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Duas semanas após o encerramento da COP30, sediada em Belém em novembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a elaboração do chamado “mapa do caminho”, uma estratégia para reduzir gradualmente a dependência do Brasil de combustíveis fósseis – que são justamente os maiores responsáveis pelo aquecimento global no mundo. O mapa foi apresentado como prioridade do governo brasileiro durante a conferência, e uma proposta global está sendo desenvolvida pela presidência brasileira da COP30. Lula apresentou plano para reduzir a dependência de combustíveis fósseis na COP30 Pois o despacho, publicado em caráter de urgência em 8 de dezembro do ano passado, previa que até o dia 6 de fevereiro deste ano deveria ser apresentada uma proposta paralela a internacional, e mapa do caminho específico para o Brasil incluindo a criação do Fundo de Transição Energética, utilizando parte dinheiro do governo oriundo da exploração de petróleo e gás para impulsionar formas de geração de energia mais limpas. Dois meses depois desse prazo, a proposta para o Fundo ainda não foi apresentada. Questionada pela reportagem, a Casa Civil respondeu que “o Governo Federal está coordenando os ajustes finais entre os ministérios envolvidos para a implementação da determinação do presidente. Os trabalhos estão em fase de finalização e após esses ajustes entre os ministérios, a proposta será levada ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Embora apresentado como uma política transversal, a ser desenhada em conjunto pela Fazenda, Minas e Energia e Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, o modelo expõe tensões entre agendas distintas e já parte com uma hierarquia clara: o CNPE é presidido pelo ministro de Minas e Energia (Alexandre Silveira, que segue no cargo após reforma ministerial por conta das eleições). Especialistas veem a iniciativa como uma tentativa de corrigir distorções históricas no uso da renda do petróleo, mas alertam para riscos conhecidos, além do fomento à própria indústria petrolífera. Diversos países ricos em minério, petróleo e gás criaram fundos soberanos para investir parte da receita destas indústrias em ativos financeiros e aplicar os rendimentos a longo prazo para financiar serviços públicos, infraestrutura, diversificação econômica e a transição energética. O maior fundo soberano do mundo é o da Noruega, criado em 1990 depois de décadas de articulação. Com investimentos em 7,2 mil empresas globais, registrou o lucro de R$ 1,28 trilhão em 2025. Países do Golfo Pérsico, Cingapura e dezenas de outras nações adotam este mecanismo. ## Por que isso importa? * A criação de um fundo de transição energética pode ampliar recursos para fontes de energia menos poluidoras, mas também pode ser usada para justificar a exploração de petróleo, que geraria esses recursos. Para que este veículo de investimento funcione, de acordo com os Princípios de Santiago, padrão internacional elaborado em 2008 no Chile pelos principais fundos soberanos do mundo com apoio do Fundo Monetário Internacional, é preciso ter mandato claro, governança independente da política do dia a dia e transparência na prestação de contas. O Brasil ainda não conta com um marco regulatório atualizado para esse tipo de instrumento. A legislação que rege fundos especiais, como o Fundo Social, é de 1964 e não contempla modelos como fundos soberanos. O governo do Espírito Santo criou em 2019 seu fundo soberano subnacional, o Funses, hoje com R$ 2,4 bilhões. O estado é o terceiro maior produtor de petróleo e gás do país, e tem cidades entre as campeãs em royalties – mas onde a pobreza ainda persiste. “Queremos nos proteger da ‘maldição do petróleo’, da irresponsabilidade e uso inadequado do dinheiro”, diz Renato Casagrande, governador do Espírito Santo. “O petróleo é uma riqueza finita e em algum momento deixará de ser usado como é hoje”. Atualmente, 20% do dinheiro depositado no Funses é gerido pelo Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo) para investimentos a longo prazo, a “poupança intergeracional”. Os outros 80% são operacionalizados pelo Bandes (Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo), em três fundos temáticos – dois deles geridos por instituições privadas. Apesar de bastante referenciado, o modelo do Espírito Santo é recente e ainda sem resultados práticos. Poucos fundos subnacionais no país arriscam investir além da renda fixa, por falta de segurança jurídica e regulamentação federal adequada. E a maioria ainda não têm um mandato claro para aplicar em transição climática. “O fundo soberano que defendemos é para investir na promoção da mudança da estrutura produtiva local, gerar emprego e renda, aumentar a arrecadação, e reduzir a dependência fiscal [do setor de petróleo e gás] de estados e municípios, para que possa ser um instrumento de transformação de uma riqueza finita numa riqueza perene”, diz Fernando Amorim Teixeira, diretor de sustentabilidade e projetos especiais do Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros. “O Fundo da Transição Energética pode cumprir esse papel, mas precisa ser muito bem desenhado, senão é mais uma oportunidade perdida.” ## **Vazamento gera alerta para exploração na Margem Equatorial** Abrangendo uma área densamente florestada maior que o estado de Sergipe, e equivalente a quatro vezes a extensão de Brasília, a cidade de Oiapoque, no Amapá, é famosa graças à expressão de que o Brasil vai “do Oiapoque ao Chuí”. A pequena cidade de Oiapoque está se transformando à medida que as pessoas são atraídas pelo potencial da produção de petróleo, que pode começar já em 2032 Por lá, menos de 2% das casas dos cerca de 30 mil habitantes têm tratamento adequado de esgoto. Um terço dos moradores de Oiapoque são indígenas de quatro etnias, que vivem em 68 aldeias banhadas por três rios e distribuídas em três Terras Indígenas, das quais 66 contam com eletricidade por menos de 12 horas por dia. Desde 2023, Oiapoque vem se tornando ainda mais conhecida por conta da construção de uma base operacional da Petrobras para perfuração do poço Morpho, em águas ultraprofundas a 175 km da costa, em uma das “prováveis novas fronteiras energéticas do Brasil”: a Margem Equatorial. Trata-se de uma faixa do Oceano Atlântico próxima à linha do Equador, que abrange outros quatro países, e se estende por 2,2 mil km, ao longo do litoral de seis estados do Norte e Nordeste. A região vem sendo estudada há pelo menos 40 anos, e abrange a bacia da Foz do Rio Amazonas, incluindo outros 19 “blocos”, cujos direitos de exploração foram adquiridos por diversas empresas. A Petrobras detém 100% de participação em seis deles. Em meio a uma crise climática e energética, muitos veem como paradoxal que o Brasil se posicione como líder global na transição energética enquanto aspira se tornar o quinto maior produtor de petróleo do mundo até 2030. O petróleo já é o principal produto de exportação do Brasil há dois anos consecutivos, superando a soja. “Essa dicotomia é presente em qualquer país que leve a sério o afastamento gradual dos combustíveis fósseis, pois a economia mundial atualmente se organiza em torno deles”, diz Miriam Garcia, gerente sênior de políticas climáticas no WRI Brasil. “Além disso, ainda precisamos aumentar a eficiência energética, e zerar a pobreza energética, garantindo acesso universal à energia renovável e de baixo custo.” A construção de uma estrutura de segurança em Oiapoque foi uma das exigências estabelecidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para conceder a licença exploratória em caráter de pesquisa, em 20 de outubro de 2025. Antes, a base mais próxima era na região de Belém, no Pará, a 700 km. “É como um extintor de incêndio: tem que estar por perto”, diz Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama. “O risco de acidente não está relacionado apenas à Petrobras, pois já existe uma atividade petrolífera vizinha muito forte.” Presidente do Ibama alerta para exploração da Petrobras na região A precaução ganhou fundamento em 4 de janeiro, 76 dias após o início da perfuração, quando ocorreu o primeiro incidente. A Petrobras reportou o vazamento de 113 barris (18 metros cúbicos) de fluido de perfuração, também chamado de lama. Segundo a empresa, “o fluido atende aos limites permitidos de toxicidade e é biodegradável, sem danos ao meio ambiente ou às pessoas”. Ainda assim, o Ibama manifestou “grande preocupação” e multou a empresa em R$ 2,5 milhões. Para comparação, apenas uma diária do aluguel do navio-sonda que a Petrobras utiliza para fazer a perfuração custa R$ 4 milhões. Antes de receber a licença, o navio ficou semanas parado, acumulando o desperdício de R$ 180 milhões enquanto a Petrobras concluía estudos e simulados. Um laudo técnico, agora sob sigilo, afirmou que o composto químico vazado contém substâncias tóxicas suficientes para afetar funções básicas de animais marinhos até que os compostos sejam completamente degradados. Outros