior avanço da ONU no reconhecimento da escravidão transatlântica como um crime contra a humanidade e no pedido de reparações”, além de representar “a primeira votação no plenário da ONU” sobre o tema. O presidente de Gana, John Mahama, que apresentou a proposta, afirmou na ocasião que a resolução “serve como uma proteção contra o esquecimento e desafia as cicatrizes persistentes da escravidão”. Mas para entender por que essa resolução importa além do simbolismo, precisamos ser diretos no que significa, no direito e na política internacional, chamar algo de “**o crime mais grave contra a humanidade** “. O conceito de “crimes contra a humanidade” foi consolidado no pós-Segunda Guerra, com o Tribunal de Nuremberg e, depois, com o Estatuto de Roma que fundou o Tribunal Penal Internacional. Esses crimes se caracterizam por serem atos de extrema gravidade, como extermínio, escravização, deportação forçada, tortura, perseguição sistemática, cometidos como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra uma população civil. A resolução da ONU não apenas inclui o tráfico transatlântico nessa categoria: ela o eleva ao topo da hierarquia. Na prática, a resolução abre juridicamente o terreno para a discussão de reparações no âmbito do direito internacional, mesmo que os opositores insistam no contrário. Segundo, porque a resolução recupera e documenta os instrumentos legais que, ao longo de séculos, formalizaram o crime. A resolução foi aprovada com 123 votos, mas três países votaram explicitamente contra: os Estados Unidos, maior potência do sistema internacional, e até hoje o maior beneficiário político e econômico da ordem global construída sobre o trabalho escravizado; Israel votou contra acompanhando o alinhamento histórico com os Estados Unidos em votações da ONU; enquanto a Argentina de Javier Milei formalizou o alinhamento automático com Washington e Tel Aviv, sendo contrário a qualquer agenda redistributiva ou de reconhecimento de crimes coloniais. Mas o fenômeno mais significativo e politicamente mais grave não está nos três votos contrários, mas nas 52 abstenções, a maior parte das quais concentradas nos países europeus que foram as principais potências escravistas entre os séculos XV e XIX. Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Países Baixos e Bélgica se abstiveram. A União Europeia, em sua declaração durante a votação, afirmou que “não existe hierarquia legal entre crimes contra a humanidade”, alegando também que “normas internacionais atuais não podem ser aplicadas a períodos passados”. Em nenhum momento da sua declaração a União Europeia reconheceu a responsabilidade do continente sobre o tráfico e a escravização de africanos. Disseram que a escravidão foi uma “tragédia sem paralelos”, que “não deve ser esquecida”, reconheceram a existência de “disparidades”, mas recusaram qualquer vínculo entre essa “tragédia” abstrata e a responsabilidade concreta dos seus próprios Estados. Mas há um motivo concreto pelo qual as potências coloniais europeias se recusam a votar a favor de qualquer resolução que reconheça formalmente sua responsabilidade histórica: o medo das implicações financeiras. O historiador David Olusoga documentou que quando a Grã-Bretanha aboliu a escravidão em 1833, o governo britânico pagou uma compensação monumental — não aos escravizados, mas aos proprietários de escravos. Esse empréstimo foi pago pelos contribuintes britânicos até 2015. Em outras palavras, o povo britânico ainda estava até 2015, pagando a dívida de um empréstimo tomado para indenizar donos de escravizados. Por outro lado, jamais foi pago um centavo às vítimas. Outra dimensão que esta nova resolução traz, embora seja preciso muito mais para estudá-la, é a questão de gênero da escravidão, como a submissão de mulheres e meninas africanas à violência sexual sistemática, à reprodução forçada e a formas específicas de exploração que se estendiam para além do trabalho físico. Esta é uma herança de vulnerabilidade que até hoje se expressa nos dados sobre violência contra as mulheres negras, incluindo o Brasil, onde a taxa de feminicídio atinge proporções muito maiores entre mulheres negras do que entre mulheres brancas. ## A diáspora e a ferida que não fecha Entre os séculos XV e XIX, ao menos 12,5 milhões de africanos foram capturados, acorrentados e embarcados à força em navios negreiros com destino às Américas. Desse total, segundo o banco de dados Slave Voyages (a maior base de dados histórica sobre o tráfico transatlântico) aproximadamente 10,7 milhões sobreviveram à travessia do Atlântico. Mais de 2 milhões de pessoas morreram no trajeto, nas condições subumanas dos porões dos navios: desnutrição, doenças, violência, desidratação. Mortes que não constam em nenhum obituário, que não geraram nenhum processo jurídico. O Brasil é o país que mais recebeu africanos escravizados em toda a história do tráfico transatlântico. Foram aproximadamente 4,9 milhões de pessoas, ou seja, quase cinco vezes mais do que os 389 mil que desembarcaram nos Estados Unidos, por exemplo. **Fomos o principal destino, o maior mercado, a mais longa engrenagem desse sistema.