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## EP 54 Um mundo sem petróleo: dá pra ser agora ou na volta a gente compra? 2 de abril de 2026 · Podcast traz atualizações sobre pautas essenciais que a guerra relegou ao esquecimento __ __ 0:00 -:-- __15 __15 ______ ____ Veja mais episódios desta série No episódio desta semana, o **_Bom dia, fim do mundo_** faz um exercício de imaginação: como seria se decidíssemos realmente abandonar os combustíveis fósseis a partir de agora? Quais medidas e investimentos seriam necessários? Giovana Girardi, Marina Amaral e Ricardo Terto debatem as possibilidades e necessidades para uma transição energética total no Brasil nos próximos quinze anos. A notícia é boa, mas demanda investimentos e mudança de rota urgentes, e não se pode deixar de levar em conta os impactos que as novas formas de produzir energia têm na vida das pessoas e na economia do país. Além disso, o programa comenta também sobre um novo vilão no consumo de energia: os datacenters, verdadeiros monstros devoradores de recursos naturais. > **E mais:** > > * Na Trombeta da semana, dois extremos da produção textual contemporânea: a avalanche de textos genéricos escritos por IA, e a já célebre redação feita por um vestibulando que ultrapassou todos os limites da grandiloquência. Ouça agora. >

Um mundo sem petróleo: dá pra ser agora ou na volta a gente compra?.
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#Portugus #Energia #Meioambiente #Petrleo #Poltica

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Irã considera 15 pontos de Trump “fora da realidade, desproporcionais e excessivos”.
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#Capa #15PONTOS #IR #Petrleo #Trump

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Um mês da agressão ao Irã: EUA e Israel estão nas cordas, avalia Ben Norton.
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#Capa #Agresso #Dlar #EUA #Ir #Israel #Petrleo

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A guerra no Irã, que chega em sua quinta semana nesta segunda-feira, 30 de março, tem protagonizado uma parte relevante dos debates nas redes sociais. É o que mostra um monitoramento realizado pelo Instituto Democracia em Xeque, na última semana, entre 19 e 25 de março. A alta do preço dos combustíveis foi a maior preocupação identificada nas redes sociais brasileiras considerando a crise do petróleo. Entre as postagens observadas sobre o tema, 63% focavam nos valores nas bombas dos postos de gasolina. As publicações espelham a crise no mercado internacional causada pela alta do barril de petróleo diante da guerra no Irã iniciada pelo governo norte-americano de Donald Trump. Na abertura do mercado asiático, neste domingo, 29, o petróleo brent, referência no comércio global, apresentava o maior preço desde julho de 2022, acima de 115 dólares o barril. Mesmo com a paralisação dos ataques às usinas do Irã até 10 de abril, anunciada por Trump, o mercado segue instável. Isso acontece porque o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção de petróleo do mundo, segue fechado pelo Irã. Nos últimos dias da análise, houve uma desaceleração na produção de conteúdo sobre o tema e no engajamento, mas de acordo com o relatório, “ainda mantendo níveis relevantes de circulação”. “O tema permanece latente especialmente por estar extremamente relacionado com o custo de vida no Brasil, tema sensível nas redes”, afirma Luana Homma, pesquisadora do Instituto Democracia em Xeque e doutora em Ciências Humanas e Sociais pela UFABC. Outro efeito da crise dos combustíveis gerada pela guerra é o crescimento da desinformação nas redes sobre o tema. Segundo o monitoramento, postagens com informações falsas foram identificadas, mesmo sem muita expressão, e focadas em distorções de declarações e de informações. “Há uma estratégia recorrente de descontextualização de falas políticas para gerar indignação e reforçar narrativas negativas sobre o governo, especialmente em temas sensíveis como o custo de vida”, explica a diretora de Projetos do Instituto Democracia em Xeque e professora de gestão pública da FipeEES, Ana Julia Bernardi. Uma postagem com pelo menos 6,5 mil curtidas foi publicada por um perfil com mais de 85 mil seguidores e afirmava que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria declarado que o brasileiro precisa “tirar a bunda da cadeira” e andar a pé, e que o brasileiro estaria “mal-acostumado” por querer ir de carro até a padaria. A fala do presidente, conforme desmentido por agências de checagem, foi tirada do contexto. Ela ocorreu durante a inauguração do setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, na cidade do Rio de Janeiro, e se referiu a questões de saúde, tais como a prevenção da obesidade e a importância da prática de atividades físicas. Outra informação falsa que circulou nas redes sociais discorria sobre navios com diesel destinados ao Brasil que teriam sido desviados para abastecer outros países em função dos altos preços do combustível no mercado internacional, segundo uma declaração da presidente da Petrobras (Magda Chambriard). A conclusão da postagem é que ocorreria um desabastecimento do país em função desses desvios. O relatório do Democracia em Xeque explica, entretanto, que apesar de o redirecionamento dos navios ter sido corretamente citado, ele não é considerado irregular pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O levantamento do Instituto ainda aponta quais são os principais atores do debate, que neste caso “foi impulsionado por uma combinação de veículos de imprensa, perfis institucionais e influenciadores no Instagram e YouTube”, diz o relatório. O perfil oficial do presidente Lula se destacou e os veículos de imprensa foram Metrópoles, Jovem Pan News, InfoMoney e A Tarde. “A presença de canais no YouTube e perfis menores com alta taxa de engajamento por post indica um ambiente híbrido, em que a cobertura jornalística se combina com leitura opinativa e circulação em nichos”, analisa o relatório. ## **Greve dos caminhoneiros** O período que concentrou o maior volume de atenção pública sobre o assunto nas redes sociais, segundo o monitoramento, foram os dias 19 e 20 de março. Isso aconteceu porque, além de um aumento nos preços dos combustíveis, era esperada a definição sobre uma possível greve dos caminhoneiros. Como essa possibilidade não se concretizou, o instituto credita a queda nas interações nos dias que se sucederam ao fato. “A retirada do risco de greve dos caminhoneiros gerou desaceleração do debate sobre o tema, por uma redução da iminência dos impactos na vida cotidiana da população”, explica Luana Homma. O movimento dos caminhoneiros gerou ações do governo federal como uma Medida Provisória (MP) e resoluções da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) com o objetivo de obrigar o pagamento do piso mínimo do valor do frete aos caminhoneiros. As novas regulamentações estabelecem sanções às empresas que não cumprirem a lei do piso mínimo que podem até perder o registro que permite a circulação de carga no país. Para tentar segurar a alta do óleo diesel, o governo também zerou a cobrança dos tributos federais PIS e Cofins que incidem no combustível. Agora, tenta negociar com os governos estaduais em busca de subvenção referente ao diesel importado. O conflito não parece estar próximo do fim. Nesta semana, o risco é de uma invasão por terra do território iraniano pelos Estados Unidos, que já mantém na região cerca de 10 mil militares a mais do que o contingente padrão.