organismos-chave podem ter sido eliminados na área afetada, o que altera a dinâmica da cadeia alimentar. A reportagem questionou o órgão sobre o sigilo do documento, que confirmou que “o processo administrativo referente ao incidente mencionado encontra-se, no momento, com acesso temporariamente restrito”. O Ibama informou que a justificativa para o sigilo é o fato que o “processo reúne informações e análises técnicas ainda em fase de consolidação, destinadas a subsidiar a elaboração de laudo técnico conclusivo e eventual adoção de medidas administrativas, como a lavratura de autos de infração”. Veja a resposta completa aqui. A Petrobras interrompeu as operações por mais de 30 dias, reportou as causas e foi autorizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) a retomar as atividades após substituir todos os elementos de vedação e treinar os trabalhadores envolvidos. ## **Entre a esperança e o medo** Em Oiapoque, a população está dividida. Se o potencial da Margem Equatorial for confirmado, a produção começará entre 2032 e 2035. Essa perspectiva está atraindo novos moradores interessados em trabalhar no desenvolvimento da infraestrutura, e otimistas com a expectativa de geração de 54 mil empregos diretos e indiretos, além de um aumento de 60% no PIB do Amapá, projetados pela Confederação Nacional da Indústria. A Petrobras afirma que priorizará a mão de obra local, como fez no Polo de Urucu, no Amazonas, o maior projeto terrestre de petróleo e gás do país, com a força de trabalho composta majoritariamente por pessoas da região. Por ora, as perspectivas parecem realistas. Um exercício de resgate realizado em agosto gerou R$ 50 milhões em atividade econômica de bens e serviços, equivalente a 10% do PIB de Oiapoque. Os preços de alimentos e aluguel subiram; 800 estudantes aguardam vagas na rede municipal; construções formais e improvisadas surgem em sete novos bairros em áreas desmatadas. Mas o desenvolvimento é ameaçado pela história de instabilidade política da cidade e por casos recorrentes de corrupção. O prefeito e o vice tiveram seus mandatos cassados por compra de votos, e eleições extraordinárias estão marcadas para 12 de abril. As consequências ambientais também já começaram. “No início, foram os voos diários rasantes de aviões e helicópteros. Os pássaros fugiram para longe, ninguém sabe para onde”, diz Edmilson dos Santos Oliveira, coordenador-geral do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque. “Estamos sobrevivendo por milhares de anos tirando [nosso sustento] da natureza. Se poluírem nossos rios, o que será de nós?” De acordo com o cacique Edmilson, os rios Uaçá, Curipi e Urucauá formam um estuário abundante em peixes, caranguejos e aves. Outra fonte de subsistência, as plantações de mandioca, estão há anos sendo devastadas por pragas e regime alterado de chuvas, afetando gravemente a segurança alimentar e financeira das populações indígenas locais. Cacique Edmilson dos Santos Oliveira diz que voos de aviões e helicópteros assustaram pássaros e que mudanças climáticas já afetam plantações A Margem Equatorial é conhecida por suas correntes oceânicas fortes e complexas. Abriga um dos ecossistemas marinhos mais biodiversos do planeta, incluindo um tipo raro de manguezal e um sistema de recifes de corais que atuam como reguladores da temperatura do planeta. Um estudo publicado na revista Nature Sustainability afirmou que conter um acidente de petróleo nessa região seria mais difícil e demorado do que o vazamento da britânica BP no Golfo do México, em 2010 – o maior derramamento acidental de petróleo em águas marinhas da história. Modelos indicam que haveria ameaça inclusive a espécies terrestres como a onça, além de atividades econômicas como a colheita de açaí, o turismo e a pesca. Antes, era a BP que detinha o controle do bloco FZA-M-59, onde agora a Petrobras perfura. “Não há políticas públicas para a fase de pesquisas e os danos já irreversíveis agora”, diz Luene Karipuna, porta-voz da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará. “Não somos contra o desenvolvimento, mas não estamos incluídos na avaliação de impacto. É como se não existissem povos e terras indígenas na região. Queremos ser ouvidos.” A Petrobras afirma cumprir rigorosamente as exigências das autoridades competentes e que a consulta às comunidades não é exigida para essa atividade. Especialistas em meio ambiente afirmam que o Brasil carece de um marco obrigatório de salvaguardas para cada etapa dos projetos, e que a legislação ambiental existente foi enfraquecida. “Em empreendimentos de grande escala, quando as consultas públicas acontecem, uma quantidade absurda de tempo, dinheiro e capital político já foi investida”, diz Caroline Rocha, diretora-executiva da iniciativa latino-americana de advogados do clima para mobilização de ação (Laclima). “Isso precisa mudar. Essas discussões precisam acontecer em uma fase inicial de planejamento.” Felício Pontes Jr, procurador regional da República, afirma que outros grandes empreendimentos, como asfaltamento de rodovias, abertura de hidrovias, hidrelétricas e campos de petróleo, seguem dinâmicas semelhantes na Amazônia há décadas. “O que todos esses projetos têm em comum é a invisibilização das comunidades afetadas, uma prática adotada desde a ditadura militar e replicada em pleno século XXI, sem nenhuma inovação”, diz. A história recente fala por si. Comunidades no entorno da usina de Belo Monte continuam sem acesso a eletricidade e alimentação adequada, e pescadores recebem compensações muito inferiores à sua renda anterior. O Ministério Público Federal no Pará move ações para buscar reparação por impactos não previstos em Belo Monte e em Oiapoque. Outro exemplo de nova fronteira de exploração de petróleo está na densa floresta amazônica. No Polo de Urucu a produção média é de 105 mil barris de petróleo equivalente por dia. Quase 100 poços foram perfurados há 40 anos, e a Petrobras planeja perfurar mais 22, iniciando dois deles em 2026, com investimento de US$ 500 milhões até 2030. Segundo a empresa, o gás natural fóssil disponível abastece 65% do consumo de eletricidade em Manaus e de outros cinco municípios do estado do Amazonas. Além de todos os estados do Norte e de parte do Nordeste dependerem do gás liquefeito de petróleo, com uma média de 80 mil botijões diários. Ainda assim, cidades afetadas como Carauari, Coari e Manaus continuam enfrentando carências básicas, apesar dos royalties e impostos recebidos. “Há altos níveis de insegurança, tráfico de drogas e violência. O plano de trabalho indígena não é cumprido, e o que retorna à comunidade é insuficiente”, diz Mariazinha Baré, coordenadora-geral da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas. “No contexto geral, quem se beneficia são o Estado e as megacorporações.” Acidente de petróleo na Margem Equatorial seria mais difícil de conter que o da BP no Golfo do México (2010), o maior da história marinha ## **Legislação obsoleta e desconectada** O setor de petróleo e gás representa 10% do PIB do Brasil. A renda da produção é distribuída por meio de royalties e participações especiais com base na proximidade dos campos de produção. Esse modelo da década de 1980, considerado “obsoleto e desconectado” em decisão recente do Tribunal de Contas da União, resulta em “concentração excessiva de recursos”. “Uma verdadeira loteria geográfica, conduzindo alguns beneficiários a atingirem indicadores de riqueza (PIB per capita) que os colocariam, caso fossem países, entre as 10 nações mais ricas do mundo”, afirmou a decisão. Setor de petróleo e gás representa 10% do PIB do Brasil As promessas de melhoria das condições de vida com recursos do pré-sal – reservas em águas profundas descobertas há 20 anos – permanecem longe de se concretizar, com alegações de falta de governança e transparência. O fundo soberano brasileiro, criado em 2008, foi extinto em 2018 para pagamento da dívida pública. O Fundo Social, também criado com recursos do pré-sal há 16 anos, publicará seu primeiro relatório anual em junho, em resposta a uma nova lei aprovada em 2025. Em 2024, os recursos do Fundo Social também passaram a ser usados para enfrentar a crise climática, com 20 bilhões de reais destinados à reparação de perdas e danos nas enchentes do sul do Brasil. Segundo pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), pelo menos 45 bilhões de reais estão travados em disputas judiciais sobre a divisão de receitas ou paralisados por outros motivos. Além disso, há barreiras que impedem o uso das receitas de royalties para reduzir desigualdades. O aumento do gasto primário é limitado por regras fiscais, e cerca de 30% das despesas discricionárias do governo são destinadas a emendas parlamentares. “Isso cria uma restrição legal que impede que as receitas do petróleo sejam direcionadas a políticas sociais e climáticas”, diz Alessandra Cardoso, assessora de políticas do Inesc. “A redenção social por meio das receitas do petróleo é uma miragem.”