** E fomos o último país do continente americano a abolir formalmente a escravidão, em 1888 — quase seis séculos depois do início do tráfico organizado pelos portugueses e apenas 138 anos atrás. Mas esses números, por maiores que sejam, não capturam a integralidade do que aconteceu. Não descrevem o que significa ter sua língua arrancada, seu nome substituído, sua religião criminalizada, sua família dispersada. Não explicam o que é construir a riqueza de um continente inteiro com seu corpo, sem receber terra, liberdade, cidadania em troca. **A escravidão foi um sistema de extração de trabalho, mas principalmente foi um sistema de destruição cultural e humana em escala industrial.** **Esse sistema terminou ou apenas mudou de nome?** Dados do PNAD Contínua do IBGE mostram que, no Brasil de 2025, a taxa de desemprego para pessoas pretas foi de 7,5% e para pardas de 7,0%, acima da média nacional. Trabalhos tidos como informais, ou seja, sem direitos formais, sem carteira assinada e sem previdência, atingiam 85,4% dos negros; apenas 50% das pessoas pretas concluíram o ensino médio. Em 2024, foram registrados 1.492 feminicídios no Brasil, com concentração desproporcional entre mulheres negras. Em 2023, 13,8% dos nascidos vivos eram de mães adolescentes negras, contra 7,9% de não negras. Esses dados são a expressão contemporânea de um crime que nunca foi julgado, de uma dívida que nunca foi paga e de uma estrutura social que foi construída sobre o trabalho não remunerado de milhões de pessoas. E a riqueza de muitas potências europeias e das elites americanas tem origem direta na exploração desse comércio humano. Estudos econométricos demonstram que a escravização de negros e negras no século XIX, explica cerca de 20% da desigualdade de renda observada hoje no Brasil. São cerca de 20% da desigualdade de um país inteiro, gerados por um crime que nunca foi reparado. Esta dimensão segue globalmente a diáspora africana. No Caribe, nas ex-colônias francesas e britânicas de maioria negra da América Central e do Sul, a estrutura econômica construída sobre a escravidão ainda dita as regras do subdesenvolvimento. A pobreza da diáspora é resultado direto de um sistema cujas consequências nunca foram endereçadas. ## Terra, reparação e a engrenagem do latifúndio Segundo a diretora executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, “a reparação oferece para países e sociedades a possibilidade de construção de uma outra humanidade, que seja capaz de enfrentar o racismo e produzir igualdade”. Ainda assim, quando se fala em reparação histórica no Brasil, o debate frequentemente se perde em abstrações como pedidos de desculpas formais, fundos simbólicos, marcos comemorativos, sem que a dimensão da reparação que toca diretamente na estrutura material da desigualdade brasileira seja pensada, principalmente quando falamos da terra. O Brasil possui a segunda maior concentração de terras do mundo, perdendo apenas para a África do Sul. Segundo o Censo Agropecuário de 2017 (mais recente disponível), cerca de apenas 1% dos proprietários de terra controlam quase 50% da área rural do país. Concentração que não surgiu do nada, nem tão pouco é produto do mercado livre. Ela tem nome, data de origem e destinatários históricos. A Lei de Terras de 1850 é o elo mais direto entre a escravidão e a concentração fundiária atual. Aprovada apenas dois anos após a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico transatlântico de africanos, a Lei de Terras era uma resposta calculada da elite proprietária brasileira ao cenário de transição. O efeito foi imediato e duradouro: congelou a estrutura fundiária herdada do período colonial, em que a Coroa havia concedido enormes porções de terra a nobres e protegidos, segundo relações de conveniência e poder. **Na prática, a Lei de Terras de 1850 garantiu que, quando a escravidão fosse formalmente abolida, os africanos e seus descendentes seriam libertos sem terra, sem capital, sem crédito e sem qualquer mecanismo de inserção econômica**. A liberdade foi concedida no papel, mas **a estrutura econômica que tornava essa liberdade real foi bloqueada por lei**. Neste sentido, o MST reconhece essa continuidade em sua própria história. A fundação do Movimento aconteceu poucas décadas antes da comemoração dos 100 anos da abolição formal, mas já mostrava que o bloqueio persistia. Embora mais da metade dos camponeses da agricultura familiar se declare preta ou parda (54,4%), 69,05% dos estabelecimentos de pretos ou pardos têm menos de 0,1 hectare, forçando-os a se submeter às redes de dominação econômica do latifúndio. Por isso, a partir do Coletivo Étnico-Racial do MST insistimos: **não é possível falar em reparação histórica no Brasil sem falar de Reforma Agrária.** Não levantar o tema da reparação sem pensar na estrutura fundiária e na democratização do acesso à terra resulta em um debate infértil. A Reforma Agrária é mais do que uma política econômica, é reparação histórica de distribuição de terra a quem foi privado dela por séculos de escravidão e por um sistema jurídico construído para perpetuar essa privação. Descendentes de escravizados demandam uma ação de reparação concreta, material e mensurável, com assentamentos, com demarcação de territórios quilombolas, com crédito rural para agricultores familiares negros, com infraestrutura nos territórios da Reforma Agrária. Se a resolução da ONU, por si só, não constrói um assentamento, a união de esforços pode legitimar e internacionalizar às demandas que os movimentos negros e os movimentos do campo no Brasil têm levantado há décadas. O