Advertisement · 728 × 90
#
Hashtag
#Crnica
Advertisement · 728 × 90
Preview
Quando a chuva parou a fábrica - A Verdade Em todo o Brasil operários e operárias compartilham entre si experiências sobre o dia a dia nas fábricas, são as histórias da vida operária que quando

Quando a chuva parou a fábrica.
- bsavdd
averdade.org.br/2026/03/quando-a-chuva-p...
#Cultura #Chuva #ClasseTrabalhadora #Crnica #Crnicaoperria #Fabrica #Instagram #Produo #Txtil #Vidaoperria

0 0 0 0
Uma das minhas memórias mais nítidas da minha avó não é uma imagem, e sim um ritual. Lembro dela atravessando o quintal devagar, banhada pela luz que entrava pelas frestas do portão enferrujado, cantarolando e conversando com as plantas como quem atualiza uma amiga íntima. O espaço não era grande, mas na minha cabeça de criança, parecia uma floresta particular. Sempre que precisava afastar um galho ou colher uma flor, ela pedia: “Licença, minhas queridas”. O pedido se repetia nos dias de poda, quando a tesoura e o inseticida entravam em cena. Nada ali era feito sem aviso, nem sem afeto. Crescer naquela casa despertou um lado místico em mim. Entre histórias, superstições e santos, aprendi cedo uma verdade: as plantas sentem. Os anos passaram. Minha avó já não caminha pelo quintal, mas o hábito de ter plantas por perto floresceu em mim, talvez como uma tentativa de mantê-la. Hoje, idealizo um apartamento cheio de verde, mas, na vida real, me adapto ao que é possível: espadas-de-são-jorge, cactos, jiboias. Plantas resistentes, que talvez estejam preparadas para lidar com o temperamento do seu dono. Por um tempo, tudo prosperou. Até que notei algo: minhas plantas pareciam sentir comigo. A comprovação veio com a morte do meu cacto mais antigo: Spike, o primeiro de seu nome, que não resistiu após um período de ansiedade. Antes dele, outras suculentas também se foram, apesar de todos os cuidados descritos nos manuais. Faltava algo que nenhum manual ensina: equilíbrio. Elas sobreviveram a possíveis afogamentos, mas não às minhas fases de desordem interna. Reparei que, nos dias de alegria, as folhas pareciam mais vivas. Não que as plantas exijam uma felicidade constante — muitas vezes, foram elas que me fizeram levantar da cama em dias de desânimo. Mas percebi que as mortes aconteciam quando eu me perdia em mim mesmo. O aviso vinha em tom de tragédia, quase teatral, quase shakespeariano. Nunca fui muito fã de Shakespeare, mas minhas plantas parecem gostar de uma boa tragédia. Talvez devesse apresentá-las a Homero, para variar o repertório. Cuidar de plantas é um exercício de autocuidado disfarçado. A vida adulta se parece com ter raízes na terra: receber nutrientes não basta. É preciso movimento, tempo e, acima de tudo, luz. Girassóis sabem disso. Nós esquecemos. Assumo a culpa pela partida de muitas que, como Spike, tentaram me lembrar de que a vida precisa de equilíbrio. Que viver exige claridade, mesmo para quem prefere a sombra. Pequenas vitórias — um bom diálogo, um banho demorado, o silêncio — funcionam como adubo. É assim que a gente germina de novo. Não concluo nada, porque crônicas raramente se concluem. Elas deixam sementes. Talvez minha avó já soubesse, quando pedia licença às plantas, que aquele gesto nunca foi só sobre folhas. Era, desde o princípio, um jeito de pedir licença para cuidar de si — e dos outros.