Fundo de transição energética atrasa enquanto petróleo gera alerta na Amazônia.
- bsapub
apublica.org/2026/04/fundo-de-transic...
#Portugus #Amaznia #Clima #GovernoLula #Meioambiente #Petrleo

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Uma preocupação tem aparecido de forma recorrente nas declarações do presidente Lula: o possível impacto da guerra no Irã nos preços dos alimentos. “Nós estamos fazendo todo o esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável no Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar seu alface, que vai comprar seu feijão, arroz, milho, vai comprar a comida do seu filho”, disse ele em entrevista à TV Record Bahia na última quinta-feira, 2 de abril. Presidente Lula fala sobre preço dos alimentos e guerra do Irã durante entrevista à TV Record da Bahia O temor é que a alta no preço internacional do petróleo, provocada pela guerra, encareça o frete e os combustíveis no país, elevando o custo de alimentos e bebidas, que vinha caindo desde o segundo semestre de 2025 e fechou o ano com alta de 2,95% – uma desaceleração considerável na comparação com 2024, quando o aumento foi de 7,69%. “Os preços dos alimentos estiveram mais caros em 2024, estiveram mais caros até metade de 2025, mas hoje a inflação de alimento está muito baixa, as coisas estão melhorando e eu espero que continue baixando, porque nós precisamos baixar o preço da comida para o povo poder comprar mais e comprar alimento de melhor qualidade”, afirmou o presidente. Ainda que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã possam reverter essa trajetória de queda nos preços, o que representaria mais uma dor de cabeça eleitoral para Lula, a inflação de alimentos não é um fenômeno pontual no Brasil. Pelo contrário. Um novo estudo da ACT Promoção da Saúde mostra que em 20 anos os preços dos alimentos subiram acima da inflação geral (medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA). Desde 2006, os alimentos ficaram 302,6% mais caros no Brasil, enquanto nesse mesmo período, a inflação geral acumulou uma alta de 186,6%. “É comum tratar a inflação de alimentos de forma conjuntural, mas ela não é. Nas últimas duas décadas, todos os grupos de alimentos, alguns mais do que outros, subiram acima da inflação geral”, explica o economista Valter Palmieri Jr., autor do estudo e doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo ele, ainda que as oscilações sazonais de cada tipo de cultivo tenham impacto nos preços, elas não explicam a alta generalizada e persistente. Para se ter ideia, R$ 100 em 2006 equivalem a R$ 35 nos dias de hoje e, no caso de alimentos e bebidas, o valor é ainda menor, apenas R$ 24,70. Isso significa que os alimentos que custavam R$ 24,70 em 2006, hoje são adquiridos por R$ 100. A inflação dos alimentos é um problema porque exige que as pessoas comprometam parcelas cada vez maiores de sua renda para garantir algo básico. Em janeiro do ano passado, por exemplo, famílias que ganhavam até 1,5 salário mínimo consumiam quase um quarto de seu orçamento com a compra de alimentos, como mostrou um levantamento do economista André Braz, coordenador de Índices de Preços da FGV. Pouco depois, uma pesquisa do Datafolha revelou que 58% da população havia reduzido a quantidade de alimentos comprados em resposta à alta dos preços. Depois de avaliar vários indicadores, Palmieri considera a inflação de alimentos no país um problema estrutural e sistêmico, fruto de cinco fatores relacionados: desigualdades históricas no acesso à terra, concentração de mercado ao longo de toda a cadeia de alimentos, choques causados pelas mudanças climáticas, direcionamento das políticas públicas e, principalmente, a posição do Brasil no mercado internacional como um grande exportador de _commodities_ , como soja, milho, cana de açúcar e carne bovina. Acompanhe nos gráficos, selecionados do estudo de Palmieri, como a inflação de alimentos tornou-se um problema estrutural no país. ## **Comida mais cara que o custo de vida** Até os anos 2000, o preço dos alimentos se mantinha abaixo da inflação geral por causa de um processo de modernização da agricultura, que aumentou a produtividade, reduziu a dependência de importações e levou à autossuficiência em vários produtos. A partir de 2006, porém, essa dinâmica começou a mudar e os alimentos passaram a subir acima da inflação geral, o que não aconteceu apenas no Brasil. “É um fato mundial e é um fato novo, deste século”, diz o agrônomo José Baccarin, professor da Unesp. “E os dados da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] mostram isso: no período de 1960 a 2000, os preços dos alimentos no mundo caíram. E neste século subiram muito, 71% até 2024”. Baccarin explica que a alta se deve principalmente ao crescimento das economias e ao enriquecimento das populações na Ásia, o que aumentou a demanda por alimentos no mundo. No estudo da ACT, Palmieri também identifica o crescimento chinês como o ponto de virada para a mudança nos preços dos alimentos em vários países. “Nesse período, a China chegou a crescer 14%. Imagine uma população de 1 bilhão de pessoas tendo um aumento de renda e começando a consumir muitos produtos que antes não eram tão consumidos, como a carne. Isso afeta o mundo inteiro, mas os países mais afetados são os subdesenvolvidos especializados na produção de _commodities_ , como, por exemplo, o Brasil”, explica ele. “Isso provocou uma transformação gigantesca na nossa pauta de exportação”. Para responder à fome chinesa, o Brasil passou a exportar ainda mais alimentos – em especial a soja. Se em 2000, o país exportou 24,2 milhões de toneladas, em 2025 esse número chegou a 209,4 milhões de toneladas. Para efeito de comparação, no ano passado, a produção somada de arroz e feijão foi de apenas 14 milhões de toneladas – ou um sétimo dos alimentos exportados. “Uma parcela crescente da produção nacional é destinada ao mercado externo, e ainda que esse movimento não implique escassez física generalizada ou desabastecimento, ele reduz a oferta disponível internamente, altera os custos de oportunidade da produção e exerce pressão sobre os preços dos alimentos”, afirma o estudo. Para Palmieri, a exportação não é um problema em si, mas sim a forma como ela se deu, ao aprofundar desigualdades estruturais que já existiam e concentrar recursos e esforços de políticas públicas na produção de _commodities_ para o mercado externo. ## Por que isso importa? * Em 20 anos, as frutas ficaram 180% mais caras e os tubérculos e legumes 90%. * No ano passado, o governo Lula chegou a reduzir impostos de alimentos como café, açúcar e macarrão para incentivar a queda dos preços ## **Mais terra para commodities e menos terra para alimentos básicos** O pesquisador afirma que o modelo agroexportador brasileiro passou a