MST, em suas formulações mais consistentes sobre a questão racial, tem articulado a luta pela terra com a luta antirracista, identificando no latifúndio o herdeiro direto do sistema escravocrata. A resolução da ONU dá a esse argumento um respaldo diplomático global que era até então inexistente nessa escala. O artigo 68 das Disposições Transitórias da Constituição de 1988 também é um importante instrumento ao garantir que “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”. Três décadas e meia depois, apenas uma fração dessas comunidades possui titulação regularizada. Além disso, o governo brasileiro tem a possibilidade de usar esse momento diplomático para avançar nos foros da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Comunidades Caribenhas (CARICOM) e da própria ONU, em direção a um regime internacional de reparações. O risco já é um velho conhecido: transformar um avanço político em retórica sem consequência. A resolução pode virar mais uma data no calendário, enquanto os quilombolas do Maranhão continuam sem título de terra, os trabalhadores negros continuam na informalidade e os conflitos agrários continuam vitimando, de forma desproporcional, as populações mais vulneráveis do campo brasileiro. A diferença entre simbologia e transformação está na disposição para tocar nos interesses concretos que sustentam a desigualdade. **A ONU nomeou o crime, e isso é importante, mas nomear o crime não paga a conta. Pagar a conta exige Reforma Agrária, titulação de territórios quilombolas, fundo de reparação econômica com recursos reais e vontade política para enfrentar as elites agrárias** que, desde 1850, garantem que a terra continue sendo o principal instrumento de manutenção da desigualdade racial e social no Brasil. A resolução de 25 de março de 2026 não é um ponto final. É uma convocação e a resposta a ela será dada não nas tribunas da ONU, mas nas ocupações de terra, na resistência das comunidades quilombolas, nos acampamentos e assentamentos do MST — onde o debate sobre quem tem direito à terra nunca parou de acontecer. _*Fernanda Alcântara é jornalista, mestre em Comunicação e faz parte do Coletivo Étnico-Racial Terra, Raça e Classe do MST_ _**Editado por Solange Engelmann_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

A ONU nomeou o crime. Quem vai pagar a conta?.
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Original post on ursal.zone

Neste Dia Internacional do Livro Infantil, confira 7 livros antirracistas para crianças e adultos.
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_Imagem: Divulgação_ _Por Marcelo Buzetto* Da Página do MST_ O dia 30 de março, na Palestina, é o Dia da Terra. Há exatos 50 anos, em 1976, o exército colonialista de Israel assassinou vários camponeses que protestavam contra o roubo de suas terras, a destruição das oliveiras e as ações ilegais do invasor sionista que, desde 1948, seguia avançando pelo território árabe que fica entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão. A luta pela terra, na Palestina, sempre esteve ligada intrinsecamente à luta anticolonialista e antiimperialista. Toda família Palestina sempre teve suas terras ameaçadas e/ou roubadas pelo colonialismo, seja turco-otomano, britânico ou israelense. São gerações lutando por direitos históricos e inalienáveis sempre destruídos por um poder político e militar estrangeiro. O Sionismo, colonialismo e imperialismo vem historicamente tomando as terras e transformando a Palestina em uma região de permanente conflito e inúmeras tensões, que afetam a Geopolítica da Ásia Ocidental. A luta pela terra, na Palestina, sempre teve um caráter anticolonialista e antiimperialista, pois os camponeses sempre foram parte fundamental da vanguarda política que construiu partidos, sindicatos e organizações político-militares para defender sua pátria do inimigo externo. Seja na Revolução de 1936/1939, ou na formação da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), entre 1964/1969, com a formação das organizações da esquerda marxista Palestina, Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP). Ou ainda nos anos 80/90, com o surgimento do Hamas e da Jihad Islâmica, os camponeses palestinos sempre foram parte da base social dos movimentos de resistência. _Foto: Maria Silva_ Resistir na terra, resistir na defesa da pátria e do território são condições fundamentais para garantir uma alimentação saudável para esse heroico povo. E na luta pela terra e pelo território também se fizeram presentes os pescadores palestinos, principalmente em Gaza, pois são os “camponeses do mar”. Lutar pela terra, na Palestina ou no Brasil, é lutar por justiça social e também pelo controle nacional sob nossas riquezas, sobre a natureza, é defender a soberania nacional contra empresas como Cargill ou Belo Sun, que querem tomar as terras dos povos originários. Neste dia da terra, marcado por mobilizações em todo o mundo, fortalecemos a solidariedade com o povo palestino e todas as organizações da Resistência. Palestina Livre, do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo! _*Professor, militante do MST, autor do livro “A Questão Palestina: guerra, política e relações internacionais” (Editora Expressão Popular)._ _**Editado por Solange Engelmann_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

O Dia da Terra e a luta contra o colonialismo na Palestina.