Spike, o cacto: o primeiro de seu nome.
- bsapub
apublica.org/2026/03/spike-o-cacto-o-...
#Portugus #Comportamento #Crnica #Cultura

0 0 0 0
Preview
Crônica de uma Selic no cume da montanha | Outras Palavras A taxa de juros foi subindo até alcançar a estratosfera. Lá em cima, a inflação pode até parecer menor. Mas o investimento e projetos foram ficando pelo caminho: o ar é rarefeito até para alpinistas experientes. A economia deixou de subir: tenta apenas respirar...

Crônica de uma Selic no cume da montanha.
- bsoplvr
outraspalavras.net/crise-brasileira/cronica...
#CriseBrasileira #Crnica #Desenvolvimentonacional #InvestimentosnoBrasil #SELIC #Taxadejuros

0 0 0 0
Certo dia eu estava na cama curtindo uma travessura casual, dessas diversões que nos fazem não pensar na própria vida. Era tarde de domingo e já varava a hora após dois jogos pegados, em que o delírio da torcida só foi ouvido no jogo de volta. Orgulho e vontade se retroalimentam pedindo prorrogação e casa cheia para aproveitar o momento. Ela curtia a preguiça da taça levantada, de olhos fechados, quando deslizei carinhos por sua lateral e a conchinha epilética a envolveu com a perna cabeluda, seguida daquele lento cheiro no pescoço, linguagem universal intraduzível: “De novo, de novo”. Ela riu: “Tu não mandou um Teletubbie agora, não, né?”, questionou admirada, gargalhando, ao encarar minha cara de Gato de Botas rebatendo: “Pô”. “Menino, tu é ariano, né?”, ponderou. Sou. E raiz. Daqueles seres injustiçados, pouco compreendidos, que enfrentam as consequências de não contratar um bom profissional de Relações Públicas coletivo. Minha arianice se mostrou desde muito cedo. Minha avó que o diga. Sou de uma família não tão grande, mas cheia de cromossomos XY. Apenas uma prima reinava soberana entre jovens catarrentos num offline século 20. Lembro de um almoço em que, já mais velhinha, nossa matriarca, rainha dos dois pesos e medidas, ralhava, grosseira, com minha prima, ajustando sua postura “moleca”, como ela descrevia, e a mandava ajudar com os pratos na cozinha. Na mesma cena, a quem quisesse ouvir, aconselhava os netos a levar amiguinhas para “debaixo do cajueiro”. “Foi assim que fizeram com a senhora, né, vó?”, disparei, propositalmente alto, para engasgos generalizados. Vovó cerrou os lábios, fechou as mãos, inclinou pra frente, vermelha, e, antes de explodir numa reprimenda histórica, olhou em volta, e gargalhou. “Foi”, admitiu. Gritaria. Virou chacota. Minha avó, a safada. Anedota familiar da velha que se um dia foi Virgem nem se lembrava mais. Minha mãe me bateu naquele dia “para aprender a respeitar os mais velhos”. O cinturão me encontrou impassível, diante de uma alma lavada. Desde cedo, percebi que não faria parte do meu repertório silenciar perante injustiças. Carneirinho, mas de chifres. A gente vai crescendo e se reconhecendo. Deixei