privilegiar a produção para exportação de carne bovina e outras três _commodities_ agrícolas: soja, milho e cana de açúcar. Esse processo teve impacto na quantidade de terra agricultável destinada à produção dos alimentos que vão para o prato dos brasileiros, como arroz, feijão, batata, mandioca e tomate. Se em 2006, havia 4 vezes mais hectares destinados às _commodities_ agrícolas do que a alimentos básicos pouco exportados, hoje essa diferença é de 12 vezes mais. A diminuição na área colhida de alimentos básicos, porém, não necessariamente implica em queda de produção – o arroz, por exemplo, teve ganhos importantes de produtividade nos últimos anos –, tanto que não há desabastecimento no país. Ainda assim, a variação na oferta altera a dinâmica dos preços. As frutas, por exemplo, foram o grupo alimentar com maior aumento de preços desde 2006. Um movimento que, segundo o estudo, pode ser explicado pela redução da área plantada e pela queda da produção per capita, que diminuiu em média 14% nas últimas duas décadas. O caso do mamão é ilustrativo: a fruta registrou uma inflação acumulada de 661% no período e uma diminuição de quase 47% da produção per capita. ## **Transformação silenciosa** Além disso, Palmieri levantou outros dados que mostram o que ele chamou de uma “transformação silenciosa” do sistema agroalimentar brasileiro. Para além da expansão geral da área colhida dedicada aos produtos para exportação, o estudo mostra que o número de municípios cuja produção é dominada por commodities _aumentou_ nas últimas duas décadas, enquanto diminuiu a quantidade de municípios que tinham uma produção mínima de arroz, feijão e mandioca. Esses números revelam uma maior especialização produtiva e uma redução da diversidade agrícola. Enquanto as _commodities_ ampliam seu acesso à terra e passam a dominar a produção de vários municípios, a produção de alimentos básicos e de frutas perde espaço e acaba concentrada territorialmente – o que aumenta a dependência de alguns poucos pólos produtivos. Essa reconfiguração diminui a capacidade da produção para consumo interno de amortecer eventuais choques e acaba por pressionar os preços. ## **O caso de uma das maiores produtoras de feijão do país** Unaí, em Minas Gerais, é um exemplo desse cenário. A cidade era a maior produtora de feijão do país em 2006 e, em 2025, permaneceu como a segunda maior produtora, mas com uma redução significativa de 96 mil toneladas anuais para 66,3 mil toneladas anuais. Ao longo desse período, Unaí sempre produziu mais soja do que feijão. Acontece que essa diferença foi ficando cada vez maior: se em 2000, o município produziu 1,2 vez mais soja do que feijão, esse número passou para nove vezes mais em 2024. Enquanto isso, a quantidade de terra destinada ao cultivo de soja aumentou e a de feijão diminuiu, como mostra o gráfico. Essa alteração tem lógica econômica: quanto mais lucrativa se torna a exportação, mais vale a pena para o produtor optar por esse caminho. Além do próprio preço da terra aumentar, os custos de produção também se alteram. Entre 2006 e 2024, o custo total de produção do feijão por saca em Unaí saltou 430%, enquanto o da soja cresceu 226%. Não à toa, o fenômeno não se limita só a Unaí: das 20 cidades que mais produziam feijão em 2006, 17 tiveram redução no volume produzido em 2024, segundo o estudo. ## **Mudanças de hábito influenciam no prato do brasileiro** Base da nossa gastronomia e símbolo nacional, o feijão tem sumido do prato dos brasileiros. Em 2024, dados da Embrapa mostraram que o consumo do grão atingiu o menor índice da série histórica. Ainda que o aumento do preço ajude a explicar esse quadro, ele não é o único fator, já que o consumo do alimento tem caído em todas as faixas de renda. Há também questões culturais e o avanço do consumo de ultraprocessados para se considerar. “Quando olhamos para todas as faixas de renda, as características do que tem mudado na alimentação são as mesmas: aumento do consumo de ultraprocessados, aumento no consumo de proteínas, diminuição da diversidade da dieta e diminuição dos alimentos in natura e minimamente processados”, explica Arilson Favareto, pesquisador da Cátedra Josué de Castro, da USP, e um dos organizadores do livro “Caminhos Para a Transição do Sistema Agroalimentar: Desafios para o Brasil”. Uma das causas para essas mudanças, diz Favareto, é a desigualdade no acesso a alimentos saudáveis – ou, posto de outra forma: os alimentos que estão sendo oferecidos à população. Enquanto algumas cidades brasileiras possuem, além de supermercados, sacolões, Ceasas e feiras livres, outras são classificadas como “desertos alimentares” (quando há baixa disponibilidade de alimentos in natura ou minimamente processados) e “pântanos alimentares” (onde predominam estabelecimentos que vendem principalmente produtos ultraprocessados). No Brasil, um mapeamento da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, estimou que 25 milhões de pessoas vivem em desertos alimentares, dependentes de uma estrutura varejista concentrada, que altera não só o preço dos alimentos, mas também a própria diversidade dos produtos ofertados. Alimentos ultraprocessados estão cada vez mais comuns na dieta do brasileiro ## **Dependência de produtos cada vez mais caros** A inserção do Brasil no mercado internacional como um exportador de _commodities_ implica em uma dolarização dos preços inclusive dos produtos que não são exportados. Além disso, o país não desenvolveu uma cadeia produtiva dos insumos necessários para a produção agrícola, como fertilizantes e agrotóxicos, cujos preços dispararam nas últimas décadas, como mostra o gráfico acima. “Temos uma infraestrutura econômica em que somos exportadores de _commodities_ , produtos de pouco valor agregado, que geram poucos empregos, enquanto somos dependentes desses insumos que não só possuem um valor agregado maior, como são produzidos por empresas de países desenvolvidos”, diz Palmieri ao lembrar que apenas quatro empresas (duas alemãs, uma americana e uma chinesa) concentram 61% do mercado global de pesticidas. Cálculos realizados a partir dos dados do Banco Mundial indicam que, em 2006, 74% dos fertilizantes utilizados no Brasil eram importados, proporção que aumentou para 87% em 2022. Segundo o estudo, essa crescente dependência torna o país vulnerável às oscilações cambiais e aos preços internacionais, que afetam inclusive os produtores de alimentos destinados ao mercado interno. ## **Monotonia agrícola, pecuária e alimentar** O gráfico acima mostra o domínio da soja, do milho e da cana de açúcar na área colhida no Brasil desde os anos 1990, o que os pesquisadores da Cátedra Josué de Castro, da USP, classificam como “monotonia agrícola”. Além dela, os pesquisadores identificam que o sistema agroalimentar