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_Por Luiz Marques* Da Página do MST_ Um ponto de não retorno em uma floresta é aquele em que sua resiliência é vencida pela combinação das pressões que se exercem sobre ela. No caso da Amazônia, essas pressões são a supressão, degradação e fragmentação do tecido florestal, os incêndios, a biodiversidade, o empobrecimento dos solos, as secas, as inundações, tudo isso agravado pelas mudanças climáticas. Uma vez vencida essa resiliência, a floresta transita rapidamente para a morte ou para outro estado de equilíbrio, muito adverso à sua permanência. A resposta à pergunta que dá título a este artigo é clara: não é possível evitar um ponto de não retorno na floresta amazônica, mantida a atual composição do Congresso Nacional. A batalha pela Amazônia entrou em sua fase mais decisiva. Por isso, é imperativo se preparar para as eleições de outubro, unidos em torno da palavra de ordem: defender a Amazônia. Pois a Amazônia é, antes de tudo, um valor intrínseco e um componente maior da biosfera. De sua permanência dependem, além disso, a sobrevivência da sociedade brasileira e, em grande medida, a conservação do que resta dos equilíbrios planetários. É preciso, portanto, mandar de volta para casa todos os deputados e senadores que votaram a favor do “PL da Devastação” (Lei nº 15.300/2025), elegendo um Congresso comprometido com a Amazônia. **1. O estado atual da Amazônia** Para bem avaliar a extensão do que está em jogo nestas eleições, recapitulemos alguns dados sobre a Pan-Amazônia, a Amazônia Legal e as florestas brasileiras do bioma Amazônia: **(1)** A Pan-Amazônia abrange 7,8 milhões de km2. Nela vivem 47 milhões de pessoas, 2,2 milhões de indivíduos autóctones, 400 grupos étnicos e a maior biodiversidade do planeta. A bacia amazônica recobre cerca de 5,8 milhões de km².[1] Em 2021, cerca de 17% das florestas da Pan-Amazônia já haviam sido suprimidos, e outros 17% haviam sido degradados.[2] Segundo David Lapola e colegas, entre 2001 e 2018, 360 mil km2 das florestas da Pan-Amazônia “encontram-se sob alguma forma de degradação”. Contudo, “a inclusão de dados sobre secas extremas aumenta a estimativa da área degradada para 2,5 milhões de km², ou 38% da área das florestas remanescentes”.[3] **(2)** A Amazônia Legal brasileira, com cerca de 5 milhões de km2, compreende o bioma Amazônia, mais 37% do Cerrado e mais 40% do Pantanal em território brasileiro.[4] A Figura 1 mostra os acumulados de desmatamento na Amazônia Legal até 2007, em milhares de km2. **Figura 1 – Acumulado das áreas desmatadas na Amazônia Legal até 1980, 1987, 1990, 2000 e 2007 em milhares de km 2, segundo dados do Prodes/Inpe. **Fonte: Presidência da República. Casa Civil. Plano Amazônia Sustentável (PAS): Diretrizes para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Brasileira. Ministério do Meio Ambiente, 2008, p. 95. **(3)** A Figura 2 mostra a área desmatada ano a ano na Amazônia Legal entre 1988 e 2025. **Figura 2 – <a href=”http://<https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/rates>.” type=”link” id=”Desmatamento da floresta primária na Amazônia Legal entre 1988 e 2025, em milhares de km2, com resolução mínima de 6,25 hectares e sem contabilizar perdas por incêndios. Os dados referem-se ao desmatamento entre 1º de agosto e 31 de julho de cada ano. **Fonte: TerraBrasilis, INPE, 2025 **(4)** No Brasil, o bioma Amazônia estende-se por uma área de quase 4,2 milhões de km².[5] Segundo Gilberto Câmara e colegas, “o desmatamento na Amazônia brasileira reduziu a cobertura florestal original de 402,7 milhões de hectares [4.027.000 km2] em 85,3 Mha [853 mil km2], de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais”.