de negar ser competitivo na adolescência. Certa vez, fiquei três dias sem beber água e só comendo bolacha apenas porque alguém, que já nem lembro o nome, lançou o desafio do torpedo. Mais que espinhas, garotos só têm mesmo é apreço por escatologia – e o concurso era pelo reinado do maior cagalhaço da vizinhança, cientificamente documentado. Fiz nascer uma obra de arte. Exuberante, afilado e aerodinâmico, como nunca antes – nem depois. Rendeu uma ida ao hospital que sequer valeu a pena, após a traumatizante e arbitrária desclassificação: com a baixa resolução das câmeras dos celulares da época, suspeitaram que o registro era enganoso, que seria um gato desfocado. Perdi o título, mas não o orgulho. Garfado, porém ainda mais capaz de impressionar. Aliás, essa é a questão mais recorrente de terapia na juventude. Arianos, como os demais humanos menos distintos, querem reconhecimento, ainda que enfrentando o mundo sem ligar para a opinião alheia. A missão de vida é mesmo brilhar. Estão aí para provar, de Lady Gaga a Tarantino, de Pedro Pascal a Anitta. São heróis nacionais, de Ayrton Senna a Paolla Oliveira! E nem me venha falar de Hitler, que ele era de Touro, eu pesquisei. Envelhecer é também se dominar e seguir rejeitando rótulos limitantes. É aprender a temperar sapos para engoli-los sem destruir o jantar de todo mundo. É segurar a onda, subverter a expectativa do impulsivo, do agressivo, e naturalizar a lógica de fazer por si mesmo. É correr na frente e abrir a porta pros que vêm depois (e a maioria só vem depois). Eu tenho meu alter ego carneirinho. Diálogo com ele em tom paternalista, quase condescendente, a cada resposta não dita, a cada murro não dado, a cada dose de paciência em esperar e ainda assim exibir um sorriso simpático. “Quem é o bom menino? Ê, muito bem, coisa linda”, digo, com tapinhas nas minhas próprias costas, como quem adestra um cão selvagem – que, bem sabemos, até pode morder, mas são os melhores amigos. Eu o chamo carinhosamente de buzinho, diminutivo de Belzebu. Hoje em dia, já velho, entendo claramente que qualquer um pode vestir a carapuça do satanáries na mesma medida que a do arianjo. Bom, sei que você estava curioso, mas naquele domingo, teve prorrogação. A bem da verdade, amistoso. É que parece que numa mistura de sadismo e vingança, a máquina humana foi desenhada para aprender a dar show quando o físico já não acompanha nem o orgulho, nem a vontade. Erro de engenharia. Bendito mesmo era Benjamin Button. Ariano gosta de palco, de vibração, torcida fazendo a _ola_ , placar elástico, mesmo quando ninguém contabiliza. Frustração nenhuma poderia ser maior que o universo disparando que, depois de um tempo, carneiro velho só serve mesmo pra casaco. Que culpa tenho eu de ser tão safado quanto vovó? E nem adianta brigar com a gerência. O Criador, claro, só pode ser de escorpião.