no Brasil e no mundo está baseado também na monotonia pecuária, associada à criação de poucas espécies de animais com baixa diversidade genética, e na monotonia alimentar, expressa na padronização das dietas e avanço dos alimentos ultraprocessados. Essa tríplice monotonia reduziu a resiliência dos sistemas alimentares, tornando-os mais vulneráveis aos choques climáticos cada vez mais comuns diante do agravamento da crise climática (que intensifica e acelera eventos extremos, como secas prolongadas, ondas de calor intensas e chuvas torrenciais). “Essa concentração de poucas variedades agrícolas reduz a capacidade dos sistemas agrícolas de resistir a choques climáticos, já que a homogeneização genética aumenta a suscetibilidade a secas, enchentes, pragas e doenças. Evidências recentes indicam que esse processo não se limita à redução do número de espécies cultivadas, mas envolve também a erosão acelerada da diversidade genética dentro de cada cultura”, afirma o estudo da ACT. Além disso, a monotonia agrícola impacta nos preços, já que implica em uma dependência crescente de insumos como fertilizantes e agrotóxicos. “Mais de 70% das calorias que a humanidade consome de plantas vêm de apenas seis plantas. No Brasil, temos um predomínio muito grande da produção de soja. E para extrair esse nível de produtividade de poucas espécies, elimina-se as espécies concorrentes e toda a biodiversidade por meio de agrotóxicos”, explica Favareto. “Isso gera dois problemas: com a vida do solo eliminada, é preciso usar cada vez mais fertilizantes, o que aumenta o custo de produção. E, segundo, como as espécies vão ficando mais resistentes, é necessário usar cada vez mais agrotóxicos, o que também significa custos subindo. Isso se agrava ainda mais no momento geopolítico atual, já que grande parte dos insumos vêm de lugares conflagrados, como Ucrânia e Oriente Médio”, completa. ## **Diferenças de tratamento** Palmieri argumenta, ainda, que a inflação de alimentos no Brasil reflete um conjunto de políticas públicas que, no geral, priorizam o agronegócio exportador. Enquanto a produção de _commodities_ , no geral realizada por grandes proprietários e empresas, se beneficia de crédito subsidiado, incentivos fiscais (como mostra o gráfico acima) e toda uma infraestrutura voltada para a exportação, o abastecimento interno não recebe a mesma atenção e nem a mesma quantidade de recursos, dependendo de políticas públicas “fragmentadas e instáveis”. Um exemplo dessa diferença está na tributação. Para estimular a competitividade internacional do país, desde 1996 o Brasil isenta de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, um tributo estadual) as exportações de produtos primários – numa política que difere da adotada até por vizinhos exportadores, como a Argentina, que cobra uma taxa de exportação de 26% para a soja, por exemplo. Além disso, a maior parte dos tributos que incidem sobre a produção agropecuária são indiretos e aplicados de forma uniforme, independente do tamanho do produtor (são impostos sobre insumos, transporte, combustíveis e energia), o que, na prática, significa que a carga tributária pesa proporcionalmente mais sobre os produtores menores e voltados para o mercado interno do que sobre os grandes exportadores. Outra política pública que opera de forma desigual é o Plano Safra, principal instrumento da política agrícola do país, lançado anualmente pelo governo federal com linhas de financiamento para custeio, investimento e comercialização da produção. Historicamente, a maior parcela de recursos do programa tem sido direcionada para grandes produtores. O acesso ao crédito sempre foi uma dificuldade dos pequenos produtores no país e, segundo o estudo, mesmo o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) não conseguiu superar esse desequilíbrio, já que muitas linhas do programa também são voltadas à produção de _commodities_. Além do acesso ao crédito, as políticas públicas não resolveram as diferenças de acesso à tecnologia e à assistência técnica. “Enquanto os grandes estabelecimentos, voltados sobretudo à produção de commodities, são altamente mecanizados e integrados às cadeias exportadoras, mais da metade dos produtores familiares declararam não ter recebido assistência técnica em 2017 e cerca de 80% não acessaram crédito rural”, afirma o estudo. ## **Desigualdades históricas** Essa assimetria entre grandes e pequenos produtores no acesso a políticas públicas e tecnologia se relaciona com desigualdades estruturais do campo brasileiro. Entre elas, a concentração de muita terra na mão de poucas pessoas, uma herança do modelo agrário colonial que não foi superada pela modernização agrícola e nunca foi totalmente enfrentada por nenhum governo. Segundo o estudo, entre os 5,07 milhões de estabelecimentos registrados pelo censo agropecuário de 2017, menos de 1% concentram quase 47% de toda a área rural do país, enquanto 50% dos menores ocupam apenas 2,1% da área total. De acordo com o gráfico acima, Mato Grosso, um grande produtor de _commodities_ , é justamente o estado que apresenta maior concentração fundiária, com 83,7% da área rural total nas mãos de 10% dos proprietários, enquanto apenas 2,2% da área pertencem à metade menor das propriedades. Dados do censo agropecuário também mostram que essa concentração gera disparidades de receita e de acesso à assistência. Segundo o estudo, entre o 1% das maiores propriedades, 61,6% recebem algum tipo de assistência técnica à produção (seja do governo, de cooperativas, de ONGs ou de iniciativa própria). Já entre as 50% menores propriedades, apenas 12,6% têm acesso a esse tipo de apoio. A priorização do modelo agroexportador, sem incentivos para reduzir a dependência de insumos externos e nem políticas públicas eficazes para preservar a produção voltada ao mercado interno, agravou os demais fatores que influenciam nos preços, diz Palmieri. “A política pública, que já era assimétrica, se torna mais ainda. A questão climática [também] se torna um problema maior [e] a desigualdade que já era elevada se amplia”, afirma ele. Mas o raciocínio também se dá do modo inverso, segundo o pesquisador: “Se não fossem as políticas públicas assimétricas e a desigualdade agrária, o Brasil teria outro tipo de participação no mercado internacional”, pondera. Diante de tantos fatores intrincados, o economista considera que enfrentar o preço dos alimentos de forma estrutural – e não apenas conjuntural – exigiria uma grande articulação de todas as políticas públicas, que passam por vários ministérios diferentes. “Esse combate não vai se dar através de pequenas políticas independentes. É preciso um projeto nacional que dê centralidade a esse problema e transforme o combate a ele numa política transversal”, conclui Palmieri.