[6] **2. Lula e o empenho em frear o ecocídio** Como mostra a Figura 2, o desmatamento na Amazônia aumenta muito entre 1991 e 2004 e diminui em 83% entre 2004 e 2012. Com o novo Código florestal (2012), ele volta a crescer, acelerando-se a partir de 2019 na Pan-Amazônia e em especial no Brasil:[7] “ _O desmatamento intensificou-se substancialmente desde 2019 na bacia [amazônica], embora a taxas diferentes em cada país. A maior parte do desmatamento concentrou-se no Brasil, que perdeu cerca de 457.237 km² de florestas entre 1988 e 2020. Na Amazônia brasileira, o desmatamento anual entre 2019 e 2020 foi superior a 10.000 km², um nível não atingido desde uma década antes (2008)_ ”. Entre agosto de 2018 e julho de 2022, durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, a floresta primária amazônica brasileira perdeu 45.720 km2, uma área maior do que a do estado do Rio de Janeiro (43.750 km2)![8] A exemplo de seus dois primeiros mandatos, é grande mérito do terceiro mandato do presidente Lula ter reduzido o desmatamento amazônico a partir de 2023, freando o ecocídio perpetrado por Bolsonaro. De agosto de 2022 a julho de 2023, o desmatamento ainda atingiu 9.064 km2. Mas de agosto de 2023 a julho de 2024, ele caiu para 6.288 km2, e de agosto de 2024 a julho de 2025 diminuiu pela segunda vez, para 5.796 km². Uma enorme vitória! Mas ainda muito insuficiente, pois apenas nos últimos três anos – entre agosto de 2022 e julho de 2025 –, a Amazônia brasileira perdeu 21.121 km2, uma área quase equivalente à do estado de Sergipe (21.910 km2). Apenas entre agosto de 2024 e julho de 2025, a floresta amazônica brasileira perdeu mais 5.796 km², ou seja, quase quatro vezes a área total do município de São Paulo (1.521 km2)! É admissível perder um Sergipe de floresta amazônica a cada três anos e perder, a cada ano, uma área equivalente a quase quatro vezes o município de São Paulo? Como reportado acima, a área da cobertura florestal amazônica brasileira era, originalmente, de 4.027.000 km2. Dado que mais de 874 mil km2 (853 mil km2 + 21.121 km2) foram já suprimidos, então essa perda até julho de 2025 corresponde a 21,7% de sua área original. Isso posto, Luciana Gatti e colegas alertam que, até 2024, a porção nordeste da Amazônia a floresta já havia sido amputada em 38%, e a região sudeste, em 34%.[9] Essa parte leste da floresta já está cada vez mais difícil de recuperar, e essas perdas vulnerabilizam a floresta como um todo. **3. O agronegócio, vetor principal da destruição** Mais de 90% da destruição da floresta amazônica teve por objetivo a abertura de pastagens.[10] Nos seis anos dos governos Temer e Bolsonaro (2017-2022), essa abertura derrubou mais de 800 milhões de árvores, sendo que 17 mil km2 de florestas foram suprimidos perto de grandes frigoríficos atuantes na Amazônia:[11] _“Pesquisadores da consultoria AidEnvironment utilizaram imagens de satélite, registros de movimentação de gado e outros dados para calcular a perda florestal entre 2017 e 2022 em milhares de fazendas próximas a mais de 20 frigoríficos. Todas as unidades de processamento de carne pertenciam às três maiores exportadoras de carne bovina do Brasil: JBS, Marfrig e Minerva.”_ Além disso, 38% dos solos da América Latina estão degradados pelo desmatamento, por pastagens e por monoculturas, um processo agravado pela emergência climática.[12] No Brasil, os solos degradados perderam 1,4 bilhão de toneladas de carbono ou 5,13 bilhões de toneladas de CO2 (C = 3,67 CO2) em relação à capacidade de conservação do carbono orgânico nos 30 cm superficiais do solo sob a vegetação nativa.[13] **4. Novas ameaças sobre a Amazônia** Em janeiro de 2026, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vinculado ao Ministério da Justiça, suspendeu a moratória da soja na Amazônia, em vigor há 20 anos. Essa suspensão, muito comemorada pelo agronegócio, deixa vulneráveis ao desmatamento mais 130 mil km2 de floresta.