Favor só ler se for ariano.
- bsapub
apublica.org/2026/03/favor-so-ler-se-...
#Portugus #Comportamento #Crnica #Cultura

0 0 0 0
Dia desses, eu estava varrendo a casa e achei um escorpião galego enorme! Lukas ficou encantado, se acocorou pra olhar, maravilhado com aquele corpo inusitado, um misto de doideira de aranha, caranguejo e perigo. O encantamento meio inocente de Lukas mudou a minha perspectiva sobre o que geralmente significa encontrar um escorpião em casa (ou em qualquer canto). Fui do medo à piedade: o escorpião não tem culpa de ser escorpião, nem de carregar consigo um veneno letal. Depois, fui da piedade à filosofia: talvez o escorpião sequer saiba que é um escorpião, sequer saiba que seu corpo carrega um veneno letal. É como se ele, escondido numa fresta da porta, fosse a minha barata, e eu fosse uma GH que se mudou pro Ceará. Fui da filosofia à doidice completa: será que existe algo no corpo humano (ou seja, no meu corpo) que seja veneno letal para algum ser no universo? * De toda forma, o encontro com o escorpião foi trágico (sobretudo pra ele kkk), mas também muito rico em significado. No primeiro momento, o que pertence ao instinto, senti apenas a urgência de matá-lo, no melhor (ou pior) estilo “ou eu, ou ele”. Depois, quanto mais olhava pra ele, mais fui imaginando quem ele poderia ser, sua história única de vida, sua personalidade, que bichinhos ele teria comido na noite anterior, como tomou a decisão de se esconder naquela fresta, se ele já tinha matado um gato, uma criança, uma pessoa, se já era casado, se tinha filhos, quais eram os planos dele ou dela pra aquele dia, para seu futuro. Não sendo daqui e sem saber o que fazer, pedi pra Lukas ligar pro caseiro, o maravilhoso Seu Zé Maia, que, antes de ser caseiro, é pescador e filósofo. Ele respondeu prontamente: “Infelizmente, precisa matar, porque ele é venenoso”. O “infelizmente” me pegou e olhei pra Lukas, que estava com aquela cara de enterro, triste pelo pobre aracnídeo. Queríamos arrumar um jeito de salvar o bicho, mesmo tendo recebido a orientação de matá-lo, de alguém que não somente era nativo, mas também muito sábio. E aí vieram mais alguns minutos de elucubração: e se a gente varrer o animal pra longe? Não, cairia no terreno do vizinho. E se a gente simplesmente ignorar a presença do escorpião e deixar ele aí? Não, a gente podia esquecer que ele estava em casa e assustá-lo sem querer e levar uma picada – além disso, tem Chulé, o gato, para quem a picada seria mais dolorosa e letal. E se a gente botar o bicho num pote e soltar num terreno baldio? Lukas adorou a ideia – vale ressaltar que dois dias antes, ele tinha se recusado a matar uma barata do tamanho de um navio, porque ela estava lá na dela, tão grande e tranquila, dando seu rolê no jardim. Assim fizemos: pegamos um copo e um prato e, a partir daí, tudo aconteceu muito rápido. O objetivo inicial de Lukas era “orientar” o escorpião a entrar no prato e, depois, colocar o copo em cima. Quando tentou fazer isso, o bicho se encaralhou e, sabiamente, se escondeu debaixo das bordas do prato (que era fundo) e ficou andando em círculos em volta do prato, numa rapidez admirável, pra confundir seus predadores (a gente). Quando Lukas foi pegar no prato, o escorpião tentou picá-lo; não sei como não conseguiu, e foi aí, numa fração de segundo, que Lukas acabou matando o pobre. Foi horrível, ficamos arrasados, porque aquele foi um embate claramente desproporcional: dois humanos enormes, armados de chinelo e pau, contra um bicho que não pesa nem 10 gramas, não chega nem a 10 centímetros. * Aqui entra em cena uma coisa que qualquer humano é ótimo em fazer: inventar histórias pra justificar coisas na gente que a gente não gosta, ou que a gente fez e desaprova. Pra isso, perguntei ao Google se o escorpião amarelo era perigoso e, pra minha surpresa, ele é, e muito. Existem mais de 200 espécies de escorpião no Brasil, mas apenas quatro são perigosas, incluindo o “escorpião amarelo do nordeste”, que provavelmente era o que tinha lá em casa. Seu veneno é neurotóxico; causa dor intensa imediata e pode levar à morte por complicações cardíacas e respiratórias. É uma espécie urbana que se reproduz rapidamente, porque a fêmea não precisa de macho pra se reproduzir (essa parte eu amei!). Só em 2025, mais de 200 pessoas morreram no Brasil em decorrência da picada de escorpião! * Um dia antes do escorpião aparecer, tive uma conversa muito bonita com Seu Zé Maia, sobre a barata