Inflação de alimentos: entenda por que comer no Brasil ficou tão caro.
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Reindustrialização brasileira, esperança e obstáculos.
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Lula anuncia novas medidas para barrar alta dos combustíveis.
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‘A elite brasileira nunca quis que vocês estudassem’, diz Lula a bolsistas e cotistas Presidente celebrou 21 anos do Prouni e os 14 anos da Lei de Cotas e ressaltou o acerto de seu governo e do PT em apostar na educação como investimento

‘A elite brasileira nunca quis que vocês estudassem’, diz presidente Lula a bolsistas e cotistas
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Lula: ‘O companheiro Alckmin é candidato a vice outra vez’ Vice-presidente deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para concorrer em outubro

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‘O povo tem o direito de saber o que este Governo fez’, diz Rui Costa Ministro da Casa Civil destacou, em prestação de contas, que o país vive momento de virada estrutural. Destaque para as realizações em saúde e educação

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Lula: ‘O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar’ Durante visita a obras em Salvador, presidente diz ainda que, se depender dele, o fascismo não governa nunca mais o Brasil. Ele fez alertas sobre mentiras

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Pé-de-Meia alcança 5,6 milhões de estudantes e reduz evasão escolar em 43% Política pública implementada há dois anos também resultou em queda de 33% das reprovações. Resultados foram apresentados por ministro da Educação e Lula

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Petrobras estuda fazer Brasil autossuficiente em diesel em até 5 anos Atualmente, país importa cerca de 30% do consumo

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Entenda como vai funcionar a ampliação da licença-paternidade sancionada por Lula A ampliação da licença-paternidade de cinco para 20 dias, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última terça-feira (31), é um avanço na legislação trabalhista e vem atender uma…

Como vai funcionar a ampliação da #LicençaPaternidade sancionada pelo presidente Lula
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Lula deve contratar mais de 7000 aprovados em concursos A Ministra da Gestão e da Inovação afirmou, nesta quinta-feira (02), que pretende reestruturar carreiras e deve abrir novos concursos

#GovernoLula irá contratar mais de 7000 aprovados em concursos públicos.
De acordo com a ministra Esther Dweck (@estherdweck.bsky.social) convocações devem ocorrer entre primeiro e segundo semestre do ano.
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‘Hoje o país está montado para funcionar’, afirma Lula Ao se despedir de ministros que deixam cargos para disputar eleição, presidente enfatiza importância da Política com P maiúsculo e diz que máquina não será paralisada

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Mais de 24 mil vagas e novo plano de carreira: veja o que muda com projeto estratégico aprovado por Lula - Revista Fórum O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (30) o Projeto de Lei nº 5.874/2025, que promove a maior reestruturação das carreiras do

Mais de 24 mil vagas e novo #PlanoDeCarreira: veja o que muda com projeto estratégico aprovado pelo presidente Lula.
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Por que precisamos de mais cientistas sociais no governo? Porque nós somos os profissionais treinados para ler as entrelinhas da realidade, diagnosticar desigualdades e entender como a cultura e as instituições moldam a vida das pessoas. #HumanasNoPoder #CienciasSociais #GovernoLula #Brasil #Brazil

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Conta de luz - governo dará crédito para conter reajustes - 27/03/2026 - Economia Proposta prevê percentual máximo de reajuste em 2026, custo restante seria coberto por empréstimo do BNDES

Conta de luz - governo dará crédito para conter reajustes - 27/03/2026 - Economia: Proposta prevê percentual máximo de reajuste em 2026, custo restante seria coberto por empréstimo do BNDES #ContaDeLuz #GovernoLula

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Governo Lula zera imposto de importação de quase mil produtos, incluindo celulares, computadores e remédios De equipamentos de informática a insumos para fabricação de cerveja, saiba o que deve ficar mais barato nas prateleiras com imposto de importação zerado

Governo Lula zera imposto de importação de quase mil produtos, incluindo celulares, computadores e remédios: De equipamentos de informática a insumos para fabricação de cerveja, saiba o que deve ficar mais barato nas prateleiras com imposto de importação zerado #GovernoLula #ImpostoDeImportação

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"Se precisar, ele é candidato": Lula cogita Camilo Santana como possível trunfo do PT no Ceará - Revista Fórum Ministro Camilo Santana deixará a Educação para coordenar campanha presidencial, mas se mantém apto a disputar cargos majoritários caso o cenário exija

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Presidente Lula cogita Camilo Santana como possível trunfo do #PT no #Ceará.
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Governo Lula tenta repassar aos Estados o custo do subsídio ao diesel Medida substitui a suspensão do ICMS e tenta evitar desabastecimento diante da alta global dos preços do diesel

Governo Lula tenta repassar aos Estados o custo do subsídio ao diesel: Medida substitui a suspensão do ICMS e tenta evitar desabastecimento diante da alta global dos preços do diesel #GovernoLula #subsídio

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‘Família Bolsonaro governa com submissão a Trump’, afirma presidente do PT Edinho Silva acredita que eleição deste ano vai refletir a disputa entre dois projetos. Ele reforça que Flávio Bolsonaro não nasceu da casca do ovo e representa o pai

Edinho Silva, presidente do #PT,
disse que é incomparável a situação do Brasil atual com o país que o presidente Lula herdou de Bolsonaro.
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Minha Casa, Minha Vida: 87,5 mil famílias vão pagar juros mais baixos Conselho Curador do FGTS aprovou aumento dos limites de renda para o programa. Rui Costa cita paralisia de entrega das moradias sob Bolsonaro e pede comparação com Lula

#MinhaCasaMinhaVida: 87,5 mil famílias vão pagar juros mais baixos.