[14] Se ocorrer (e alguém duvida disso?), o desmatamento amazônico superará, enfim, uma área de superior a um milhão de km2, ou mais de 25% da área original da nossa floresta. Além disso, em 2026 os deputados e senadores do agronegócio planejam acelerar sua _Blitzkrieg_ contra a Amazônia e demais biomas brasileiros. Vejamos apenas três de seus projetos:[15] **(1)** PL nº 4.554/2025, alterando a Lei de Crimes Ambientais de forma a proibir o embargo cautelar de áreas desmatadas ilegalmente. **(2)** PEC 48, que muda a Constituição para implantar o absurdo marco temporal. **(3)** PL 3.358/2025, que propõe desembargar propriedades com base apenas na inscrição no Cadastro Ambiental Rural. Seja qual for a distância que separa a floresta amazônica de seu ponto de não retorno, essa distância será muito diminuída ou anulada se permitirmos que esses projetos prevaleçam. A vitória indígena no Tapajós, em fevereiro, pode e tem de ser o estopim de uma grande mobilização da sociedade brasileira em defesa das condições de habitabilidade de nosso país. **Esse texto não reflete necessariamente a opinião da Unicamp.** * * * Notas: [1] Cf. Marielos Peña-Claros, Carlos Nobre (co-diretores) e mais 29 cientistas, eds., _The Amazon Assessment Report 2025. Connectivity of the Amazon for a Living Planet_. Science Panel for Amazon, 2025. [2] Cf. Carlos Nobre, Andrea Encalada _et al.,__Science Panel for the Amazon_(SPA 2021), p. vii. [3] Cf. David M. Lapola _et al_., “The drivers and impacts of Amazon forest degradation”. _Science_ , 27 jan. 2023. [4] Cf. Presidência da República. Casa Civil. _Plano_ _Amazônia Sustentável (PAS)._ Ministério do Meio Ambiente, 2008. [5] Cf. Marcos Pivetta, “Múltiplos sistemas monitoram por satélite o desmatamento na Amazônia”. _Revista Pesquisa Fapesp_ , 334, 4 dez. 2023. [6] Cf. Gilberto Câmara _et al_., “Desafios do cumprimento da NDC brasileira no bioma Amazônia”. _Revista_ _CEBRI_ (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), 1, 4, out-dez. 2022, baseado em dados do Incra, CAR/SFB, Funai, ICMBio e INPE. [7] Cf. SPA 2021, (cit.) p. 22. [8] Cf. Agosto de 2018 a julho de 2019 = 10.702,53 km2; agosto de 2019 a julho de 2020 = 10.354,19 km2; agosto de 2020 a julho de 2021 = 12.186,40 km2; agosto de 2021 a julho de 2022 = 12.477,52 km2. TerraBrasilis. Amazônia. [9] L. Gatti e colegas, “Como o desmatamento acelera as mudanças climáticas, aumenta os eventos extremos e provoca mortes, adoecimento e prejuízos no Brasil”. Nota técnica em apoio à Ação Direta de Inconstitucionalidade da Lei no 15.190, dezembro 2025 (inédito), a partir de um estudo em vias de publicação. [10] Cf. “Mais de 90% do desmatamento da Amazônia é para abertura de pastagem”. MapBiomas, 3 out. 2024. [11] Cf. Andrew Wasley _et al_., “Over 800 million trees felled to feed appetite for Brazilian beef”, _The Bureau of Investigative Journalism_ , _The Guardian_ , _Repórter Brasil_ , _The Forbidden Stories’ Bruno and Dom Project_ , 2 jun. 2023. [12] Cf. Raul Roberto Poppiel _et al_., “Soil health in Latin America and the Caribbean”. _Communications Earth & Environment_, 6, 141, 24 fev. 2025. [13] Cf. João Villela _et al_., “Soil carbon debt from land use change in Brazil”. _Nature Communications_ , 26 jan. 2026; Marcos Pivetta, “Avanço da agropecuária fez solos do Brasil liberarem 1,4 bilhão de toneladas de carbono”. _Revista Pesquisa Fapesp_ , março 2026. [14] Cf. Raoni Rajão _et al_., “Fim da Moratória da Soja coloca em risco 13 Mha na Amazônia”. UFMG, março 2026. [15] Cf. “Propostas legislativas do agro pioram desmonte socioambiental, trabalhista e civilizatório”. _ClimaInfo_ , 16 março 2026. _*_ Luiz Marques é professor aposentado e colaborador do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. _**Editado por Leonardo Correia_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Artigo | É ainda possível evitar um ponto de não retorno na Amazônia?.