Combustíveis: preços e desinformação marcam debates nas redes sociais, aponta pesquisa.
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#Portugus #DonaldTrump #EstadosUnidos #Ir #Petrleo #Redessociais

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E agora, falastrão? | Outras Palavras Guerra ameaça a Economia do Ocidente. Cresce o abismo entre as declarações de vitória do presidente e sua incapacidade de sufocar o Irã. Pesadelo do Vietnã ressurge. Agora a Casa Branca teme (e ameaça) as eleições de novembro

E agora, falastrão?.
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#GeopolticaGuerra #Ataqueaoir #BejaminNetanyahu #Capa #CrisedosEUA #EstreitodeOrmuz #GovernoTrump #Guerranoir #Imperialismo #Israel #Ocidente #OrienteMdio #Petrleo

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> _Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a newsletter Antes que seja tarde, enviada às quintas-feiras, 12h. Para receber as próximas edições,__inscreva-se aqui._ Nos últimos cinco anos, uma das discussões que mais tem me interessado na lida do jornalismo climático é sobre quem ganha em deixar o circo pegar fogo. Sobre os interesses de quem confia que vai se dar bem quando todo mundo vai, na verdade, se dar mal. Muito mal. Foram esses questionamentos que me levaram a lançar, em 2022, com a Rádio Novelo, o podcast Tempo Quente, que investigava as forças econômicas e políticas que atuavam, e atuam, de modo pesado para impedir o avanço de políticas ambientais e climáticas. O lado mais óbvio dessa história, claro, é o puramente econômico – das empresas que não querem ter de mudar seus negócios que por mais de século foram extremamente lucrativos, como as grandes petroleiras. **Capitalismo nu e cru, alimentado por um pensamento curto-prazista, de fazer dinheiro enquanto ainda dá.** Mas há uma lógica mais complexa por trás disso. Porque, como cientistas estão exaustos já de falar, **as mudanças climáticas são democráticas, vão vir para todos**. Claro que os mais pobres, os mais vulnerabilizados, vão ser mais afetados, vão perder mais, vão morrer mais. É o que já está acontecendo e vai piorar. Mas o futuro que a gente está contratando não vai ser gostoso para ninguém. Então é difícil entender – doloroso mesmo, eu diria – como essa mentalidade ainda prevalece. Mas queria compartilhar com o caro leitor, a cara leitora um comentário que ouvi nesta semana que trouxe algumas camadas extras de complexidade. Em um debate que abordava como estão as iniciativas para bolar estratégias para reduzirmos a dependência global dos combustíveis fósseis, os tais “mapas do caminho”, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, que presidiu a 30ª Conferência do Clima da ONU, a COP30, fez um desabafo sincero dos desafios que elas vêm enfrentando. Ele, que disse sempre ter se considerado um “eterno otimista”, afirmou que andava um “pouquinho menos”. E explicou: “Uma das coisas que me entristece muito é que eu vejo que alguns setores estão apostando, no fundo, num cenário de mudança do clima grave”. Corrêa do Lago continuou: “Os impactos da mudança do clima vão ser tão devastadores que eles podem, inclusive, provocar uma acentuação das diferenças sociais, das injustiças sociais no mundo. Dentro dos países e entre países. E eu acho que, infelizmente… **Eu sinto que existem setores que estão apostando nessa diferenciação, nesse agravamento da mudança do clima como algo que pode favorecê-los – o que é de um grau de imoralidade e amoralidade de difícil mensuração** ”. Mas, tentando manter algum grau de otimismo, ele defendeu que é justamente em oposição a essa visão que é tão necessário mostrar que um outro mundo é possível. “A gente tem muito o que fazer esse ano para chamar a atenção [sobre o fato de] que essa opção de criar algo que alguém me comentou como sendo uma **nova Idade Média – ou seja, em que você vai ter os ricos encastelados e protegidos