Conselho Curador do FGTS aprovou aumento dos limites de renda para o programa.
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Brasil está perto de atingir meta de 80% das crianças alfabetizadas Lula comemora dados que mostram avanço da alfabetização. Presidente esteve em cerimônia para premiar 4,7 mil instituições de ensino de todo país

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Brasil está perto de atingir meta de 80% das crianças alfabetizadas.
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Trabalhadores Sem Terra bloqueiam rodovia em Tocantins, em setembro de 2025, para pressionar pela desapropriação de duas propriedades rurais. Foto: MST/Divulgação _Por Daniel Camargos Do Repórter Brasil_ O TERCEIRO GOVERNO do presidente Lula (PT) passou os dois primeiros anos sem desapropriar latifúndios improdutivos para destiná-los à reforma agrária. A prática só foi retomada em 2025, ainda de forma bastante tímida, segundo dados do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) analisados pela Repórter Brasil. Os números foram obtidos com exclusividade pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. A planilha reúne os decretos desapropriatórios editados, em hectares, entre 1995 e janeiro de 2026, e mostra que não houve nenhum centímetro de terra desapropriado em 2023 e 2024, justamente nos anos seguintes ao governo de Jair Bolsonaro (PL), quando essa medida foi interrompida. Considerando apenas os anos fechados de 2023, 2024 e 2025, o governo petista desapropriou 13,3 mil hectares, ficando abaixo do observado nos dois últimos anos do governo de Michel Temer (MDB), com 14,3 mil hectares em 2017 e 2018. Os dados disponíveis são organizados por ano, o que impede separar com precisão as desapropriações realizadas pela segunda gestão de Dilma Rousseff (PT) e por Temer em 2016, ano do impeachment da ex-presidente. _Arte: Rodrigo Bento/Repórter Brasil_ Com a inclusão das desapropriações de janeiro de 2026, o volume do governo Lula 3 sobe para 20,8 mil hectares, área equivalente a do município do Recife. No entanto, a diferença para outros momentos da série histórica é ampla. No primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por exemplo, foram desapropriados 7,3 milhões de hectares, uma extensão comparável à da Irlanda. Desde então, os números foram caindo a cada gestão, com queda ainda mais acentuada a partir do segundo governo Dilma. O total desapropriado no primeiro mandato da ex-presidente, contudo, supera em quase 20 vezes o resultado alcançado até agora por Lula 3. João Pedro Stédile, fundador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e um de seus principais líderes, interpreta os dados como sinal da ausência de uma política estruturada de reforma agrária. “O Brasil não tem um projeto de desenvolvimento nacional que oriente as ações do governo, os investimentos e as prioridades”, afirmou à **Repórter Brasil**. Para ele, a forma como os resultados são apresentados mistura ações distintas e dificulta a compreensão do que de fato corresponde à redistribuição de terras. Stédile classifica esse procedimento de “malandragem”. _Arte: Rodrigo Bento/Repórter Brasil_ ## Diretora do Incra diz haver mudança na forma de obter terras Em entrevista à **Repórter Brasil** , a diretora de Obtenção de Terras do Incra, Maíra Coraci, disse que o que houve no governo Lula 3 foi uma mudança na forma de obter terras. “A desapropriação é o último instrumento”, afirmou. “Se eu posso resolver por compra, sem envolver o Judiciário, eu consigo dar a terra mais rápido para as famílias”, argumentou. Para Coraci, o objetivo continua sendo o mesmo, mas com menos conflitos e menos demora. Dados do Incra apresentados por ela indicam que, entre 2023 e 2026, foram obtidos 577,6 mil hectares para a reforma agrária por diferentes caminhos. A maior parte veio de compra e venda de terras, que somou 359,3 mil hectares. Já as desapropriações ficaram em cerca de 12,4 mil hectares no período. Também entram na conta áreas arrecadadas como terra pública, além de imóveis obtidos por leilão, doação e outros mecanismos. “A gente quer obter a terra pelo meio mais rápido e mais econômico possível”, disse. Coraci afirmou que, ao assumir, o Incra não tinha estrutura nem orçamento para retomar imediatamente as desapropriações, após um período de paralisação da política no governo Jair Bolsonaro. Segundo ela, foi preciso reconstruir a área responsável, recriar a diretoria de Obtenção de Terras e reorganizar processos que estavam parados há anos. A diretora também citou mudanças no campo, como o aumento do preço da terra e a redução de áreas consideradas improdutivas. Nesse cenário, diz, o governo optou por negociar sempre que possível. “Estamos tirando do latifúndio do mesmo jeito”, afirmou. “O que muda é o caminho”, entende. ## Governo Lula 3 adota critérios mais amplos de balanço da reforma agrária Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que as transformações ocorridas no campo brasileiro nos últimos anos, com o avanço do agronegócio, a expansão da produção agrícola e a pressão por produtividade, têm restringido a atuação do Estado, uma vez que tem sido mais difícil encontrar grandes imóveis improdutivos. Mas criticam a gestão Lula 3 por misturar mecanismos diferentes em seus balanços da reforma agrária. Isso porque o uso da área total de terras desapropriadas como critério de avaliação da política de reforma agrária não coincide com a forma como o atual governo apresenta seus resultados nesse campo. A estratégia é considerar o número de famílias alcançadas por diferentes modalidades de política fundiária, não necessariamente as que foram assentadas em terrenos desapropriados. No terceiro mandato de Lula, o governo passou a divulgar como principal balanço da política agrária o número de famílias incluídas no PNRA (Programa Nacional de Reforma Agrária). Entre 2023 e 2025, foram 229.991 famílias. Esse total reúne diferentes modalidades de atendimento, como assentamentos em novas áreas, regularização fundiária, reconhecimento de famílias e concessão de crédito e infraestrutura. _João Pedro Stédile, dirigente do MST, classifica de “malandragem” a forma como os resultados da reforma agrária são apresentados pelo atual governo. Foto: Lula Marques/Agência Brasil_ Em abril de 2024, no lançamento do programa Terra da Gente, o governo apresentou a meta de beneficiar 295 mil famílias até o final de 2026. O programa é a principal aposta do ministro do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Paulo Teixeira. A proposta teve como foco organizar as chamadas “prateleiras de terras”, um conjunto de imóveis previamente identificados e classificados conforme sua situação jurídica e viabilidade de destinação. “Não há reforma agrária nem clássica, nem popular”, avalia Stédile. Segundo o dirigente do MST, a atuação atual do governo na área é fragmentada e sem alcance suficiente. Ele também entende que não houve retomada consistente de vistorias em fazendas nem avanço relevante na incorporação de novas áreas. Sem enfrentar a concentração fundiária, diz, as medidas anunciadas pelo governo não configuram reforma agrária. ## ‘Reforma agrária é penalização do latifúndio’, afirma pesquisador Para o geógrafo Marco Mitidiero, professor da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e pesquisador da questão agrária, a forma como os dados são apresentados interfere diretamente na avaliação de uma política. “Reforma agrária é penalização do latifúndio”, afirma. Segundo ele, o que a define é a desapropriação de imóveis que não cumprem função social, medida que não pode ser confundida com outros mecanismos. “Regularização fundiária é regularização fundiária. Usucapião é usucapião. E reforma agrária é reforma agrária”, diz. Na avaliação do pesquisador, quando instrumentos diferentes são colocados sob a mesma rubrica, o resultado pode até crescer, mas perde precisão. Mitidiero aproxima essa leitura da obra do geógrafo Ariovaldo Umbelino (1947–2025), que foi professor da USP (Universidade de São Paulo) e é referência na geografia agrária brasileira. Em artigo publicado em 2006, intitulado _A não reforma agrária do MDA/INCRA no governo Lula_, Umbelino criticou justamente esse tipo de procedimento, já adotado na época. Para ele, ao reunir regularização fundiária, reassentamentos e outros mecanismos administrativos sob a mesma categoria, as estatísticas oficiais ampliavam os números sem que isso implicasse, necessariamente, a desapropriação de grandes propriedades ou mudanças na estrutura fundiária. ## Queda das desapropriações está ligada à transformação do campo, dizem especialistas A pesquisadora Yamila Goldfarb,presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária), entende que a queda nas desapropriações precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo de transformação do campo brasileiro, marcada pelo avanço do agronegócio e pela valorização das terras. “A desapropriação está ligada à improdutividade. E hoje é mais difícil encontrar grandes áreas improdutivas como no passado”, explica ela, que é professora visitante da Universidade Federal do ABC. Segundo a pesquisadora, a expansão da produção agrícola e a pressão por produtividade reduziram o universo de imóveis que podem ser enquadrados como não produtivos. Na prática, áreas que em décadas anteriores poderiam ser alvo de desapropriação passaram a ser incorporadas à lógica de mercado, ainda que de forma limitada ou com baixa eficiência. _Governo Lula 3 passou a divulgar como principal balanço da política agrária o número de famílias incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária. Foto: Ricardo Stucker/PR_ Goldfarb explica que esse cenário altera o alcance da política, sem eliminar sua importância. “Isso não significa que a desapropriação deixou de ser importante, mas que passou a operar em um contexto mais restrito”, afirma. Para ela, essa mudança ajuda a entender a redução dos números mais recentes, mas não resolve, por si só, o debate sobre o papel da reforma agrária hoje. A pesquisadora avalia que, em razão dessa transformação, o tema perdeu espaço no debate público e deixou de ser tratado como prioridade, inclusive em setores da esquerda. Segundo ela, isso ajuda a explicar não apenas os números, mas também a dificuldade de mobilização em torno da reforma agrária. ## ‘O fazendeiro tem que ser muito ruim para ser improdutivo hoje’, avalia pesquisador O engenheiro florestal Acácio Leite, vice-presidente da Abra, concorda: “O fazendeiro tem que ser muito ruim para ser improdutivo hoje”, afirma. “Encontrar uma área nessas condições é como achar uma agulha no palheiro”, diz. Segundo ele, a exigência de produtividade, combinada com o avanço tecnológico e a pressão de mercado, fez com que a maior parte das propriedades passasse a atender, ao menos formalmente, os critérios de produtividade exigidos pela legislação. Na prática, pontua, isso altera as condições em que o Estado pode atuar, restringindo o alcance da desapropriação como instrumento, sobretudo nas regiões mais integradas ao agronegócio, onde há maior controle sobre o uso da terra e maior capacidade de adaptação às exigências legais. Leite destaca ainda que a desapropriação de terras é um procedimento técnico e administrativo complexo, que depende de equipes estruturadas e de capacidade operacional. Antes da assinatura de um decreto, explica, é necessário realizar vistoria no imóvel, análise jurídica da propriedade, estudo da cadeia dominial e consulta a diferentes órgãos públicos sobre eventuais interesses na área. Um dos fatores para a ausência de desapropriações em 2023 e 2024, diz, foi o desmonte promovido no governo de Jair Bolsonaro, que extinguiu a diretoria responsável pela obtenção de terras. A retomada dessa estrutura ocorreu apenas no atual mandato e, segundo ele, “demorou dois anos para recriar”. Para Leite, esse intervalo ajuda a entender o vazio inicial nos primeiros anos de governo Lula 3, mas não explica sozinho o cenário atual. Ele chama atenção para o fato de que a desapropriação, além de limitada, envolve pagamento ao proprietário, o que impõe custos elevados ao Estado e condiciona sua aplicação a restrições orçamentárias. Edição **Igor Ojeda** * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy