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_Batalha de Cuito Cuanavale. Foto: Jeremy Harding/Reprodução_ _Por Judite Santos, Setor de Internacionalismo do MST Da Página do MST_ A Operação Carlota e Cuito Cuanavale articulam dois aspectos decisivos da guerra de independência angolana. A primeira simboliza a expressão de uma das mais longas travessias do internacionalismo cubano, que contribuiu de forma determinante para a derrota da ofensiva contrarrevolucionária e, consequentemente, para a vitória de Angola a partir de 1975; a segunda constituiu o ponto de inflexão que redefiniu a geopolítica da África Austral. Em meio a uma guerra civil de grandes proporções, desencadeada no processo de luta anticolonial contra o decadente regime português, confrontaram-se em solo angolano as potências da Guerra Fria: de um lado, as forças revolucionárias do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), apoiadas por Cuba e pela União Soviética e, de outro, as forças contra-revolucionárias da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), sustentadas pela ingerência sul-africana nos conflitos regionais através das políticas de desestabilização financiadas pelos Estados Unidos, na dinâmica da Guerra Fria. Nesse contexto, a participação de Cuba no conflito angolano revelou-se decisiva. Tropas cubanas, muitas compostas por negros descendentes de africanos escravizados, lutaram ao lado das FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola), desempenhando papel central desde o início da guerra, passando por sucessivos combates, ora encarando derrotas, ora impondo vitórias, até os desdobramentos que culminaram na batalha final em Cuito Cuanavale. Ao conter o avanço inimigo para impedir o cerco à capital Luanda e enfrentar as forças regulares sul-africanas e contingentes mercenários, a solidariedade cubana não apenas contribuiu para assegurar a soberania angolana, como também alterou de maneira definitiva o equilíbrio de forças políticas e militares na região. ## A Batalha de Cuito Cuanavale No encontro dos rios Cuito e Cuanavale, a guerra irrompeu rasgando o silêncio da savana na província de Cuando Cubango, sudeste de Angola. Foi ali o palco de uma das mais decisivas batalhas da história africana contemporânea. Cuito Cuanavale tornou-se o epicentro de um confronto militar de grandes proporções, frequentemente descrito como um evento geopolítico de impacto duradouro e apontado por historiadores como um ponto de inflexão estratégico na redefinição do mapa político da região, sendo também apelidado de “Stalingrado Negro”. Considerada uma das mais transcendentais batalhas após a Segunda Guerra Mundial, Cuito Cuanavale foi determinante para o desfecho e consolidação dos processos independentistas na África Austral e contribuiu definitivamente para o colapso do regime de apartheid na África do Sul. Entre novembro de 1987 e março de 1988, uma intensa ofensiva militar deslocou o eixo da guerra angolana para o sul do país, aproximando-se da fronteira com a Namíbia, sob ocupação ilegal do exército sul-africano. Cuito Cuanavale encontrava-se sitiada pelas forças da UNITA e da SADF (Força de Defesa Sul-Africana), apoiadas pelos Estados Unidos em plena Guerra Fria. Em resposta, Cuba, em coordenação com o MPLA, organizou uma contraofensiva permanente para assegurar a definitiva vitória que levaria à independência total e completa de Angola. ## Ofensiva e estratégia militar: impactos históricos e geopolíticos Cuba, assim como nos dias atuais, convivia sob permanente ameaça de invasão por parte dos Estados Unidos. Ainda assim, a Revolução cubana não hesitou e, em um esforço de grande envergadura logística e militar, promoveu o envio massivo de tropas e equipamentos cruzando o Atlântico com parte da sua própria defesa nacional para prestar solidariedade à luta angolana. Um amplo contingente de unidades e meios de combate desembarcou em Angola, ocupando diferentes posições estratégicas para a realização da contraofensiva militar. As tropas foram posicionadas tanto no sudoeste, em direção à Namíbia, quanto para o leste, reforçando diretamente a defesa de Cuito Cuanavale. A unidade entre as FAPLA e as forças cubanas constituiu-se numa resistência capaz de enfrentar as forças sul-africanas, conforme define Fidel Castro: > _Um rio de unidades e meios de combate cruzou rapidamente o Atlântico e desembarcou na costa Sul de Angola para atacar pelo Sudoeste em direção à Namíbia, enquanto a 800 quilômetros pelo Leste, unidades especiais avançaram para Cuito Cuanavale e ali, em união com as tropas angolanas que recuavam, prepararam uma armadilha mortal às poderosas forças sul-africanas que avançavam em direção àquela base aérea. Nessa ocasião reuniram-se 55 mil soldados cubanos em Angola”_ > > (FIDEL CASTRO, 2005) A estratégia cubana baseou-se no emprego de meios antiaéreos, blindados, artilharia pesada e forças especiais, com o objetivo de conter o avanço inimigo e reverter a correlação de