da mudança do clima e o resto da humanidade sem ter como se defender da mudança do clima** … Essa perspectiva de um mundo que é, eu acho, próximo de um pesadelo, infelizmente está na cabeça de vários setores. Então, eu acho que nós temos que mostrar para o mundo que a alternativa é viável e que a alternativa é incontornável. E que **nós temos que trabalhar todos juntos e não deixar que aqueles que estão apostando numa desgraça geral dividam aqueles que estão procurando soluções** ”, afirmou. Achei tão forte essa imagem da Idade Média, dos ricos encastelados se julgando protegidos. Isso obviamente vai acontecer. Já está acontecendo, na verdade, e não apenas com os excepcionalmente abastados. Quanto já não faz toda diferença do mundo estar protegido, em dias de ondas de calor, em escritórios ou casas bem aclimatados com ar condicionado torando em vez de camelando na rua sob o sol forte? **Mas é ilusão e arrogância achar que a riqueza vai garantir proteção**. Quando ouvi o embaixador falando, pensei imediatamente nas mansões de estrelas de Hollywood engolidas pelos incêndios florestais na Califórnia entre o fim de 2024 e o começo do ano passado. Um recorte da fala dele postado nas redes sociais do ClimaInfo e do Observatório do Clima, que organizaram o debate, rendeu um comentário ainda mais espirituoso: “Não conhecem a história. Os senhores medievais não conseguiram se proteger da peste bubônica em seus castelos. Não conseguirão se proteger das mudanças climáticas também”, escreveu o professor Kaiser Dias Schwarcz. Como bom diplomata, Corrêa do Lago não quis dizer quem são os “setores” que ele mencionou. Disse apenas que “existem certos movimentos políticos, certos setores econômicos que não acreditam nessa visão mais progressista de que o grande objetivo é diminuir a pobreza no mundo e criar oportunidades para todas as pessoas no mundo”. Para ele, há uma “desistência de um modelo que seja mais justo, progressista”. Não é muito difícil de imaginar de quem ele está falando. Agora, qual é a saída? No debate do qual participou Lago, estavam presentes também a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, o climatologista brasileiro Carlos Nobre e o economista André Andrade, do Ministério do Meio Ambiente. O objetivo era falar sobre três iniciativas em curso que tentam elaborar roteiros para longe dos combustíveis fósseis: uma nacional brasileira, a cargo do governo federal, e duas internacionais, na esteira da COP30. A conferência realizada em Belém não conseguiu incluir, entre suas decisões, algum tipo de compromisso para que os países elaborem seus mapas do caminho como forma de cumprir o objetivo maior do Acordo de Paris, que é de conter o aquecimento global em 1,5 °C. Então surgiram essas duas propostas. De um lado, a presidência da COP30, liderada pela equipe de Corrêa do Lago, está fazendo um estudo, que corre paralelo ao processo formal das Nações Unidas, para servir de insumo às negociações climáticas. Do outro lado, a Colômbia, juntamente com a Holanda, vão organizar no fim de abril, na cidade caribenha de Santa Marta, a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. Lá estarão reunidos países, setores econômicos e sociedade civil que acreditam que é possível fazer essa transição. “Estamos construindo uma coalizão dos dispostos — um espaço onde países podem avançar juntos, mesmo sem consenso, para moldar caminhos concretos para longe dos combustíveis fósseis. Santa Marta trata de transformar a vontade política em direção real para a transição”, afirmou Irene Vélez. Os dois esforços visam colocar todas as cartas na mesa, inclusive as dificuldades que existem, nas várias esferas – econômica, social, energética, e também de justiça, como a manutenção de empregos –, a fim de propor caminhos para sairmos do buraco em que estamos nos metendo. A visão deles é uma só: **é preciso estimular a solução**. Ou a imoralidade vai vencer.