Em 3 anos, governo Lula 3 desapropria menos terras para reforma agrária que Temer.
- bsmst
mst.org.br/2026/03/24/em-3-anos-gov...
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Mutirão nacional amplia acesso a cirurgias e exames para mulheres no sistema público de saúde O maior mutirão já realizado no sistema público de saúde voltado exclusivamente para mulheres ocorreu no último fim de semana, mobilizando estruturas hospitalares em todo o país. A iniciativa…

Programa Agora Tem Especialistas:
Mutirão nacional amplia acesso a cirurgias e exames para mulheres no sistema público de saúde.
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Nova área protegida, ampliação de conservação e proteção: entenda decretos assinados por Lula na COP15 - Revista Fórum O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou as prioridades para o governo brasileiro nos debates que ocorrerão durante a 15ª Conferência das Nações Unidas

#MeioAmbiente:
Presidente Lula assinou três decretos para criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, ampliação do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e ampliação da Estação Ecológica de Taiamã.
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Pé-de-Meia paga benefício de até R$ 400 em março com depósitos acumulados; veja o calendário - Revista Fórum Os estudantes da rede pública incluídos no programa Pé-de-Meia começam a receber, ainda em março, uma rodada de pagamentos com valor ampliado. Neste mês, o

#GovernoLula:
Os estudantes da rede pública incluídos no programa #Pé-de-Meia começam a receber, ainda em março, uma rodada de pagamentos com valor ampliado.
revistaforum.com.br/brasil/pe-de...

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Lula anuncia R$ 9 bi para Petrobras em MG e geração de 36 mil empregos Visita também amplia expectativas sobre definição do nome apoiado pelo petista ao governo de Minas…

Presidente Lula anuncia R$ 9 bi para #Petrobras em #MinasGerais e geração de 36 mil empregos
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Universidade: e depois do fim da lista tríplice?.
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2026: Por que não basta apenas vencer eleições .
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Padilha vai à China para impulsionar serviços inteligentes do SUS Ministro Alexandre Padilha se reuniu com executivos de empresas em Shenzhen, na China, em busca de parcerias com o SUS

#GovernoLula:
Ministro da Saúde Alexandre Padilha (@padilhando.bsky.social) vai à China para impulsionar serviços inteligentes do #SUS.
tvtnews.com.br/padilha-vai-...

#SaúdeParaTodos
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