forças. Fidel Castro coordenou diretamente a ofensiva final a partir do comando em Havana, evidenciando, assim, o elevado grau de envolvimento político e militar da Revolução Cubana com o processo angolano. À medida que os combates se intensificavam, forças adicionais cubanas e angolanas avançavam rumo ao sul, pressionando as linhas inimigas e ampliando as condições para uma vitória estratégica. As sucessivas derrotas impostas às forças contrarrevolucionárias conduziram à abertura de negociações que resultaram no acordo tripartite entre Angola, Cuba e África do Sul. Os Estados Unidos tentaram de todas as maneiras excluir Cuba do processo de negociação, mas sua participação mostrou-se indispensável para a construção de uma solução final. Sem a presença de Cuba não haveria acordo de paz. As negociações realizadas ao longo de 1988 resultaram na pactuação para a retirada de todas as tropas estrangeiras dos territórios angolano e namíbio, incluindo as forças cubanas. Esse entendimento foi formalizado por meio do Protocolo de Brazzaville e do Acordo de Nova York, firmado em dezembro de 1988, estabelecendo-se, assim, um cronograma para a retirada das tropas com supervisão internacional do processo de paz, o que significou uma derrota político-militar importante ao regime racista de Pretória. O impacto da Batalha de Cuito Cuanavale ultrapassou o campo militar e contribuiu diretamente para a reconfiguração geopolítica da região com base em três processos simultâneos: a independência da Namíbia, o colapso decisivo do apartheid sul-africano e a consolidação da soberania angolana. ## O legado da solidariedade internacional cubana A mobilização de centenas de milhares de soldados que deixaram Cuba para lutar em solo angolano constituiu um marco histórico e simbólico de solidariedade, pois não só garantiu a vitória sobre Cuito Cuanavale, como consolidou uma das expressões mais emblemáticas do internacionalismo do século XX, sendo até os dias atuais a mais significativa missão internacionalista do povo cubano, na qual quase meio milhão de cubanos, entre militares e civis engajados em atividades técnicas e de saúde, participaram da gesta angolana que se estendeu por mais de uma década e meia, através da Operação Carlota entre 1975 e 1991. O legado da Revolução Cubana foi reconhecido por importantes lideranças africanas como Sam Nujoma e Nelson Mandela, que destacaram a solidariedade cubana como elemento fundamental para os processos de libertação no continente africano. > _A sua presença e os reforços enviados para a Batalha de Cuito Cuanavale têm uma importância verdadeiramente histórica. A derrota esmagadora do exército racista em Cuito Cuanavale foi uma vitória para toda a África! Essa derrota decisiva do exército racista em Cuito Cuanavale deu a Angola a oportunidade de desfrutar da paz e consolidar a sua soberania!”_ > > (MANDELA, 1991) Neste 23 de março, ao celebrar os 38 anos da Batalha de Cuito Cuanavale, devemos fazer memória ao legado dos combatentes heróicos, cubanos e angolanos, que elevaram a Batalha de Cuito Cuanavale à condição de marco histórico incontornável, simbolizando a convergência entre as lutas anticoloniais de libertação africana e a solidariedade internacional cubana. Hoje, Cuito Cuanavale permanece como memória viva, emblema de resiliência e altruísmo de um processo que redefiniu o curso da África Austral e imprimiu marcas duradouras nas relações entre Cuba e o continente africano. Cuba, a pequena grande ilha caribenha, que historicamente se fez presente ao levar sua solidariedade às guerras de libertação dos povos do mundo, hoje, mais do que nunca, necessita da solidariedade internacional para enfrentar o severo bloqueio econômico imposto pelo imperialismo estadunidense. Quando atravessou mares e oceanos — seja nas lutas anticoloniais, seja por meio de suas brigadas médicas no enfrentamento da pandemia da Covid-19 —, jamais o fez movida pela expectativa de retorno, ou seja, esperando benefícios em troca, mas sim por um princípio ético. Como afirmou Fidel Castro, no encerramento do Primeiro Congresso do Partido Comunista: > _Estão acostumados a pensar que quando um país faz algo é porque está procurando petróleo, ou cobre, ou diamante, ou algum recurso natural. Não! Não perseguimos nenhum interesse material, e é lógico que os imperialistas não o entendam. Estamos a cumprir um dever internacionalista elementar quando ajudamos o povo angolano!”_ > > (FIDEL CASTRO, 1975) Fiel à ética revolucionária, a pequena grande ilha que desafiou o império mais poderoso do mundo, dentro e fora de seu território, persiste na resistência cotidiana, reafirmando, diante das agressões imperialistas, que é precisamente sua resiliência que sustenta a dignidade e a altivez de seu povo. **_Editado por Fernanda Alcântara_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Cuito Cuanavale: o ponto de inflexão e libertação da África Austral.
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