Quem aposta no fim do mundo?.
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#Portugus #Desigualdadesocial #Energia #Justia #Meioambiente #MudanasClimticas #Petrleo #Poltica

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Trump é obrigado a recuar e suspende sanção a petróleo iraniano.
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#Capa #EIXOEUAISRAELE #Ir #Petrleo #SUSPENSODASSANES

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> _Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a newsletter Antes que seja tarde, enviada às quintas-feiras, 12h. Para receber as próximas edições,__inscreva-se aqui._ Com já quase três semanas, a guerra iniciada por Estados Unidos e Israel no Irã já causa, de acordo com a Agência Internacional de Energia, a maior interrupção da história no fornecimento do mercado global de petróleo e isso leva a uma questão incontornável: **para onde esse conflito pode nos levar, energeticamente falando?** Vamos continuar nos agarrando à ideia de que a saída é buscar novas fontes de combustíveis fósseis e nos segurar até a última gota de petróleo ou pedra de carvão? Ou assumir a transição energética tanto como uma necessidade climática, mas também de segurança energética? Já falei um pouco disso na coluna da semana passada e também em uma análise que publiquei logo após o início do conflito, mas volto ao assunto porque essa discussão tem se tornado cada vez mais urgente diante do agravamento da crise. E, certamente, ela não tem nem uma resposta fácil de dar, tampouco é algo que pode ser rapidamente adotado. Também retomo ao tema como um convite para que o caro leitor, a cara leitora mergulhe comigo, com a Marina Amaral e com o Ricardo Terto nesse debate ouvindo nosso episódio de reestreia do podcast _Bom Dia, Fim do Mundo,_ que volta ao ar nesta quinta-feira, 19 de março. A gente discute **os impactos da guerra no cenário da produção e consumo de energia no mundo e também as consequências políticas que o aumento no preço dos combustíveis pode trazer** para os Estados Unidos e para o Brasil nas eleições deste ano. Quem trabalha com a crise climática torce para que isso funcione com um “wake up call”, um chamado para que o mundo realmente se vire pra transição energética tão necessária pra conter o aquecimento global. O secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, o Simon Stiell, rapidamente afirmou que “a crise demonstra, mais uma vez, que a dependência de combustíveis fósseis deixa as economias, as empresas, os mercados e as pessoas à mercê de cada novo conflito”. E disse que investir em energia renovável é “o caminho óbvio para a segurança energética”. E segurança energética, obviamente, vai além da questão climática. Os defensores de combustíveis fósseis, como a gente vê bastante no Brasil entre quem milita a favor do gás natural, sempre se valeram do argumento que são essas as fontes seguras – em oposição à intermitência das fontes solar e eólica. Mas se 20% do mercado global é proveniente de fornecedores que precisam atravessar um estreito de 34 km, como é o caso de Ormuz, sob controle do Irã? E se esse produto é usado como arma de guerra, essa segurança é favas contadas. De modo que é possível, sim, que ocorra um investimento maior em turbinas de eólicas, em painéis solares, e principalmente em baterias para armazenar essa energia e aumentar a segurança dessas fontes. Mas o que a gente está vendo em um primeiro momento é o oposto disso. Como falamos no programa, usinas de carvão estão sendo reativadas ou colocadas a pleno vapor em vários países, e os produtores de gás natural liquefeito dos Estados Unidos já estão de olho nos mercados que ficaram desabastecidos sem os combustíveis do Oriente