que Lukas não quis matar. Entre as muitas coisas bonitas que ele disse, uma me marcou bastante: “Adelaide, tudo o que vive quer viver”. * Difícil sair desse impasse moral. Só agora, semanas depois e escrevendo essas linhas, acho que consigo chegar numa pista que talvez me ajude a sair da sinuca de bico: o verbo “precisa” na frase “infelizmente precisa matar”. Numa outra, das muitas conversas que tivemos, enquanto ele abria com maestria e uma faquinha cega uns cocos que ele mesmo plantou e colheu, Seu Zé Maia filosofou sobre a precisão: sobre como é ela quem determina as escolhas das pessoas, sobretudo dos mais pobres, muitas vezes colocando-os em situações também moralmente desafiadoras, que os fazem tomar decisões questionáveis, mas que os ajudam a sair de um perrengue imediato. Seu Zé Maia concluiu dizendo que nem ele nem ninguém pode julgar decisões tomadas com base na precisão – é ela quem determina a escolha de quem não tem o que perder. Talvez esteja aí o X da questão: a precisão de matar o escorpião, já que ali era uma aposta entre viver e morrer (ou, pelo menos, sofrer muito ou nada). Vovó foi picada por um que estava escondido dentro do sapato dela e diz que foi a maior dor que ela sentiu na vida (e olhe que ela teve 16 filhos de parto normal!). * “Precisar” matar o escorpião me colocou diretamente em confronto mental com as histórias que as mulheres agricultoras de um vilarejo no sertão do Moxotó me contaram meses antes. Para elas, “cobra é cobra” e elas não têm muita cerimônia em assumir que o resultado do encontro com uma cobra é quase sempre a morte da bicha. Duas histórias em particular me chamaram a atenção: um dia, Dona Neusa foi trabalhar no mato, na coleta de caju. Levou a filha pequena, que ela não tinha com quem deixar, e deixou a menina brincando no chão. Certa hora, ela viu uma língua de cobra saindo por entre as folhas caídas ao redor da árvore, bem pertinho de onde a filhinha dela estava. Dona Neusa não teve dúvida: arrancou um galho de caju e deu na cobra até ter certeza de que a tinha matado. Quando retirou as folhas de cima, se deu conta, com certa tristeza, mas sem nenhum remorso, de que a cobra em questão era uma espetacular salamanta arco-íris da caatinga, uma cobra rara, em risco de extinção, que não tem peçonha e não representa nenhum perigo para humanos – além de ser belíssima, por ser iridescente, como o nome já indica. Em outro momento, Milena contou outra história espetacular: depois de amamentar seu filho recém-nascido, ela colocou um colchão no chão, na frente da casa, porque era uma noite de muito calor, e foram dormir. Ela acordou com uma cobra preta se aninhando perto dela e do bebê, confirmando, na visão dela, a lenda rural de que cobras pretas colocam a ponta do rabo (cobras têm rabo? Enfim, botam a pontinha do corpo) na boca do bebê, enquanto bebem o leite materno. No susto e no escuro, Milena gritou e seu marido matou o animal, pra só depois descobrirem que se tratava de uma cobra preta – um bicho de estonteante beleza e que, além de não ser perigosa para humanos, ainda por cima se alimenta de cobras venenosas, como a cascavel, ajudando no seu controle. * Ouvindo as histórias das mulheres, fiquei triste pelas cobras, mas a verdade é que, no ponto de politização em que me encontro, não posso mais cometer o erro de achar que sei melhor como viver num território, do que as pessoas que vivem nele. Assim, como forasteira citadina, que nunca tive que catar caju pra viver ou levar filhos nas costas pra trabalhar, eu tenho mais é ouvir e aprender, não ouvir e julgar. Não posso me dar ao luxo da decepção moralista, pois preciso simplesmente aceitar que não tenho nada a ver com isso. E tem mais: nesses dois exemplos, ainda que não se possa falar de “precisão” ao matar uma cobra, dá pra falar muito bem do instinto de sobrevivência e da reação impulsiva de proteger a cria contra qualquer ameaça, que é completamente compreensível. * No entanto, é impossível falar o mesmo sobre maus tratos e torturas intencionais, atos que nada têm a ver com a precisão sobre a qual Seu Zé Maia filosofou. Por isso, fazer justiça por Orelha, sobretudo tendo em vista as patacoadas do judiciário de Santa Catarina, não é fazer justiça só a um ser vivo em particular – a responsabilização precisa ocorrer como um marco civilizatório no nosso país.

Tudo que é vivo quer viver.
- bsapub
apublica.org/2026/03/tudo-que-e-vivo-...
#Portugus #Comportamento #Crnica #Violncia

0 0 0 0