Médio. Isso me fez lembrar como foi a resposta que o mundo deu quando tivemos as primeiras crises do petróleo, nos anos 1970. No fim daquela década, cientistas já estavam alertando para o aumento preocupante da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, provenientes justamente da queima acelerada de combustíveis fósseis. Em 20 anos, entre 1958 e 1977, ela tinha subido 10%. A constatação vinha quase na mesma época em que os Estados Unidos enfrentavam uma onda de calor surreal e uma crise de abastecimento de combustíveis. O então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter (que governou o país de 1977 a 1981) chegou a fazer um pronunciamento à população, “uma conversa desagradável”, como ele chamou, vinculando as duas coisas. “O nosso problema energético tem a mesma causa que o nosso problema ambiental: o uso excessivo de recursos. Preservá-los ajudará a resolver os dois problemas”, disse em rede nacional. “Conservar energia deve ser um estilo de vida”, disse em outra ocasião. Ele não apenas estava pedindo para as pessoas economizarem no consumo de combustíveis, mas também tentava sensibilizá-las para a complexidade do problema. Logo depois Carter começou a se empolgar com as renováveis, prometendo que, até o fim daquele século, 20% da energia usada pelo país viria do Sol. Esse momento é retratado em um documentário lançado no ano passado, _O Efeito Casa Branca_. De acordo com o filme, num primeiro momento a população chegou a demonstrar apoio ao apelo do presidente, mas o consumo continuou subindo, assim como a dependência de importá-lo. E aí veio uma segunda crise. Entre 1973 e 1974, os Estados Unidos já tinham sofrido com um embargo dos países árabes, que deixaram de exportar petróleo em retaliação ao apoio dos americanos a Israel na guerra de Yom Kippur. Em 1979, com a Revolução Iraniana, que derrubou o regime que era apoiado pela Casa Branca, o país, até então também um grande fornecedor de petróleo, também deixou de vendê-lo aos EUA. O documentário mostra imagens de filas quilométricas e a população enfurecida com a falta de combustível. Se alguém antes achava que ficar uns dias sem carro talvez não fosse uma má ideia, naquele momento, forçados a empurrar seus carros pelas ruas, o desespero falou mais alto. Daí para frente o documentário desenha como o lucro das companhias de petróleo e o negacionismo climático falaram mais alto, fazendo com que os EUA basicamente desistissem de lidar com o problema. No Brasil, a reação foi bem diferente. Quando a primeira crise do petróleo se instalou, em 1973, o país procurou um outro caminho. Em 1975, foi criado o Proálcool, que investiu no desenvolvimento do etanol de cana de açúcar. Entre vai-e-vens da economia, pode-se dizer que a alternativa se consolidou, mas não virou a opção número 1. Menos da metade dos veículos do país abastece com etanol. Por outro lado, o Brasil não tirou da cabeça a ideia do “petróleo é nosso” e se embrenhou na busca por ter autonomia energética, investindo na descoberta de novas fontes, como o pré-sal. Mas isso também não nos garante segurança, uma vez que o preço é vinculado às flutuações do mercado global. Nesta quinta, enquanto escrevo, o barril Brent, referência internacional para o petróleo bruto, bateu US$ 115, com a piora do conflito. É um quadro que antecipa aumento da inflação e uma consequente crise econômica mundial, que pode levar a um aumento da fome e, portanto, a mais crises humanitárias, além de, possivelmente, a um aumento de conflitos por recursos. E isso tudo é receita para a deterioração da democracia. Ou seja, **não dá mais para confiar nos combustíveis fósseis nem como segurança energética, nem econômica e, muito menos, para a paz**.

Diante da maior crise de petróleo, o mundo vai inovar ou fincar o pé nos fósseis?.
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Tiros de Trump contra o Irã estão prejudicando o mundo inteiro, diz Lula.
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“Queda dos juros tem que ser imediata e significativa”, defende Nilson Araújo de Souza.
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“Foi crime de lesa-pátria vender a BR Distribuidora”, afirma Alexandre Silveira.
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Apesar dos discursos que colocam o país como um líder global na transição para uma economia descarbonizada, dados cruzados da Receita Federal e da Aneel mostram que desde 2002, o BNDES já concedeu R$ 17 bilhões de empréstimos aos derivados de petróleo além de R$ 2,3 bilhões de isenções fiscais em importação concedidas pelo governo federal desde 2017, em análise feita para a **Agência Pública**. Os investimentos em instituições públicas que realizam Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) com petróleo e gás natural também são expressivos, com R$ 5 bilhões só este ano, e crescimento acelerado desde 2019. A informação é uma análise da **Agência Pública** a partir da plataforma de dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. ## Por que isso importa? * Dinheiro público está sendo usado para financiar derivados de petróleo, o que significa que o governo investe em um modelo de energia que responde por cerca de 80% das emissões de gases estufa. Também deixa de investir em uma tecnologia brasileira renovável, os biocombustíveis, que vem perdendo recursos desde 2015. Já os dados de investimento em energias renováveis, mostram que os biocombustíveis, uma tecnologia brasileira, vêm perdendo força em relação à energia solar, importada da China. **Dados da Aneel mostram, por exemplo, que se todas as usinas de energia solar hoje autorizadas e em construção estivessem já em operação, a energia gerada seria de quase 140 gigawatts de potência, o que a colocaria como principal componente da matriz energética brasileira, ultrapassando a fonte hidrelétrica.** “O problema (da energia solar) é que não há política industrial nenhuma, a legislação foi facilitando a importação, sem um planejamento claro e unificado de Estado”, explica o economista e pesquisador da Unicamp, André Furtado. Além de investimentos do BNDES de R$ 12,3 bilhões, o setor de energia solar conta com quase 2 bilhões de reais em renúncias fiscais do governo federal sobre importações desde 2017, valores equiparados aos destinados para combustíveis fósseis. “E ainda existe um lobby muito forte no Congresso para manter esses subsídios _”_ , afirma Furtado. A China é o maior produtor de painéis solares no mundo, e o Brasil um de seus principais importadores. “Em termos de capacidade de geração de energia renovável, a China fez um grande favor para o mundo, mas cada país tem seu ponto forte e fonte ideal para a transição, e os investimentos devem ser feitos de maneira organizada para que ela seja eficiente de verdade”, diz o economista. Apesar de reconhecer que a diversificação da matriz energética é importante, **a bioenergia (energia retirada da biomassa para combustíveis e eletrificação) é apontada por Furtado e diversos especialistas como estratégica para uma transição energética com soberania,** citando a expertise de longa data com tecnologias inteiramente nacionais, a matéria-prima variada que o território brasileiro oferece em áreas já degradadas (e que pode ser a cana, mas também o milho, a soja, o eucalipto, o açaí), e sua importância como substituto viável para o setor de transportes de carga pesada e longas distâncias, que não consegue ser abastecido com facilidade por motores elétricos, como os carros de centros urbanos. Os biocombustíveis brasileiros são referidos também como essenciais em uma transição global para os SAF (Combustível de Aviação Sustentável, em inglês), já que esse tipo de transporte, com intensas emissões de carbono hoje, dificilmente poderá ser movido a energia solar ou eólica. Análises de dados feitos pela **Pública** a partir das informações divulgadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram, porém, que os investimentos para o desenvolvimento de pesquisa e tecnologia em biocombustíveis sofreram um colapso a partir de 2015, caindo de 730 milhões no ano para 234 milhões em 2022, com ao menos uma ligeira recuperação em 2023. ## **O canto da sereia dos combustíveis fósseis** Para o diretor do Instituto Arayara, Juliano Bueno, a transição energética brasileira está sujeita a “um jogo econômico de incentivos e subsídios dos estados que buscam atrair investimentos internacionais para o desenvolvimento de alternativas ao petróleo e derivados”. “Do outro lado, está o ‘canto da sereia dos combustíveis fósseis’, defendendo que a ampliação da cadeia produtiva de combustíveis fósseis irá bancar a transição energética do país”, diz Bueno, que também é membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). Entre os encantos do canto da sereia está a expectativa de que a abertura de novos poços de exploração de petróleo, incluindo a bacia da foz do Amazonas, traga benefícios econômicos e sociais através dos royalties de exploração às populações que vivem no entorno do empreendimento. O que não costuma se comprovar na prática – as cidades campeãs em royalties de petróleo no Brasil ainda convivem com a pobreza, como mostrou reportagem da Pública de agosto deste ano. “Hoje, considerando o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] e a distribuição de renda do país, pagamos a energia mais cara do mundo”. Ele acredita que se hoje acabassem todos os subsídios e incentivos do setor energético, o país teria uma energia muitas vezes mais barata. “Não faz sentido pagarmos subsídio nem mesmo para as renováveis, quanto menos para a indústria fóssil”, conclui Bueno.

Investimento em biocombustíveis perde espaço para petróleo e energia solar.
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